Coluna do sabadão
Lulinha vira calcanhar de Aquiles de Lula na campanha
O caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, começa a ganhar uma dimensão que ultrapassa a investigação policial e se transforma em um problema político direto para o presidente Lula (PT), justamente quando a campanha presidencial entra em uma fase decisiva. O desgaste tem pelo menos duas frentes: a eleitoral, porque oferece à oposição um novo flanco para atacar o presidente, e a narrativa, porque obriga Lula a explicar publicamente sua relação com pessoas que aparecem no entorno das investigações.
A situação se tornou ainda mais delicada depois da entrevista concedida pelo presidente à TV Globo, na quinta-feira (27), quando o tema ocupou parte relevante da sabatina e colocou Lula diante de perguntas sobre corrupção e sobre as relações de seu filho com a lobista Roberta Luchsinger.
No campo eleitoral, o principal risco para Lula não está necessariamente na existência de uma investigação contra o filho, mas na possibilidade de o caso se transformar em uma narrativa recorrente durante toda a campanha. A oposição tem interesse evidente em associar Lulinha ao Palácio do Planalto e explorar a proximidade de Roberta Luchsinger com integrantes do círculo de poder.
Leia maisReportagem do Diário do Poder reuniu fotografias da lobista com Lula, Janja, Geraldo Alckmin e ministros do STF, entre outras autoridades. A própria publicação ressalva, porém, que as imagens não constituem prova de ilegalidade nem demonstram que os encontros tenham relação com as suspeitas investigadas. Ainda assim, politicamente, as fotografias ajudam a alimentar uma narrativa de acesso privilegiado ao poder.
A entrevista à TV Globo mostrou justamente a dificuldade de Lula em controlar essa narrativa. O presidente classificou como “ilações” as acusações contra Lulinha, negou uma relação próxima com Roberta e, ao mesmo tempo, afirmou que não haverá interferência do governo nas investigações. Também admitiu que seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, errou ao receber valores da lobista e que deve responder por seus atos. A estratégia procura estabelecer uma separação entre o governo e os investigados.
Em meio ao desgaste provocado pelo caso, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou, ontem, que a corporação trabalha com autonomia, rigor técnico e imparcialidade, sem proteger ou perseguir ninguém. Embora não tenha citado Lulinha, a declaração funciona como uma resposta institucional às críticas feitas por Lula sobre os vazamentos e reafirma que a PF pretende preservar sua imagem de independência.
A entrevista à Globo mostrou que Lula ainda consegue responder ao ataque e reafirmar sua versão dos fatos, mas também revelou que o episódio já deixou de ser uma questão restrita à PF e ao STF. O risco para o Planalto agora é permitir que a investigação dite a agenda eleitoral e obrigue o presidente, durante toda a campanha, a explicar não apenas o que seu filho fez ou deixou de fazer, mas também quem circula ao redor do poder de Lula.
Driblando a imprensa – Lula participou, ontem, de um ato político de campanha em Salvador, capital da Bahia. O petista desfilou em carro aberto ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição. No mesmo carro estava o ex-líder do PT no Senado Jaques Wagner, que deixou o cargo após ter seu nome envolvido com o Banco Master. Antes do evento, a equipe de campanha avisou que Lula iria dar uma entrevista junto com os demais candidatos que o apoiam na Bahia. A entrevista acabou não acontecendo. Ao invés de responder perguntas de jornalistas, o presidente fez um pronunciamento com elogios ao seu próprio governo. Com isso, Lula acabou evitando perguntas sobre as ações de seu filho Fábio Luís e da lobista Roberta Luchsinger no governo petista.

Cola na mão – O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) chamou atenção, ontem, durante a sabatina do Jornal Nacional, da TV Globo, pelas palavras escritas na palma da mão esquerda: “Mudança, Futuro e 7/Set”. O recurso já havia sido usado pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), em outros momentos da vida política. Em entrevista ao próprio JN, em 2018, o ex-presidente apareceu com “Deus, família e Brasil” anotados na mão; quatro anos depois, durante a campanha de 2022, levou os lembretes “Nicarágua, Argentina, Colômbia e Dario Messer”.
Flávio nega contrapartida a Vorcaro – Questionado na sabatina sobre os R$ 61 milhões que, segundo as investigações, Daniel Vorcaro teria repassado para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PL) negou qualquer contrapartida ao banqueiro em sua atuação parlamentar. “Não teve nenhuma contrapartida no meu mandato no Senado para esse investidor”, afirmou. O candidato disse que sua única relação com Vorcaro envolveu o longa e classificou o patrocínio como uma operação privada. A Polícia Federal investiga se recursos relacionados ao projeto foram usados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos, mas ainda não há conclusão de que isso tenha ocorrido. Flávio também tentou deslocar o desgaste do caso para Lula (PT), ao afirmar que é o presidente quem deve explicações sobre o escândalo do Banco Master.
“Golpe da Disney” – Flávio Bolsonaro (PL) classificou como “golpe da Disney” os atos de 8 de janeiro de 2023 e voltou a contestar a condenação do pai, Jair Bolsonaro (PL), pelo STF no processo sobre a trama golpista. O senador afirmou que o ex-presidente foi vítima de uma “grande farsa armada para tirá-lo da vida pública” e questionou a imparcialidade dos ministros que participaram do julgamento. Apesar das críticas ao processo que levou à condenação de Bolsonaro, Flávio garantiu que respeitará o resultado da eleição presidencial deste ano caso seja derrotado. “Eu não vou perder. E digo mais, vou ganhar no primeiro turno”, declarou.

João tenta trazer Lula a Garanhuns – O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) intensificou as articulações para levar Lula (PT) ao Estado entre os dias 9 e 11 de setembro. A campanha do socialista trabalha para incluir na passagem do presidente uma visita ao Instituto de Prevenção e Diagnóstico de Câncer Dona Lindu, em Garanhuns, cidade natal de Lula. O hospital, também conhecido como Hospital de Amor, foi inaugurado em julho, com participação remota do petista, e homenageia sua mãe, Eurídice Ferreira de Mello. A presença de Lula é considerada estratégica pelo PSB para reforçar a associação de João com o presidente na reta final da campanha. Pesquisa Quaest divulgada na última terça-feira mostrou Raquel Lyra (PSD) com 47% das intenções de voto e João com 37%.
CURTAS
RAQUEL COMENTA AÇÃO CONTRA JOÃO – A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) afirmou, ontem, durante agenda em Jabotão, que sua equipe jurídica está cuidando da ação contra João Campos (PSB) por declarações que a associam a um suposto “Gabinete do Ódio”. Raquel voltou a dizer que “na eleição não vale tudo” e defendeu uma disputa baseada na apresentação de resultados e propostas.
JOÃO NEGA RELAÇÃO COM AMISADAI – O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) negou, ontem, qualquer relação de amizade com Amisadai Andrade, apontado como chefe do suposto “Gabinete do Ódio”, e acusou Raquel Lyra (PSD) de assumir a liderança da rede de ataques após a exoneração do servidor. João classificou como “mentira construída” um vídeo publicado pela governadora e afirmou que as denúncias sobre o caso serão investigadas pela Polícia e pela Justiça.
ZÉ QUEIROZ INAUGURA COMITÊ EM CARUARU – O candidato a deputado estadual Zé Queiroz (MDB) inaugura, hoje, às 11h, seu comitê de campanha em Caruaru. O ato, na Avenida Rio Branco, no Centro, terá as presenças do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, e da deputada federal Iza Arruda (MDB), com quem Zé Queiroz faz dobradinha nestas eleições.
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