PODER360
A empresária e lobista Roberta Luchsinger fez pagamentos para Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que de janeiro de 2023 até 21 de julho foi o chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os valores repassados por Roberta foram na casa das dezenas de milhares de reais, mas ainda não são inteiramente conhecidos nem a razão pela qual eram realizados –os dados completos estão com a Polícia Federal. Essa história passou a circular em Brasília há cerca de duas semanas, logo depois de Lula dispensar Marcola do Planalto.
Roberta Luchsinger, por meio de seu advogado, disse desconhecer o assunto e que pretende responder só nos autos do processo em que é citada. O Palácio do Planalto e Marcola foram procurados, mas não responderam. Esta reportagem será atualizada assim que enviarem alguma manifestação.
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Personagem conhecida dos meios políticos em Brasília, Roberta está citada na investigação de fraudes na Previdência Social e prestou serviços para Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, que está preso desde 12 de setembro de 2025.
O Poder360 confirmou a informação sobre as transferências de dinheiro de Roberta para Marcola com 4 pessoas familiarizadas com o assunto. O fato foi tema de conversa de bastidores entre integrantes da cúpula do PT durante a convenção de lançamento de Lula à reeleição, no último sábado (1º.ago.2026). Há apreensão entre petistas, pois o tema “corrupção” tem se mostrado aderente ao atual governo, de forma negativa, e pode prejudicar a campanha presidencial do partido.
Não foi possível apurar os valores exatos dos pagamentos feitos por Roberta a Marcola e com que frequência eram feitos. O Poder ouviu que os valores eram na casa dos R$ 80.000, mas essa informação não pode ser confirmada. O ex-assessor de Lula era uma pessoa de total confiança do petista. Acompanha Lula há anos e tinha responsabilidade de fazer a agenda de compromissos do presidente. Também era a pessoa comissionada para ficar com um telefone celular para atender as chamadas que chegavam para o chefe.
Roberta também é amiga próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. No início do inquérito sobre as fraudes no INSS, em abril de 2025, Lulinha e Roberta foram citados como possíveis participantes do esquema –o que ambos negam. Lulinha é alvo de 3 inquéritos, inclusive um em que é investigado pela Polícia Federal por tráfico de influência. O Poder revelou em 4 de dezembro de 2025 que Lulinha é suspeito de ter recebido uma mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS.
Em maio de 2026, Roberta deu uma entrevista e disse ter apresentado Lulinha ao Careca do INSS. Disse que se tratou de um gesto de “boa educação” e negou ter intermediado negócios entre eles: “Jamais apresentei os 2 com intuito de negócio. Tanto que eles nunca tiveram transações comerciais”.
Ao longo das investigações, a PF já identificou ao menos 6 viagens realizadas por Roberta e por Lulinha em que as reservas de ambos foram registradas sob o mesmo código localizador das passagens de avião. Os 2 foram para Portugal em junho de 2024 e percorreram outros 5 trechos nacionais, aqui no Brasil, de abril a junho de 2025. As viagens são consideradas pela PF como indícios da relação de amizade entre Roberta e Lulinha.
O Poder apurou também que nos telefones apreendidos na operação Sem Desconto (sobre as fraudes no INSS) há algumas informações que deverão ser esclarecidas por Roberta e Lulinha no decorrer do processo.
Na edição de 23 a 29 de maio do Drive da Semana (a newsletter produzida pela equipe do Poder para assinantes), foi revelado que Roberta conversava com frequência com Lulinha. Os dois mostram muita familiaridade sobre os negócios do INSS e com outras empresas. Chegam a celebrar quando algumas operações são concluídas. Numa troca de mensagens, Roberta pergunta se deve prosseguir com uma determinada operação. E Lulinha responde, peremptório: “Pode fechar”. Há indícios de possíveis irregularidades com Correios e Dataprev.
OUTROS LADOS
Ao Poder, o advogado de Roberta Luchsinger, Roberto Podval, disse: “Em respeito ao próprio ministro André Mendonça, responderemos a todas as questões nos autos do inquérito que, até o momento, ainda não tivemos acesso”.
Este jornal digital entrou em contato com a assessoria de imprensa da Presidência da República para pedir alguma declaração formal sobre a relação entre Marcola e Luchsinger. Não houve resposta até a publicação da reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.
O Poder também procurou diretamente Marcola por meio de aplicativos de mensagem e ligação telefônica nesta 2ª feira (3.ago.2026). Não houve resposta até a publicação.
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