Por Muciolo Ferreira*
Tem imagem mais bela, simbólica e antológica do que esta do Paulo Carvalho abraçando carinhosamente o grande e eterno amor da sua vida, a mãe Auri Medeiros de Carvalho? Esta foto deles esbanjando sorrisos largos e sinceros a perder de vista é a ilustração, a síntese perfeita, o testemunho de uma sublime e recíproca declaração de amor.
Diante da moldura fotográfica, uma relíquia que inspiraria Leonardo Da Vinci, Cézanne, Di Cavalcanti ou Michelangelo a pintar um quadro, inicio este sábado, dia 4 de julho, enviando os parabéns de aniversário ao último remanescente descendente de uma linhagem nobre da “haute couture” pernambucana.
Leia maisCongratulações pela data natalícia a um amigo que vive um “feliz anonimato”, recluso voluntariamente numa imensa propriedade com vista para o mar no Litoral Norte, rodeada de frondosas árvores frutíferas e ornamentais do que ainda resta da Mata Atlântica. Vive protegido pela fidelidade dos animais de estimação e domésticos, criando cães, gatos, galinhas, gansos, patos, guinés e pavões.
Diariamente, acorda com uma sinfonia do cântico dos pássaros, algo inimaginável nos tempos da fama, das luzes vindas dos holofotes e dos flashes dos fotógrafos, do burburinho do backstage, dos camarins, das passarelas e das chatices de algumas modelos abusadas que faziam caras e bocas com exigências absurdas antes dos desfiles. Tem algo melhor e mais saudável do que viver num paraíso livre desse estresse?
Quando quer, vez por outra, o torcedor fanático e de carteirinha do Tricolor do Arruda liga para amigos convidando para tomar um cafezinho básico à tarde, preferencialmente em lugares simples e discretos. É o seu novo “modus vivendi“, estilo Século 21 by Paulo Carvalho. Nessas ocasiões, rolam muitas conversas, o que ele chama “estar confortavelmente sentado no sofá da Hebe Camargo”, onde as resenhas saudosistas bem-humoradas e divertidas atiçariam o interesse de qualquer editor para futuras publicações que se tornariam em “best seller” dos tempos que ele reinou entre os maiores costureiros da região.
Com duas graduações superiores, Filosofia e Letras, nosso homenageado de hoje ficou conhecido no mundo das agulhas e das tesouras pela criação de uma moda própria na hora de vestir noivas e socialites em evidências pelos cargos que ocupavam nas três esferas dos poderes constituídos.
Tambem ajudou a realçar a elegância das endinheiradas da conhecida sociedade quatrocentona, além de costurar roupas de debutantes, executivas, profissionais liberais, misses e anônimas clientes das lojas onde trabalhou.
Dizer um pouco do homenageado de hoje enquanto figurinista, costureiro, estilista e desenhista é revisitar o tempo de um Recife glamouroso socialmente pela ótica dos que viveram e frequentaram os seletivos eventos nas décadas de 1970 e 1980.
Foi o período dos monumentais desfiles de moda que ocorriam, principalnente, nos meses que antecediam as estações do inverno e verão.
Até porque a moda era ditada, imposta pelo que era lançado em Paris e Milão, mas com adaptações dos costureiros nacionais. As pessoas eram orientadas como se vestir para não errar no look nem nos acessórios ao sair de casa e enfrentar ruas molhadas ou ensolaradas.
Mas isso é um tema mais amplo e abrangente para discutir noutra ocasião. Mesmo porque o destaque hoje é celebrar o aniversário do Paulo Carvalho, profissional respeitado e pessoa de múltiplas qualidades. Um cara de coração generoso, maior do que seus 1,92 de altura. Que nunca perdeu um show de Maria Bethânia e Chico Buarque, e que cresceu indo aos teatros conferir o talento de Fernanda Montenegro, de Bibi Ferreira e ouvindo e amando os Beatles e os Rolling Stones.
Saúde e Vida Longa ao filho de Dona Auri!
*Jornalista
Leia menos




















