Por Anthony Santana – Blog da Folha
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), poderá ser o primeiro chefe do Executivo federal a participar de o maior bloco carnavalesco do mundo de acordo com o Guinness Book: o Galo da Madrugada. Durante a passagem, o gestor ainda deve inaugurar um hospital especializado em prevenção e tratamento oncológico, no Agreste. Em ano de eleição, a visita do líder petista poderá ser um teste de estratégia para a composição do palanque em dos mais importantes colégios eleitorais do Nordeste.
O cenário do estado se desenha para uma possível disputa entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos. O posicionamento do presidente Lula é visto como estratégico no estado. No partido do chefe do Palácio do Planalto, há lideranças que defendem tanto o apoio a Raquel Lyra quanto a João Campos.
Leia maisA participação de Lula, contudo, atende a um convite feito por João Campos, que falou à imprensa em entrevista coletiva, ainda durante o lançamento da programação do Carnaval do Recife, sobre ter chamado o presidente pessoalmente para participar da tradicional festa pernambucana.
Caso participe do Galo da Madrugada, Lula terá que dividir a atenção entre o gestor recifense, aliado de primeira hora, e a governadora Raquel Lyra, com a qual mantém boa relação e parcerias administrativas, como a de reestruturação do Metrô do Recife, que vai garantir um investimento federal de R$ 300 milhões nos próximos seis meses.
Além do Carnaval, Lula terá um compromisso administrativo no estado. De acordo com informação da senadora Teresa Leitão (PT), ele irá a Garanhuns, no Agreste, para inaugurar o Hospital de Amor, referência em prevenção e tratamento oncológico, que homenageia a mãe do presidente, sendo chamado de Dona Lindú.
A construção da unidade é uma parceria entre a Prefeitura de Garanhuns (administrada pelo correligionário de João Campos, Sivaldo Albino) e o governo federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Correligionários
Ao falar sobre a passagem do presidente pelo estado no período momesco, a senadora Teresa Leitão (PT) chamou a atenção para a importância que Lula, que é pernambucano, dá às manifestações culturais. “Ele vem para o Carnaval de Pernambuco nessa condição, como um bom pernambucano que ele é”, enfatizou a parlamentar.
Já o senador Humberto Costa (PT) avaliou que a presença do mandatário na folia de Momo poderá resultar em ganhos políticos não somente para o presidente, mas também para os correligionários de Lula no estado. “Isso sem dúvida terá uma repercussão política não somente para ele próprio, seu governo, mas também para nós que, aqui em Pernambuco, estamos sempre empunhando as bandeiras do governo, do partido, que é o PT”, estimou.
De acordo com o presidente do PT-PE, Carlos Veras, após a confirmação da participação do presidente, o foco agora é cuidar da logística da viagem. “Ele quer vir no dia de Zé Pereira, no sábado. Estamos conversando com a equipe dele, vendo a questão logística. Tudo direitinho”, explicou.
Análise
Para a cientista político Priscila Lapa, a vinda de Lula tem potencial para beneficiar os dois candidatos, que poderão “pegar carona” na popularidade do presidente. Ela ressalta que João Campos tem a vantagem de ter um alinhamento histórico com o petista, enquanto Raquel Lyra, apesar de manter relação importante com o presidente, tem como desafio uma base eleitoral dividida entre apoiadores de Lula e de outros espectros políticos.
“O Carnaval tem muito mais aspectos socioemocionais, culturais do que propriamente de uma política mais racional. A vinda do presidente e esse trânsito dele pelo estado pode beneficiar ambos. João pela linha de ser um aliado de primeira hora e Raquel para demonstrar que ela tem prestígio, que o presidente escolheu Pernambuco como um reduto de Carnaval dentro desse alinhamento”, destacou Priscila.
O posicionamento do presidente na festa pode indicar para qual
lado deve ir o apoio do PT, de acordo com o cientista político Isaac Luna. Ele ressalta que se Lula aparecer apenas ao lado de Campos poderá ter reflexo negativo na busca pela ampliação do apoio à sua reeleição.
“O sonho da campanha de Lula era ter um palanque duplo em Pernambuco. Com João e Raquel duelando internamente, mas os dois pedindo voto para Lula. Contudo, se essa for uma visita que esteja vinculada à imagem de João, isso tornará essa meta bastante delicada”, avaliou.
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