Caiado mira voto bolsonarista
O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, decidiu incorporar um dos temas mais sensíveis do campo bolsonarista à sua estratégia eleitoral. Ontem, em entrevista à Globo News, o ex-governador de Goiás afirmou que, se eleito, encaminhará ao Congresso, já no primeiro dia de governo, um projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Sob o argumento de que a medida seria necessária para “pacificar o país”, Caiado sinaliza uma tentativa de se aproximar de um eleitorado que tem na revisão das punições impostas aos envolvidos nos atos uma de suas principais bandeiras.
A proposta também revela uma movimentação de Caiado em um espaço político disputado pela direita, especialmente pelo bolsonarismo. Ao assumir uma posição favorável à anistia, o candidato procura dialogar com eleitores que rejeitam as condenações e defendem o fim do que consideram perseguição política aos envolvidos no 8 de Janeiro. A estratégia ganha relevância em uma eleição na qual o campo conservador tende a concentrar parte importante da disputa pelo eleitorado que apoiou Jair Bolsonaro nas últimas eleições.
Leia maisCaiado evitou responder diretamente se considera os atos de 8 de Janeiro uma tentativa de golpe de Estado. Em vez disso, comparou o episódio à anulação das condenações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que permitiu ao petista recuperar os direitos políticos e disputar novamente eleições. O argumento mostra como o candidato pretende enquadrar a discussão dentro de uma narrativa de tratamento desigual por parte das instituições, discurso que encontra forte receptividade entre setores do eleitorado bolsonarista.
Ao mesmo tempo em que busca esse espaço na direita, Caiado tenta apresentar a anistia como parte de uma agenda mais ampla de reconstrução institucional. O candidato afirmou que pretende encaminhar, logo no início de eventual governo, propostas de reforma administrativa e política, mudanças na reforma tributária e revisão de pontos da Previdência. A promessa é retirar o 8 de Janeiro do centro do debate político e concentrar o governo em pautas econômicas e administrativas.
O conjunto das propostas revela uma estratégia que combina discurso de austeridade, endurecimento na segurança e, principalmente, uma aproximação com pautas caras ao bolsonarismo. Ao colocar a anistia no centro de seu discurso, Caiado tenta ocupar uma faixa do eleitorado de direita que será decisiva na eleição e, ao mesmo tempo, diferenciar-se de outros candidatos que também disputam esse mesmo espaço.
Privatizações e vendas – Ainda durante a entrevista, Caiado afirmou que pretende promover um ajuste fiscal e “cortar na carne” administrativamente. Ele citou redução de despesas da máquina pública e revisão de programas do governo, se for eleito. Afirmou também que privatizaria os Correios e venderia segmentos da Petrobras, mas descartou privatizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. “Correios, sem dúvida [privatizaria]. Banco do Brasil, de maneira nenhuma, porque tem um poder ainda de contemplar regiões de maior carência no Brasil, [garantindo] acesso a esse sistema de crédito, que é muito importante. E Caixa, de maneira alguma [privatizaria]”, afirmou.

Ataque ao Judiciário – O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) elevou o tom contra o Judiciário, ontem, durante almoço com empresários e políticos em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O senador afirmou que vem divulgando “a roubalheira que acontece na mais alta cúpula do Judiciário brasileiro”, mas não apresentou provas nem especificou a quais integrantes ou episódios se referia. Flávio também disse que seus adversários têm “pavor” de uma eventual vitória sua e que estariam dispostos a impedir sua chegada ao Planalto. “Eles vão ultrapassar o limite da maldade”, declarou. O candidato também voltou a citar o pai, Jair Bolsonaro: “Vamos virar essa página triste da história. Vocês vão ver o presidente Bolsonaro subindo aquela rampa junto comigo”.
De olho nos evangélicos – A campanha de Flávio decidiu intensificar a ofensiva sobre o eleitorado evangélico após a redução da vantagem do candidato nesse segmento. A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira apontou o senador com 35% das intenções de voto entre evangélicos e Lula com 28%, empate técnico considerando a margem de erro de quatro pontos percentuais. Em julho, o placar era de 39% a 26%. A nova estratégia prevê vídeos personalizados para diferentes denominações, com saudações e temas específicos de cada igreja. A campanha também pretende aproximar Flávio de lideranças do Ministério de Madureira, da Igreja Universal e da Igreja Mundial do Poder de Deus. Um encontro com o bispo Valdemiro Santiago é esperado neste fim de semana.
Porto rompe com Marília – O presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto (MDB), e seu filho, o médico Gabriel Porto (PSB), candidatos a deputado estadual e federal, respectivamente, retiraram, ontem, o apoio à candidatura de Marília Arraes (PDT) ao Senado. Em nota conjunta, os dois acusaram a candidata de descumprir acordos políticos, sem detalhar quais compromissos teriam sido quebrados. Álvaro e Gabriel ressaltaram que estiveram entre os primeiros a apoiar Marília, antes mesmo da oficialização de sua candidatura. “Infelizmente, Marília, mais uma vez, demonstrou dificuldade em cumprir aquilo que foi acordado e em honrar a palavra empenhada”, afirmaram.

Marília se esquiva – Marília preferiu não rebater as acusações feitas por Álvaro e Gabriel Porto ao anunciarem o rompimento político. Por meio da assessoria, a candidata ao Senado afirmou que não comentaria a alegação dos ex-aliados de que teria descumprido acordos e tratou a retirada do apoio como uma decisão legítima. “Quando um não quer, dois não brigam. É um direito e escolha deles. Faz parte da democracia. Desejo boa sorte a eles na eleição”, declarou. Marília também sinalizou que não pretende prolongar publicamente a divergência: “Nosso foco agora é unir pessoas e trabalhar pra mudar Pernambuco”.
CURTAS
João terá mais tempo de TV – João Campos (PSB) deverá ter o maior espaço no horário eleitoral gratuito entre os candidatos ao Governo de Pernambuco. Segundo cálculo do Jornal do Commercio, o socialista terá cerca de 4 minutos e 32 segundos por bloco, contra 3 minutos e 51 segundos de Raquel Lyra (PSD). A diferença estimada entre os dois é de 41 segundos.
Só três candidatos estarão nos blocos – Dos oito candidatos ao Governo de Pernambuco, apenas João Campos, Raquel Lyra e Ivan Moraes (PSOL) deverão participar dos blocos do horário eleitoral gratuito. Ivan terá aproximadamente 36 segundos. Professora Camila, Guilherme Fonseca, Renan, Professor Jeremias do Banco e Victor Assis devem ficar fora por não atenderem aos critérios de representação partidária previstos na legislação.
Peso das coligações – A divisão do tempo leva em consideração principalmente o tamanho das bancadas federais dos partidos que integram cada coligação. A Frente Popular, de João, soma 206 deputados federais considerados no cálculo, contra 173 da coligação de Raquel e 15 da Federação PSOL-Rede. Os números são uma estimativa e ainda dependem de homologação da Justiça Eleitoral.
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