Raquel e João a reboque do plano nacional
Nos Estados, as eleições para governador dificilmente ficarão desatreladas da corrida presidencial. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, por exemplo, o presidente Lula (PT) já fez uma jogada silenciosa para viabilizar Geraldo Alckmin (PSB) ou Fernando Haddad (PT) como alternativas a governador quando convenceu Guilherme Boulos (Psol), que queria ser candidato a governador, a virar ministro. Menos um para criar problemas.
Em Pernambuco, não será diferente. A rearrumação do quadro para governador está nas mãos do presidente do PSD, o partido de Raquel Lyra, Gilberto Kassab. Se Alckmin entrar na disputa para o Governo de São Paulo, a vaga de vice na chapa de Lula pode ser ocupada pelo PSD, o que levaria o PT a abrir dois palanques em Pernambuco para Lula.
Leia maisComo previu o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, a força e a influência de Lula em seu Estado de origem seriam disputadas pelos rivais Raquel e João. Bom para Lula, ruim para Raquel e João. João não ficaria bem na fita por não ter a exclusividade de Lula num cenário em que sua reeleição venha a ser favas contadas.
Já Raquel também sairia no prejuízo, porque, diferentemente da eleição passada, quando não assumiu nem Lula nem Bolsonaro, estreitaria o seu palanque optando por Lula. Perderia os votos da direita e, principalmente, dos bolsonaristas. Mas este é o preço a ser pago para ambos os lados do casamento forçado e obrigatório dos vínculos das eleições presidenciais com as estaduais.
Pernambuco não é uma ilha e será tratado por Lula e os arquitetos do seu projeto de reeleição dessa forma, queira ou não João ou Raquel. As cartas já estão postas na mesa de um jogo que só irá clarear em meados de julho, prazo para as convenções partidárias que homologarão os candidatos a presidente e governador.
QUAEST SAI QUARTA – A Quaest divulgará na próxima quarta-feira sua primeira pesquisa de 2026 sobre as intenções de voto para presidente da República. Contratado pelo Banco Genial, o levantamento contará com 2004 questionários e uma margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O instituto considerará em seu principal cenário os seguintes potenciais candidatos: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ratinho Junior (PSD), Ronaldo Caiado (União), Romeu Zema (Novo), Aldo Rebelo (DC) e Renan Santos (Missão).

Apoio do PP a Flávio só em abril – O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), diz que o partido só decidirá em abril se apoiará a eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026. Segundo ele, a legenda aguarda para avaliar se a campanha terá como objetivo “ganhar e unificar o país” ou apenas “defender o legado político” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Houve uma decisão do presidente Bolsonaro, que é mais do que legítima, ele que detém o capital político e optou pela candidatura do senador Flávio e temos que respeitar essa escolha e aguardar que tipo de candidatura será. Se é uma candidatura para ganhar e unificar o país, ou somente para defender o legado político. Estamos aguardando um pouco mais como sobre como vai ser conduzida essa campanha”, declarou. “Apoio ou não à candidatura de Flávio, vamos tomar em abril”, acrescentou.
Prisão domiciliar – Senadores pediram ao Supremo Tribunal Federal a concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre na Superintendência da Polícia Federal em Brasília uma pena de 27 anos por liderar a tentativa de golpe de Estado. Encabeçada pelo senador Wilder Morais (PL-GO), a solicitação conta com 41 assinaturas. Além da prisão domiciliar, os parlamentares demandam uma “perícia médica oficial” sobre as condições de saúde do ex-capitão, após ele ter sofrido uma queda da cama na madrugada da terça-feira passada.
Rebelo anuncia candidatura dia 31 – Ex-filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e próximo do bolsonarismo, Aldo Rebelo agendou um ato público para oficializar sua candidatura ao Planalto para o próximo dia 31, em São Paulo. Em vídeo em suas redes sociais, Rebelo se apresenta como uma pessoa plural e justifica sua trajetória, que foi de um partido comunista à interlocução com a extrema-direita. Na publicação, ele explica que entrou no PCdoB nos anos 1970, “quando a agenda da esquerda era uma agenda nacionalista, uma agenda democrática, uma agenda da luta pela redução das desigualdades”.

Quem tem prazo, não tem pressa – Há setores que apoiam a candidatura de João Campos (PSB) defendendo internamente que saia na frente de Raquel e já anuncie sua chapa antes do carnaval, marcado para 14 de fevereiro. Seria até compreensível se ele não tivesse tantos abacaxis para descascar, entre eles nomes em excesso brigando pelas duas vagas ao Senado. O calendário eleitoral tem três datas fundamentais: 4 de abril, que abre a janela para a troca de partidos e a desincompatibilização para quem ocupa cargos, 20 de julho a 10 de agosto, as convenções, e 4 de outubro a eleição. Antecipar decisões antes de prazo é amadorismo. Marco Maciel dizia que quem tem prazo, não tem pressa.
CURTAS
A CHAPA – O que se ouve fortemente nos bastidores é que o desejo de João seria atrair a federação PP-União Brasil para a sua aliança, abrindo uma das vagas ao Senado para o presidente da federação, Eduardo da Fonte. A outra já está reservada para Humberto Costa (PT).
O VICE – Ao grupo Coelho, seria oferecida a vaga de vice ao ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), mas o clã resiste. Insiste no nome de Miguel para o Senado. Sexta-feira passada, João e Miguel tiveram uma longa conversa, mas em nenhum momento o ex-prefeito sinalizou que se contentaria com a vice.
AVULSA – Outro imbróglio na montagem da chapa, a ex-deputada Marília Arraes, do Solidariedade, que também pleiteia o Senado, deve sair candidata a deputada federal. A interlocutores, Marília, entretanto, admite sair ao Senado numa chapa avulsa, o que, certamente, só trará mais dor de cabeça para João.
Perguntar não ofende: Por que os menudos de João andam tão ansiosos com o calendário eleitoral?
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