Raquel cada vez mais à direita
A movimentação política recente em Pernambuco deixa de ser episódica e passa a indicar um padrão mais estruturado. A postagem de ontem neste blog expõe um gesto carregado de simbolismo: às vésperas da agenda do ministro Guilherme Boulos, da Secretaria Geral da Presidência, aliado direto do presidente Lula (PT), setores vinculados à governadora Raquel Lyra (PSD) aparecem prestando homenagem ao senador Flávio Bolsonaro (PL), uma das principais referências do campo do conservadorismo e do bolsonarismo no País.
Não se trata de um detalhe casual ou sem importância. Em política, gestos constroem narrativas e, sobretudo, revelam alinhamentos. Enquanto a presença de Boulos poderia sugerir uma aproximação institucional com o Governo Federal, o movimento paralelo de valorização do filho do ex-presidente aponta, de forma mais objetiva, para outro campo político.
Leia maisO episódio ganha ainda mais peso quando analisado dentro de um contexto mais amplo. Não é um fato isolado, mas parte de um conjunto de sinais que vêm se acumulando ao longo do tempo e que indicam um deslocamento consistente da governadora à direita. Ainda que, em determinados momentos, haja tentativas de sustentar uma ambiguidade — inclusive com insinuações de possível alinhamento ou voto em Lula — os movimentos concretos caminham em direção oposta.
O que se observa é uma estratégia de duplo discurso: de um lado, a tentativa de dialogar com diferentes espectros do eleitorado e manter canais abertos com o Governo Federal e de outro gestos políticos claros que reforçam vínculos com a direita, especialmente o bolsonarismo.
Esse tipo de construção pode até funcionar no curto prazo, mas tende a produzir desgaste quando a incoerência entre discurso e prática se torna evidente. No fundo, é o acúmulo desses sinais que vai moldando a percepção pública.
E, nesse cenário, a tentativa de se apresentar como uma figura de posição indefinida perde força diante de evidências cada vez mais claras de um posicionamento político que se consolida.
FINAL FELIZ – Após mais de quatro meses de impasse, a Assembleia Legislativa de Pernambuco aprovou, ontem, o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. Só foi possível após acordo entre o presidente da Casa, Álvaro Porto (MDB), e a governadora Raquel Lyra (PSD), que de sua parte enviou um novo texto que foi lido, discutido e votado sem problemas. O impasse se arrastava desde o fim de 2025, em meio a divergências na Comissão de Finanças, embates sobre o percentual de remanejamento orçamentário e à judicialização do tema.

Sem pressão – Ainda sobre a Loa, o presidente da Alepe, Álvaro Porto, descartou que tenha existido “pressão” dos prefeitos na reunião com os gestores no dia anterior, após a reunião envolvendo o presidente da Amupe. Ressaltou que a iniciativa partiu da presidência da Casa. “Não houve pressão em momento algum. Quando recebi o telefonema para receber os prefeitos, marquei imediatamente. E quando eles chegaram, acho que não tivemos nem 10 minutos de conversa. A gente resolveu logo, sem maiores delongas”, afirmou.
Vitória sem bandeira partidária – Da governadora Raquel Lyra ao comemorar, ontem, a aprovação do orçamento estadual em meio a um acordo com o Legislativo: “Pernambuco comemora uma grande vitória que não tem bandeira, nem cor partidária. Ela pertence a todos os pernambucanos. Depois de 115 dias protocolados, a LOA, encaminhada pelo Governo de Pernambuco, foi totalmente aprovada na Alepe. Ela que garantiu em seguida que sancionará o texto assim que for enviado ao Palácio do Campo das Princesas pela Alepe.
De volta ao trabalho – Um dia após receber alta médica, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), participa hoje, no Recife, do ato “Governo do Brasil na Rua”, experiência que agrega órgãos do governo federal para oferecer diferentes tipos de serviços à população. Será na Escola Técnica Estadual Miguel Batista, no bairro da Macaxeira. Entre os serviços, atendimentos relacionados à Previdência Social, como perícia médica e de análises do INSS sem necessidade de agendamento.

Redução de impostos – O presidente Lula (PT) enviou, ontem, ao Congresso, projeto de lei para permitir ao Executivo reduzir a alíquota de PIS/Cofins sobre combustíveis, como gasolina e etanol, com a arrecadação extra esperada no setor de petróleo com a disparada da cotação internacional do barril no mercado internacional provocada pela guerra no Oriente Médio. Atualmente, é cobrado R$ 0,47 dos impostos federais sobre gasolina, produto que ainda não teve subsídio anunciado pelo governo federal para aliviar a alta dos preços para o consumidor, como já houve nos casos do diesel e do biodiesel. Por isso, a gasolina seria o principal alvo da medida.
CURTAS
PROCEDIMENTO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a São Paulo, ontem, para realizar procedimentos médicos no Hospital Sírio-Libanês. Um deles é uma cauterização para extrair uma queratose (acúmulo de pele) no couro cabeludo. Em fevereiro, Lula já havia passado pelo mesmo processo em uma clínica de dermatologia da capital.
NO PUNHO – Lula também fará uma infiltração no punho para tratamento de tendinite no dedão do polegar da mão direita. O presidente tem reclamado de dor no local. De acordo com auxiliares, não há horário fixo para os dois procedimentos, que deverão ser rápidos. Também não há contraindicação e nem preparo médico prévio.
EM SÃO PAULO – Na segunda-feira, o presidente cumprirá agendas no interior de São Paulo. Lula irá a Presidente Prudente (SP) para inauguração do novo centro de radioterapia do Hospital Regional da cidade e depois seguirá para Andradina (SP), para cerimônia de entregas para a Agricultura Familiar e apresentação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento da Produção de Leite.
Perguntar não ofende: Quando Raquel vai assumir o bolsonarismo no seu palanque?
Leia menos
















