O pernambucano Felipe Santa Cruz presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entre 2019 e 2022, período em que a entidade teve grande participação na defesa da democracia no país. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o ex-dirigente afirmou que o momento é diferente, mas reagiu às cobranças sobre a falta de posicionamento da atual gestão da entidade com relação ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Eu acho que cada um tem um estilo, e cada momento exige uma resposta. O país está polarizado, a OAB também. É óbvio que os estados do Sul têm uma determinada visão. Por isso tento afastar esse julgamento do processo eleitoral. Acho que é muito danoso ao país que o que esteja se discutindo no Supremo seja a pauta do processo eleitoral. Nós defendemos as instituições, e a Ordem tem sofrido com essa polarização. O presidente Beto Simonetti tem conduzido a OAB com serenidade, tem tentado ouvir a todos os grupos e amalgamar uma posição institucional da Ordem. A preocupação é com a constitucionalidade. O papel agora de todos os envolvidos no sistema de justiça deve ser preservar as instituições e aprimorá-las. Essa é a minha preocupação”, destacou Felipe.
Leia mais“Não acho que a OAB esteja se omitindo. Acho naturais as divergências, porque a OAB é composta por 1,5 milhão de advogados, e obviamente também espelha a polarização da sociedade brasileira, que hoje também está no Supremo, como não deveria estar tão claramente, está no Congresso Nacional, está no Executivo e está em todas as esquinas. Portanto, é natural que essa polarização também exista na advocacia”, completou.
Segundo o ex-presidente da OAB, é o momento de discutir a atuação de parentes de ministros como advogados. “É hora de estabelecer um código de ética que afaste dos tribunais onde estão os parentes. Onde está o exercício da magistratura, um parente não pode advogar. Acho que é um erro, trouxe sombra. E eu não estou aqui duvidando da ética dos envolvidos. Mas acho que à mulher de César não basta ser honesta, ela tem que parecer honesta. Porque isso dá a todo e qualquer cidadão o benefício da dúvida. Então, por que não usar esse momento para afastar daquele tribunal o parente de quem está exercendo a magistratura? Porque gera dúvidas, sim. E há tantos tribunais no Brasil, existem 92 tribunais, não se impedirá o exercício profissional em todos, só naquele tribunal onde o seu parente é parte do colegiado. Temos que usar a crise para aprimorar a democracia”, concluiu Felipe Santa Cruz.
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