FMO janeiro 2020

31/05


2020

O tempo apura os bons amigos, como Joezil

Meu amigo Joezil Barros tem motivos especiais para comemorar, hoje, o dia em que berrou ao mundo num tempo em que Recife era orgulho nacional, a chamada Veneza Brasileira, graças às pontes e sobrados erguidos por Maurício de Nassau. Recentemente, foi salvo da despedida terrestre por obra e graça do Deus amado.

Jornalista, condômino dos Diários Associados, a história de Joezil se confunde com a do Diario de Pernambuco. Tem cheiro de tinta, vibração de manchete, um rio de histórias a cada página folheada. O conheci imberbe e com sotaque matuto já um dos manda-chuvas do quase bicentenário DP. Joezil foi poderoso a vida inteira pelos méritos e talento. Sua ascensão no DP foi meteórica, de repórter policial a condômino.

Mas o poder nunca subiu à cabeça. Dentre tantas lições que tirei do seu convívio de mais de 40 anos, tem uma que não esqueço nunca: quando alguém puxava seu saco, ele olhava enviesado e dizia: "O poder está aqui", apontava para o birô.

Perca o birô para ver se te paparicam, ensinava. Lição perfeita da velha máxima de que o homem vale o quanto pesa. Sábio, Joezil sorveu um rio de amigos em sua trajetória profissional porque tem uma grande virtude, um coração do tamanho do mundo: estende a sua mão protetora sem distinguir raça, sexo ou posição social.

Para ele, o dinheiro não é a coisa mais importante do mundo. Está abaixo da generosidade, temperada sem o toque da moderação. Joezil é daqueles que entendem que se não existe nada mais precioso que o tempo, também não existe maior generosidade que perdermos tempo em vida ajudando aos outros.

Joezil tirou a lição de Simone de Beauvoir: "O ideal do amor e da verdadeira generosidade é dar tudo de si, mas sempre sentir como se isso não houvesse lhe custado nada".

Ouvi meu avô dizer que os homens de poucas palavras são os melhores. Joezil se encaixa também naquela máxima de que os homens são como os vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons.

Viva meu amigo Joezil Barros!


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Detra maio 2020 CRLV

31/05


2020

A Pensão Natal e o velho mijão

Matuto de raiz, criado a 386 km da capital, nas campinas do Pajeú de Rogaciano Leite, Pinto do Monteiro e Cancão, numa cidade que todo mundo até hoje ainda acha o nome estranho, Afogados da Ingazeira, botei os pés no Recife pela primeira vez me arrastando numa alpegarta de Lampião, depois de enfrentar uma viagem de trem que durou 12 horas.

Nos saudosos anos 70, da Jovem Guarda e dos Beatles, em que as danças eram agarradinhas, cheirando literalmente o cangote das meninas, não havia ônibus no Sertão. Carros eram raros, coisa de gente rica. Meu pai Gastão Cerquinha, comerciante de miudezas em geral, só viajava de trem e a cada toque do sino na estação levava um dos nove filhos para fazer o batismo de matuto em cidade grande.

O poeirão comia solto. Chegávamos amarelados ao final da linha, seja na grande expectativa da ida ao Recife ou na felicidade da volta ao torrão natal. Existiam também os trens de carga, que não comportavam passageiros, só a solidão dos maquinistas. A esses, papai só recorria para enviar as mercadorias compradas em várias lojas de atacado no agitado e apinhado Cais de Santa Rita, onde a família Sultanum, dos meus amigos Paulo, Zé Maria, Nicolau e Tonheca, já ganhava rios de dinheiro.

Meu pai nos hospedava na Pensão Natal, na rua da Concórdia, colada aos bordéis que não fechavam as portas do prazer e da boemia em nenhum instante do dia. Tinha escadas e quartos colados um no outro, sem ar nem ventilador. O banheiro era coletivo e para chegar até ele na madrugada se corria o risco de bater a cabeça na parede tamanha a escuridão. E de não conseguir achar o quarto certo na volta, porque as portas eram todas iguais e encangadas.

Sobre esse detalhe, uma história que ficou não apenas na minha memória, mas de todos os meus oito irmãos. Era contada por papai, que caía no riso fácil e nos divertia. Parece estar mais para o reino do folclore e da fantasia. O fato é que, segundo ele, um hóspede já avançado na vida, foi ao banheiro de madrugada e na volta perdeu o caminho da venta e saiu batendo de quarto em quarto.

Gritava acordando todos com a pergunta hilariante e em alto som:

"Foi daqui que saiu um véi pra mijar?


