Governança como solução para o Brasil
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e conhecido nacionalmente como relator das pedaladas da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o que resultou no impeachment da aliada de Lula (PT), em 2016, Augusto Nardes, defende a governança como solução para os problemas do Brasil. Ele foi o entrevistado de ontem (10) no podcast Direto de Brasília, comandado pelo titular deste blog em parceria com a Folha de Pernambuco.
Governança, segundo explicou Nardes, é um conceito acima de gestão. “São três palavras-chave: direcionar, avaliar e monitorar. O que significa direcionar? O líder, o governador, o prefeito, o presidente da República direciona, mas se ele não avalia e não monitora, não entrega resultado para a sociedade”, destacou.
Leia mais“Então, é igual gestão? Não é igual gestão. É praticamente uma situação similar, mas que a governança está acima da gestão. É alguém que pensa estrategicamente, o líder, e que traga resultado”, acrescentou Nardes. A governança, destacou o ministro, é importante para prevenir problemas.
Na opinião dele, não há perspectiva de futuro para o Brasil sem que haja prevenção e indicadores para avaliar, por exemplo, as estatais e as agências reguladoras, porque prestam serviços, além dos números de toda a administração pública federal. “Quando alguém está pagando um pedágio, ele está pagando para alguém terceirizado em nome do Estado brasileiro. Ele tem uma concessão pelo período para fazer o cuidado e preservar as estradas, as pontes. A preservação se faz com prevenção. Para ter prevenção, tem que ter governança”, defendeu.
O ministro lembrou que chegou a conversar com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos em um café da manhã no Palácio do Campo das Princesas sobre a necessidade de implantar a governança no Brasil. De acordo com Nardes, Campos era favorável à tese.
“Ele (Eduardo Campos) disse: ‘Nardes, eu vou te apoiar, porque sem governança a gente não chega a nada’. Ele mudaria a história do Brasil. Estava crescendo na pesquisa. Chegaria ao segundo turno e ganharia a eleição, porque era um jovem dinâmico. Eu lamentei muito (a morte de Campos), me dava muito bem com ele”, comentou o ministro.
Augusto Nardes ainda citou o episódio da ex-presidente Dilma Rousseff, declarando que não houve corrupção por parte da petista. Ele frisou que Dilma não chegou a “botar dinheiro no bolso”, mas cometeu crime de responsabilidade.
“As pedaladas não foram uma corrupção, mas foi desvio daquilo que a lei estabelece. Foi um desvio fiscal nos fundos de pensão, com impacto que faz com que você perca a credibilidade. Nós perdemos 8% do PIB entre 2015 e 2016. Imagina crescer 8% negativo, para baixo”, avaliou.
Sem Congresso – Nardes destacou que a ex-presidente Dilma Rousseff não pediu autorização ao Congresso para realizar as manobras no orçamento. “Eu diria que a ex-presidente cometeu crime de responsabilidade. Porque ela não podia fazer isso sem autorização do Congresso Nacional, o que se precisa para fazer qualquer mudança no Orçamento. Não vou dizer que ela tenha desviado. Agora, foi um processo também político, mas houve o crime de responsabilidade”, afirmou o ministro.

Não houve golpe – Augusto Nardes negou a hipótese de golpe contra Dilma e ressaltou que houve uma “proposta fora do normal” que não suspendeu os direitos políticos dela por oito anos, como ocorreu com Fernando Collor, o primeiro presidente a sofrer impeachment, em 1992. “O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que presidiu a sessão foi o Ricardo Lewandowski, então diziam que era golpe, e não foi. Até porque foi presidido, a decisão final foi no Senado, passou pela Câmara. Em um processo de impeachment, você tem que ter uma acusação muito séria, que é levada para a Câmara e depois ao Senado. Ela tinha que fazer 168 votos, mas fez 142 votos, e com isso o processo continuou. Alertei a Dilma três anos antes. Em 2012, o ex-ministro José Jorge relatou as contas e descobriu que estava sendo feita uma ‘contabilidade criativa’. Quando eu fui relatar as contas, aquela maquiagem já estava maior. E aí aconteceu em 2014, quando ela disputou a reeleição, ela aumentou muito o dinheiro para o Bolsa Família”, afirmou.
Por falar no PT – Em reunião com o presidente Lula (PT), ontem (10), no Palácio do Planalto, o prefeito do Recife e presidente do PSB, João Campos, reforçou ao petista a intenção do partido de manter Geraldo Alckmin como seu vice na disputa deste ano. A conversa durou cerca de uma hora, e Campos disse ter saído dela “animado” e “seguro” quanto à parceria eleitoral entre o PT e o PSB. “Os dois vão construir isso da melhor forma, há uma relação de carinho e respeito entre eles. Não cabe um interlocutor, não é um presidente de partido que vai tratar disso”, afirmou Campos a jornalistas na saída do encontro. As informações são do jornal O GLOBO.
Setor portuário – O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), participou, ontem (10), do CEO Conference Brasil 2026, realizado pelo BTG Pactual, e afirmou que o Brasil vive “o maior volume de investimentos do setor portuário na história”. O ministro integrou o painel “As perspectivas para os modais de transporte no Brasil”, ao lado do ministro dos Transportes, Renan Filho, e representantes do mercado financeiro e do setor produtivo. Durante o encontro, Silvio destacou que o governo prevê a realização de mais de 19 leilões portuários ainda em 2026.

Alepe Folia – A quarta edição do Alepe Folia, prévia carnavalesca promovida pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, reuniu parlamentares, servidores e colaboradores da Casa, ontem (10), em um trecho da Rua da União, no Centro do Recife. O evento teve formato de “baile” e registrou aumento de público em relação às edições anteriores. A programação foi conduzida pelo presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), e pelo 1º secretário, deputado Francismar Pontes (PSB). A abertura contou com um minitrio elétrico e apresentações de Almir Rouche, Mayara Dias, Marquinhos Balada e da banda Chama do Brega, que animaram os foliões ao longo da prévia.
CURTAS
Flanelinhas no Carnaval 1 – O deputado Joel da Harpa (PL) defende o aumento imediato do monitoramento e a realização de operações preventivas mais intensas durante o Carnaval, com presença reforçada das forças de segurança e ações estratégicas para coibir cobranças ilegais em vias públicas.
Flanelinhas no Carnaval 2 – Além da denúncia sobre as extorsões, o deputado alertou para a possibilidade de integrantes do tráfico de drogas estarem atuando disfarçados de flanelinhas, aproveitando a grande circulação de foliões para ampliar atividades criminosas.
Flanelinhas no Carnaval 3 – “É preciso reforçar a presença do Estado, ampliar o monitoramento e garantir operações preventivas permanentes. Não podemos permitir que o cidadão seja coagido a pagar para estacionar em via pública, nem que o crime organizado se infiltre em áreas turísticas da nossa cidade”, afirmou.
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