A polarização refletida nas pesquisas de intenção de voto entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) deve se manter até a abertura das urnas na eleição de outubro. É o que avalia o ex-senador Álvaro Dias (MDB). Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ele avalia que a saída de seu aliado, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), fará com que a disputa se concentre entre os dois líderes dos campos de esquerda e direita, respectivamente.
“O prognóstico é que será uma eleição disputada palmo a palmo e que pode acabar já no primeiro turno, exatamente em razão da grandiosidade dessa polarização. Mas será uma eleição muito disputada. Quem vencer será por muito pouco. Qualquer falha, qualquer escorregão, pode determinar a derrota. É o que vejo. Não sou um especialista, mas é o que sinto”, pontuou Dias, com a experiência de quem disputou as eleições de 2018, quando Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, saiu vitorioso contra Fernando Haddad (PT), no segundo turno.
Leia mais“A verdade é que a polarização elimina a hipótese do chamado candidato de terceira via. A polarização se consolidou. Então, hoje a disputa é Lula e Flávio Bolsonaro. Uma eleição que pode inclusive acabar no primeiro turno, porque o país está tão dividido. Em 2018, quando tivemos a consagração dessa polarização, nós tínhamos várias alternativas. Pela esquerda, tinha Guilherme Boulos, Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e Marina Silva. Hoje não há nenhum outro candidato à esquerda dividindo votos com o Lula. Não há nenhum outro candidato, pelo menos com qualquer força eleitoral. E tinha candidatos com outros perfis, como João Amoêdo, Henrique Meireles, Cabo Daciolo, ou seja, vários candidatos além de Jair Bolsonaro. Mas a polarização se estabeleceu. E os que estavam ao centro foram dizimados eleitoralmente, ficaram com índices muito baixos, medíocres mesmo. Eu próprio, que estava na disputa, vi meus votos que inicialmente se anunciavam desaparecerem. Porque se estabeleceu um confronto da extrema esquerda com a extrema direita. Isso faz desaparecer as outras alternativas, como se não existisse vida inteligente entre esses extremos”, avaliou.
Sobre o governo Lula, Dias reconheceu que o petista tem bons indicadores, mas que erros gravíssimos têm prejudicado a imagem da gestão. “Os indicadores são extremamente positivos, eu tenho que considerar isso. Os indicadores econômicos, a queda do desemprego, da pobreza. Agora, estamos vivendo momentos delicados. Como mudancistas, nós desejávamos reformas mais profundas. Desde 2018, eu vinha pregando uma medida inicial de governo, que seria a contenção dos gastos, um redutor de despesas, a exemplo do que ocorreu com Angela Merkel na Alemanha; depois, Barack Obama repetiu a dose na América. Hoje o grande problema do atual governo é o déficit público, o endividamento de forma avassaladora. E no Brasil são dois endividamentos fatais: o público e o privado das famílias, que também cresce de forma assustadora. Esses são os dois gravíssimos problemas que o governo brasileiro deve enfrentar”, completou.
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