Integrantes do núcleo duro da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) alegam ter sido surpreendidos com a fuga do senador para os Estados Unidos. Em conversas com interlocutores, tentam se desvincular do episódio, negando qualquer tipo de participação ou conivência.
A Folha conversou com cinco pessoas próximas ao senador, que relataram “nunca ter imaginado” a fuga, especialmente depois que Flávio divulgou um vídeo dizendo que “nunca pensou em sair do país” e se comprometendo a “organizar a oposição” a Lula (PT) no Congresso Nacional. As informações são da Folha de S. Paulo.
Leia maisO político deixou o país menos de 24 horas após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes cancelar os passaportes brasileiro e italiano do senador, que tem cidadania do país europeu.
Ele é investigado em duas ações criminais, sob suspeita de lavagem de dinheiro e outros crimes no âmbito do caso do Banco Master e dos desvios no INSS. A partir de fevereiro, quando deixará o mandato de senador pelo Rio, ele perde o foro especial na Suprema Corte brasileira.
Um dos últimos a conversar com Flávio antes do sumiço foi o senador Rogério Marinho (PL-RN). O coordenador político da campanha relatou a um auxiliar ter contatado o amigo por WhatsApp e perguntado se estava tudo bem. O candidato derrotado respondeu que estava “esfriando a cabeça”.
Marinho perguntou se procediam reportagens da imprensa argentina sobre a saída do Brasil, mas Flávio parou de falar. Eram cerca de 8h desta terça-feira (27). Por volta do mesmo horário, Fernanda Bolsonaro, mulher do senador, respondeu a outro interlocutor dizendo que estava deitada com o marido.
Advogados de Flávio também afirmam que a fuga ocorreu à revelia da equipe jurídica e que o clima é de perplexidade, pois em uma reunião na tarde de segunda-feira (26), o senador teria garantido a presença em encontro com a bancada do PL na próxima semana.
Pessoas que acompanharam de perto a pré-campanha e a campanha do congressista não descartam que os atuais advogados eleitorais desembarquem da defesa do senador, mas que uma medida dessa natureza exige cautela, uma vez que os honorários são pagos com verbas públicas.
Outros dois aliados de Flávio Bolsonaro disseram que já deram por encerradas as participações na campanha no próprio domingo (25) e que, após uma derrota inesperada, precisam tomar conta das próprias vidas políticas.
Senadores e governadores aliados de Flávio, inclusive o de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também relataram a auxiliares que não sabiam do plano de fuga e que tomaram conhecimento pela imprensa.
Poucas horas após a circulação das primeiras notícias sobre a fuga de Flávio do país, Tarcísio publicou um vídeo em que diz que “a eleição acabou” e que é preciso um “projeto de país”, mas não tece nenhum comentário sobre a viagem do aliado.
“A eleição passou, mas não passou o desejo de ministérios com gente técnica e séria, de um governo que corte gastos e tire o peso dos impostos das costas do cidadão. De um país que não gaste mais com juros da dívida do que com saneamento básico saúde e educação”, disse.
Como mostrou a Folha, o governo Donald Trump está ciente da ida de Flávio aos Estados Unidos e vai conceder asilo ao senador do PL, segundo aliados da família que mantêm relação com o país. Eles dizem que o senador deve chegar nas próximas horas a Miami ou Dallas.
Conforme um aliado do clã Bolsonaro, o governo americano teria participado ativamente do plano de tirar Flávio do Brasil. Outra pessoa próxima da família afirma que o senador não saiu do país pela Argentina.
No começo do dia, pessoas próximas a Flávio desconheciam o paradeiro do senador e ironizaram a possibilidade de uma fuga para os Estados Unidos. “Só se ele estiver louco” ou “está vindo de foguete do Elon Musk” foram algumas das respostas.
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