Experientes atores da política pernambucana, agindo como donos da bola, montaram uma arapuca para o prefeito do Recife, João Campos (PSB), o mais jovem eleito para comandar uma capital de extrema importância. A governadora Raquel Lyra (PSD), à frente da máquina administrativa e também de experientes conselheiros políticos, imaginou estar dando um drible em João e em toda a oposição.
Usou e abusou do poder, oferecendo mundos e fundos a quem quisesse ficar ao seu lado. Em português claro: o velho “toma lá, dá cá”. Com um sorriso no canto da boca, Raquel afirmou estar “conversando com todo mundo”. Os colunistas palacianos alardearam aos quatro ventos que a governadora tinha dado uma tacada de mestre e levaria vários partidos e lideranças para o seu lado e ainda arrebataria o tão desejado “palanque duplo de Lula.”
Campos, debutando em disputas majoritárias estaduais, deu um xeque-mate ao seu modo, demonstrando maturidade política e forte articulação nacional. Fechou sua chapa com a cara do presidente Lula, afastou qualquer possibilidade de palanque duplo e ainda cravejou o palanque da governadora de direita puro-sangue.
João agora tem sua chapa fechada, praticamente anunciou a sua pré-candidatura e vai para a rua com tudo! Já Raquel parece ter voltado à estaca zero. Aparentemente, ficou sem nomes ao Senado com expressão política reconhecida, estando imprensada no campo da direita com Priscilla Krause, Mendonça Filho, Fernando Dueire e Armando Monteiro.
A foto é clara: uma governadora, candidata à reeleição, sem chapa a poucos meses da eleição. A habilidade incomum de Eduardo Campos de conduzir o xadrez político muita gente já conhecia, mas o que se viu agora é novo na cena política: João deu uma aula de articulação política e mostrou que está pronto para qualquer desafio.
Isso me fez lembrar que, certa vez, uma testemunha do fato me revelou que Carlos Lupi, experiente político nacional, ao conhecer João, já na primeira conversa, saiu com essa: “Filhote de onça já nasce pintado. Esse menino é um craque!”
Com a escolha da ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) para concorrer ao Senado em uma das vagas da chapa liderada pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB), pré-candidato ao governo do Estado, o palanque do gestor ficou “a cara do presidente Lula (PT)”. Tudo leva a crer que a estratégia do socialista foi justamente apresentar um grupo totalmente alinhado ao presidente, já que a outra vaga está destinada ao senador Humberto Costa (PT), que buscará a reeleição.
Além de Marília e Humberto, o candidato a vice-governador de João é Carlos Costa, irmão do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (RP), um nome também próximo do presidente Lula. Sendo Pernambuco um território majoritariamente lulista, João Campos optou por uma composição ideológica ligada à esquerda e acabou jogando a direita e o bolsonarismo para o lado da governadora Raquel Lyra (PSD).
Defensora ferrenha de Lula, Marília Arraes poderia equilibrar o jogo na chapa de Raquel, levando para o grupo da governadora um rosto de esquerda e reforçando a tese de palanque duplo para Lula no Estado. Ao que tudo indica, João quis evitar essa possibilidade fechando um time inquestionavelmente lulista.
A governadora ainda pode buscar um nome mais à esquerda para compor. Há no seu campo político defensores do presidente Lula, não necessariamente petistas. O desafio, no entanto, é encontrar alguém disposto a desistir de uma vaga mais certa, como de deputado federal, para disputar o Senado. Ou seja, João dificultou o xadrez para Raquel ao segurar Marília no seu entorno.
A oficialização da ex-deputada na composição liderada pelo prefeito provocou, ainda, algumas ranhuras internas no PT. Alguns setores em Pernambuco não demonstraram entusiasmo com a composição, embora João Campos tenha feito questão de publicar nas redes sociais uma foto na qual está ao lado do presidente nacional do partido, Edinho Silva, e do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, provando que as articulações passaram pela executiva nacional.
“Ela (Marília) deixou muitas arestas”, avaliou um membro do PT pernambucano, sobre a passagem de Marília pela legenda. A direção estadual do partido chegou a soltar uma nota na qual reforça que a sigla “segue dialogando com sua base, lideranças políticas e movimentos sociais, em sintonia com a direção nacional, buscando construir uma frente capaz de responder aos desafios da conjuntura atual e garantir a defesa da democracia e do povo brasileiro”.
