A Polícia Federal (PF) faz uma operação, hoje, para combater uma organização criminosa acusada de movimentar um esquema de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro.
O objetivo da ação, denominada Operação Vassalos, é investigar a ocorrência de fraudes e desvios de emendas parlamentares. A suspeita é que o esquema tenha movimentado bilhões em recursos.
Segundo a TV Globo apurou, o ex-senador Fernando Bezerra (MDB-PE) e os filhos, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e deputado Fernando Filho (União-PE), estão entre os alvos da operação.
De acordo com o blog da Camila Bomfim, a PF investiga suspeitas de negócios irregulares custeados com recursos de emendas parlamentares envolvendo a prefeitura de Petrolina (PE).
Forças de segurança cumprem 42 mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.
Como funcionava o esquema?
De acordo com a PF, a investigação aponta para a existência de uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos vindos de emendas parlamentares, por meio do direcionamento de licitações para empresa vinculada ao grupo.
Em seguida, os valores desviados eram encaminhados para o pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio.
De acordo com pesquisa Gallup, 80% dos americanos desaprovam o trabalho dos congressistas dos EUA, segundo a The Economist de 21.2.2026. Há 25 anos essa taxa era de 50%. Uma tendência geral no Ocidente. Cada vez mais o cidadão ordinário se distancia das instituições. Cresce a percepção de que os legisladores, mesmo eleitos, só cuidam dos próprios interesses. No Brasil, já virou bordão o discurso de que o atual é o “pior Congresso da nossa história”. A pesquisa Datafolha de dezembro de 2025 indica uma aprovação de apenas 21% sobre o trabalho dos parlamentares, com 31% de ruim ou péssimo. Para reverter esses números são necessárias mudanças profundas na qualidade dos parlamentares.
Precisamos de um Congresso que aprove propostas para combater as causas do atraso do desenvolvimento brasileiro. Que melhore o funcionamento das nossas instituições, tornando o estado mais eficiente e capaz de estimular o aumento da produtividade e do poder relativo das classes populares. Na direção proposta por Alexandre Rands em seu último livro (“O Grande Fracasso”, 2026). Para que esse empoderamento do povo resulte na ampliação do acesso à educação de qualidade e melhore o nosso capital humano. Um Congresso que promova uma revolução educacionista para colocar ricos e pobres nas mesmas escolas. Na linha de propostas como as de Cristovam Buarque, capazes de reduzir a desigualdade e a exclusão que hoje freiam nosso desenvolvimento
Que legisle para atender reivindicações do povo como o fim da jornada de trabalho de 6×1 que hoje é apoiada por 73% dos brasileiros, a proteção do trabalho por aplicativos, o acesso à moradia digna e a serviços de saúde e transportes decentes.
Que promova, de verdade, uma cruzada contra a corrupção, inclusive a própria. Que combata a captura do estado pelo crime organizado. Mas também pelos grupos econômicos com amplo acesso às altas autoridades dos três poderes. Como ficou escancarado com o caso Master em que Daniel Vorcaro conquistou “amigos” colocando ministros do STF em suas folhas de pagamentos, financiando campanhas de políticos corruptos, mas também organizando festinhas como as de Trancoso. Similares às de Epstein nos EUA.
Que deixe de legislar em causa própria e exerça a autocontenção que deputados e senadores exigem do STF. Um bom exemplo seria reduzir a captura do orçamento da União através das emendas que já chegaram a R$ 52 bilhões anuais com R$ 50 milhões para indicações individuais de cada parlamentar.
Que se comprometa a não votar projetos como a PEC da blindagem de parlamentares e presidentes de partidos, que chegou a ser aprovada na Câmara e, diante da pressão de manifestações de rua, foi rejeitada no Senado.
Que não derrube os vetos que o presidente impôs à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, a Lei 14.954/2025. E que, assim, não legalize a licença por autodeclaração, com a emissão automática de licenças para empreendimentos de médio impacto apenas com a declaração do empreendedor e flexibilizando a consulta aos povos originários.
