Do UOL
Depois de perder a única governadora eleita no Nordeste em 2022 (Raquel Lyra, em Pernambuco, que foi para o PSD em março de 2025), o PSDB conseguiu filiações importantes e deve voltar a ser protagonista nas eleições em alguns estados.
Ao menos dois nomes recém-chegados ao tucanato são pré-candidatos aos governos de estado do Nordeste e despontam bem nas pesquisas: o ex-governador cearense Ciro Gomes, que deixou o PDT e se filiou em outubro de 2025; e o prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC, que trocou o PL pelo PSDB.
Leia maisA filiação de JHC é nova: em postagem na manhã de ontem (2), Aécio Neves, presidente Nacional do PSDB, comemorou a filiação do prefeito de Maceió e citou que se trata de “um movimento que reposiciona o cenário político no estado e fortalece o partido no Nordeste”. Junto a JHC, também se filiaram ao PSDB sua esposa (Marina Cândia) e a mãe dele, a senadora Eudócia Caldas.
Troca de lideranças
Curiosamente, os dois nomes entraram para presidir os partidos em seus estados, recebendo o bastão de lideranças históricas do PSDB, mas que estão fora de disputas eleitorais há alguns anos. São eles:
No Ceará, o ex-governador e ex-senador Tasso Jereissati, que deixou a política ao final de 2022 após concluir mandato no Senado;
Em Alagoas, o também ex-governador e ex-senador Teotonio Vilela Filho, que não se candidatou mais após deixar o governo do estado ao final de 2014.
Ambos foram determinantes para as filiações dos nome de peso, que articularam dar a liderança estadual do partido para Ciro e JHC.
Outros nomes
Com grandes nomes em suas fileiras, o PSDB também atraiu aliados para sua bancada.
Em Maceió, até esta quinta-feira, ao menos três vereadores de Maceió se filiaram e mais sete são esperados. Todos são base de apoio do prefeito.
No Ceará, além de prefeitos, um grupo de seis deputados estaduais deve assinar a ficha de filiação ao PSDB, vindos de União Brasil e PDT. O deputado federal Danilo Forte (CE) também anunciou que deixa o União para ir para o partido.
Além dos dois estados, o partido também conseguiu avançar no Maranhão, onde filiou o deputado federal e ex-ministro de Lula, Juscelino Filho.
“O ato de filiação, liderado pelo presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, também marcou a entrada de um grupo expressivo de prefeitos e lideranças municipais, ampliando a base política tucana e reforçando a presença do partido no interior maranhense”, disse comunicado na página do partido.
Renovação
Após a eleição de 2014, o partido foi encolhendo gradativamente e hoje não tem mais governadores no país e conta com apenas três senadores —um deles do Nordeste: Styvenson Valentim (RN).
Para a cientista política Luciana Santana, da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), apesar de o PSDB ter perdido protagonismo, não deixou de ter uma “relevância simbólica para o país”. “Ele tem um legado importante”, diz.
“O Aécio conseguiu fazer uma aposta nos últimos dois anos de reorganizar o partido e ser uma alternativa diante da polarização. Ele quer mostrar que é uma direita diferenciada de Caiado, de Zema, de Ratinho, de Tarcisio”, explica.
“Isso, a meu ver, tem dado certo, tem conseguido agregar nomes de peso e está apostando alto nessa eleição para apresentar uma situação melhor que 2022. Mas vejo que o objetivo principal, mais que governos, é ampliar a bancada federal. É um movimento de reconstrução”, diz Luciana.
Ela explica que esse modelo de direita mais moderada encontra naturalmente mais facilidade de diálogo no Nordeste, já que a região é a menos bolsonarista do país. Isso explica como o partido conseguiu a adesão de nomes fortes em estados-chave.
“Você tem direita no Nordeste que dialoga bem com a esquerda, com lideranças como Teotonio e Tasso que faziam isso com o governo Lula. Eles sempre tiveram um discurso mais moderado, e isso é mais difícil de achar hoje em estados de outras regiões por causa das bases eleitorais, onde há uma cristalização de preferência: as pessoas tendem a não deixar ao bolsonarismo, aconteça o que for.”
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