Um dia após o leilão de concessão da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) na Bolsa de Valores (B3), que arrecadou R$ 4,2 bilhões, o prefeito João Campos (PSB) manifestou preocupação com os rumos do contrato. Em entrevista à Rádio Jornal ontem (19), o gestor alertou que falhas no diagnóstico técnico da cobertura de esgoto podem gerar um “buraco” financeiro que, futuramente, será cobrado diretamente na conta de água dos pernambucanos.
Campos utilizou os exemplos de concessões em outros estados como Alagoas e Rio de Janeiro para ilustrar o perigo de um contrato mal dimensionado. Segundo ele, se a empresa vencedora assumir a operação e descobrir que a rede de esgoto existente é menor do que a informada no edital, ela terá direito a um reequilíbrio econômico-financeiro.
O ponto central da crítica reside em dados apresentados por engenheiros da Compesa. Segundo o prefeito, há indícios de que os números de cobertura em 66 cidades estão equivocados, o que inflou o valor da outorga, mas cria uma armadilha para o futuro.
O prefeito explicou ainda que, quando a empresa assume a operação e realiza um diagnóstico, surgem inconsistências, e citou um exemplo hipotético usando uma cidade do interior. “Em Serra Talhada, está dizendo que eu tenho que faturar 29 milhões de esgoto no primeiro ano, mas lá não trata esgoto, então vai ser zero. Quem vai pagar esses 29 milhões?”, questionou.
João Campos afirmou que a outorga não precisa ser muito grande e defendeu que o foco principal esteja na expansão dos serviços e na proteção da modicidade tarifária. “Eu acho que esse é o grande risco. E tem que ter muito controle sobre isso, porque o que não dá — estava vendo em Maceió — são aumentos estratosféricos de tarifa, ai você bota o cidadão para pagar a conta. Isso não pode acontecer.”
O gestor ainda ressaltou que não tem uma posição contrária à concessão e que sempre defende a análise do modelo antes de qualquer decisão. “Eu sempre digo, depende do modelo, vamos estudar. Mas que a gente tenha um foco. Nesse caso, o foco tem que ser usuário. A concessão não pode ser para fazer caixa para estado nem município, tem que ser para levar saneamento e para não botar o cidadão para pagar na tarifa”, concluiu.
O bolsonarismo está vivinho da silva e é teimoso. A pesquisa da Quaest, divulgada na última terça-feira (16), mostra Flávio Bolsonaro (PL) como um candidato competitivo, herdeiro de parte dos votos do pai. A pesquisa da Real Time Big data confirma a tendência.
O primeiro turno da eleição será em 4 de outubro do ano que vem. Até lá, muita coisa pode acontecer. Por isso, nunca é demais ter cautela com o tal do já ganhou. Teremos uma eleição difícil tanto para a situação quanto para a oposição.
Como dizia Nelson Rodrigues, só mesmo estando obnubilado para acreditar que a eleição está vencida antes mesmo de ser disputada. Ou que o Sobrenatural de Almeida anda aprontando quando as manchetes mostram Lula como imbatível. A eleição ainda está longe e mais de 2/3 dos eleitores não tem candidato, mostram as pesquisas espontâneas. Não existe, como desejariam alguns, candidato imbatível.
Isso porque a vida como ela é acaba sendo um pouco diferente. Não só o bolsonarismo está forte e operante como Lula não é francamente favorito. Basta fazer as contas: em todas as pesquisas Lula aparece na frente, com 30%, 35%, mas a soma dos demais candidatos chega a 40%, 42%. Ou seja: há mais gente disposta a votar em outros candidatos do que em Lula. Isso pode mudar? Pode, mas não é a tendência verificada até aqui.
Mesmo tendo vitórias políticas, a aprovação de Lula estancou, como mostrou a pesquisa PoderData publicada em 17 de dezembro. É um complicador. O presidente tem 56% de desaprovação contra 35% de aprovação — uma diferença de 21 pontos percentuais. A mesma pesquisa registrou seu governo aprovado por 42% e desaprovado por 52% dos brasileiros.
Gostam mais do governo do que do presidente. É uma situação interessante. Indica sintomas de fadiga de material, quando o eleitor já não espera nada do político e acredita não ter ele muito a oferecer, a não ser mais do mesmo.
Lula é candidato único da esquerda, enquanto seus adversários tentam se viabilizar para um segundo turno contra ele. A candidatura de Flávio Bolsonaro é a que parece estar forte. Mas esta situação pode mudar até o início do ano, quando os candidatos serão definidos e as chapas anunciadas. O que não deve mudar é a sina de Lula, sempre enfrentando dois turnos.