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Abreu e Lima

30/05


2020

Lula da Fonte denuncia novo aumento da Celpe

O presidente do Partido Progressista no Recife e presidente da Juventude do PP em Pernambuco, Lula da Fonte, alerta para mais um aumento na conta de luz do consumidor pernambucano. A partir de segunda-feira (1º), a Celpe vai promover novo reajuste de 5,16%.

“O povo não aguenta mais a Celpe desdenhando da nossa dignidade, sangrando quase 4 milhões de famílias, que estão impossibilitados de saírem para trabalhar e ganhar o seu dinheiro tão suado, que, muitas vezes, se veem sem saída diante da falta de outras companhias de energia elétrica”, protesta Da Fonte.

Confira o vídeo na íntegra.


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Prefeitura do Ipojuca

30/05


2020

Para Marília, Governo de PE não ouve a sociedade

Houldine Nascimento, da equipe do blog

Pré-candidata à Prefeitura do Recife pelo PT, a deputada federal Marília Arraes aponta a necessidade de o Governo de Pernambuco discutir as medidas adotadas no isolamento social com diversos setores da economia. Na sua visão, a gestão Paulo Câmara (PSB) não tem dialogado com a sociedade e falhado nas determinações.

“O pós-lockdown tem que ser discutido do ponto de vista da saúde pública, mas é preciso também que entidades como Fiepe, CDL, Sebrae e Porto Digital, dentre outras, façam parte desta formulação, e não sejam apenas consultadas. São as entidades, a sociedade civil organizada, e não apenas o Governo do Estado, que poderão indicar a melhor ação preventiva”, afirma.

Ela se colocou à disposição para uma eventual consulta. Na sua opinião, o governador Paulo Câmara deveria ter ouvido a bancada pernambucana no Congresso. “Lamento o fato da Bancada Federal (deputados e senadores) não ter sido consultada institucionalmente para discutir a pandemia, o lockdown e muito menos o pós-lockdown, o que reforça a impressão de que tudo está sendo feito sem os devidos cuidados”, avalia.

Antes, o diretório do Partido dos Trabalhadores no Recife se posicionou contra as críticas de Marília à administração do prefeito Geraldo Julio (PSB), que está sendo investigada pela Polícia Federal quanto à suspeita de fraude na compra de respiradores por meio de dispensa de licitação.

“O PT discorda do posicionamento pessoal de Marília Arraes e de qualquer posição que não constrói, no campo democrático, um alinhamento com as ações importantes dos governadores e prefeitos do Nordeste, no enfrentamento à pandemia que atinge o povo nas periferias das grandes cidades, a exemplo da nossa cidade. Causou estranheza essa ação da PF na PCR, visto que sua credibilidade está sendo questionada, em vista das recentes denúncias de seu ex-ministro [em referência a Sergio Moro], da interferência do presidente Bolsonaro”, traz um trecho da nota assinada pelo presidente do PT no Recife, Cirilo Mota.


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30/05


2020

Operação Fake News é fake

Por Angelo Castello Branco

O fake News não é, até hoje, um crime tipificado no Código Penal brasileiro. E por isso ninguém pode ser detido e processado sob a acusação formal de cometê-lo. Pelo menos com essa terminologia de fake news. É espantoso como as pessoas opinam solenemente sobre temas que exigem conhecimentos da Ciência Jurídica.

Enquanto o Poder Legislativo não votar uma lei que defina o crime de fake news, com a devida regulamentação e a fixação das punições aos criminosos, resta aos prejudicados invocar o crime de difamação ou de comunicação falsa prevista no Art. 340 do Código Penal.

A ação imediata que a justiça pode realizar ao ser demandada em razão de uma falsa informação é ordenar que ela seja retirada do ar no caso das mídias digitais ou assegurar o direito de resposta, com o mesmo destaque, se o crime foi veiculado nas mídias impressas.

Juristas acham que a operação fake news, comandada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, poderá identificar os contraventores, mas dificilmente processá-los.

Há inclusive controvérsias sobre o direito da livre manifestação do pensamento que embaralha um pouco mais essa discussão.


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Comentários

Roberto de Lima Barros

Amearça e criar noticias falsas, colocar em risco a populaçao com mentiras, será que isso é crime ou liberdade de expressão.. Graças a Deus que voçê sua familía e os fucionarios do blog e o dono não sofrem ameaças por esses criminosso que fazem de tudo para suas ideias prevaleçam sobre as das pessoas que os criticam.

