Por Marlos Porto*
15 de outubro. O Dia do Professor marca o aniversário de nascimento de meu falecido pai, Giovanni Porto.
Foto tirada na minha campanha a vice-prefeito de Arcoverde, em 2012.
A percepção aguda da insuficiência de tudo quanto eu pudesse escrever hoje aqui a seu respeito é tão grande, que, acabrunhado, abdico da tarefa.
Mas, pejado de saudade, recobro o ânimo para recordar momentos com ele, como nesse da foto.
Era um ato de campanha no popular bairro do São Geraldo. O candidato a prefeito era Israel Guerra, de quem fui o vice. Giovanni Porto, ex-prefeito do final dos anos 60 e inicio dos anos 70 do século passado, já afastado da política desde 2004, estava, então, com 79 anos de idade.
Leia maisCom dificuldade devido aos seus problemas de coluna, sobe na carroceria de um caminhão para falar à multidão, em apoio aos candidatos. Quanto significado!
Ele dedicara ao povo do São Geraldo parte muito importante de seus esforços como gestor naqueles anos tão difíceis, com calçamento de várias ruas, ladeiras e construção de galerias, e o povo do São Geraldo o consagrara como o político campeão de votos no bairro, em eleições seguintes.
O principal, contudo, era a identificação sentimental dele com o bairro. Desde sua juventude, o amor que ele nutria por essa paisagem em que as pessoas, tanto as presentes quanto as ausentes, se fundem na mente de forma inseparável das ruas, das casas, dos estabelecimentos ou das calçadas do lugar em que vivem – ou viveram.
Chega o momento. O Professor Giovanni faz seu discurso: límpido como o Riacho do Mel de sua meninice; sereno como o céu noturno de sua Rio Branco; eletrizante, como as trovoadas sertanejas; uma oratória de beleza inconfundível.
No final, o público já tendo ido embora, a dor já começava a apertar. Ele dizia: “Meu filho, vamos embora”. Mas ainda tivemos tempo de tirar essa fotografia.
Entre tantos talentos que tinha, era mestre na crônica, como atestam seus dois livros publicados. Afinal, um grande escritor não necessita ser prolífico, como um Lope de Vega; deve, sim, ser profícuo, como Giovanni na crônica, sobretudo em um tipo específico que trata da consciência da passagem do tempo e resgata lembranças de períodos vividos.
Servidor público e filho do ex-prefeito de Arcoverde, Giovanni Porto*
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