Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Leandro Grass lança sua pré-candidatura ao governo do Distrito Federal no dia 19 de abril. Junto, serão lançadas as candidaturas da deputada Erika Kokay (PT) ao Senado e da senadora Leila Barros (PDT), que tentará a reeleição. Grass reserva o posto de vice-governador para o PSB. Para o ex-interventor na Segurança Pública do DF, Ricardo Capelli, ou algum outro nome que o partido indique. O PSB, porém, resiste. Capelli também é candidato ao governo do DF e, por enquanto, não demonstra intenção de desistir. Grass conversa com o PSB, assim como com outros partidos, mas evitando uma pressão excessiva.
Situação pode atrapalhar a ambos
Mas, junto à equipe de Grass, há a convicção de que a insistência nas duas candidaturas pode acabar atrapalhando ambos os projetos. Um histórico das eleições no Distrito Federal mostraria que as derrotas do grupo de esquerda na capital federal aconteceram justamente quando o grupo não se uniu. Essa falta de unidade estaria na explicação do fato de a esquerda ter governado o DF três vezes e ter perdido a hegemonia para a direita.
Leia maisPSB teve candidato até agosto
Em 2022, o PSB teve um candidato próprio ao GDF até agosto. Somente aí é que acabou aderindo à candidatura de Leandro Grass que, ao final, perdeu as eleições para Ibaneis Rocha (MDB), que se reelegeu governador. Há uma avaliação de que o atraso no posicionamento do PSB acabou enfraquecendo a aliança. E mesmo o desempenho do próprio PSB. O ex-governador Rodrigo Rollemberg, por exemplo, só conseguiu se tornar deputado federal quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mudou a interpretação sobre as “sobras eleitorais”.
Em 2018, Rollemberg apoiou Ciro
Em 2018, então governador, Rodrigo Rollemberg apoiou a candidatura de Ciro Gomes, do PDT, contra o candidato do PT, que foi Fernando Haddad, derrotado por Jair Bolsonaro, que se elegeu presidente. Rollemberg tentou a reeleição como governador e perdeu para Ibaneis Rocha. O PT teve como candidato a governador Júlio Miragaya, que teve somente 4% dos votos.
Embolou
No DF, a única pesquisa para governador feita este ano é do Instituto Veritá, em março. Ela mostra que a crise do Banco Master/BRB embolou a corrida eleitoral, com um empate quádruplo entre José Roberto Arruda (PSD), a governadora Celina Leão (PP), o senador Izalci Lucas (PL) e Grass.
Celina
Nessa pesquisa, Arruda tem 24%. Celina, 22%. Izalci, 21,5%. E Grass, 21,4%. Capelli, somente 4,7%. As pesquisas internas, mais recentes, feitas pelo PT também mostram esse cenário embolado. Mas apontam para uma vantagem maior de Celina, não de Arruda, como apontou o levantamento de março.
Pandora
Na sua pesquisa interna, o PT perguntou aos entrevistados se eles tinham conhecimento da Operação Caixa de Pandora, aquela que condenou Arruda e o tornou inelegível. Diante da resposta positiva, 36% disseram que não votariam em Arruda pelo seu envolvimento nesse caso. E associam isso ao caso Master.
Elegível
Arruda ainda não tem segurança absoluta de que está elegível. Entende que a mudança que houve na Lei da Ficha Limpa muda o tempo de inelegibilidade e o beneficia. Essa questão, porém, ainda está na Justiça. Se o entendimento prevalecer, Arruda ainda estaria inelegível até 2032. Pode acabar concorrendo sub judice.
Chance
Toda essa confusa situação no DF, depois da eclosão da crise Master/BRB, deu uma possível chance à esquerda, que antes não parecia ter a menor chance de acontecer. Tanto que a mesma pesquisa Veritá aponta para a chance de Erika Kokay conseguir uma vaga para o Senado atrás de Michelle Bolsonaro.
Oportunidade
Assim, a avaliação do PT é que uma união de forças agora seria importante, especialmente para Lula, que teria um palanque consolidado no DF, fortalecendo-se. E para os partidos aliados a ele que, diante do quadro de confusão gerado pelo caso Master/BRB, teriam agora uma janela de oportunidade.
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