Toda ação tem reação, regra básica do jogo político
A fala do presidente Lula (PT) anunciando o fim do “Lulinha paz e amor” e classificando a eleição de 2026 como uma “guerra” provocou reação imediata de políticos da oposição, que usaram as redes sociais para atacar o tom adotado pelo petista. As declarações, feitas durante evento do Partido dos Trabalhadores, em Salvador, foram interpretadas por adversários como sinal de radicalização do discurso presidencial.
Um dos primeiros a reagir foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Ao compartilhar o vídeo com a fala de Lula, Flávio afirmou que o presidente demonstrou “ódio” e disse que “o que sai pela sua boca é do que seu coração está cheio”. Segundo o senador, o Brasil não suportaria mais esse tipo de postura e o presidente seria “aposentado” pelo eleitorado, além de prometer mudanças a partir de 2027 em um eventual governo da oposição.
Leia maisOutro parlamentar que elevou o tom foi o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Em publicação nas redes sociais, chamou o presidente de “larápio” e afirmou que a oposição irá “com tudo” contra o governo. A declaração foi feita em resposta ao trecho em que Lula cobra mais ousadia dos aliados e afirma que não há mais espaço para uma postura moderada na disputa eleitoral.
As manifestações de Flávio e Nikolas refletem o acirramento do clima político e antecipam o embate que deve marcar a corrida presidencial de 2026. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, sendo um deles seu filho, os dois parlamentares têm se destacado como vozes da direita nas redes sociais e indicam que a resposta da oposição ao discurso mais duro de Lula será igualmente combativa, reforçando a polarização no cenário político nacional.
A DEFESA – O senador baiano Jacques Wagner (PT) saiu em defesa do ex-presidente Lula. “A oposição deveria analisar o conteúdo da fala do presidente e, quem sabe, aprender um pouco sobre como governar com foco na maioria da população. Para nós, foi um sucesso e é sempre um orgulho receber o presidente. Ele deve voltar em breve, inclusive durante o Carnaval. Vai a Pernambuco, passa pela Bahia, segue para o Rio de Janeiro. Estamos bastante satisfeitos e felizes com a presença dele aqui”, disse, referindo-se aos que também afirmaram que a festa do PT em Salvador foi um fiasco em público e repercussão.

Piadinha com o PL – Em Mauá (SP), para anunciar um conjunto de investimentos em educação e saúde em municípios paulistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) posou para uma foto, ontem, ao lado de prefeitos do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele aproveitou o momento para fazer uma piada sobre a possível reação da oposição. “O presidente do partido deles [Valdemar Costa Neto] vai bater neles, porque eles estão em uma foto comigo”, ironizou. Após a foto, Lula destacou aos prefeitos que o PL é o “maior inimigo” do governo na Câmara. “Mesmo assim, vocês estão recebendo ambulância porque vocês foram eleitos pelo voto e eu respeito o voto da cidade de vocês”, disse.
Veto aos penduricalhos – O presidente Lula disse a aliados que vai vetar os pagamentos extras para servidores da Câmara e do Senado conhecidos como penduricalhos, que aumentam os salários acima do teto constitucional, hoje em R$ 46,3 mil. Projetos de lei que concederam os reajustes e ampliaram as gratificações dos funcionários do Congresso foram aprovados na semana passada, na volta dos trabalhos legislativos, e vão provocar um impacto de quase R$ 800 milhões nas contas públicas. Além de concederem aproximadamente 9% de reajuste linear para os servidores do Legislativo, os projetos criaram gratificações de desempenho que podem dobrar os salários. O pacote de bondades vem sendo chamado nas redes sociais de “trem da alegria” e o governo identificou que enfrenta ampla rejeição da sociedade.
Flávio saiu na frente – Lula tem até o próximo dia 22 para aprovar ou vetar os “penduricalhos”. Em conversas reservadas com aliados em Salvador, onde esteve na semana passada para participar da comemoração dos 46 anos do PT, o presidente afirmou não ter condições de sancionar projetos assim, que aumentam os gastos. A informação foi publicada pela colunista Monica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, e confirmada pelo Estadão. Em um movimento paralelo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino suspendeu, ainda na semana passada, o pagamento de “penduricalhos” não previstos em lei a servidores federais dos três Poderes. A decisão foi tomada em uma ação impetrada por promotores do litoral sul de São Paulo. Dino deu 60 dias para a revisão dessas verbas, que muitas vezes são usadas como adicionais para furar o teto salarial do funcionalismo público.

Novo escândalo ou desdobramento? – Soube ontem que a mídia nacional está debruçada sobre um novo escândalo no Governo Raquel. Os dois últimos – o fechamento da empresa de ônibus do pai e a arapongagem da Polícia Civil tendo como alvo aliados do prefeito do Recife, João Campos (PSB) – já arranharam fortemente a imagem da gestora. É provável que não se trate de um novo caso escandaloso, mas fatos novos e chocantes sobre os desdobramentos da arapongagem.
CURTAS
CENTRÃO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem dois principais motivos para querer afastar o Centrão da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto. O petista, que tentará a reeleição, quer reduzir o tempo de propaganda do adversário no rádio e na televisão e, sem apoio formal dos partidos, facilita a montagem de alianças nos Estados.
IMPACTO – Ainda que a televisão e o rádio não sejam mais tão influentes, as propagandas políticas curtas, chamadas de spots, ainda têm impacto por pegar o eleitor de surpresa. Especialmente os mais pobres, que ainda assistem mais à TV aberta e ouvem mais rádio.
PODCAST – Meu podcast Direto de Brasília, em parceria com a Folha de Pernambuco, terá hoje como convidado o ministro Augusto Nardes, do TCU. Na pauta, a crise nacional, os limites da corte nas investigações em torno do Banco Master. Nardes já presidiu o TCU e foi relator das pedaladas fiscais que provocaram o impeachment de Dilma.
Perguntar não ofende: Lula reacendeu suas velhas bravatas?
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