MARCOS MORAIS

O direito a livre manifestação é uma coisa, difamar pessoas e instituições com mentiras nas redes sociais, impulsionadas por robôs não é livre manifestação é crime, existem pessoas interessadas por trás e que financiam essas redes que tem custos altíssimos.

Fernandes

Moro diz que vetos de Bolsonaro ao projeto anticrime foram para proteger Flávio Bolsonaro. Segundo o ex-juiz que atuou nos processos da Lava-Jato em Curitiba, as restrições do presidente à decretação de prisão preventiva, à decretação de prisões preventivas e aos acordos de colaboração premiada bateu de frente com o discurso contra a corrupção e a impunidade, então pregados por Bolsonaro.

Fernandes

Esse cidadão é outro chato, igual a Mendonça Filho.


Banco de Alimentos

30/05


2020

Tudo aponta para uma crise, diz Bolsonaro

Em sua página oficial, no Facebook, o presidente Jair Bolsonaro publicou um texto que promete intensificar a crise política. Intitulado "Tudo aponta para um crise", o artigo traz 14 tópicos com ações dos outros poderes e da imprensa que desagradam o chefe do Executivo.

Confira o texto na íntegra:

"- TUDO APONTA PARA UMA CRISE:

1. Primeiras páginas dos jornais abordaram com diferentes destaques, as decisões envolvendo a atuação do Supremo Tribunal Federal, da Polícia Federal, do Tribunal de Contas da União e do Tribunal Superior Eleitoral em relação ao governo Bolsonaro e seus aliados.
2. O ministro do STF, Celso de Mello, fez um pedido de investigação contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro, à Procuradoria Geral da República, por crime de incitação à subversão da ordem política ou social. A prática viola a Lei de Segurança Nacional.

3. A notícia-crime foi protocolada na Corte depois do parlamentar dizer, em um vídeo publicado nas redes sociais, que não se trata de uma questão de “se”, e sim “quando” haverá uma ruptura político-institucional.

4. Nas primeiras páginas dos jornais, o pedido da Polícia Federal para a prorrogação das investigações do inquérito, no âmbito do STF, que apura se o PR interferiu politicamente, ou não, na PF, segundo a acusação do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. PF que ouvir oficialmente o PR sobre a denúncia.

5. Estadão e O Globo publicam, em suas primeiras páginas, o pedido do ministro Og Fernandes, do Tribunal Superior Eleitoral, para que a chapa Bolsonaro/Mourão se manifeste, em três dias, sobre a inclusão de informações do inquérito das fakenews em dois processos da Justiça Eleitoral, que questionam a diplomação dos dois.

6. A acusação é a de que a chapa usou empresas para efetuar disparos em massa de mensagens com notícias falsas contra opositores. ?
*- Estadão realça que esse seria o caminho mais próximo para retirá-los do Poder.*

7. Segundo o Estadão, a investigação do STF para apurar ameaças, ofensas e fakenews contra ministros e familiares da Corte pode chegar ao chamado “gabinete do ódio”, que trabalharia próximo ao PR e seria comandado pelo vereador Carlos Bolsonaro. Faltando 45 dias para ser concluído, o jornal já fala da intenção dos investigadores de prorrogar o inquérito.

8. Estadão noticia que o “gabinete do ódio” também entrou na mira do Tribunal de Contas da União. O subprocurador, Lucas Furtado, ingressou com uma representação para que o plenário do TCU analise se a ação do grupo de servidores é financiada, ou não, por recursos públicos. O grupo teria 23 servidores trabalhando na assessoria especial do gabinete presidencial.

9. A Rede desistiu da ação que apresentou no ano passado, que solicitava o fim do inquérito aberto para apurar ataques e ofensas ao Supremo Tribunal Federal. Agora, o partido não quer o final do inquérito, que serviu para o ministro-relator do caso, ministro do STF, Alexandre de Moraes, acusar um rol de pessoas ligadas ao PR. E que a PGR quer suspender.

10. O inquérito, diz o partido, apresentava "inquietantes indícios antidemocráticos", mas, um ano depois, "se converteu em um dos principais instrumentos de defesa da democracia". Oportunismo jurídico. O ministro Edson Fachin decidirá se aceita ou não o pedido da Rede.

11. Jornais também destacaram na suas capas o manifesto dos procuradores da República, com a assinatura de 590 de 1.150 integrantes do MPF, para a adoção da lista tríplice para a nomeação do chefe da instituição.

12. Segundo a leitura política da mídia, o manifesto é uma reação à postura do atual PGR, Augusto Aras, que estaria favorecendo o PR, e foi escolhido fora da lista tríplice encaminhada ao Presidente da República.

