Ventos sopram para Porto na vice de João
Ainda é muito cedo, diga-se de passagem, mas um dos assuntos que mais movimentam os bastidores desta fase pré-eleitoral no Estado diz respeito ao candidato a vice na chapa do pré-candidato a governador pelo PSB, João Campos. Um dos nomes mais lembrados até então era o do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB).
Seus interlocutores, entretanto, garantem que ele não aceita porque está fixado na disputa ao Senado. “Miguel não tem perfil para vice de ninguém”, comentou um desses aliados do ex-prefeito. Com Miguel, João trazia o Sertão para a chapa, cumprindo um critério regional, ao mesmo tempo em que integrava o litoral, na pessoa dele, ao Sertão, com o tradicional clã Coelho.
Diante disso, também seguindo a lógica do critério regional, há quase já uma unanimidade em torno do nome do presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto (PSDB). Porto, justiça se faça, está acima do critério regional. Com ele, João teria um companheiro de fé, leal, correto e, mais do que isso, identificado com a estratégia de enfrentamento ao Governo Raquel.
Leia maisAliado de primeira hora de Raquel Lyra (PSD), o valente Porto abraçou a candidatura dela ao Governo do Estado quando quase ninguém acreditava na sua viabilidade. Aliás, foi o único deputado com mandato a apoiar a candidatura de Raquel desde o 1º turno. Também viabilizou, praticamente sozinho, a convenção de Raquel, no Clube Português, trazendo gente das suas bases, em caravanas do interior, para o evento.
Eleita, Raquel, entretanto, ficou pelo menos 30 dias sem falar ou atender às ligações de Porto. Só veio a procurá-lo quando tomou conhecimento da sua pretensão de concorrer à presidência da Alepe. Na ocasião, questionou, dizendo que era muito cedo para esta postulação. Como resposta, Álvaro afirmou que até ali ela não o tinha procurado e que, nesse caso, tomaria o seu caminho e iria em frente.
Logo depois, se soube que Raquel apoiava o deputado Antônio Morais, que, por sinal, tinha votado, no primeiro turno, no candidato Danilo Cabral. Ficava evidente a ingratidão da governadora. O episódio deixou claro o modo de agir de Raquel.
O tempo passou e cuidou de distanciar Porto de Raquel. A solução construída entre a Alepe e a Prefeitura do Recife para evitar que pequenos municípios pernambucanos perdessem ICMS, resolvendo uma questão desprezada pelo governo de Raquel, fez Porto se aproximar do prefeito João Campos. Surgiu, a partir dali, uma boa convivência, com a convergência de muitos pontos de vista.
De lá para cá, nos últimos três anos, Álvaro tem sido um dos principais baluartes do projeto do prefeito. Tem se dedicado a fazer o principal contraponto à gestão da governadora, sendo, para muitos, o principal líder da oposição.
Não tem se intimidado com ameaças e outros tipos de pressão. Não muda o estilo aguerrido e sincero, tendo ido em frente como um trator. O prefeito chega ao ano da eleição com muita musculatura política, liderando as pesquisas, com ampla possibilidade de se eleger.
Álvaro Porto, portanto, se expôs sem subterfúgios ao defender a postulação de João Campos ao Governo do Estado. Na verdade, desconheço alguém que se doou tanto, correndo riscos como ele. Por isso, até as paredes do Legislativo ouvem que ele está mais do que credenciado a fazer parte da majoritária na condição de vice-governador.
Além de tudo isso, Porto tem forte influência no Agreste e em outras regiões do Estado, sendo reconhecido por todos pela sua palavra, compromisso com a verdade, se destacando como a grande liderança em defesa da candidatura de João Campos.
Este credenciamento à vice se dá a partir de um protagonismo construído na presidência da Assembleia Legislativa, com responsabilidade e firmeza diante de um governo desarticulado politicamente, que tentou impor à Casa a responsabilidade pela ineficiência, morosidade e ausência de entregas.
Sem se afastar do regimento interno e respaldado pela Procuradoria-Geral da Casa e apoio dos deputados, Porto conferiu à Alepe uma independência pouco vista na história da Casa. A autonomia deu dinamismo e confiança à Assembleia. Sempre priorizando o diálogo, a Casa passou a ser, de fato, uma caixa de ressonância da população, promovendo debates, ofertando serviços e, principalmente, intermediando discussões entre setores da sociedade e a gestão, que, como se sabe, tem grandes dificuldades e desinteresse em negociar.
