A definição do nome de Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à Presidência da República pelo campo da direita favorecerá o chamado centro político a apostar numa terceira via. Essa é a visão do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), que também é pré-candidato ao Palácio do Planalto. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, apresentado por este blogueiro, Leite avalia que a escolha por um filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reforça um nome alternativo à polarização com a esquerda, representada pela candidatura à reeleição de Lula (PT).
“A definição do campo bolsonarista por Flávio ser candidato reforça a disposição do PSD. Isso foram palavras do próprio presidente do partido, Gilberto Kassab, de ter uma candidatura própria. Entendo que, ao longo dessas próximas semanas, já no final de janeiro e especialmente durante fevereiro, nós vamos ter intensas reuniões e discussões, bons debates internos para poder definir a melhor forma de nos apresentarmos para o eleitor brasileiro. E março vai ser o mês de deflagrar esse processo”, analisou.
Leia mais“Se houvesse uma disposição daquele campo de fazer um gesto mais em direção ao centro, que poderia ser inclusive representado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), haveria a disposição do PSD de apoiar. Mas não é isso que se apresenta, que é justamente essa radicalização. O que trabalhamos é justamente para trazer o país mais para a moderação, a serenidade, o equilíbrio. Isso é o que eu defendo, que é o DNA do PSD. Insisto, o centro não é ausência de posição. Eu tenho posições muito claras sobre tamanho do Estado, privatizações, segurança pública, as diversas áreas das políticas públicas, como que um governo deve agir. Eu simplesmente não acho que quem pensa diferente de mim seja um inimigo a ser exterminado. Então, quando a gente se posiciona ao centro, não tem a ver com falta de convicção, de percepção sobre como as coisas devam ser conduzidas, mas sim sobre a capacidade de conviver com diferentes, de respeitar divergências e de construir a partir dessa divergência o caminho que melhor atenda ao interesse da comunidade”, completou o governador.
Além do próprio Leite, o PSD também tem o governador do Paraná, Ratinho Júnior, cotado para entrar na disputa, embora o governante tenha sinalizado que pode se candidatar a senador. “Essa decisão não é apenas minha, eu tenho essa disposição (de liderar o projeto), não me conformo com a polarização radicalizada que está posta. O país precisa encontrar um caminho de conciliação, de entendimento, para enfrentar os problemas, não para ficar enfrentando as pessoas. Insisto nisso. No momento adequado vamos tomar essa decisão”, colocou o governador gaúcho.
Sobre os prazos de desincompatibilização, Eduardo Leite avalia que há tempo para construir uma frente que possa somar outras siglas, a exemplo da federação entre União Brasil e PP e de outras legendas que sinalizam para um eventual desgaste do governo Lula. “Naturalmente, temos um prazo fatal em abril, que é o de desincompatibilização. Entendo que estamos no início do ano; agora se abrem efetivamente as discussões do ano eleitoral, e tudo vai se definir com a boa conversa, com o bom diálogo que a política exige, qual será o rumo que nós tomaremos. O que o presidente Kassab tem destacado é que não estaremos nem com o Lula nem com Bolsonaro. A participação de membros do PSD no governo do presidente Lula se relaciona ao fato de que o partido não teve candidato em 2022, e alguns dos integrantes terem apoiado a eleição do presidente Lula, enquanto outros apoiaram Bolsonaro”, afirmou.
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