Que promova mudanças culturais que superem a atual cultura de preconceitos contra os ‘desempoderados’ historicamente. Para que novos padrões culturais combatam os preconceitos contra pobres, pretos, mulheres, gays, pessoas com deficiência, idosos e moradores das periferias.
Que aprove a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção para que haja mais integração entre a União, os estados e os municípios no combate à criminalidade, seja a violência nas ruas, seja a do crime organizado, sejam os feminicídios.
Que modifique o atual sistema partidário e eleitoral em que as cúpulas partidárias distribuem ao seu bel-prazer os bilhões dos fundos partidário e eleitoral, favorecendo apaniguados e familiares na organização das listas de candidatos.
Essas e muitas outras propostas de reformas parecem utópicas. Mas qualquer mudança começa por um diagnóstico sobre o que precisa ser feito. Mesmo essas propostas não sendo unânimes. Por isso, a democracia exige a construção de consensos parciais sobre alguns temas que podem produzir resultados a partir de coalizões pontuais. Uma revolução na educação, o combate à corrupção e à violência são campos em que poderia haver alguma construção de consensos pontuais. Mas isso começa pela qualidade dos representantes que o Brasil vai eleger em outubro. Logo, depende do crescimento da consciência cidadã do nosso povo.
*Advogado formado pela FDR da UFPE, professor de Direito Constitucional da Unicap, PhD pela Universidade Oxford
Leandro Grass alerta para necessidade de pacto em torno do patrimônio cultural brasileiro
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
O Brasil precisa de mais investimentos na consolidação de uma cultura de preservação dos seus patrimônios culturais. Embora o País tenha avançado nos últimos três anos nessa questão, ainda há um caminho a percorrer. Essa é a opinião do presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pré-candidato a governador do Distrito Federal pelo PT, Leandro Grass.
Ele foi o entrevistado de ontem (24) do podcast Direto de Brasília, comandado pelo titular deste blog em parceria com a Folha de Pernambuco. Para Leandro Grass, é preciso conectar a população e os gestores municipais e estaduais ao patrimônio cultural, porque ele pertence à sociedade brasileira, não a governos nem mesmo ao Iphan.
“Uma questão a ser trabalhada cada vez mais nas escolas e nos meios de comunicação é a educação patrimonial, a conexão das pessoas com aquilo que é delas. A gente só vai cuidar daquilo que a gente conhece. A gente só ama aquilo que a gente conhece”, observou Grass.
Segundo ele, o Iphan tem investido em comunicação no sentido de conscientizar brasileiros e brasileiras sobre a importância da preservação e da valorização do patrimônio do país. O instituto duplicou as redes sociais, por exemplo, em número de seguidores, o que ajuda a difundir as informações sobre a riqueza patrimonial do Brasil.
A parceria com a iniciativa privada é importante nesse processo. “A Constituição, no artigo 216, diz que o patrimônio cultural tem que ser preservado em colaboração entre o Estado e a sociedade. Não é só o Estado; também não é só a sociedade. Então, o investimento privado é importante. A gente vê em outros países muito investimento empresarial, de particulares, na preservação do patrimônio. O Brasil tem ferramentas para isso”, destacou.
Nesse sentido, o Iphan tem realizado um trabalho de articulação para construir um pacto em torno do patrimônio cultural brasileiro, algo que não acontece de uma hora para outra, segundo Leandro Grass. “Mas posso dizer que na nossa gestão foi não só iniciado ou reiniciado, porque tinha sido interrompido, mas também foi intensificado todo esse processo”, comentou.
União de projetos – Embora não tenha aprofundado o debate sobre as eleições deste ano, Leandro Grass deixou no ar a possibilidade de unir seu projeto político ao do pré-candidato do PSB ao Governo do Distrito Federal (DF), Ricardo Capelli, ex-interventor de Segurança Pública do DF e atual presidente da ABDI. O petista revelou que já encontrou Capelli e que há um esforço para construir uma unidade no campo progressista, mas respeitando a liberdade dos partidos de participarem da disputa.