Enquanto Flávio tenta fazer sua candidatura decolar, Gilberto Kassab trabalha nos bastidores. Ele hoje conta como o melhor time de presidenciáveis de centro. Seja o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de quem é secretário de Governo, ou os governadores Ratinho Junior (PSD), do Paraná, e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul. Difícil imaginar Kassab desperdiçando oportunidades.
A eleição passará por Kassab, assim como passará por Romeu Zema, governador de Minas, pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), hoje favorito para suceder Zema com 25% das preferências, e o deputado Nikolas Ferreira (PL) o mais votado do Estado. Com Flávio ou sem Flávio, a única maneira de a oposição derrotar Lula, desaprovado por 51% dos mineiros, será ganhar em Minas Gerais nos dois turnos.
Esta é a grande força de Zema, político bem-avaliado por seu eleitorado. Se Zema e Kassab se sentarem para conversar e decidirem fazer um acordo político para uma chapa com Ratinho Junior na cabeça, teremos a grande novidade para a eleição de 2026.
Ratinho é um dos governadores mais bem-avaliados, com 84% de aprovação. Zema tem 63% . Ambos conseguiram governar sem escândalos de corrupção, num tempo em que a Polícia Federal anda fazendo hora extra. Lula, por seu turno, tem o passivo do INSS e o roubo dos aposentados dia sim e outro também na mídia.
Zema e Ratinho são exemplos de políticos que podem fazer a diferença aliados. Ambos têm juízo e bom senso de sobra. Outro é o governador Ronaldo Caiado, que fez um belo trabalho na segurança pública e ganhou 80% de aprovação entre os goianos.
Caiado disputará a Presidência e será uma pedra no sapato de Lula. Crítico ácido da esquerda, tem a força do agro e fala o que pensa sem medo. Será um debatedor perigoso. Mas ainda não tem negociada uma chapa capaz de fazer a diferença em Minas.
Flávio Bolsonaro também necessita de um vice com força em Minas. Seu pai perdeu ali nos dois turnos de 2022, justamente por ter errado na relação com os mineiros.
Lula, com Alckmin de vice, tem uma grande vantagem sobre os adversários por disputar na cadeira de presidente e contar com uma máquina partidária comandada por um político extremamente competente, o ex-prefeito Edinho Silva. Se o PT é um osso duro de roer fora do governo, será mais duro ainda no poder.
Ainda veremos muitas cobras e lagartos sairem do baú de maldades do PT contra os adversários. Nunca é demais lembrar de Marina Silva, moída sem dó nem piedade pela máquina petista na eleição de 2014, carimbada como alguém que fez acordo com os banqueiros para prejudicar os trabalhadores. O próprio Ciro Gomes sentiu na pele a pressão do PT para renunciar em favor de Lula na eleição de 2022.
Desta vez, virão com tudo. Lula é o político mais experiente em atividade no Brasil. No segundo turno, em 25 de outubro de 2026, estará a dois dias de completar 81 anos. Se eleito, será o único a tomar posse quatro vezes e o mais idoso dos 23 presidentes que chegaram ao poder pelo voto popular. Para isso, precisará convencer os brasileiros de que nada será melhor do que o velho Lula lá.
Feliz Natal e um 2026 iluminado. Volto em janeiro com as baterias recarregadas.
A operação da Polícia Federal (PF), ontem (19), que encontrou R$ 430 mil em dinheiro vivo em uma casa do deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, é mais uma pancada no bolsonarismo, que usa o discurso anticorrupção e antissistema. Sóstenes e também o deputado Carlos Jordy (PL) são investigados pela PF por esquema de desvio de recursos da cota parlamentar.
De acordo com a Polícia Federal, a dupla utilizava uma empresa de locação de carros de fachada para desviar os valores pagos pela Câmara dos Deputados. A operação Galho Fraco foi deflagrada na manhã de ontem e teve as buscas e apreensões autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.
A PF apontou ao STF a existência de R$ 27,8 milhões em movimentações financeiras suspeitas, sem justificativa plausível, em contas de assessores de gabinetes de Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do Rio de Janeiro, além de funcionários do PL e pessoas próximas aos congressistas.
Com o líder maior do bolsonarismo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso e cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado, Sóstenes e Carlos Jordy tentaram emplacar o discurso de perseguição política a integrantes da direita brasileira, algo que não se sustenta diante da quantidade de dinheiro que a Polícia Federal identificou transitando nas contas bancárias dos parlamentares e de seus assessores, incompatíveis com as rendas e vínculos funcionais.
Mais fantasioso do que o discurso de vítima foi a desculpa de Sóstenes para os milhares de reais em espécie encontrados na casa dele. Disse que vendeu um imóvel e que pagaram em dinheiro vivo. Mas não disse quem comprou. Quem, em pleno final de 2025, compra um imóvel e paga em espécie, ainda mais em um valor superior a R$ 400 mil reais?
