Em crise, Raquel corta 52% em programa social
Com a gestão em crise às vésperas das eleições, a governadora Raquel Lyra (PSD) segue fazendo remanejamentos controversos no orçamento do Estado. Publicação feita nesta semana no Diário Oficial comprova a retirada de R$ 25 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) para pagar empréstimos contraídos. Do total, R$ 3,6 milhões saíram do CNH Popular, o que representa um corte de 52% nos investimentos e no custeio da iniciativa.
O programa social foi criado em 2007 pelo ex-governador Eduardo Campos (PSB) para garantir a Carteira Nacional de Habilitação gratuita para beneficiários do Bolsa Família, do Chapéu de Palha, jovens do sistema socioeducativo, entre outros públicos de baixa renda.
Em 2014, ainda no governo do PSB, a ação chegou a ter um orçamento de R$ 16,9 milhões. Na gestão de Raquel, porém, sofreu um apagão. Em 2025, por exemplo, só R$ 3,1 milhões foram previstos para o CNH Popular.
Leia maisA Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 até mostra um montante maior alocado para essa ação – R$ 7,042 milhões –, mas o corte feito por Raquel, que remanejou R$ 3,642 milhões dessa fonte de recursos, baixou em mais da metade o orçamento inicial do programa.
Outros R$ 21,3 milhões foram retirados do Detran, totalizando R$ 25 milhões remanejados por decreto. O novo destino dos recursos é a Secretaria da Fazenda, que os utilizará na amortização da dívida interna do Estado, ou seja, para pagar parcelas de empréstimos contraídos junto a bancos nacionais.
A gestão de Raquel contratou, desde 2023, mais de R$ 13 bilhões em operações de crédito, conta que já começa a chegar e afetar programas sociais. A LOA prevê que, só este ano, o governo pagará mais de R$ 1,5 bilhão em parcelas dos vários empréstimos contratados.
RECIPROCIDADE – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou a imposição, pelos Estados Unidos, de tarifas de 25% sobre a importação de produtos brasileiros, confirmada pelo governo Trump. Em nota, afirmou que a data “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”. O Governo, segundo a nota, “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade” e “retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)”.

Que papelão! – A governadora Raquel Lyra não confirma nem desmente que o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, será o segundo nome na disputa ao Senado na sua chapa, ao lado de Túlio Gadelha. Ninguém está entendendo. Aliás, os próprios aliados dela têm dito, em reserva, que nunca assistiram a tamanha trapalhada, digna de uma novela mexicana sem pudor.
Convite feito, convite aceito – A governadora ligou, ontem, no início da tarde, para o deputado Eduardo da Fonte, presidente estadual da Federação União Progressista, e o convidou para acompanhá-la nos eventos religiosos da Festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do Recife. Mais um sinal de que continua alimentando o impasse pela segunda vaga ao Senado entre Miguel Coelho e o próprio Da Fonte, que havia sumido da agenda de pré-campanha da governadora à reeleição.
Mobilização pela ferrovia – O senador Humberto Costa garante que as mobilizações pelo ramal da Transnordestina, referente ao trecho Salgueiro–Porto de Suape, vão continuar. “A decisão do TCU é um avanço, porque destrava etapas preparatórias essenciais, mas não podemos baixar a guarda. O início efetivo das obras ainda depende de novas sinalizações do tribunal. Por isso, defendo que a mobilização continue firme e permanente em defesa da obra, envolvendo todos os setores que lutam por essa ferrovia, que é vital para o desenvolvimento de Pernambuco”, afirmou.

Injusta e descabida – O novo tarifaço americano afeta cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA. Isso equivale a US$ 7,4 bilhões, considerando o ano de 2024. Se considerado o valor de 2025, a participação desses setores atingidos pelo tarifaço cai para 15%, ou US$ 5,8 bilhões. O Executivo prepara um programa para socorrer os setores afetados. “A medida é injusta e descabida”, disse o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), lembrando que os EUA têm superávit com o Brasil. “Descabida porque os argumentos partem de uma base totalmente falsa”, acrescentou.
CURTAS
MEDIDAS 1 – Ainda sobre o tarifaço de 25% sobre os produtos brasileiros exportados para os EUA, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo já tem prontos os mecanismos para proteger empresas e empregos.
MEDIDAS 2 – “Ampliaremos e reforçaremos o Brasil Soberano (plano de socorro às empresas)”, disse. “Alguns setores podem ser afetados, não a economia como um todo”, disse o ministro.
SETORES – Os setores mais atingidos são, basicamente, madeira, máquinas, equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Esses setores poderão contar com a ajuda do governo federal de diferentes modos, segundo o ministro.
Perguntar não ofende: No impasse pelo Senado na chapa de Raquel, o tertius pode ser Fernando Dueire?
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