Aliado do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), o ex-senador Álvaro Dias (MDB) lamentou a decisão do gestor de não disputar a Presidência da República. Para o emedebista, a história se repete e teria relação com a polarização estabelecida nacionalmente entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão de Ratinho foi comunicada por ele ontem ao dirigente nacional da legenda, Gilberto Kassab, após ter sido escolhido internamente e pontuar com 7% das intenções de voto nas pesquisas.
“Eu diria para você que é da história do Paraná. Todos os governadores do Paraná sonharam ser presidente da República e anunciaram candidaturas, mas nenhum deles disputou a eleição. Quando eu disputei, em 2018, já tinham transcorridos 29 anos do tempo em que governei o estado, então já muito distante dos efeitos publicitários de uma gestão no cargo executivo. E as dificuldades são impostas pela polarização atual. Certamente foi o que demoveu o governador Ratinho Júnior da ideia de disputar a eleição”, disse Dias, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
Leia maisNos bastidores, fala-se que o fato de o senador Sérgio Moro liderar as pesquisas para o governo do Paraná contra todos os nomes da base de Ratinho tenha pesado na decisão do governador. Dias admite o aparente favoritismo do ex-juiz da Lava Jato, que impediu sua própria reeleição para o Senado em 2022, mas lembra que ainda é muito cedo para definir a situação atual.
“Realmente o Sérgio Moro hoje lidera as pesquisas, mas há que se considerar um componente importante, que é o peso da máquina governamental. Nós teremos ainda um jogo a ser jogado, que é a definição do candidato do governador Ratinho Júnior. Quando fui governador, tive que ficar até o último dia do meu mandato, exatamente priorizando a eleição do sucessor, que tinha 2% nas pesquisas. Era o Roberto Requião. E na oposição estavam o José Richa, que já havia sido governador e tinha 45%, e o José Carlos Martinez, que chegou ao segundo turno, apoiado pelo então presidente Fernando Collor. E nós vencemos as eleições. Então, embora hoje o ex-juiz Sérgio Moro seja o favorito indicado pelas pesquisas, muita água ainda vai passar debaixo da ponte. Dependendo da escolha que o governador fizer e, sobretudo, da composição de chapa que ele conseguir consolidar, nós começamos a jogar. Porque aí iniciará um novo jogo, e as pesquisas podem ser alteradas”, ponderou.
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