O bolsonarismo agoniza e, se tem uma vítima nisso tudo, é ele próprio, porque tenta vender uma imagem que não corresponde à realidade, de combatente de corruptos, de derrubador do sistema. Mas tem sempre algum de seus membros envolvido em trambiques.
Inclusive, o próprio filho de Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL), tem seu nome associado a “rachadinhas” de gabinete. Não há como um movimento político se autodefinir contra corrupção com seus integrantes envolvidos em episódios desse tipo. A fantasia pode até se sustentar por um tempo e convencer alguns, mas sempre chegará o dia de ser vencida pela realidade implacável das verdadeiras práticas daqueles que venderam a ilusão.
Por falar em dinheiro público – O Congresso Nacional aprovou, ontem (19), em votação simbólica o Orçamento de 2026 com reserva de R$ 61 bilhões para emendas parlamentares e previsão de superávit de R$ 34,5 bilhões nas contas do governo no próximo ano. O texto segue para sanção do presidente Lula (PT). Emendas são recursos do Orçamento que são executadas conforme indicações de deputados e senadores. Já a meta fiscal é uma estimativa de despesas e receitas que o governo estabelece com objetivo de tentar equilibrar as contas públicas. As informações são do g1.
Surra em 2026 – O presidente Lula (PT) afirmou, ontem (19), que vai dar uma “surra em quem se meter a achar que a extrema direita vai voltar a governar esse país”. “Que venham! Que venham! Porque nós vamos desafiar, não é com palavras, não é com xingatório. Eu quero comparar o que eles fizeram nesse país com o que nós fizemos. Eu quero comparar quem tem mais na saúde, quem tem mais na educação, quem tem mais no transporte, quem tem mais na política de inclusão social. Eu quero saber”, reforçou. As informações são da Folha de S. Paulo.
Atlas/Intel 1 – Diferentemente da governadora Raquel Lyra (PSD), que figurou no levantamento Atlas/Intel, divulgado esta semana, como a pior governadora do Nordeste e a terceira pior do país, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), apareceu, ontem (19), entre os cinco prefeitos de capitais mais bem avaliados do Brasil em aprovação popular, segundo levantamento do mesmo instituto. O gestor ocupa a 5ª colocação no ranking nacional e figura no Top 3 do Nordeste, consolidando-se como um dos prefeitos com melhor avaliação do país.
Atlas/Intel 2 – De acordo com a pesquisa, João Campos registra 64% de aprovação entre os recifenses, índice que o coloca empatado tecnicamente com prefeitos de capitais como Curitiba, Boa Vista e Rio de Janeiro, ficando atrás apenas de gestores de São Luís (MA), Macapá (AP), Porto Velho (RO) e Maceió (AL). As informações são do Blog Plural. No recorte regional, João Campos se destaca ainda mais: ele é o terceiro prefeito mais bem avaliado do Nordeste, atrás apenas de Eduardo Braide (São Luís), líder nacional do ranking com 82% de aprovação, e de JHC (Maceió), que aparece com 73%.
Raul e o MDB – Depois da Justiça Federal-DF, ontem foi o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quem reconheceu a vitória de Raul Henry como presidente do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em Pernambuco. O ministro Antonio Carlos Ferreira manteve as decisões aprovadas em convenção partidária realizada em maio de 2025. Com a medida, a sigla mantém firme o apoio ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), na disputa ao Governo de Pernambuco, em 2026. Trata-se de mais uma vitória de Raul Henry, ex-vice-governador e ex-deputado federal, além do prefeito de Vitória de Santo Antão, Paulo Roberto.
CURTAS
Corrida ao Senado – em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, ontem, o deputado federal e presidente estadual do Partido Progressistas e da Federação União Progressista (UP), Eduardo da Fonte, declarou que a diretoria nacional da agremiação já decidiu que as candidaturas ao Senado serão definidas pelas maiorias partidárias em cada Estado.
Gleide cidadã de Carpina – A Câmara de Vereadores, na Praça São José, no centro de Carpina, ficou pequena para a quantidade de pessoas que presenciaram a deputada Delegada Gleide Ângelo (PSB) receber o título de cidadã carpinense, na noite da última quinta-feira (18). Outras personalidades também receberam a honraria e foi necessário colocar um telão para a transmissão e cadeiras na rua para acomodar a todos e todas.
Pedro Campos em apoio à Câmara – O deputado federal Pedro Campos (PSB) se manifestou sobre a decisão da Câmara de cassar os mandatos de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem. “A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados acertou ao cassar Eduardo Bolsonaro e Ramagem. Um abandonou o país para atacar a democracia e flertar com o golpismo. O outro já foi condenado pelo STF. A Câmara não pode servir de abrigo para quem desrespeita a Constituição”, declarou nas redes.
Perguntar não ofende: Quem comprou um imóvel de Sóstenes Cavalcante e pagou em dinheiro vivo?