O prefeito de São José do Egito, Fredson Brito (Republicanos), escolhido para assumir a coordenação regional da campanha governista, está no centro de mais um episódio que chama atenção para os cuidados elementares exigidos pela legislação eleitoral às vésperas da abertura oficial das campanhas. A escolha da governadora Raquel Lyra (PSD) para coordenar sua campanha à reeleição no Pajeú já produz questionamentos antes mesmo do início oficial da propaganda eleitoral, marcado para amanhã (16).
Neste sábado (15), um carro de som circula pelas ruas de São José do Egito divulgando a chamada “Caravana da Esperança”. A vinheta atribui expressamente o convite ao prefeito, vereadores e lideranças políticas e convoca a população para o evento.
Leia maisO que significa dizer que, em São José do Egito, a campanha governista teria queimado a largada na corrida eleitoral. A legislação admite diversos atos de pré-campanha, inclusive menção a pretensas candidaturas, encontros políticos e divulgação de posicionamentos. Há, contudo, limites para a forma como essa comunicação pode ocorrer. No episódio de São José do Egito, um elemento chama especialmente a atenção: o carro de som.
A legislação eleitoral restringe a utilização de carros de som e minitrios. Mesmo durante o período oficial de propaganda, esses equipamentos não estão simplesmente liberados para circular isoladamente pelas cidades veiculando propaganda eleitoral. Seu uso é admitido em situações específicas, como carreatas, caminhadas, passeatas, reuniões e comícios. Na pré-campanha, não é apenas o conteúdo da mensagem que importa: o meio usado para divulgá-la também pode ser considerado irregular. Assim, mesmo sem pedido explícito de voto, o uso de um meio proibido pode caracterizar propaganda eleitoral antecipada. Eventual irregularidade deverá ser analisada pela Justiça Eleitoral.
“CASA DE MAINHA”
O episódio deste sábado (15) não é o primeiro a chamar atenção em São José do Egito às vésperas da campanha. Dias antes, a fachada da chamada “Casa de Mainha”, espaço ligado ao grupo político de Fredson Brito, apareceu pintada com referências visuais a Pernambuco e, em grandes caracteres, o número 55.
A repercussão foi registrada pelo comunicador Cláudio Viana, conhecido na região pelo estilo irreverente e sarcástico no jornalismo e no radialismo. Nas redes sociais, ele publicou uma montagem com fotografias do antes e depois da fachada. Na primeira imagem, aparecia a inscrição “Casa de mainha 55”. Na segunda, o número já havia sido apagado. Viana ironizou a mudança ao se autointitular, em tom de brincadeira, “juiz eleitoral Dr. Cláudio Viana” e agradecer à “turma do coração roxo” por ter “atendido” a ele e retirado o número.

A publicação foi uma sátira do comunicador, e não resultado de qualquer decisão ou intervenção da Justiça Eleitoral. O Judiciário não foi provocado e não houve determinação judicial para a retirada do número.
Coordenar uma campanha para o Governo de Pernambuco não significa apenas reunir prefeitos, vereadores e lideranças, organizar agendas ou montar palanques. Também exige atenção à legislação eleitoral, orientação dos aliados e cuidado com a comunicação política, para evitar que a candidatura que se pretende fortalecer seja exposta a questionamentos desnecessários.
Por isso, a pergunta também precisa ser dirigida à governadora: que critério Raquel Lyra utilizou para entregar a coordenação de sua campanha no Pajeú a uma liderança que, antes mesmo do primeiro dia oficial de propaganda, já aparece envolvida em dois episódios de repercussão no terreno eleitoral?
Por fim, Fredson Brito está longe de ser um estreante em eleições. Disputou a Prefeitura de São José do Egito, venceu o pleito e hoje exerce o mandato de prefeito. Agora, assume uma responsabilidade ainda maior: coordenar regionalmente uma campanha para o Governo do Estado. A função exige, portanto, o mesmo cuidado que se espera de quem está à frente de uma operação política dessa dimensão.
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