Autor do livro “Da Governança à Esperança”, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e ex-deputado federal Augusto Nardes ressalta a importância das palavras que batizam a citada obra. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ele afirmou que a governança é a única forma para o Brasil se manter com credibilidade e garantir seu futuro com “esperança”.
“A governança é a única forma que eu vejo de o Brasil ter esperança, de que o dinheiro que o cidadão paga de impostos seja bem aplicado. Cada um de nós paga 150 dias de trabalho de impostos por ano, e agora, com a concentração na União após a reforma tributária, vai passar para 170 dias. Você trabalha 170 dias para pagar impostos e sente que não tem uma retribuição adequada, porque não tem segurança. Nos lugares em que não tem governança, porque o Estado não manda, quem manda é o PCC (Primeiro Comando da Capital). Hoje, 23 milhões de brasileiros são dominados pelo crime organizado”, disparou Nardes.
Leia maisO ministro lembrou o período em que presidiu a corte de contas, entre 2013 e 2014, quando o Brasil conquistou uma liderança em nível mundial no assunto, e soltou críticas ao atual governo. “Sem falsa modéstia, eu contribuí para isso. Nós começamos a articular, presidimos todos os tribunais (de contas) da América Latina e do Caribe e começamos a trabalhar para o Brasil presidir o sistema mundial de controle, que são 195 países. Nós chegamos à presidência do sistema e, com isso, passamos a auditar as Nações Unidas. Nós começamos esse trabalho. Não tinha indicadores, não tinha estratégia. O que falta no país é estratégia, não tem projeto de Estado, de nação. É um grande projeto eleitoreiro. O governo faz só projetos eleitoreiros, sobre como faz para ganhar eleição, independentemente de quebrar ou não o país”, colocou.
Nardes ainda citou dados preocupantes relativos à Previdência Social. “Hoje temos 58 milhões de brasileiros que pagam a Previdência e 34 milhões que recebem. Nós chegamos a ser 14 pagando para um receber, hoje é praticamente 1,7. O nosso período de ouro, de ter bastante gente contribuindo para pagar a Previdência, está passando. Praticamente já estamos na mudança, e com um envelhecimento muito grande da população. E nós ainda temos 23 milhões de pessoas com Bolsa Família. Se multiplicarmos por 4, dá praticamente 60 milhões de pessoas que estão recebendo o benefício, e quem paga por isso é o cidadão empregado, porque é descontado de todos os impostos de todo o Brasil. Então quem paga é quem contribui com os impostos para a Previdência, e dali vai sair o dinheiro para os futuros aposentados. O que vai acontecer é que o país não vai conseguir pagar a Previdência no futuro. O maior gargalo hoje é a Previdência, porque nós temos praticamente 60 milhões que recebem o Bolsa Família. Somando, dá 94 milhões numa população de 212 milhões. Praticamente a metade do Brasil está recebendo um tipo de auxílio, e quem paga isso são 30% através dos impostos. Então o país não tem projeto de Estado para crescer, o crescimento está muito baixo, de 1,5% a 3% ao ano. Nós tínhamos que crescer acima de 5% para poder equilibrar a situação econômica do país. E só estamos ensinando as pessoas a comer, dando comida e não ensinando a pescar”, concluiu.
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