Projeto coletivo – “A gente faz parte mesmo do governo, inclusive. Veja, o exercício de uma unidade exige, primeiro, entender que projetos individuais ou meramente partidários não podem se sobrepor a um projeto coletivo. Também exige da gente inteligência política e uma certa objetividade na construção do acordo, da composição de chapa. A gente está em bom posicionamento nas pesquisas, a gente tem um legado da eleição de 2022 e também essa capacidade de poder colaborar com todos os partidos ao mesmo tempo. Se o PT vai ter duas cabeças de chapa? Em outros cenários também já aconteceu, inclusive com o PSB, na última eleição”, afirmou Grass.
Caso Marielle Franco – O início do julgamento dos acusados de mandarem matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, ontem (23), repercutiu na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A deputada Rosa Amorim (PT) foi à tribuna da Casa lembrar Marielle. “Continuamos a ecoar a sua voz. Nós somos a voz de Marielle ativa, viva e não vão nos silenciar. Estamos há oito anos sem Marielle. O tempo passou, mas agora a revolta permanece. Nenhuma sentença dará a vida de Marielle de volta. Nenhuma decisão judicial apagará a brutalidade do crime. Mas a justiça é o mínimo que o Estado deve ao povo brasileiro”, enfatizou Rosa.
ExpoGaranhuns – O deputado Izaías Régis (PSDB) também fez pronunciamento, ontem (23). Ele reforçou a importância da ExpoGaranhuns para o fortalecimento do agronegócio pernambucano e convidou toda a população a participar do evento, que acontece de 11 a 15 de março, no Parque Acauã, em Garanhuns. O parlamentar destacou o orgulho de ter participado ativamente das articulações para a realização da feira, contribuindo junto ao Governo do Estado para viabilizar o evento, uma das maiores exposições agropecuárias do Estado. “É motivo de muito orgulho ver Garanhuns sediando um evento dessa dimensão, que fortalece o agro, gera oportunidades e movimenta a economia regional”, afirmou.
Auxílio Caixa d’Água – O senador Fernando Dueire (MDB-PE) apresentou, ontem (23), no plenário do Senado, o Projeto de Lei nº 6.384/2025, que institui o Programa Auxílio Caixa d’Água Social. A proposta é voltada às famílias de baixa renda do semiárido nordestino e busca enfrentar a chamada pobreza hídrica — realidade marcada não apenas pela escassez de água, mas pela falta de meios adequados para armazená-la com segurança. Ao defender a iniciativa, Dueire destacou que muitas famílias ainda recorrem a recipientes improvisados, o que amplia riscos de contaminação e doenças. “Água é um direito fundamental. Não podemos aceitar que brasileiros armazenem água em condições precárias, colocando em risco a saúde das crianças, dos idosos e de toda a família”, afirmou.
CURTAS
Janela partidária – Os deputados estaduais Renato Antunes (PL) e Dani Portela (Psol) já têm as datas dos seus eventos de mudança partidária. Renato chega ao Novo no dia 12 de março. Já Dani ingressa do PT no dia 13, justamente porque é o número da sigla. O evento de Dani será no Pátio de São Pedro. O de Renato ainda será informado.
Fogo amigo – O pastor Silas Malafaia, apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou, em entrevista ao Metrópoles, que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) vai ajudar mais a candidatura à Presidência do irmão Flávio Bolsonaro “se ficar calado”.
Causa animal – O vereador de Caruaru e pré-candidato a deputado estadual, Anderson Correia (PP), protocolou na Câmara de Caruaru uma indicação solicitando ao Governo do Estado, por meio da Secretaria de Educação, a inclusão oficial do tema “prevenção de maus-tratos a animais” no currículo das escolas estaduais.
Perguntar não ofende: Eduardo Bolsonaro calado é um bom cabo eleitoral?