Um levantamento do portal UOL aponta que nove deputados federais investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de desvios de emendas parlamentares e de recursos da cota parlamentar tiveram, juntos, um aumento patrimonial de mais de R$ 33,9 milhões entre 2022 e 2026. Os valores foram obtidos a partir das declarações de bens apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nos registros de candidatura das últimas eleições e deste ano.
Os parlamentares estão envolvidos em investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre supostos desvios e fraudes ocorridos entre 2020 e 2026. Os casos tramitam no STF em razão do foro privilegiado dos deputados. Fazem parte do levantamento Carlos Jordy (PL-RJ), Dal Barreto (União Brasil-BA), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE), Júnior Mano (PSB-CE), Juscelino Filho (União Brasil-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).
Leia maisO maior crescimento patrimonial foi registrado por Fernando Coelho Filho. O deputado pernambucano declarou R$ 3,7 milhões em bens em 2022 e passou a informar R$ 17,1 milhões neste ano, uma alta de R$ 13,3 milhões, ou 362%. O patrimônio inclui ações, direitos creditórios, imóveis e veículos. Em fevereiro deste ano, ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal ao lado do pai, o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, em uma investigação que apura supostos desvios de emendas destinadas a Petrolina e possíveis fraudes em licitações.
Na Bahia, Dal Barreto e Elmar Nascimento também tiveram crescimento expressivo. Barreto declarou patrimônio de R$ 7,3 milhões em 2022 e R$ 14,7 milhões neste ano, praticamente o dobro. O deputado foi alvo da sexta fase da Operação Overclean, em 2025, que apurou suspeitas de fraude em licitações e desvio de emendas. Já Elmar, que teve familiares como alvos de mandados durante a quinta fase da operação, elevou os bens de R$ 2,5 milhões para R$ 8,5 milhões, incluindo imóveis, um jet-ski e um quadriciclo.
Entre os demais parlamentares, Pastor Gil, que foi condenado pela Primeira Turma do STF por corrupção passiva em processo relacionado ao desvio de emendas, teve aumento de R$ 552 mil no patrimônio. Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara e alvo da Operação Galho Fraco, registrou crescimento de R$ 595 mil. Carlos Jordy aumentou seus bens em R$ 982 mil, enquanto Júnior Mano passou de R$ 371 mil para R$ 997 mil. Juscelino Filho, ex-ministro das Comunicações e investigado em operações sobre desvios de emendas e fraudes em licitações, teve alta de R$ 163,4 mil. Félix Mendonça Júnior também integra o grupo analisado pelo levantamento.
Especialistas ouvidos pelo UOL ressaltam que o aumento patrimonial, isoladamente, não representa prova de irregularidade, mas deve ser compatível com as fontes de renda e devidamente justificado. O coordenador de projetos da Transparência Brasil, Cristiano Pavini, chamou atenção para mecanismos que podem dificultar o rastreamento de recursos, como empresas de fachada e contratos informais. O advogado Arthur Rollo também apontou falhas de transparência na aplicação de emendas destinadas a eventos, especialmente na contratação de artistas. Os deputados federais recebem atualmente salário bruto de cerca de R$ 46 mil, além de poderem exercer outras atividades privadas remuneradas.
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