Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), do cientista político Antônio Lavareda, fez pesquisa neste segundo turno em conjunto com a Associação Brasileira dos Pesquisadores Eleitorais (Abrapel). A pesquisa aponta vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição.
De acordo com a pesquisa, Flávio ampliou sua margem com relação a Lula, se comparado com o resultado do primeiro turno, quando venceu com 1,87 ponto de vantagem. Agora, diz a pesquisa, ele teria cinco pontos percentuais à frente: 49% a 45% dos votos totais, ou 52,47% a 47,3% dos votos válidos. Para além dos números principais da pesquisa, para melhor compreensão do quadro eleitoral, é importante avaliar o que o levantamento diz nas suas entrelinhas. E o principal dado nesse sentido são as palavras-chave que expressam esta eleição.
“A eleição é sobre mudança”, conclui o relatório feito pelo Ipespe e pela Abrapel a respeito do levantamento que fizeram. Esse sentimento foi expresso por 79% dos entrevistados. Querem “mudar totalmente” 37%. E 42% dizem que é preciso mudar apenas o que está bom. Apenas 18% expressam que é preciso continuar o trabalho que vem sendo feito. Desses que desejam mudança 81% declaram voto em Flávio Bolsonaro. Temos aí o dado que demonstra a dificuldade de Lula para virar o resultado desfavorável.
É difícil para quem está no governo vencer quando há um sentimento de mudança. E “mudar” tem sido um dos termos mais usados na propaganda de Flávio Bolsonaro. O curioso, porém, é o quanto ao mesmo tempo Flávio afirma que irá manter programas de Lula. Parte do seu programa tem sido dedicado a afirmar que irá preservar o Farmácia Popular, o Minha Casa Minha Vida e o Bolsa-Família. Melhorando, diz ele. No fundo, parece prevalecer o sentimento daqueles 42%: manter o que está bom, mudar o que está ruim.
A pesquisa Ipespe/Abrapel decifra outros sentimentos que são chaves desta eleição. “Esperança” é o sentimento mais citado pelos entrevistados: 45%. O “medo”, que tem sido o componente mais utilizado na campanha de Lula, vem depois, mas bem atrás. É citado somente por 14%. Entre os eleitores de Flávio, 66% mencionam “esperança”, contra 33% dos eleitores de Lula.
Em contrapartida, “medo” é mencionado por 23% dos eleitores de Lula e somente por 6% dos eleitores de Flávio. Há um dado importante do levantamento. O sentimento de “cansaço” ou “desânimo”, que foi muito explorado pelos demais candidatos no primeiro turno com relação à polarização, não prevalece. Somente 7% citam.
O Ipespe/Abrapel perguntou ainda quais seriam os temais principais do debate neste segundo turno. Agregados, eles apontam importância para a discussão econômica. “Economia, emprego e preços”, “fim das bets” e “aumento do Bolsa Família” somam 39% na agenda daquilo que os eleitores desejam ver discutido neste segundo turno.
De forma desagregada, porém, impossível desprezar o grau de importância que ganhou o debate sobre corrupção e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo seus ministros. Sozinho, esse tema é apontado como o principal do debate para 24%. Sozinho, “economia, emprego e preços” responde por 17%.
Assim, dada a preocupação dos eleitores com os aspectos econômicos, a pesquisa aponta uma impressão de que ela anda muito ruim. A economia é ruim ou péssima para 53% dos entrevistados, e somente 18% a acham boa ou ótima. Mas 68% acham que a economia irá melhorar. E esse percentual é maior entre os eleitores de Flávio Bolsonaro.
Já dizia o velho Chacrinha: “Quem não se comunica, se trumbica”. E, na avaliação dos entrevistados, Flávio Bolsonaro se comunicou melhor que Lula no primeiro turno. Em todos os meios – redes sociais, WhatsApp, rádio e TV, entrevistas – aponta o levantamento, Flávio teria se saído melhor na comunicação com os eleitores.
“A chance de Lula no dia 25 próximo dependerá em grande medida da recuperação da sua comunicação. Serão duas semanas intensas, onde a propaganda, as entrevistas, a mobilização nas ruas e os debates poderão mexer, ou não, no ponteiro das intenções de voto”, conclui o relatório Ipespe/Abrapel. Teremos fortes emoções.





