13. Na capa da Folha de S. Paulo e do O Globo o fato do ministro da Educação, Abraham Weintraub, ter ficado calado no depoimento à Polícia Federal, no prédio do MEC, sobre suas declarações contra os ministros do STF na reunião ministerial do dia 22 de abril.

14. PR lhe concedeu a medalha do mérito naval, que a mídia entendeu como uma “provocação.” Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, voltou a atacar Weintraub, lamentando o país ter um “ministro tão desqualificado.”
 


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Comentários

MARCOS MORAIS

Tudo aponta para a descoberta de todas as falcatruas da família Bolsonaro, se ele é inocente, deixe que investigue, não é ele quem gosta de citar o versículo \"Connheceis a verdade e ela vos libertará\" é isso que queremos, conhecer a verdade.

Fernandes

Genocida.


Prefeitura de Serra Talhada

30/05


2020

Prefeito de Ouricuri faz festa durante pandemia

Em meio à grave crise causada pelo novo coronavírus, o prefeito de Ouricuri, Ricardo Ramos (PSDB), decidiu fazer farra em casa. Uma imagem tem circulado com força nas redes sociais. Nela, é possível ver Ramos e outras 11 pessoas aglomeradas e sem qualquer proteção, como uso de máscaras.

Com esta atitude, ele demonstra não estar preocupado com a população da cidade que administra, além de ignorar os 19 casos de Covid-19 confirmados sob sua responsabilidade.

O histórico do prefeito Ricardo Ramos também deixa a desejar: em agosto de 2019, foi condenado a 4 anos, 11 meses e 15 dias de prisão no regime semiaberto por transporte irregular de eleitores no pleito de 2012.

Um verdadeiro caso de "meu passado me condena". O presente também.


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O Jornal do Poder

30/05


2020

Bolsonaro desorganiza e gera insegurança, diz Maia

O Globo

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou, hoje, que o presidente Jair Bolsonaro "desorganiza e gera insegurança" ao adotar uma postura de enfrentamento aos demais Poderes da República. Em transmissão ao vivo pelo Instagram, Maia falou sobre o assunto com o chefe do Departamento de Ciência Jurídicas da Uniara, Fernando Passos. Ao ser perguntado sobre a relação entre Legislativo e Executivo, Maia disse que Bolsonaro sempre teve o mesmo perfil. Mas, de acordo com sua avaliação, o cargo de presidente da República exige outro tipo de atitude.

"Quando você chega à Presidência da República, o seu papel é considerar. Você não é o presidente apenas dos que o elegeram. Você é o presidente de todos os brasileiros. Como o presidente foi eleito com muita força, foram muito ideológicos, o pessoal de extrema-direita nas redes sociais, ele tende a ser mais comprometido com eles. E quando tem um conflito, ele acaba atacando mais na linha do que ele fazia antes. Só que, como presidente do Brasil, cada vez que ele vai para o enfrentamento, ele desorganiza e gera insegurança", disse Maia.

O presidente da Câmara disse ainda que as conversas privadas com o presidente são boas, o "diálogo é muito positivo". "Mas, quando ele vai para uma entrevista, acaba gerando essa insegurança. O ideal, neste momento de pandemia, é que a gente conseguisse ter mais harmonia e menos conflito", acrescentou Maia.

Ainda na conversa transmitida pela rede social, Maia afirmou que dialoga com ministros do governo federal e do Supremo Tribunal Federal (STF): "O diálogo é o que resolve. O presidente tem que entender que ele é o chefe do Poder que comanda, que executa. Então, a gente precisa que ele comande de forma mais harmoniosa, respeitando os outros Poderes. Porque um Poder não deve servir apenas para dizer sim ao governo. O Parlamento serve para representar toda a sociedade, não apenas a parte que governa, e o Judiciário serve para garantir os limites dos outros dois Poderes. A gente não pode aplaudir uma decisão do Supremo com que concordamos e radicalizar contra uma decisão com que nós discordamos. Nós temos os instrumentos legais para recorrer."


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Shopping Aragão

30/05


2020

Presidentes dos 27 TJs mandam recado a Bolsonaro

Estadão

O Colégio de Presidentes de Tribunais de Justiça do Brasil enviou ofício ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, no qual avisa que ‘não há espaço para retrocessos’ em respeito à autonomia do Judiciário e às instituições democráticas.

