Nossa cara ignorância

Por Marcelo Tognozzi*

Os livros e os jornais chegavam de contrabando. Eram proibidos naquele Brasil colônia, povoado por degredados, órfãos, escravos, índios e um punhado de senhores. Enquanto a América Espanhola tinha universidades – como a de San Marcos, no Peru, fundada em 1551, ou a biblioteca de Puebla, no México, inaugurada em 1646–, aqui era escuridão total. 

Mais de 300 anos depois do descobrimento, em 1808, foi inaugurada no Rio a Imprensa Régia, cuja missão principal era publicar a Gazeta do Rio de Janeiro, diário oficial da Corte transferida de Portugal, expulsa pelas tropas de Napoleão. Nessa época, surgiu um personagem desafiador da lei e da ordem, sua majestade d. João 6º, o jornalista Hipólito José da Costa, nascido na Colônia do Sacramento, então província Cisplatina (que depois viraria Uruguai), menino em Pelotas, adolescente em Porto Alegre e finalmente diplomado em Coimbra.

Jaboatão dos Guararapes - Coleta de Lixo

Dom Tomás salva vidas, mas precisa ser salvo

Num instante em que o Brasil vive uma fase de horror quase sem exceção na seara pública, pelo fato de os políticos trabalharem em prol do favorecimento próprio, seja em pequena ou larga escala, vem de Petrolina, de onde cheguei ontem, um exemplo para, definitivamente, ainda acreditar na figura do homem público.

Médico por formação, empresário por vocação, ex-prefeito de Petrolina, Augusto Coelho é o caçula de “seu” Quelé, patriarca do clã Coelho, que gerou uma geração de homens notáveis para a vida pública, entre eles Nilo Coelho, uma lenda sertaneja, governador do Estado, o grande benfeitor do Vale do São Francisco.