Por Luiz Queiroz – Capital Digital
O plano de governo entregue ao TSE pelo Partido Novo (NOVO), do candidato à Presidência da República Romeu Zema, desenha uma estratégia digital baseada em forte protagonismo privado na infraestrutura, nos investimentos e na inovação, combinada a um Estado mais digitalizado, integrado por dados e concentrado em regulação, segurança e coordenação. A proposta alcança telecomunicações, data centers, inteligência artificial, governo digital, ciência e tecnologia, energia, minerais críticos, defesa, segurança cibernética e infraestrutura física.
No desenho do seu plano de governo, que ele denominou como “Implacável”, Zema afirma que pretende “privatizar todas as empresas estatais”, sem estabelecer no documento exceções para empresas públicas que atuem em tecnologia, processamento de dados, serviços digitais ou telecomunicações. O plano, entretanto, não define com clareza quanto espaço pretende abrir ao mercado e nem tampouco informa qual será o núcleo tecnológico que o governo considerará estratégico demais para deixar de controlar diretamente. Aparentemente ele não conta com o Serpro, Dataprev, Telebras ou Ceitec em seu governo.
Leia maisO eixo econômico que conecta a estratégia tecnológica é a tentativa de aproveitar energia renovável, recursos naturais, minerais críticos, posição geopolítica e mercado consumidor para atrair investimento internacional. O programa estima que as maiores empresas do mundo devem investir cerca de US$ 750 bilhões em 2026 na construção de data centers e infraestrutura digital associada à inteligência artificial e observa que a disputa global por energia limpa, minerais críticos e novas tecnologias movimenta trilhões. A campanha apresenta o Brasil como um país com 88% da matriz elétrica proveniente de fontes renováveis, a segunda maior reserva de terras raras do mundo, liderança em nióbio, reservas importantes de lítio e um mercado de aproximadamente 200 milhões de consumidores conectados.
A política para infraestrutura segue a mesma orientação. Os ativos economicamente viáveis deveriam ser construídos, operados e mantidos pela iniciativa privada, enquanto o poder público utilizaria preferencialmente PPPs nos projetos em que o mercado não consiga sustentar sozinho os investimentos. A proposta alcança os diferentes setores de infraestrutura e estabelece como regra geral ampliar a presença empresarial privada.
O governo também reduziria a dependência dos bancos públicos federais e multilaterais na estruturação e no financiamento de projetos, ampliando project finance, mercado de capitais e outras fontes privadas. Aos bancos públicos poderiam permanecer instrumentos de garantia, seguros, contas vinculadas e compartilhamento de riscos para reduzir o custo do capital e aumentar a bancabilidade dos projetos.
A campanha afirma que há mais de duas décadas o Brasil não investe sequer 1% do PIB em infraestrutura de transportes, quando seriam necessários aproximadamente 4% ao ano apenas para conservar o patrimônio existente e reduzir o déficit estrutural. Clique aqui e confira a matéria completa.
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