ENTRAVES – O já citado imbróglio do ICMS foi apenas um dos entraves cujo desfecho partiu de iniciativa do presidente da Assembleia. Desde então, os laços políticos entre João e Álvaro só se fortaleceram. A confiança entre os dois cresceu, e o prefeito tem no deputado hoje um aliado íntegro e capacitado a assumir missões estratégicas. Por conta da afinidade entre eles e pela reconhecida lealdade de Álvaro Porto, crescem, nos bastidores, as especulações sobre a presença do deputado na vice.
Vazio e recados – A abertura do ano legislativo, ontem, se deu com quórum reduzido no plenário e um conjunto de discursos cuidadosamente calibrados para um ano marcado pelo calendário eleitoral e por disputas entre os Poderes. Conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a sessão solene seguiu o rito institucional, mas expôs, nos bastidores, um Congresso pouco inclinado a pactos amplos e mais propenso a negociações pontuais, caso a caso. A mensagem presidencial enviada pelo governo destacou bandeiras de forte apelo eleitoral do presidente Lula (PT), como o combate às facções criminosas e a agenda trabalhista, com menção à redução da jornada e ao fim da escala 6×1.
Bateu, levou – Na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), houve troca de frases duras entre o presidente da Casa, Álvaro Porto (PSDB), e a governadora Raquel Lyra (PSD), que prestigiou a sessão. Porto afirmou que “tem acompanhado com muita preocupação a ocorrência de ataques à imagem dos legislativos e dos legisladores, campanha que visa incutir na população uma imagem distorcida e mesquinha das nossas atividades enquanto representantes do povo e como cidadãos”. A governadora pregou união. “Esse tempo de polarização que nós vivemos no mundo, no Brasil, em Pernambuco, precisa ser colocado no tempo certo das eleições. Mas cada segundo, cada minuto e cada dia são importantes para a gente garantir que Pernambuco cresça. E que, se a gente, por discussões menores, não perder o foco daquilo que é essencial para o nosso Estado”, afirmou.
CPI do Master – O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) disse, ontem, que protocolará, amanhã, o pedido de criação da CPMI (Comissão Mista Parlamentar de Inquérito) do Banco Master. Segundo a assessoria de Jordy, que é vice-líder da Oposição na Câmara, o pedido conta com 275 assinaturas. O pedido deve ser analisado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que fica encarregado de escolher o relator da comissão. A criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito no Congresso depende do cumprimento de requisitos formais previstos na Constituição. É necessária a adesão de 171 deputados e 27 senadores.
Perícia no acidente de Eduardo – Terá início em breve uma perícia judicial na ação que visa produzir provas referentes ao acidente aéreo que resultou na morte de Eduardo Campos, em 2014. Segundo o jornal O Globo, a Justiça Federal nomeou como perito Silvio Venturini Neto e determinou sua intimação para apresentar, no prazo de 15 dias, a estimativa dos honorários e o planejamento do trabalho técnico, contendo a metodologia dos procedimentos. O caso, que tramita na 4ª Vara Federal de Santos, visa apurar as reais causas da queda do jatinho que transportava o então candidato à Presidência, partindo do Rio de Janeiro com destino a Santos.
CURTAS
QUEM PEDIU – A ação foi ajuizada pelo advogado Antônio Campos e pela ex-ministra do TCU Ana Arraes, respectivamente irmão e mãe de Eduardo Campos, em meio a discordâncias do laudo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e do relatório inconcluso da Polícia Federal.
ALEGAÇÃO – No decorrer do processo, a União alegou que a palavra final sobre o acidente caberia exclusivamente ao Cenipa e à PF, mas o TRF-3 decidiu que, em casos de acidentes aéreos, é cabível a ação de produção de provas. A notificação da holding Textron, sediada nos EUA e proprietária da empresa fabricante das aeronaves Citation, levou cerca de um ano.
PODCAST – A ex-senadora Heloísa Helena, agora filiada ao partido Rede e atuando no Rio e não mais em Alagoas, assumiu por seis meses o mandato de deputada e será a entrevistada hoje do meu podcast Direto de Brasília, em parceria com a Folha de Pernambuco. Na pauta, a CPI do Master e o cenário nacional.
Perguntar não ofende: Quando a Federal vai começar a investigar a arapongagem da Civil em PE?
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