Intervenção estranha e indevida do TCU
Brasília começou 2026 com uma polêmica que ainda vai render bastante: o pedido de inspeção junto ao Banco Central, pelo Tribunal de Contas da União, para apurar os procedimentos adotados na liquidação do Banco Master. A iniciativa foi do ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU. Mas a corte máxima de contas tem essa prerrogativa?
De forma alguma. O TCU é um órgão auxiliar do Legislativo, enquanto o Banco Central tem autonomia, dada pelo próprio Congresso Nacional. Sentindo-se agredido na forma da lei, o BC apresentou um recurso ao TCU contra a decisão que autorizou a realização de uma inspeção na chamada autoridade monetária.
A controvérsia surgiu após o ministro Jhonatan de Jesus solicitar informações adicionais sobre os elementos que sustentaram a decisão do BC de encerrar as atividades da instituição financeira. Diante disso, o Banco Central pediu que a proposta de inspeção seja submetida ao colegiado competente, para que haja deliberação formal sobre a medida.
Leia maisA liquidação do Banco Master ocorreu após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal, que, em novembro do ano passado, deflagrou a operação Compliance Zero. Mesmo sem ser obrigado a se curvar a uma decisão monocrática do relator do caso, o BC enviou ao TCU informações que embasaram a liquidação do Master.
O documento aponta uma série de motivos. Informa que o conglomerado liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro estava em “crise aguda de liquidez” que o impedia de satisfazer, com pontualidade, os compromissos assumidos. Com isso, a instituição não tinha dinheiro suficiente para honrar todas as suas obrigações financeiras, inclusive o pagamento de investidores. Entre outros pontos, o BC assinala que as tratativas para sanar o problema não tiveram efeito.
O Master também atrasou o recolhimento de compulsórios, que são depósitos que os bancos são obrigados a fazer no BC para garantir a segurança do sistema financeiro. Na data da liquidação do Master, a instituição mantinha depósitos de R$ 22,9 milhões, muito menos do que a autoridade exigia: R$ 2,537 bilhões, de acordo com o acompanhamento do BC. Era apenas 0,9% do que deveria cumprir.
SEM FLUXO DE CAIXA – Na data, o caixa livre do Master era de R$ 4,8 milhões e, segundo a supervisão do BC, estava previsto fluxo de vencimento de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de R$ 48,6 milhões. O banco tinha em caixa menos de 10% do valor necessário para pagar os investidores. “Diante do esgotamento de todas as alternativas de solução de mercado, a identificação de crítica situação econômico-financeira, que impediria a instituição de honrar suas obrigações, e a verificação de irregularidades graves — com indícios de crimes que afetavam o valor dos ativos do conglomerado e comprometiam sua solvência —, a liquidação foi decretada como medida indispensável para a proteção do sistema financeiro e da poupança popular”, sustenta o BC.

Os cavalos milionários do relator – Relator do caso Master no TCU, o ministro Jhonatan de Jesus comprou cinco cavalos de raça em leilões, totalizando R$ 816 mil. A compra, realizada em 40 parcelas, foi feita com sua mulher, Thallys Mendes de Jesus. Ele é filho do senador Mecias de Jesus (Republicanos). Os leilões se deram durante eventos da ABQM (Associação Brasileira do Cavalo Quarto Milha), realizados entre 9 e 20 de outubro em Araçatuba (SP). Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Jhonatan adquiriu três cavalos na quinta-feira, 17 de outubro de 2024, durante o 16º Leilão Haras Nossa Senhora de Aparecida e outros dois no sábado, 19 de outubro, no 5º Leilão Haras Two Brothers – Campeões do Futuro, participando dos lances por meio de seu celular.
De onde vem o dinheiro do relator? – O ministro, que assumiu o cargo no TCU em 2023, declarou um patrimônio de R$ 1,1 milhão na última eleição que disputou para deputado federal, em 2018. Com um salário bruto de R$ 41,8 mil, sua renda líquida é de R$ 31,7 mil. As parcelas da compra dos cavalos totalizam R$ 20,4 mil por mês, o que representa cerca de 60% de sua renda líquida. Jhonatan e Thallys são sócios em uma empresa de educação e eventos, que possui um capital de R$ 300 mil. Ele foi deputado integrante do Centrão e tem ligações com o senador Ciro Nogueira e a Igreja Universal.
Cresce violência contra mulher – Conforme levantamento oficial da Secretaria de Defesa, houve aumento no número de feminicídios no Estado em 2025 na comparação com o ano anterior. Cerca de 88 mulheres foram assassinadas no ano passado em crimes classificados como feminicídio, quando a vítima é morta por uma questão de gênero. Isso representa um crescimento de 15,7% em relação a 2024, quando foram registrados 76 casos. Esse quantitativo coloca 2025 como o ano que mais registrou casos dessa natureza nos últimos seis anos em Pernambuco. O ano de 2021 vem em segundo lugar com 87 casos. Na sequência estão: 2023 (83 casos), 2024 (76 casos), 2020 (75 casos) e 2022 (72 casos).

Anderson disputa Senado – Candidato a governador nas eleições passadas, que não chegou ao segundo turno por causa da comoção envolvendo a morte do marido de Raquel, o ex-prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira (PL), é candidatíssimo ao Senado. Ele acha que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Planalto o favorece na disputa à Casa Alta por Pernambuco. “Na eleição passada, Teresa Leitão foi eleita por causa de Lula e o segundo mais votado, Gilson Machado, foi inflamado pela vinculação com Bolsonaro, ou seja, será o fator presidencial que irá influenciar a eleição para senador e não o estadual. Depois da polarização nacional, em Pernambuco candidato a governador não tem mais tanto poder para puxar os candidatos a senador como no passado”, raciocina.
CURTAS
OS SEM VOOS – Moradores e trabalhadores de Fernando de Noronha enfrentam dificuldades para comprar passagens aéreas para o continente. Nos últimos dias, algumas pessoas passaram a dormir no aeroporto da ilha para tentar garantir uma vaga nos voos. Um acordo entre o governo local e companhias aéreas prevê a oferta de passagens com desconto e a reserva de vagas para moradores e profissionais que trabalham em Noronha.
SEM MAIORIA – Roberto Freire não representa a vontade majoritária do Cidadania no Brasil, segundo o presidente estadual da legenda, Cláudio Carraly. “A direção nacional legítima do partido, eleita democraticamente em seu último congresso nacional, passou pelo abandono da presidência por parte do então presidente, cabendo ao então vice-presidente, Comte Bittencourt, assumir a presidência e tornar-se a partir daí o presidente nacional do Cidadania”, disse. Carraly não gostou do posicionamento de Freire no podcast Direto de Brasília.
TORTURADO – Michelle Bolsonaro diz que seu marido está sendo “negligenciado e torturado” por estar “em um quarto trancado que só pode ser aberto quando ele tem que tomar medicação”. A família afirma que o ex-presidente precisa de mais cuidados médicos do que os oferecidos a ele na prisão. A ex-primeira-dama declarou que Bolsonaro não se lembra de como caiu e não sabe por quanto tempo ficou desacordado.
Perguntar não ofende: E se Maduro fizer delação?
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