Por Antonio Magalhães*
Os vices se alinharam ontem para a disputa de 2026. O governista Geraldo Alckmin (PSB) e o oposicionista Alfredo Gaspar (PL). O primeiro queria impedir em outra era que houvesse uma volta à cena do crime. E o segundo é conhecido caçador de criminosos na nordestina Alagoas e futuramente no Brasil. Brasileiros empunhem seus títulos de eleitor e se preparem para participar do maior embate nas urnas entre Lula e Flávio Bolsonaro! A disputa vai decidir o futuro do país. Diante de tudo que está acontecendo e sendo mostrado, os brasileiros têm a oportunidade nesta eleição de traçar seu novo caminho. Que seja o melhor.
A escolha do vice de Flávio Bolsonaro, o deputado alagoano Alfredo Gaspar, promotor de Justiça, Procurador Geral de Justiça de Alagoas e ex-secretário de Segurança, dá o foco da chapa de oposição numa das maiores mazelas nacionais: a segurança pública e o combate ao crime organizado. E Gaspar sabe a estratégia do combate. Além do mais, ele foi relator da CPMI do INSS, que apurou o roubo dos aposentados e que pediu o indiciamento do filho do presidente Lula. “Não baixei a cabeça, não negociei e não aceitei a blindagem de ninguém”, desabafou o candidato. Finalmente um vice tem o papel que merece.
Leia maisCertamente, o filho Flávio lembra da escolha de Jair para seu companheiro de chapa: o general Hamilton Mourão, que durante o mandato teve atitudes discutíveis em relação ao governo que fazia parte. Ele se excluía e terminava sendo excluído mesmo das reuniões estratégicas do governo Bolsonaro. O “prêmio” por ser um vice polêmico contra seus aliados foi o apoio do próprio presidente, que nunca confiou nele, para a candidatura ao Senado pelo Rio Grande Sul. Eleito em 2022, pouco fez por seu padrinho e muito menos pelos gaúchos. É hoje um obscuro.
Os vices de modo geral nas chapas de candidatos à Presidência ou Governo Estadual, sempre tiveram um papel controverso, ora positivo, ora negativo.
Já o cargo de vice-presidente da República foi oficialmente criado com a promulgação da Constituição de 1891. Durante a Era Vargas, o vice foi extinto pelas constituições de 1934 e 1937, que deram mais poderes ao ditador. O cargo foi restabelecido pela Constituição de 1946 e novamente extinto entre 1961 e 1963, durante o breve período parlamentarista no Brasil. Desde então, foi restabelecido e mantido nas duas constituições subsequentes.
Segundo sites oficiais, até 1963, o vice-presidente da República acumulava também a função de presidente do Senado Federal e, entre 1967 e 1969, exerceu somente a presidência do Congresso Nacional. A partir de 1964, o vice-presidente passou a ser eleito em chapa conjunta com o presidente da República, para evitar a eleição de um vice-presidente pertencente a um partido de oposição.
E neste período republicano, iniciado em 1889, só oito vice-presidentes assumiram definitivamente à Presidência da República, por doença ou impeachment do titular. Assim o marechal Floriano Peixoto tomou posse em 1891 no cargo do proclamador da República, marechal Deodoro da Fonseca, depois da renúncia dele. Nilo Peçanha, outro vice, tomou o lugar de Afonso Pena, em 1909, por morte do titular.
Já o vice do presidente Rodrigues Alves, Delfim Moreira, chegou a assumir depois da morte de Alves durante a epidemia da Gripe Espanhola em 1918. Mas ficou pouco tempo até a realização de um novo pleito. Dando um pulo na linha do tempo, o vice de Getúlio Vargas, depois de eleito democraticamente em 1950, Café Filho, tornou-se titular em agosto de 1954 após o suicídio de Vargas.
A porra-loquice de Jânio Quadros, renunciando abruptamente à Presidência, levou o gaúcho João Goulart, eleito pelo PTB getulista diferente da UDN janista, ao Palácio do Planalto, para um mandato curto por conta do golpe cívico-militar que implantou a partir de 1964 um regime que durou 21 anos.
Os militares, por sua vez, tentaram a princípio incluir os civis como vices, mas não deu certo. O marechal Castelo Branco teve como possível substituto José Maria Alkmin, só um retrato na parede. O segundo governo militar, comandado pelo marechal Costa e Silva tinha na sua lista sucessória o mineiro Pedro Aleixo. Na grande crise de 1968, quando Costa e Silva teve um AVC, os militares não deixaram Aleixo substituir o militar. Os comandos das três armas formaram uma junta e escolheram o general Garrastazu Médici com um vice também general.
O vice civil no regime militar só reapareceu no governo João Figueiredo, quando a pressão pela abertura política já estava nas ruas. Tanto que o vice Aureliano Chaves foi um dos articuladores da Frente Liberal que deu fim ao regime militar.
Daí, foi empossado, em 1985, como presidente da Nova República, pós-regime militar, o vice José Sarney, que assumiu por conta da morte do titular Tancredo Neves, que sequer assumiu legalmente o cargo. Ele governou em meio a controvérsias e polêmicas, mas instalou a Assembleia Constituinte que em 1988 deu uma nova Carta ao país.
Depois de flagrado em malfeitos escandalosos, o primeiro presidente eleito pelo voto direto depois da era militar, Fernando Collor, sofreu um processo de impeachment pelo Congresso, mas renunciou ao cargo, antecipando o resultado da CPI. Assumiu então o alegre e descontraído Itamar Franco. Cujo o feito maior foi permitir a elaboração do Plano Real que estabilizou a nossa economia e derrubou a inflação de forma sustentável. Por conta do sucesso econômico, Itamar ajudou a eleger Fernando Henrique Cardoso (FHC).
O conturbado governo Dilma Rousseff (PT) promoveu uma grande recessão econômica no país. Derrubada por impeachment do Congresso por crime administrativo, em agosto de 2016, assumiu o vice Michel Temer até o fim do mandato em 1918.
Já os vice-presidentes pernambucanos não tiveram a oportunidade de ser titulares dos mandatos. Entre os anos de 1898 e 1902, o Brasil teve um recifense sentado na cadeira da Vice-Presidência, Francisco de Assis Rosa e Silva. A princípio, esse personagem da história nacional pode não ser tão conhecido pelo grande público, mas na capital pernambucana, seu nome é associado a uma das avenidas de maior fluxo de veículos da Zona Norte da cidade: Conselheiro Rosa e Silva.
O outro foi Estácio de Albuquerque Coimbra, um advogado e político, que serviu como o 10.º Vice-presidente da República entre 1922 e 1926. Foi também o 16.º e 26.º governador do Estado de Pernambuco, respectivamente, em 1911 e de 1926 a 1930.
E por fim, Marco Antônio de Oliveira Maciel, um professor, advogado e político filiado ao Democratas. Foi o 22.° Vice-presidente do Brasil e presidente da Câmara dos Deputados, além de ministro da Educação e da Casa Civil durante o governo Sarney. Para o titular do mandato, FHC, Maciel foi o maior exemplo de um companheiro de chapa: competente, articulado e profundamente leal. É isso.
*Jornalista
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