Pacote vergonhoso privilegia elite do serviço público
O pacote de reestruturação de carreiras e benefícios para servidores públicos aprovado na última terça pelo Congresso, com custo anual de R$ 548 milhões, é vergonhoso e foi criticado até pelo presidente do PT, Edinho Silva, ante o silêncio do presidente Lula.
A principal controvérsia reside na criação de “penduricalhos” e na possibilidade de que os rendimentos ultrapassem o teto constitucional, gerando um impacto fiscal estimado em R$ 1 bilhão. Parlamentares, incluindo o ex-relator da reforma administrativa, Pedro Paulo (PSD-RJ), votaram contra o projeto por considerá-lo uma “criação de privilégios para uma elite” com salários acima do teto, contrariando os esforços de contenção de gastos.
A aprovação de medidas como a licença compensatória e reajustes em gratificações de desempenho, que podem dobrar o salário-base de servidores do Congresso, foi alvo de fortes críticas também nas redes sociais e na Câmara. O governo prevê gastar cerca de R$ 3,8 bilhões com benefícios a servidores em 2026, com o reajuste linear de 3,5% no Executivo a partir de abril, parte de um acordo firmado em 2024.
Leia maisEnquanto críticos apontam os “supersalários” da elite, representantes dos servidores (como a CUT) argumentam que a média salarial federal não condiz com a narrativa de privilégio geral. O cenário no início de 2026 mostra os poderes executando reajustes e benefícios em ano eleitoral, o que é visto por analistas como uma “bomba-relógio” fiscal.
O novo pacote inclui, por exemplo, a licença compensatória (licença-prêmio), que foi amplamente criticada por permitir rendimentos adicionais desproporcionais. Para o presidente do PT, a medida aprofunda o distanciamento entre a elite e a realidade da população brasileira e contraria a agenda histórica do partido de combate a privilégios no serviço público.
Lula deveria, segundo ele, se posicionar de forma contrária ao pacote, em coerência com o discurso do governo. Mas, até ontem, o chefe da Nação não deu um pio sobre esses privilégios por terem chegado ao Congresso por iniciativa do seu governo.
GRATIFICAÇÕES DE ATÉ 100% – Pelo que foi aprovado, os projetos concedem cerca de 9% de reajuste ao ano. No caso do Senado, o vencimento básico da carreira inicial de auxiliar legislativo passa de R$ 3.300 para R$ 5.863 em julho de 2029. Já o nível mais alto de consultor legislativo vai de R$ 13.753,64 para R$ 24.100 em 2029.
Também foram criadas gratificações de desempenho que podem alcançar o equivalente a 100% do salário-base dos funcionários. Considerando informações constantes no relatório da Câmara, o projeto teria um impacto anual de cerca de R$ 540 milhões. O texto do Senado não tem estimativas de valores.

Reação dura de Edinho – Em entrevista, o presidente do PT, Edinho Silva, criticou o pacote. De acordo com ele, o Partido dos Trabalhadores é contrário à medida e avaliou que a decisão aprofunda o distanciamento entre a classe política e a realidade da população brasileira. “Nós devemos estar debatendo um projeto de reforma político-partidária no Brasil para que, além de combater os privilégios, a gente possa efetivamente melhorar o nosso sistema democrático e o nosso sistema de representatividade. Então, a posição do PT é, com muita tristeza, a de que nós vivenciamos mais uma medida de distanciamento da vida política, dos representantes do povo brasileiro, da realidade do povo brasileiro”, disse.
TETO ULTRAPASSADO – Com o pacote de privilégios, o governo abriu caminho para ganhos que ultrapassam o teto constitucional do funcionalismo público — atualmente de R$ 46.366,19. Os projetos reestruturam gratificações e permitem o chamado “penduricalho” por meio de licença compensatória para alguns servidores. O ganho extrateto valerá para servidores que acumularem “múltiplas atribuições” que demandam “dedicação contínua” e a atuação fora do horário regular de expediente. A cada três dias trabalhados, o funcionário poderá solicitar uma folga ou a indenização financeira.
Mais segurança na folia – O Governo do Estado anunciou, ontem, o esquema de segurança para o carnaval. Serão mobilizados 68 mil policiais militares, civis, peritos, bombeiros e outros servidores. O número de escalas extras é semelhante ao do ano anterior, mas o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, afirmou que a presença dos policiais nas ruas será maior este ano. “O Carnaval, no ano passado, foi de 11 dias, porque a gente teve a Quarta-feira de Cinzas, Data Magna na quinta e a sexta-feira foi ponto facultativo. Carnaval seguiu direto até domingo. Agora, temos menos dias e a chegada dos novos militares e policiais civis”, afirmou.

João no páreo – Mais uma vez, o presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, veio a público, ontem, reafirmar a disposição do prefeito do Recife, João Campos (PSB), em disputar o Governo do Estado nas eleições deste ano. “Trata-se de uma candidatura irreversível. Ele é o pré-candidato do PSB. A militância do partido quer isso e, mais do que a militância, as pesquisas mostram que a população de Pernambuco deseja que ele seja candidato pela sua capacidade de entrega, pela sua forma de gerenciar”, disse. Há muito tempo, João é questionado de forma recorrente sobre uma possível candidatura ao governo do Estado, mas publicamente sempre evitou dar uma resposta direta.
CURTAS
LÍDER – No quarto mandato de deputado federal, Augusto Coutinho foi escolhido o novo líder do Republicanos na Câmara dos Deputados. Ele é autor da Lei da Adoção e foi relator da Reforma Tributária e da Lei de Licitações. Também coordena a bancada federal em plena harmonia com o deputado Carlos Veras (PT).
EM BRASÍLIA – De passagem, ontem, por Brasília, onde participou de um evento no Palácio do Planalto, a governadora Raquel Lyra esteve com o ministro dos Transportes, Renan Filho. Na pauta, o andamento das obras de infraestrutura viária em Pernambuco, entre elas o Arco Metropolitano, a travessia urbana de Toritama, na BR-104, e a duplicação da BR-423.
PRESIDENTE – Com apenas dois votos contrários, o deputado Coronel Meira (PL) foi eleito e empossado, ontem, presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados. Em entrevista ao Frente a Frente, afirmou que sua prioridade será o combate ao crime urbano, numa ação conjunta com a União e os Estados.
Perguntar não ofende: Lula vai sancionar o pacote que privilegia a elite do serviço público federal?
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