Reunião do diretório – Na mesma nota, o PT em Pernambuco informou que realizará, no sábado, 28/03, reunião do Diretório Estadual “para avaliar e definir a tática eleitoral do partido na construção da chapa majoritária que disputará as eleições ao governo do Estado e ao Senado nas eleições de 2026, alinhada ao projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do senador Humberto Costa, das bancadas federais e estaduais, com ampliação”.
Flávio convoca Anderson – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República em 2026, reforçou a candidatura do ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), ao Senado por Pernambuco. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio afirmou: “Eu quero te convocar para essa missão também, para poder disputar e ser pré-candidato nosso ao Senado em Pernambuco”. Ele defendeu que o PL ofereça ao eleitorado pernambucano “um caminho diferente” nestas eleições. Ferreira respondeu que cumpriu a missão ao lado do pai de Flávio, Jair Bolsonaro, e que cumprirá ao lado do filho, desta vez.
Caso Érika Hilton repercute na Alepe 1 – A deputada Dani Portela (PT) rebateu falas consideradas por ela como transfóbicas do deputado Joel da Harpa (PL), durante a sessão plenária, ontem (18), na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Em discurso na tribuna da Casa, o parlamentar foi contrário à escolha da deputada federal Érika Hilton (PSOL) para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados. O deputado destacou haver “revolta das mulheres em não se sentir representadas por uma trans à frente da comissão da mulher”.
Caso Érika Hilton repercute na Alepe 2 – Dani Portela disse que “a fala do deputado expressa o que a legislação brasileira tipifica como crime de homofobia e transfobia”. “Crime esse equiparado ao racismo e que é inafiançável. Não é admissível que um parlamentar ocupe a tribuna para desferir palavras de ódio no país que mais mata pessoas trans. Nós todas somos mulheres. Todas nós: as mulheres cis, mulheres trans. Érika Hilton é uma das melhores parlamentares do nosso país e está apta a conduzir as discussões da Comissão das Mulheres”, afirmou.
Haddad candidato – Fernando Haddad (PT) participa, hoje (19), das últimas atividades como ministro da Fazenda. À noite, ele deve anunciar a candidatura ao governo de São Paulo, em pronunciamento na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, ao lado do presidente Lula (PT). Após meses de negociação, Haddad decidiu atender ao pedido de Lula e concorrer no Estado, para fortalecer o palanque do petista, que concorre à reeleição, e também para tentar fazer frente ao governador Tarcísio de Freitas (RP), favorito à reeleição estadual nas pesquisas eleitorais. As informações são do jornal O GLOBO.
CURTAS
Sintepe entra em acordo com o Estado – Em assembleia geral com mais de mil participantes, os servidores(as) da Educação Estadual aprovaram, por unanimidade, o acordo salarial negociado entre Sintepe e Governo do Estado, no âmbito da Campanha Salarial Educacional 2026. O principal destaque foi o reajuste do Piso do Magistério de 5,4% aplicado em toda a carreira dos servidores da educação em Pernambuco.
Proteção às mulheres – O Projeto de Lei nº 6194/2025, conhecido como “Maria da Penha Digital”, deve ganhar impulso na Câmara dos Deputados. O deputado federal Pedro Campos (PSB-PE) protocolou o requerimento de urgência para que a Casa priorize a votação da iniciativa, que cria um novo marco legal para o combate à violência contra as mulheres no ambiente virtual.
Alepe Cuida – Ao acompanhar as atividades do ‘Alepe Cuida’, em Quipapá (Mata Sul), ontem (18), o presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), destacou que, a cada edição, o programa amplia e consolida o papel social da Assembleia. “O Alepe Cuida é uma ação que tem aval de todos os deputados e deputadas e tem se encarregado de levar saúde e cidadania à população de Pernambuco, independentemente da coloração partidária dos dirigentes municipais”, disse Porto.
Perguntar não ofende: João Campos enterrou de vez a tese de palanque duplo em Pernambuco?