É um cenário incomum e politicamente preocupante. Em vez de reduzir os índices de avaliação negativa com entregas, obras e presença efetiva, o Governo Raquel Lyra caminha na direção oposta: amplia o contingente da população/eleitores que consideram a gestão ruim ou péssima justamente no momento em que deveria estar consolidando apoio para uma tentativa de reeleição.
Os dados mais recentes – da pesquisa Datafolha divulgada ontem – escancaram essa inversão de lógica. A rejeição deu um salto significativo, crescendo de forma contínua e consistente, enquanto a avaliação positiva permanece praticamente estagnada. O resultado é um desequilíbrio claro: o governo não consegue ampliar sua base de aprovação e, ao mesmo tempo, vê crescer o volume de insatisfação.
Esse movimento não é trivial. Ele indica que parte relevante dos eleitores que antes adotavam uma postura intermediária, avaliando a gestão como regular, está abandonando essa posição e migrando para uma visão mais crítica. É um sinal direto de desgaste, que costuma surgir quando a expectativa inicial não encontra respaldo na realidade percebida no dia a dia.
O contraste com ciclos anteriores da política pernambucana torna esse quadro ainda mais evidente. Momentos marcados por forte presença do Estado e ritmo acelerado de entregas ajudavam a comprimir as avaliações negativas e ampliar o capital político dos governos. Agora, ocorre o inverso: a ausência de respostas concretas abre espaço para o crescimento da frustração.
O que a pesquisa revela, portanto, vai além de números isolados. Trata-se de uma tendência de deterioração que, se mantida, pode comprometer seriamente a capacidade de reação do governo no campo político. Em um ambiente onde a percepção pesa tanto quanto a ação, permitir que a rejeição avance sem contenção é correr o risco de transformar um alerta em crise consolidada.
O psiquiatra, professor e escritor brasileiro Augusto Jorge Cury é o meu convidado do podcast Direto de Brasília, da próxima terça-feira (21), em parceria com a Folha de Pernambuco. Autor da Teoria da Inteligência Multifocal, seus livros foram publicados em mais de 70 países, com mais de 25 milhões de livros vendidos somente no Brasil. Na pauta, a sua recente decisão em concorrer à presidência da República pelo Avante.
Cury é reconhecido como um dos escritores brasileiros mais bem-sucedidos do século XXI. Ao ingressar na política, ele se apresenta como alternativa para quebrar a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Cury se propõe a romper a lógica da radicalização e ocupar um espaço de “terceira via”, baseado em projetos e pacificação.
“Eu sou uma terceira via, mas eu não sou uma terceira via de alguém que entra para concorrer só porque existe uma polarização, existe uma radicalização. Eu sou uma terceira via consciente”, disse ele numa recente entrevista.
Cury nasceu em Colina, município de São Paulo, no dia 2 de outubro de 1958. Formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e concluiu o seu doutorado internacional em Psicologia Multifocal pela Florida Christian University, no ano de 2013, com a tese “Programa Freemind como ferramenta global para prevenção de transtornos psíquicos”.
Na carreira, dedicou-se à pesquisa sobre as dinâmicas da emoção. Cury é professor de pós-graduação e conferencista em congressos nacionais e internacionais.
O Direto de Brasília vai ao ar hoje, das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, e também em cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste. Retransmitem o programa a Gazeta News (Grupo Collor) em Alagoas; a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras na Paraíba; a Mais-TV (sob o comando do jornalista Heron Cid); a Rede ANC, no Ceará, com mais de 50 emissoras; e a LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são: Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, Autoviação Progresso, Grupo Antonio Ferreira Souza, Água Santa Joana, Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
A Auto Viação Progresso, empresa fundada em Garanhuns, anunciou o lançamento de um novo serviço em sua frota: o “Suíte Cama”. Com a implementação deste novo modelo em suas linhas, a companhia torna-se a primeira empresa de ônibus do Nordeste e a segunda do Brasil a oferecer este padrão de serviço.
Conforme divulgado pela empresa, os veículos do tipo Double Decker oferecem cabines individuais privativas, com foco em ergonomia e isolamento acústico. O projeto inclui, ainda, a instalação de tecnologia de internet via satélite, através da Starlink, permitindo conectividade de alta velocidade durante o percurso. O posicionamento da empresa destaca que a proposta é elevar o nível do serviço de transporte oferecido no mercado regional.
A trajetória da Progresso iniciou-se em 1932, no município de Garanhuns, no interior de Pernambuco. O negócio foi fundado por João Tude de Melo, que iniciou sua vida profissional aos 12 anos como carregador de bagagens e, aos 18, tornou-se motorista de caminhão. Após estabelecer uma oficina mecânica, deu início à sua própria frota.
