O momento mais difícil de Raquel
A governadora Raquel Lyra (PSD) atravessa, sem exagero, o período mais delicado de todo o seu governo e também de sua trajetória política. Em nenhuma das eleições que disputou, precisou lidar com tantos problemas graves ao mesmo tempo, atingindo áreas sensíveis da gestão e da credibilidade institucional.
O ponto mais contundente desse cenário é a decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou a Polícia Federal a atuar no caso da chamada polícia paralela em Pernambuco. A entrada da PF, somada às denúncias de espionagem ilegal reveladas pela imprensa, eleva o caso a outro patamar e coloca o governo sob suspeita nacional, com impactos políticos difíceis de conter.
Leia maisAo mesmo tempo, o escândalo envolvendo a empresa Caruaruense, ligada à família da governadora, expõe conflitos de interesse justamente em um setor sensível para a população. O desgaste aumenta com a tramitação de um pedido de impeachment na Alepe e a convocação do primo da governadora, atual secretário de Infraestrutura e Mobilidade, André Teixeira, para prestar esclarecimentos.
No campo social, o governo ainda enfrenta forte reação ao aumento das tarifas de transporte, chegando a recorrer à Justiça para elevar preços, enquanto se acumulam denúncias e irregularidades no setor. Soma-se a isso a demissão relâmpago do presidente da EPTI, Yuri Coreolano, após acusações de racismo e misoginia, evidenciando falhas graves na condução administrativa.
Por fim, episódios como duas viagens internacionais consecutivas sem a transmissão formal do cargo à vice-governadora, Priscila Krause, alimentam desconfiança política em um ambiente já contaminado por crises, incluindo o próprio Hospital do marido da vice-governadora.
O maior desafio de Raquel não é apenas administrar cada problema isoladamente, mas enfrentar o efeito cumulativo desse conjunto às vésperas das eleições. Quando as crises se sobrepõem, o tempo político encurta e a capacidade de recuperação se torna limitada. O que está em jogo agora não é apenas a agenda do governo, mas a própria sobrevivência política da governadora.
A VOLTA – Embora a Assembleia Legislativa retome os trabalhos hoje, esta e a próxima semana serão esvaziadas, devido ao carnaval que já está nas ruas de Olinda e do Recife Antigo. Tem deputado que ainda está em viagem e nem aí para a ordem do dia de matérias não votadas na convocação extraordinária de janeiro por ordem da governadora. Raquel confirmou sua presença na sessão de abertura da Casa e deve encaminhar as prioridades da sua gestão para o ano, especialmente o primeiro semestre, já que o segundo será perdido por causa da campanha eleitoral.

Gás do Povo – No Congresso Nacional, o ritmo não será diferente, mas o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), agendou a primeira sessão de votação para o início da noite de hoje e a expectativa é que os deputados votem a medida provisória do Gás do Povo. O programa oferece gratuidade no botijão de gás de cozinha (GLP) e pretende ampliar o atual Auxílio Gás, com uma nova modalidade do auxílio, direcionada para famílias inscritas no Cadastro Único, com renda igual ou inferior a meio salário mínimo. A medida precisa ser aprovada pelas duas Casas até o dia 11 de fevereiro para não perder a validade. A primeira sessão do ano do Senado ainda não foi convocada pelo presidente David Alcolumbre.
Letra morta – Embora a Câmara do Recife tenha dado andamento à análise de um pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB) após receber um parecer técnico da Procuradoria Legislativa, o processo vai virar letra morta porque o socialista conta com ampla maioria na Casa. A solicitação foi protocolada e está relacionada a controvérsias envolvendo um concurso público para o cargo de procurador do município. Entre os pontos questionados estão a nomeação em uma vaga reservada a pessoa com deficiência e mudanças no entendimento administrativo adotado pela gestão ao longo do processo.
Sócia de Flávio na CPI – Há um requerimento de convocação que chegará nesta semana à CMPI do INSS destinado a deixar tenso o agora candidato Flávio Bolsonaro. Segundo o jornal O Globo, trata-se de Letícia Caetano dos Reis, que vem a ser sócia-administradora do escritório de advocacia do Zero Um de Bolsonaro desde sua fundação, em 2021. Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, sócio do Careca do INSS na empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e alvo de uma operação da PF por suspeita de lavagem no exterior do dinheiro das fraudes praticadas contra os aposentados.

Arrastão eleitoral – A presença do presidente Lula (PT) no Galo da Madrugada é um gesto do petista com o prefeito do Recife e pré-candidato a governador, João Campos (PSB). A programação ainda não está fechada, mas a princípio Lula deve chegar ao Recife e ir direto para a casa de João, para sair de lá em direção ao camarote oficial da Prefeitura no Galo. As atenções estarão voltadas exclusivamente para João, sinal de que não haverá palanque duplo no Estado. Raquel deve se abraçar com o candidato do PSD ou assumir uma postura de neutralidade, como fez na campanha de 22.
CURTAS
QUEIXOSA – No mesmo sábado do Galo, no final da tarde, Lula irá a Garanhuns para inaugurar um hospital filantrópico com o nome da sua mãe Dona Lindu. Por falar em Garanhuns, causou estranheza as queixas que a governadora levou ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, quanto a uma inspeção no hospital da família da vice-governadora Priscila Krause.
INSPEÇÃO – A governadora ficou incomodada com a notícia de que o Ministério da Saúde pretende fazer uma inspeção na unidade hospitalar que tem como sócio o marido da vice-governadora. Embora seja privado, o hospital presta alguns serviços ao SUS e recebeu uma boa grana do Estado quando Raquel estava no exterior, repassada por Priscila.
SEM CHAPA – De olho numa vaga na Alepe, o ex-prefeito de Araripina, Raimundo Pimentel, que está sem partido, procura uma legenda para garantir seu retorno à Casa no lugar da esposa Socorro Pimentel, que sairá a federal. Ele queria se filiar ao Podemos, mas deve ficar no PSD, cuja chapa não somaria os votos que garantiriam seu mandato na contagem das sobras.
Perguntar não ofende: Qual vai ser a próxima topada de Raquel?
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