Quantos “alvos” Raquel Lyra já teve em três anos?
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
A governadora Raquel Lyra (PSD) consolidou uma imagem de “perseguidora” durante sua gestão à frente de Pernambuco e não é possível dizer que se trata de uma injustiça, por mais que haja quem a defenda aqui ou acolá e aponte: “o jogo na política é bruto, tem que perseguir mesmo”. Independentemente de aprovar ou não o estilo de Raquel, vamos aos fatos.
No primeiro dia de seu mandato, a governadora tratou de dar uma canetada demitindo todos os cargos comissionados do Estado, no intuito de eliminar qualquer pessoa ligada ao PSB, o então partido do seu antecessor, Paulo Câmara, e do seu atual adversário, o prefeito do Recife, João Campos. João ainda não tinha sido reeleito prefeito, mas Raquel já queria mostrar desde janeiro de 2023 como trataria qualquer um ligado a ele.
Leia maisEm seguida, mandou voltar ao Estado os funcionários cedidos às prefeituras, sabendo que na administração de João havia vários trabalhadores, no primeiro escalão, inclusive. Raquel acusa a oposição de antecipar o debate eleitoral deste ano, mas já em 2023 marcou posição contra o adversário com o episódio dos servidores.
Em setembro de 2025, demitiu uma equipe de dez servidores da Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab) sob acusação de serem infiltrados do prefeito João Campos. Na época, fontes deste blog informaram, sob a condição de anonimato, que não havia provas de que os trabalhadores passavam informações internas ao prefeito, nem de que eles prejudicavam, de alguma forma, a administração do Estado.
Mal começou o ano eleitoral, explodiu a bomba de que a Polícia Civil, subordinada ao comando de Raquel, passou três meses monitorando o secretário de Articulação Política e Social de João Campos, Gustavo Monteiro, e seu irmão, também funcionário de João. O episódio reforça a imagem de que a governadora persegue adversários. Diante do histórico, tem como dizer o contrário?
Em entrevista à colunista de Política da Folha de Pernambuco, Betânia Santana, ontem (27), após um evento no Cais do Sertão, Raquel justificou a ação da Polícia Civil. Disse que “ninguém está acima da lei”, uma declaração no mínimo curiosa. Se ninguém está acima da lei, é preciso seguir as regras. Principalmente a gestora do Estado.
Se havia uma denúncia de corrupção contra Gustavo Monteiro e o irmão dele, por qual razão a governadora não formalizou a investigação? Por que não abriu um inquérito policial, procurou o Ministério Público, deu direito de defesa? Afinal, era uma denúncia ou já havia alguma prova? Mesmo que houvesse, daria o direito à Raquel de mandar monitorar o servidor sem que ele pudesse ao menos apresentar sua defesa?
Quer dizer que basta alegar que chegou um envelope na Secretaria de Defesa Social (SDS) apontando alguém como corrupto que a chefe do Poder Executivo se acha no direito de colocar a polícia atrás da pessoa? Sem informar à Justiça? Sem ampla defesa? Expondo parentes, como a mãe do “alvo”? É grave demais. É necessária uma resposta firme da sociedade e das autoridades contra essa conduta de Raquel Lyra, sob risco de todos e todas nós nos transformarmos nos próximos alvos.
Ninguém está acima da lei, só a família de Raquel – É contraditória a declaração da governadora Raquel Lyra de que “ninguém está acima da lei”. O pai dela, o ex-governador João Lyra Neto, comandou a empresa Logo Caruaruense durante todo o governo dela sem cumprir o que determinam as regras do setor. Se não fossem as denúncias do portal Metrópoles, os ônibus continuariam rodando, mesmo acima da idade permitida e sem pagar as taxas exigidas relacionadas à segurança da operação, pondo em risco trabalhadores e passageiros. A lei só serve para quem está abaixo da família Lyra.

MPPE entra no caso – De acordo com matéria do jornalista Raphael Guerra, do JC, a espionagem ao secretário Gustavo Monteiro foi tema de ofício do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) à SDS, ontem (27). O MPPE informou ao repórter, em nota oficial, que tomou conhecimento das notícias pelos meios de comunicação e, por isso, decidiu formalizar o pedido. O texto não informou qual Promotoria analisará as informações, nem possíveis medidas que possam vir a ser tomadas, a partir do que for constatado.
Delegado promovido – O delegado Wagner Domingues, que aparece no centro das investigações e no rastreamento do secretário Gustavo Monteiro, foi promovido pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, dias antes da abertura de grupo de WhatsApp intitulado “Nova missão”. O grupo, que era formado por delegados e agentes da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil, foi usado para acompanhar o andamento da investigação. A Prefeitura do Recife trata a operação como “uso indevido das forças policiais de Pernambuco para perseguição política”. As informações são do R7.
Sinpol reage 1 – O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco divulgou, ontem (27), nota em reação à reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record, que apontou o uso da estrutura da Polícia Civil em ações classificadas como perseguição a adversários políticos do governo Raquel Lyra. “O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (SINPOL-PE) vem a público repudiar de forma veemente a tentativa de instrumentalização política e eleitoral da Polícia Civil, prática escancarada na reportagem exibida neste domingo (25/01) pelo programa Domingo Espetacular, da Rede Record”, inicia a nota.

Sinpol reage 2 – “A matéria revelou a utilização da estrutura da instituição para fins de perseguição e controle de adversários políticos, distorcendo a finalidade constitucional da atividade policial e comprometendo a credibilidade das investigações no Estado. Além de evidenciar o desvio de finalidade, o episódio confirma um padrão: o assédio e a perseguição contra policiais civis para forçá-los a executar tarefas de interesse político do atual governo. Trata-se de um assédio institucional que combina ameaças de Corregedoria, remoções, transferências e processos disciplinares, mecanismos que, somados ao achatamento salarial, constituem hoje um dos principais fatores de adoecimento da categoria”, ressalta o Sinpol.
CURTAS
Tentativa de silenciamento – O próprio presidente do Sinpol, Áureo Cisneiros, diz ter sido alvo reiterado de perseguições por exercer atividade sindical. “Após denunciar a precariedade das delegacias, das condições de trabalho dos policiais e mostrar que os propagados investimentos do Juntos pela Segurança não chegaram na Polícia Civil, o Governo Raquel Lyra instaurou Processos Administrativos Disciplinares (PADs) e acionou a Corregedoria numa tentativa de silenciar o sindicato.”
Protesto 1 – Agentes da Polícia Civil de Pernambuco realizam, na tarde de ontem (27), uma caminhada no Recife com pauta que inclui, segundo as entidades representativas, a valorização profissional, a modernização do órgão e do fortalecimento da segurança pública no Estado.
Protesto 2 – O ato teve concentração às 15h, com saída da sede do Sinpol e da Associação dos Delegados e Delegadas de Pernambuco (Adeppe), seguindo em direção ao Palácio do Campo das Princesas. A mobilização foi organizada pelo Sinpol e pela Adeppe e reuniu representantes de diferentes carreiras.
Perguntar não ofende: A lei é para todos mesmo?
Leia menos