A empresa João Tude de Melo surgiu em Garanhuns ainda na década de 30. Em 1934, a companhia criou a primeira linha regular de ônibus do Nordeste brasileiro, realizando o trajeto entre Garanhuns e Recife, em um percurso de 250 km que durava 15 horas em estradas de terra.
Em 1940, o fundador João Tude de Melo projetou o primeiro ônibus construído no país com motor interno e frente reta da América do Sul. No mesmo ano, a empresa inaugurou as linhas Recife-Rio de Janeiro e Recife-São Paulo.
Devido ao sucesso operacional, o então governador de Pernambuco, Agamenon Magalhães, convidou a empresa para transferir suas bases para a capital. Em 1952, a razão social foi alterada para Auto Viação Progresso Ltda.
O governo dos Estados Unidos (EUA) enviou recado ao presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, sobre ofensiva que pretende fazer contra as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em reunião com Galípolo, autoridades norte-americanas avisaram que Washington caminha para classificar CV e PCC como organizações terroristas, a despeito da resistência da administração Lula. O Departamento de Estado argumenta que esses grupos movimentam grandes quantias por meio de lavagem de dinheiro e que o aumento do rigor, por meio da nova classificação, facilitará a asfixia financeira.
O aviso com antecedência é considerado uma “deferência” ao Brasil, tendo em vista que há países que não foram informados previamente sobre a medida. O México, por exemplo, não recebeu tal comunicado antes de a Casa Branca classificar seis grandes cartéis como terroristas.
A provável classificação de CV e PCC como organizações terroristas estrangeiras [FTOs, na sigla em inglês] representa mudança de paradigma na política externa dos EUA para a América Latina. O status de terrorismo aciona o braço financeiro do Departamento do Tesouro com mais rigor.
Isso permite o congelamento imediato de ativos em solo americano e proíbe qualquer entidade ou indivíduo sob jurisdição dos EUA de fornecer suporte material, o que cria barreira para a utilização do sistema bancário global por essas facções.
Depois de percorrer o Estado, João cresce e venceria já no 1º turno
A nova rodada da Datafolha sobre a disputa pelo Governo de Pernambuco oferece mais do que números: revela movimento político, tendência de crescimento e, sobretudo, mudança de clima na corrida eleitoral. O dado mais evidente é o avanço de João Campos (PSB), após iniciar uma agenda mais intensa pelo interior do Estado.
A presença fora da Região Metropolitana do Recife, historicamente decisiva em eleições estaduais, começa a produzir efeitos concretos. Ao transformar atos políticos em mobilizações expressivas, especialmente no Sertão, Campos demonstra capacidade de expansão territorial e conexão popular. O resultado aparece na pesquisa: 54% dos votos válidos, o que o colocaria em condição de vitória já no primeiro turno.
Esse movimento tem um peso simbólico relevante. Não se trata apenas de liderar, mas de crescer no momento em que a campanha ganha rua, corpo e capilaridade. Em eleições estaduais, esse tipo de inflexão costuma indicar não apenas consolidação de base, mas também potencial de atração de indecisos e eleitores moderados.
Do outro lado, o levantamento representa uma frustração clara para o Palácio do Campo das Princesas. A expectativa era de redução mais acelerada da diferença, especialmente diante da estrutura institucional e da visibilidade inerente ao governo. A chamada “máquina pública”, tradicionalmente um ativo relevante em disputas desse tipo, ainda não se traduziu em encurtamento consistente da distância em relação a Raquel Lyra (PSD).
Ao contrário, o cenário atual sugere estabilidade, ou até ampliação, da vantagem do adversário. Outro ponto que chama atenção é o contraste com levantamentos recentes de outros institutos. Pesquisas como as da Simplex, sediada em Caruaru, e da Veritá, esta última inclusive alvo de questionamentos e impugnações, indicavam um cenário muito mais equilibrado, chegando a apontar empate técnico. A diferença era grande para outros institutos nacionais, a exemplo da Big Data.
A divergência reforça o papel do Datafolha como referência e introduz um elemento de reavaliação no debate público: afinal, qual retrato melhor captura o momento da eleição?
Por fim, há um componente político mais amplo que não pode ser ignorado. Para uma candidatura de oposição, enfrentar a estrutura do governo e, ainda assim, largar com vantagem significativa é um indicativo de força. No caso de João Campos, esse capital se amplia quando se observa o desempenho dos nomes aliados ao Senado, que também aparecem na dianteira.
Trata-se de um sinal de coerência estratégica e de construção de palanque sólido. Isso é algo que, em eleições majoritárias, costuma fazer diferença tanto na campanha quanto na governabilidade futura.
A fotografia revelada pela pesquisa, portanto, não é apenas um registro estático. É um retrato em movimento, que mostra uma candidatura em expansão, um governo ainda em busca de tração eleitoral e um cenário que, embora aberto, já aponta tendências relevantes para os próximos capítulos da disputa pernambucana.