A carta assinada por todos os desembargadores mandatários dos tribunais estaduais do País foi encaminhada após ataques do presidente Jair Bolsonaro contra a Corte, que deflagou operação que atingiu deputados, empresários e blogueiros alinhados com o Planalto.

Os presidentes dos tribunais apontam a necessidade de união em defesa da independência entre os Poderes e a necessidade de autonomia da magistratura.

“Em se tratando destes princípios, não há espaço para retrocessos, ainda que ataques pontuais neste momento delicado para as instituições brasileiras tentem desestabilizar a tão sonhada consolidação da nossa democracia”, afirmaram.

A reação dos magistrados vem após Bolsonaro declarar, no dia seguinte à operação que mirou aliados, que ‘ordens absurdas não se cumprem’. “Acabou, porra!”, esbravejou o presidente.


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30/05


2020

Liberdade de expressão em alto risco

Por Luiz Queiroz

Na noite desta sexta-feira, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), informou que encaminhou ofícios aos presidentes da Câmara e do Senado, além dos líderes dos partidos no Congresso Nacional. Neles a entidade pede um debate mais aprofundado antes da votação do projeto de Lei 2.630, de autoria do Senador Alessandro Vieira (CIDADANIA/SE), conhecido pelo pomposo nome de “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”.

A votação está agendada para ocorrer na semana que vem pelo presidente do Senado Davi Alcolumbre. Embora conste nos ofícios do CGI, na Câmara o projeto de Lei 1.429/20 de autoria dos deputados Felipe Rigoni (PSB/ES) e Tabata Amaral (PDT/SP), entre outros, foi arquivado a pedido dos próprios parlamentares. O texto era exatamente igual ao do senador Alessandro Vieira.

Qualquer que fosse o texto em tramitação, ambos os projetos foram concebidos com um objetivo central: esvaziar o Marco Civil da Internet em um dos seus principais artigos, o 19º, que garante a inimputabilidade da rede e impede que os provedores de Aplicações sejam responsabilizados pelo conteúdo de terceiros.

Se isso ocorrer, será um ataque direto à Liberdade de Expressão, pois nenhum provedor de Aplicações terá segurança jurídica de permanecer isento de ser responsabilizado por um conteúdo que apenas trafega na sua rede, não sendo o autor do mesmo. Com essa nova lei, bastará que seja notificado extrajudicialmente num pedido de remoção de determinado conteúdo político ou religioso, por exemplo, que terá de retirar a informação. Tal fato já ocorre hoje em dia com a remoção de conteúdos com direito autoral.

Em nota oficial o CGI.br, responsável pela Governança da Internet no Brasil, pede que o Senado adie e “aprofunde os debates, com a participação de todos os agentes interessados, antes que matéria de tamanha relevância para a garantia das instituições democráticas do país seja votada”.

Por sua vez, a Coalizão Direitos na Rede  que reúne 38 organizações que atuam na defesa dos direitos digitais e dos consumidores, elencou numa Nota Técnica os quatro principais pontos de preocupações, além dos desdobramentos que virão se for aprovado o projeto do senador Alessandro Vieira. A advogada Flávia Lefèvre – representante da Sociedade Civil no CGI.br, do Intervozes e da Coalizão Direitos na Rede – já comentou sobre essa questão neste site.

Com um argumento questionável de que se pretende “combater as Fake News”, a proposta que tramita no Senado vai muito além dos argumentos que estão sendo veiculados por “autoridades” na grande imprensa.

Chega a ser interessante constatar que, da forma relâmpago como vem tramitando a proposta no Congresso – com o senador Alcolumbre prometendo colocar em votação na semana que vem – ficou claro que a “desinformação” geral na Internet, sobre os reais objetivos que o PL 2.630/20 promete combater, tem sido muito bom para quem nos bastidores deseja aprová-lo.

Quem?

Se aprovado como está o texto, será um ataque direto à imprensa alternativa criada na Internet. Esta passará a ser avaliada por empresas de checagem de conteúdos, normalmente controlados pelos grandes grupos de Comunicação. O projeto do Senado irá convalidar um monopólio do conteúdo trafegado na Internet brasileira para esses grandes grupos. Que decidirão quais concorrentes alternativos devem permanecer ou serem retirados da Internet. Ruim para a Democracia, pois a “pluralidade do pensamento” ficará restrito apenas a quem não confrontar com os interesses políticos da grande imprensa.

No Senado, até a manhã deste sábado, o assunto estava dividindo as opiniões dos Internautas.

*Um mau sinal de que a “desinformação” começa na própria falta de uma discussão mais profunda sobre o real objetivo da proposta legislativa.


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