Escolhas eleitorais e dissonância cognitiva

Por Maurício Rands*

Dificilmente duas pessoas vão concordar sobre todo e qualquer assunto. Mas podem concordar sobre alguns valores que entendam relevantes. Desses valores, podem ser deduzidas escolhas. Nossa sociedade tão dividida está atormentada por fatos recentes de profundo alcance para a vida institucional do país. Esses fatos permitem avaliar a coerência dos principais atores políticos com a retórica que proclamam. Como vivemos um momento de dissonância cognitiva ampliada do eleitorado, talvez estejamos diante de uma oportunidade.

Explico-me. Alguns temas têm comandado uma larga rejeição expressa nas pesquisas realizadas por Datafolha, Genial Quaest e Ipesp: tarifaço de Trump e sua tentativa de interferir no STF (57% são contra), emendas parlamentares (82% acham que os recursos são desviados), invasões golpistas às sedes dos poderes em 08/01/23 (86% são contra), anistia a Jair Bolsonaro (61% rejeitam), prisão do ex-presidente Bolsonaro (48% a favor e 46% contra), atuação do Congresso (78% acham que age mais em benefício próprio) e o motim na Câmara e no Senado, ainda sem pesquisas.

Jaboatão dos Guararapes - Coleta de Lixo

Estadão

Mensagens, anotações e documentos extraídos pela Polícia Federal do telefone celular do coronel da reserva do Exército Flávio Peregrino, assessor do general Walter Braga Netto, mostram bastidores inéditos das ações golpistas realizadas após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

O material também deixa evidente o incômodo dos militares com a estratégia da defesa do ex-presidente de culpá-los pelas ações. Em uma de suas anotações, o coronel frisa que o líder dessas articulações era o ex-presidente Jair Bolsonaro e diz que os militares tentaram ajudá-lo porque “sempre foi a intenção dele” permanecer no poder mesmo após ter sido derrotado na eleição. A informação reforça a acusação contra o ex-presidente, que será levada a julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

Petrolina - Destino

Por José Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Dizer que Pindorama está em guerra é redundância, é conjuntivite na vista. Este reino sempre foi bom de guerra, principalmente para matar seus compatriotas. No Arraial de Canudos houve a grande guerra, relatada em “Os Sertões” de Euclides da Cunha e na Guerra do Fim do Mundo, de peruano Vargas Llosa.

Anos 1896-1897, amontoados na localidade Monte Belo, depois chamada de Canudos, afugentados pela seca, pela opressão dos fazendeiros e da Igreja Católica retrógrada, milhares de sertanejos famélicos reuniram-se em torno do beato Antônio Conselheiro, na comunidade de Monte Belo, depois chamada de Canudos, nos grotões de Bahia. Plantavam milho e feijão, as mulheres catavam piolho nos meninos e de noite faziam os maridos gemer sem sentir dor. Mas, cometiam grandes pecados: não pagavam impostos, não assistiam às Missas, ignoravam as leis da nascente República.  Disseram que os beatos ameaçavam a estabilidade democrática da República.

Ipojuca - IPTU 2026

De leão para gatinho com Raquel

Com o ex-governador Eduardo Campos (PSB), que ontem teria festejado 60 anos, não fosse o trágico acidente aéreo na pré-campanha presidencial de 2014 que ceifou a sua vida, tive uma relação extremamente conflituosa, entre tapas e beijos. Tratava-me de “Maligno”, mas nunca deixei de reconhecer, em nenhum momento, que, enquanto esteve à frente dos destinos do Estado, rugiu alto como um leão, digno da nação Leão do Norte.

Seguiu o preceito de Agamenon Magalhães, que se imortalizou com a frase “Pernambuco só se curva para agradecer”. O recente golpe que o Ceará deu em Pernambuco, ao exigir – e o presidente Lula aceitar feito um cordeirinho – a cabeça de Danilo Cabral, passa à história como um dos mais vergonhosos episódios que assisti nos últimos 40 anos fazendo a cobertura diária dos fatos políticos entre o Palácio do Planalto e os arredores do Palácio das Princesas.