FATO NOVO – Explosivo, pavio curto, mas extremamente preparado e conhecedor dos problemas brasileiros, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que lidera as pesquisas para governador do Ceará, pode rever seus planos e disputar, mais uma vez, a Presidência da República. De volta ao ninho tucano, por insistência do amigo Tasso Jereissati, Ciro está avaliando o desafio. O convite partiu do presidente do PSDB, Aécio Neves. “Fiz um apelo para que ele lidere um novo caminho para o Brasil”, afirmou. Ciro disse ter recebido o chamado com “surpresa e alegria”, mas indicou que ainda não tomou uma decisão. “Um apelo como esse não pode ser considerado apenas um agrado ao meu sofrido coração”, declarou.
A PIOR E MELHOR DISPUTA – Ciro Gomes disputou a Presidência da República quatro vezes. O político concorreu ao cargo mais alto do país nos anos de 1998, 2002, 2018 e 2022, não chegando ao segundo turno em nenhuma dessas ocasiões, sendo a primeira pelo PPS, estimulado pelo ex-presidente da legenda, Roberto Freire. Ainda no PPS, em 2002 contou com o apoio do PDT e do PTB. Já em 2018 e 2022, foi candidato pelo PDT. A eleição de 2022 marcou o pior desempenho de Ciro, obtendo 3,04% dos votos válidos, enquanto sua melhor votação foi em 2018, com 12,47%.
Aliança inédita com o PL – Uma eventual saída de Ciro do páreo estadual no Ceará impacta alianças locais, com o PL cearense avaliando manter alianças estratégicas no Nordeste. A possível candidatura de Ciro ao Governo do Ceará, caso não vá à presidência, teria o apoio do PL, com Roberto Cláudio como vice. Ciro tem feito críticas ao governo Lula, posicionando-se como opção de centro-esquerda/centro-direita. Analistas pontuam riscos, citando a polarização que pode desgastar candidaturas de centro, semelhante ao ocorrido em 2022. A transferência de votos de Ciro para aliados no Ceará também é considerada incerta.
Fraude de R$ 12 bilhões – A investigação da Polícia Federal que levou à prisão, ontem, do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do advogado Daniel Monteiro, aponta indícios de uma operação financeira de R$ 12,2 bilhões arquitetada pelo banco público e o Master por “pura camaradagem” como “tentativa de abafar a fiscalização” feita pelo Banco Central (BC). De acordo com o inquérito, o BRB realizou operações inconsistentes com o Master numa tentativa de dar uma sobrevida à instituição financeira de Vorcaro enquanto o Banco Central analisava a proposta de venda do banco. Em março deste ano, o BRB propôs a compra do Master, mas o negócio foi vetado pelo BC.
Negociação com o BRB – Necessitando de recursos enquanto o BC avaliava a operação, o Master negociou com o BRB a venda de carteiras de crédito (direitos sobre empréstimos) para captar recursos — e ganhar um fôlego a mais no mercado. No entanto, para as autoridades, essas transações foram uma forma de driblar o Banco Central. Em sua manifestação sobre o caso, o Ministério Público Federal afirmou que o Master “teria adquirido carteiras de crédito” de uma empresa dirigida por um ex-funcionário “sem realizar qualquer pagamento” e, logo em seguida, revendeu esses títulos ao BRB, recebendo pagamento imediato, “resultando na transferência, de janeiro a maio de 2025, de R$ 12,2 bilhões”.
Messias teria hoje 45 votos – Em conversas privadas, o pernambucano Jorge Messias, escolhido pelo presidente Lula para ocupar a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal, estima que sairá da votação no Senado com cerca de 45 votos dos 81 possíveis — quatro a mais que o mínimo necessário. Ele tem dito que bastam 41, mas que não custa nada uns 10% a mais para garantir. O Governo criou uma verdadeira força-tarefa para aprovar com folga a indicação dele.
CURTAS
ASSÉDIO – O Ministério Público do Trabalho em Pernambuco obteve decisão favorável, em primeira instância, em Ação Civil Pública ajuizada pela procuradora do Trabalho Vanessa Patriota em face da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás). A sentença, proferida pela 23ª Vara do Trabalho do Recife, reconheceu a prática de assédio moral organizacional na empresa e fixou indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 3.429.113,49.
EMENDAS – O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, confirmou sua presença no congresso municipalista da Amupe, entre os dias 27 e 28 próximos. Será uma palestra e, ao mesmo tempo, um conjunto de orientações aos municípios sobre destinação, liberação e investimento de emendas parlamentares.
PODCAST – O pré-candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, estará no meu podcast Direto de Brasília, em parceria com a Folha de Pernambuco, da próxima terça-feira. Na pauta, suas ideias para o Brasil, com ênfase para as políticas de desenvolvimento regional.
Perguntar não ofende: Ciro vai trocar a disputa cearense pela presidencial?