Acabou o tempo de subjugar mulheres
Por Larissa Rodrigues – repórter do Blog
Em mais um desgaste público para o Governo Raquel Lyra (PSD), um membro de sua equipe foi desligado após a imprensa descobrir que ele havia enviado e-mails com mensagens racistas e misóginas em um grupo virtual de faculdade. O agora ex-presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal de Pernambuco (EPTI) Yuri Coriolano entregou o cargo, ontem (30), depois que o portal Vero Notícias expôs os conteúdos dele.
Em um dos e-mails, ao debater sobre aborto, Coriolano disse: “Mas que porra. Que porra de direito de mulher decidir. Direito de decidir ela tem de copular com ou sem camisinha. Não de matar um outro indivíduo. Já tou ficando puto com esse assunto, vou me abster de tecer maiores comentários”, escreveu. Em outro e-mail, declarou: “preto é a praga da humanidade”.
Leia maisEle se desculpou em nota afirmando que as mensagens são de 14 anos atrás e não representam o que ele é hoje. No entanto, o novo desgaste gerou cobranças e fez a governadora Raque Lyra afirmar à colunista de política da Folha de Pernambuco, Betânia Santana, que sua gestão “não tolera misoginia, preconceito, qualquer tipo de racismo”.
Nem o governo de Raquel Lyra e nem nenhum outro neste país deve tolerar o intolerável. Racismo e misoginia são coisas do passado. Para quem insistir em manter esse tipo de conduta criminosa, o rigor da lei. Esse tipo de invalidação do poder de decisão das mulheres, exposto na fala do ex-presidente da EPTI, independentemente de ser antiga ou não, contribui para a cultura de subjugação feminina no Brasil.
Inclusive, estando o país em ano de eleições, não custa lembrar para aqueles e aquelas que desejam renovar seus mandatos ou conseguir entrar na vida pública quem é o povo brasileiro. O recorte racial, por exemplo, expõe que os pardos são a maioria do eleitorado brasileiro (53,57%), seguidos de brancos (33,34%) e pretos (11,39%). Os indígenas somam 0,98%, e os amarelos, 0,72%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Já o recorte feminino do debate mostra que mulheres são maioria e representam 53% do eleitorado nacional, somando pouco mais de 83 milhões de eleitoras. “Elas decidem, sim. Serão elas que decidirão as eleições de 2026 e os políticos de todas as vertentes e de olho em todas as vagas terão que conectar seus discursos às pautas femininas”, alerta a advogada especialista em Igualdade de Gênero pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Paloma Almeida.
“Acabou o tempo de subjugar mulheres. Os dados são bem nítidos. A sociedade não tem mais como aceitar esse tipo de conduta, mesmo que fossem minoria, o que não é o caso. Elas são a maior parte do povo brasileiro, chefiam a maioria dos lares, são consumidoras importantes e tomam decisões políticas. Essa é a realidade em 2026. Quem tiver a intenção de sair na frente na votação vai precisar mostrar serviço para elas, principalmente políticos homens. Por que uma mulher deve votar em mim? É a pergunta que devem se fazer”, completou a advogada.
Quem luta pelas nossas vidas? – Em 2025, foi ainda mais difícil ser mulher no Brasil. O país registrou o maior número de feminicídios desde que esse crime passou a ser contabilizado: segundo dados do Ministério da Justiça, de janeiro a dezembro do ano passado, foram 1.470 casos, superando o recorde de 2024, que já era altíssimo. É urgente que políticos e governos se unam em prol de combater a violência de gênero no Brasil.

Trabalho doméstico ainda é majoritariamente feminino – No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico (IBGE) de 2022 apontam que as mulheres gastam 21 dias a mais do que os homens em tarefas domésticas, o equivalente a 499 horas a mais de trabalho. No período de um ano, os homens dedicam 612 horas aos afazeres domésticos, enquanto as mulheres 1.111 horas, segundo o IBGE, exemplificando a necessidade do fim da escala (6×1) e o impacto da medida na vida das brasileiras.
Lugar de fala 1 – Advogado, servidor do Tribunal de Contas de Pernambuco, ex-secretário de Governo do Recife e superintendente Geral da Alepe, Aldemar Santos, o Dema, produziu um texto emocionante sobre racismo, ontem (30). “O racismo nunca foi apenas ofensa, sempre foi projeto de exclusão. Um projeto que tenta decidir quem pode existir, quem pode mandar, quem pode ocupar espaços de poder. Um projeto que fracassou e continua fracassando. As recentes declarações racistas atribuídas a um ocupante de importante cargo no Governo do Estado de Pernambuco não são “opiniões do passado”, nem “deslizes juvenis”. São expressões cruéis de uma mentalidade que trata pessoas negras como subumanas, como ameaça, como erro histórico. Isso é inadmissível, sobretudo quando parte de alguém investido de função pública”, declarou.
Lugar de fala 2 – “É um absurdo inaceitável que pessoas que pensam assim continuem ocupando cargos no Governo de Pernambuco ou em qualquer outro espaço de poder. Quem nega a humanidade do povo negro não tem condições morais, éticas ou políticas de representar o Estado, seja lá em qual escalão for. Os racistas se imaginam donos do mundo. Mas o mundo não é deles. Fica aqui consignada a minha mais absoluta indignação”, completou Dema.

Lula recebe alta – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou, ontem (30), uma cirurgia de catarata no olho esquerdo. Em nota, o Palácio do Planalto informou que o procedimento ocorreu sem intercorrências e o presidente já recebeu alta hospitalar. Lula permanecerá na Granja do Torto, uma das residências da Presidência da República, em Brasília, e deve retornar às atividades de rotina na segunda-feira (2). A cirurgia foi realizada em uma clínica particular da capital federal. Segundo a nota, o presidente segue com o acompanhamento habitual pelas equipes lideradas pelo médicos Roberto Kalil Filho e Ana Helena Germoglio.
CURTAS
OLINDA – Um espaço criado para fortalecer o cumprimento de medidas judiciais e o combate à violência doméstica contra a mulher. Com esse objetivo, Olinda passa a receber o Núcleo de Informações Estratégicas e Cumprimento de Ordens Judiciais (NIOJ) Maria da Penha. A inauguração aconteceu ontem (30), no Fórum de Olinda, na Avenida Pan Nordestina.
OLINDA 2 – O NIOJ é uma criação do Tribunal de Justiça de Pernambuco, e a unidade de Olinda vai atender outros municípios, como Recife, Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e São Lourenço da Mata, totalizando seis comarcas. O serviço já funciona na cidade de Caruaru desde 18 de junho de 2024, local onde foi possível reduzir o tempo no cumprimento das Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) e o número de feminicídios.
POSSE DA NOVA MESA – A nova Mesa Diretora para o biênio 2026/2028 do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) tomará posse na próxima segunda-feira (2/2), às 16h, em sessão solene, na Sala de Sessões Des. Antônio Brito Alves (Salão do Pleno), no 1º andar do Palácio da Justiça.
Perguntar não ofende: Quem merece o voto das mulheres brasileiras em 2026?
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