Ministra das Mulheres diz que deputados travam lei contra misoginia: “Machistas e misóginos não vão votar a favor”
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes (PT), defendeu, ontem, no podcast Direto de Brasília, comandado pelo titular deste blog em parceria com a Folha de Pernambuco, a aprovação do projeto de lei que transforma a misoginia em crime. Para ela, a medida é essencial para enfrentar agressões, discursos de ódio e perseguições contra mulheres em diferentes espaços da sociedade, inclusive na política.
“A misoginia é crime. Uma pessoa que é violenta, isso é crime. Então, aí nós não podemos aceitar de lado nenhum”, afirmou a ministra. Segundo Márcia, a proposta já foi aprovada no Senado e agora está na Câmara, onde enfrenta resistência de setores conservadores. “Deputados que são machistas e misóginos não vão votar a favor dessa lei, mas eu tenho certeza que a sociedade já está mobilizada”, disse.
Leia maisA ministra também saiu em defesa da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), alvo de ataques após assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Para Márcia, a reação contra Erika foi resultado de “uma atitude misógina” e “preconceituosa”. “Ela está lá para cumprir o trabalho dela, e ela cumpre, ela faz, ela tem compromisso, competência”, afirmou.
Ao tratar da violência contra as mulheres, Márcia citou a complexidade do problema e a dificuldade que muitas vítimas ainda enfrentam para denunciar agressores. “As mulheres dizem: eu tenho vergonha, eu me sinto envergonhada de sofrer violência, eu me sinto culpada. Olha só onde chega”, relatou. Segundo ela, o medo, a dependência econômica e a pressão familiar ainda levam muitas mulheres ao silêncio.
A ministra destacou ainda a reestruturação do Ligue 180, serviço que, segundo ela, recebe quase 3 mil ligações por dia e 425 denúncias de violência contra mulheres. Márcia também citou o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, lançado pelo presidente Lula, reunindo Executivo, Legislativo e Judiciário.
No campo político, a ministra foi questionada sobre a disputa em Pernambuco e a possibilidade de Lula ter dois palanques no Estado. Márcia evitou cravar posição, mas admitiu que a aproximação de setores bolsonaristas com a governadora Raquel Lyra (PSD) pode dificultar a relação. “Há uma manifestação em relação ao apoio a João Campos (PSB), principalmente se o outro lado estiver se aproximando ou estiver junto com a governadora. Aí complica de vez para nós”, afirmou.
Márcia também classificou a volta do bolsonarismo como risco para o país. Para ela, o período do governo anterior foi marcado por retrocessos nas políticas públicas e pela banalização da vida. “Foi um tempo horrível, um tempo que a gente não quer mais viver”, afirmou.
Ao defender Lula, a ministra disse não ter dúvida de que o presidente fará uma “bela campanha” e voltou a associar o governo à retomada de políticas públicas. “Eu não tenho dúvida de que ele é, sim, imbatível. Em eleição é isso: as pesquisas vão e voltam”, declarou.
HOMENAGEM NEGADA – A Câmara do Recife rejeitou o projeto que concedia o título de cidadão recifense ao ator Wagner Moura. A proposta, de autoria do vereador Carlos Muniz (PSB), recebeu 16 votos favoráveis e sete contrários, mas não atingiu o mínimo de 23 votos necessários. Muniz justificou a homenagem pela atuação do artista no filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e ambientado no Recife. O vereador Eduardo Moura (NOVO) criticou a proposta e apontou caráter político. Após o resultado, Muniz pediu reconsideração, alegando falhas no sistema de votação.

Fiel da balança – O diretor de inteligência da Quaest, Guilherme Russo, avalia que o eleitor lulista dividido entre João Campos e Raquel Lyra deve ser decisivo na disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026. Segundo ele, o cenário no Estado está mais adiantado que no restante do país, com “dois candidatos muito fortes e uma disputa clara” entre os principais nomes. Pesquisa recente aponta João com 42% das intenções de voto, contra 34% de Raquel, diferença fora da margem de erro. Ainda assim, o dado mais relevante, na leitura de Russo, é o comportamento do eleitorado de esquerda, que demonstra afinidade com ambos. “Tem muito eleitor que gosta dos dois”, afirmou. Esse grupo é visto como fiel a Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial, mas indefinido no plano estadual. A dúvida é se seguirá a chapa lulista liderada por João ou se dividirá o voto.
Raquel joga para Lula – Em entrevista à Rádio Pajeú, ontem, a governadora Raquel Lyra (PSD) evitou antecipar o papel do presidente Lula (PT) na disputa de 2026 e devolveu a responsabilidade ao próprio Planalto. “Só quem pode falar sobre a posição do presidente é ele mesmo”, afirmou. Em seguida, tratou de blindar a relação administrativa, ao sustentar que o processo eleitoral não deve interferir na parceria. “Ele precisa governar e não vai governar só para os que votaram nele, mas para todos”, declarou.
Na mira dos prefeitos – O prefeito de São Caetano, Josafá Almeida (PRD), elevou o tom no Congresso da Amupe ao contestar a forma como a governadora Raquel Lyra (PSD) apresentou a divisão da outorga da Compesa. Ao entregar simbolicamente um cheque bilionário ao presidente da entidade, Pedro Freitas, afirmou: “Esse dinheiro é dos municípios”. A fala ocorre após o governo estadual realizar, no mesmo evento, a distribuição simbólica dos recursos da concessão, com ampla divulgação institucional. Pelos números apresentados, 40% da outorga foram destinados às prefeituras, enquanto 60% ficaram com o Estado. Nos bastidores, os prefeitos têm cobrado maior clareza sobre os critérios de repasse e a aplicação dos valores.

FARRA NOS TRILHOS – A compra de trens usados para o Metrô do Recife virou alvo de críticas após o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco denunciar que o governo pagará cerca de R$ 10 milhões por unidade, embora o valor contábil estimado seja de R$ 3 milhões. As composições, com mais de 30 anos e sem ar-condicionado, virão de Belo Horizonte. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos alega urgência para evitar a paralisação da Linha Sul em 2027 e manter o transporte de 60 mil passageiros por dia. O sindicato fala em “farra com dinheiro público” e alerta para risco de panes com tecnologia ultrapassada.
CURTAS
FOCO NO SUPREMO – A sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, ocorre hoje no Senado sob expectativa de questionamentos concentrados na atuação do Supremo Tribunal Federal. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o nome deve ser avaliado em meio a críticas de parlamentares à Corte e ao papel do Judiciário em decisões recentes. A leitura no Congresso é de que o debate refletirá a relação entre os Poderes.
PLACAR INCERTO – O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou articulações para aprovar Jorge Messias, que precisa de 41 votos no plenário. Aliados projetam entre 45 e 49 apoios, enquanto a oposição calcula cerca de 35. A votação secreta é tratada como fator relevante, com expectativa de adesões não declaradas entre senadores do Centrão e de partidos da oposição.
FLÁVIO BRIFADO – Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) orientaram que ele adote postura mais moderada na sabatina de Messias. A recomendação integra a estratégia de reposicionamento político do parlamentar, com tentativa de reduzir o tom de confronto e ampliar o diálogo com eleitores menos alinhados ao bolsonarismo. Também pesa o apoio de lideranças evangélicas ao indicado. O PL mantém posição contrária à indicação, e o senador ainda avalia se pedirá a palavra na Comissão de Constituição e Justiça.
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