As últimas pesquisas presidenciais deram um sinal de alerta na campanha do presidente Lula (PT), na disputa pelo quarto mandato, porque houve uma substancial perda de intenção de voto no Nordeste, até então reduto e fortaleza de Lula e do petismo.
Desde 2006, segundo levantamento do jornal O Globo, os candidatos do PT a presidente, seja Lula, Dilma Rousseff ou Fernando Haddad, tiveram percentuais superiores a 69% dos votos válidos entre os nordestinos no segundo turno das disputas pelo Planalto. O melhor desempenho de um petista na região foi obtido pelo próprio Lula em 2006, quando chegou aos 77% contra o seu atual vice, Geraldo Alckmin, candidato do PSDB naquela disputa.
Leia maisNa etapa final da última eleição, o atual presidente superou Jair Bolsonaro por 69,34% a 30,66% na região. A vantagem de 12,6 milhões de votos obtida entre os nordestinos foi suficiente para compensar as derrotas no Sul, no Centro-Oeste, no Sudeste e no Norte. No cômputo geral do país, o petista recebeu 2,1 milhões de votos a mais que o candidato do PL.
A dúvida é saber se o retrospecto de larga vantagem na região será repetido para compensar derrotas no restante do país. Levantamentos do Datafolha mostram que o petista oscilou dentro da margem de erro nos últimos meses, saindo de 63% das intenções de voto em dezembro, para 60% na pesquisa mais recente, divulgada no dia 11. Flávio Bolsonaro, por sua vez, pulou de 24% para 32% no mesmo período. A margem de erro nesse caso é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.
O cenário atual também é menos favorável a Lula do que há quatro anos, quando o adversário era o pai de Flávio, Jair Bolsonaro. Em agosto de 2022, por exemplo, o Datafolha apontava o petista com 65% contra 25% do então presidente entre os nordestinos.
Ao longo dos anos, a rejeição de Lula também cresceu na região. O patamar de nordestinos que dizem não votar no petista de jeito nenhum é de 32%, um nível bem mais baixo do que o visto na média nacional, que é de 48%. Porém, em agosto de 2022, esse número era de 27%. Lula tem feito esforço para manter sua popularidade em alta no Nordeste. Só neste ano, ele teve agendas em cidades da região em oito ocasiões, como no início do mês, quando foi inaugurar um trecho de um quilômetro de metrô de Salvador.
Apesar disso, houve uma piora na avaliação do petista neste terceiro mandato. Dados do Datafolha mostram que a aprovação de Lula na região, que chegou a 53% de ótimo e bom em março de 2023, hoje está em 41%. A margem de erro também é de quatro pontos percentuais. Lideranças petistas mantêm otimismo sobre a recuperação de Lula no Nordeste em outubro.
De forma reservada, reconhecem, porém, que há uma preocupação com o desempenho nas capitais e nas grandes cidades, com mais de 150 mil habitantes, não apenas da região. Em 2022, o atual presidente, apesar da ampla vantagem entre os nordestinos, perdeu para Bolsonaro em uma das capitais: Maceió (AL). O então presidente teve 57,18%, contra 42,82% do petista na capital alagoana.
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