Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (13) aponta para uma situação de estabilidade na trajetória eleitoral do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. O levantamento mostra que Flávio parou de cair: ele manteve o mesmo percentual de 34% das intenções de voto no primeiro turno que tinha na rodada anterior.
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) experimentou uma queda de dois pontos: de 42% para 40%. Na simulação de segundo turno, os dois aparecem em empate técnico dentro da margem de erro: Lula com 47% e Flávio com 44%. Apesar dessa situação, a Hold Assessoria Legislativa, empresa que tem como sócios o cientista político André Cesar e o advogado Alvaro Maimoni, enxergou, em comentário feito para seus clientes, um risco de que Flávio esteja sendo “cristianizado” por alguns de seus aliados.
Leia maisNa ciência política, diz-se que um candidato é cristianizado quando ele é abandonado na prática por seus aliados que passam a mirar outras opções. O termo remete ao que aconteceu nas eleições de 1950. O candidato oficial do PSD era o ex-prefeito de Belo Horizonte Cristiano Machado. Mas o partido resolveu abandoná-lo e, veladamente, apoiou a candidatura de Getúlio Vargas, do PTB, que acabou sendo eleito. O episódio levou à criação do termo “cristianização”.
Desde então, candidatos que são abandonados por seus partidos são “cristianizados”. Os episódios dos últimos dias, desde os problemas que Flávio Bolsonaro teve após sua crise com o Banco Master, após a divulgação das conversas em que o candidato do PL pede ao banqueiro Daniel Vorcaro dinheiro para financiar a cinebiografia de seu pai, Jair Bolsonaro, levaram a Hold a apontar para o risco. A situação agravou-se após a madrasta de Flávio, Michelle, divulgar vídeos em que afirma ter sido atacada e humilhada por Flávio.
Na sequência, Michelle Bolsonaro foi tirada da presidência do PL Mulher. Em vez de ceder, ela divulgou na semana passada a criação do grupo que batizou de “Imparáveis”, apontando para a hipótese de manter sua trajetória política independentemente de seu enteado e do PL. Na mesma semana, dois partidos que tendiam a apoiar Flávio, PP e União Brasil, anunciaram que ficarão neutros na campanha.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que vinha atuando na elaboração do plano de governo de Flávio na área de direitos humanos, anunciou a sua retirada da equipe. Damares é amiga de Michelle, e solidarizou-se com ela nos ataques que ela sofreu de Flávio, e especialmente depois, com os ataques desferidos por Paulo Figueiredo.
A Hold aponta ainda a operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro que prendeu o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella. Ele era o nome indicado por Flávio para o Senado no Rio. A indefinição quanto à chapa de Flávio no Rio para o Senado leva alguns a interpretarem que Flávio possa estar guardando lugar para ele próprio, num plano B.
“Não podemos deixar de anotar todas essas situações”, disse André Cesar ao Correio Político. Mas o mesmo André Cesar aponta que é cedo para cravar que algo assim irá mesmo acontecer. “O grande problema é: qual é a alternativa que o campo conservador tem?”, complementa o cientista político, diante da falta de tração das demais opções.
O grande problema é que falta agora pouco mais de duas semanas para a convenção partidária que deve oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro para o PL. E há ainda uma série de questões em aberto para a formação da chapa. As principais estão relacionadas à amplitude da aliança e à escolha do candidato a vice-presidente.
Sem PP e União, o PL pode ir para a eleição sozinho. O Novo, com o qual o PL se aliou em Santa Catarina, tem seu próprio candidato à Presidência no momento, Romeu Zema. Assim como o PSD, com Ronaldo Caiado. O MDB também deve assumir uma posição de neutralidade na disputa eleitoral. Resta como hipótese o Republicanos.
Flávio quer uma mulher como vice. Se já estava difícil, a neutralidade do PP elimina como hipótese de vice a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Uma possibilidade que cresce é a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, filiada ao Republicanos. Ela hoje ajuda na elaboração do plano econômico de Flávio. Mas praticamente não agregaria votos.
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