João abre enorme vantagem digital sobre Raquel
O cenário político pernambucano começa a ganhar novos contornos no ambiente digital, e João Campos larga, neste momento, com uma vantagem expressiva. Ao atingir, ontem, a marca de 3 milhões de seguidores no Instagram, o pré-candidato ao Governo do Estado consolida uma presença digital que vai além da popularidade: trata-se de uma ferramenta estratégica de comunicação direta com o eleitorado.
Em comparação, a governadora Raquel Lyra soma cerca de 1,6 milhão de seguidores na mesma plataforma. A diferença numérica, por si só, já indica um desequilíbrio relevante. Mas o impacto real está na capacidade de engajamento e difusão de conteúdo — um fator decisivo em campanhas contemporâneas.
As redes sociais deixaram de ser apenas vitrines pessoais e passaram a funcionar como arenas políticas. É nelas que narrativas são construídas, críticas ganham escala e pautas são rapidamente disseminadas. Nesse contexto, João Campos demonstra habilidade ao ampliar o escopo de seus conteúdos, saindo de uma atuação mais municipal para um discurso estadual, alinhado à sua pré-candidatura.
Leia maisUm exemplo claro dessa estratégia ocorreu recentemente, quando ele publicou um vídeo criticando as condições das estradas no Araripe. O conteúdo alcançou cerca de meio milhão de visualizações apenas no Instagram, sem considerar outras plataformas como o Facebook. Esse tipo de alcance imediato evidencia o potencial de mobilização e pressão que uma presença digital robusta pode gerar.
Por outro lado, Raquel Lyra nunca enfrentou, até aqui, um opositor com força significativa nas redes sociais. A ausência de uma contraposição digital consistente permitiu que sua gestão atravessasse períodos de críticas com menor reverberação pública. Esse cenário tende a mudar com a entrada mais incisiva de João Campos, que passa a ocupar esse espaço com intensidade.
Dessa forma, a disputa política em Pernambuco não se dará apenas no campo tradicional, mas também — e talvez principalmente — no ambiente digital. E, nesse quesito, João Campos inicia a corrida com uma vantagem clara, tanto em alcance quanto em capacidade de engajamento, o que pode influenciar diretamente a formação da opinião pública nos próximos meses.
NAS RUAS – Se a campanha não está nas ruas oficialmente, como se dará com o início da propaganda eleitoral em agosto, os candidatos já estão — e há muito tempo. O momento é de invadir o interior. João Campos (PSB) está em peregrinação pelo Sertão do Araripe desde ontem, enquanto Raquel Lyra (PSD) chega hoje a Petrolina para cumprir extensa programação ao lado do clã Coelho, que se recompôs com a gestora depois de bom tempo lado a lado com o agora ex-prefeito do Recife. A política é também uma roda gigante e tem lá suas conveniências.

Dudu da Fonte ou Miguel? – A pergunta que tenho mais ouvido nos últimos dias diz respeito à grande expectativa em relação ao anúncio do segundo candidato ao Senado na chapa da governadora. A disputa está sendo travada entre o presidente da federação Progressista, Eduardo da Fonte, e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. Raquel faz acenos a ambos, mas não abre a boca. Exercita o ensinamento do saudoso e sábio Marco Maciel, que dizia que quem tem prazo não tem pressa.
Pacote eleitoreiro – Conforme era esperado, com medidas extremamente eleitoreiras, o governo Lula anunciou ontem a edição de uma medida provisória (MP), um projeto de lei e decretos para tentar conter a alta dos combustíveis diante da disparada do petróleo por conta do conflito no Oriente Médio. As ações incluem novas subvenções para o óleo diesel, subsídio para o gás de cozinha (GLP), redução de imposto para o querosene de aviação (QAV), crédito para empresas aéreas e reforço de fiscalização. As medidas valem por dois meses, prorrogáveis por mais dois meses.
Violência alarmante – O número de pessoas baleadas durante assaltos no Grande Recife cresceu no primeiro trimestre de 2026. Segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado, divulgado ontem pelo JC, pelo menos 20 vítimas foram atingidas por tiros. Desse total, dez morreram.
Uma das vítimas foi o policial civil Fábio Fernando Souza da Câmara, de 52 anos. Ele foi morto a tiros durante uma tentativa de assalto no bairro de Cidade Tabajara, em Olinda, na noite de 28 de março. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que Fábio, que estava de moto, foi abordado por ocupantes de outra moto, que dispararam contra o agente e fugiram.

O recado do novo prefeito – Ao tomar posse, ontem, o novo prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), afirmou que o “ritmo de trabalho vai permanecer intenso”. Marques assumiu a prefeitura com a renúncia de João Campos para concorrer ao Governo do Estado. A posse aconteceu durante ato realizado na Câmara Municipal do Recife. Marques disse que “não é centralizador” e que tem um “time unido” para fazer “ações colegiadas”. E completou: “Vocês vão me ver sempre nas ruas. Tenho orgulho do time que construiu isso”.
CURTAS
REDUÇÃO – O governo Lula bateu o martelo sobre o conteúdo do projeto de lei com urgência constitucional que enviará ao Congresso Nacional este mês para pôr fim à escala de trabalho 6×1. Além do limite 5×2, o PL prevê a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário. E só.
PRA VALER – O escritor Augusto Cury, lançado como opção presidencial pelo Avante, afirmou, ontem, que vai até o fim com a sua candidatura. Prometeu não usar fundo eleitoral na campanha. “Será uma participação única, não tenho interesse em fazer carreira política”, afirmou.
PODCAST – No podcast Direto de Brasília de hoje, parceria deste blog com a Folha, o deputado Luiz Gastão (PSD-CE) vai tratar do avanço da regulamentação dos aplicativos no País, projeto de sua autoria. Também na pauta, o fim da jornada de trabalho 6/1, da qual é contra, e liderando um movimento para evitar a sua aprovação.
Perguntar não ofende: O pacotaço eleitoreiro de Lula surtirá efeito?
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