Conheço o senador Humberto Costa (PT) desde quando foi eleito deputado estadual em 1990. Tenho impressão que em muitas ocasiões nem ele próprio se reconhece. Olha no espelho e não se vê. E isso não é de hoje, é bem antigo, recorrente e conhecido por praticamente todos que convivem com a política em Pernambuco.
Dentro da Frente Popular, há algo que já se tornou quase consenso: onde Humberto Costa atua, há ruído, conflito e dificuldade de construção. Num momento em que o País precisa de estabilidade para fortalecer o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e a reeleição dele, esse tipo de comportamento deixa de ser apenas incômodo e passa a ser prejudicial.
Leia maisNão se trata de negar sua trajetória. Ele já ocupou espaços importantes. Foi ministro, participou da construção do partido. Mas isso não lhe dá o direito de agir como se o projeto coletivo girasse em torno do seu umbigo. Pernambuco é prova disso. O PT já teve protagonismo real no Estado, especialmente com a liderança de João Paulo. Hoje, tem apenas cinco prefeitos. Afundou com Humberto, através do seu menino de recado Carlos Veras, a quem colocou à frente do diretório estadual.
Esse protagonismo foi sendo perdido ao longo dos anos e não por acaso. Decisões equivocadas, disputas internas e insistência em projetos pessoais contribuíram diretamente para esse enfraquecimento. O padrão se repete: sempre que há uma construção maior em curso, surge uma movimentação que tensiona, divide e dificulta.
Agora, mais uma vez, quando se articula uma frente ampla envolvendo diferentes forças políticas, o comportamento é o mesmo: inquietação, resistência e sinais claros de desconforto com algo que não é controlado por ele.
E isso não passa despercebido.
Internamente, a relação é desgastada. São raros os que não têm ressalvas. A convivência é difícil, o ambiente pesa, e a capacidade de agregar é praticamente inexistente. Política não é sobre quem grita mais alto ou ocupa mais espaço. É sobre quem constrói, quem soma e quem entende o tamanho do momento.
Hoje, Pernambuco precisa de unidade em torno de lideranças como João Campos e de um projeto que dialogue com a história de Miguel Arraes, de Eduardo Campos e com a força política de Luiz Inácio Lula da Silva. Quem não entende isso ou pior, quem atrapalha isso — deixa de ser parte da solução e passa a ser parte do problema. E, hoje, essa é exatamente a percepção que se consolidou em relação a Humberto Costa.
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