Vários movimentos, principalmente femininos, tomaram conta dos EUA e Europa desde a segunda metade do século XIX, por melhores condições de trabalho para as mulheres nas fábricas e, por conseguinte, a concessão de direitos trabalhistas e eleitorais, entre outros.
Foi o que ocorreu fortemente em 8 de março de 1917 na Rússia, marcado pelo ciclo revolucionário que derrubou a monarquia czarista. Nesse clima de agitação revolucionária, as mulheres trabalhadoras do setor de tecelagem entraram em greve, no dia 8 de março, e reivindicaram a ajuda dos operários do setor de metalurgia. Essa data entrou para a história como um grande feito de mulheres operárias e também como prenúncio da Revolução Bolchevique.
Após a Segunda Guerra Mundial, o dia 8 de março tornou-se aos poucos o símbolo principal de homenagens às mulheres (em virtude da greve das russas). Também foi associado ao mês de março, a partir de então, o evento do incêndio em Nova York, ocorrido no dia 25, como citado anteriormente.
A partir dos anos 1960, a comemoração do dia 8 de março já tinha se tornado tradicional, mas foi oficializada pela ONU apenas em 1975, quando essa organização declarou o Ano Internacional das Mulheres, como uma ação voltada ao combate das desigualdades e discriminação de gênero em todo mundo. Como parte desses esforços, o dia 8 de março foi oficializado como o Dia Internacional da Mulher.
Assim, esse dia representa muito mais que um simples dia voltado à simples homenagens às mulheres. É um dia voltado à reflexão de como as mulheres são tratadas por nossa sociedade, tanto no convívio afetivo, familiar e social quanto para as questões relacionadas ao mercado de trabalho.
Lamentavelmente, ainda hoje existem casos de abusos sexuais, feminicídios, preconceitos e desigualdades salariais. O preconceito de gênero prejudica as mulheres no mercado de trabalho. As mulheres, no entanto, não têm a sua vida prejudicada somente no mercado de trabalho, uma vez que a violência de gênero, o abandono que muitas sofrem de seu parceiro durante a gravidez e os assédios são realidades que muitas mulheres sofrem.
O 8 de março é um dia para reflexão a respeito de toda a desigualdade e a violência que as mulheres sofrem no Brasil e no mundo. É um momento para combater o silenciamento que existe e que normaliza a desigualdade e as violências sofridas pelas mulheres, além de ser um momento para repensar atitudes e tentar construir uma sociedade sem desigualdade e preconceito de gênero.
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, as mulheres vêm sendo protagonistas, a cada dia mais, em diversas áreas e não seria diferente na Engenharia, na Agronomia e nas Geociências.
A Engenharia como um todo é uma área estigmatizada como masculina, mas, essa realidade vem mudando à medida que mais mulheres ocupam as cadeiras do curso de engenharia, mas ainda percentualmente baixa a relação das mulheres (em torno de 20%) frente aos homens (em torno de 80%) registrados no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – CONFEA.
A engenharia transforma projetos e sonhos em realidade. É uma área fundamental para as atividades de pesquisa e produção, contribuindo, assim, para o desenvolvimento de toda a sociedade.
Assim, destacam-se alguns pioneirismos das mulheres profissionais das Engenharia, Agronomia e Geociências em Pernambuco e no Brasil.
Em Pernambuco
- Engenharia: Esmeraldina Pereira da Silva, 1ª Eng. Civil formada em PE em 1944, foi também diretora da Escola Politécnica de PE da UPE, em 1974 e 1975.
- Agronomia: Ester Sara Feldmus, 1ª Eng. Agrônoma formada em PE em 1944.
- Geociências: Zenaide Pessoa de Mello, 1ª Geóloga formada em PE e no Norte/Nordeste em 1961, também da 1ª turma do Curso de Geologia e Geóloga da SUDENE.
No Brasil
- Engenharia: na Engenharia, temos duas grandes mulheres pioneiras, a primeira, a Edwiges Maria Becker Hom’meil que foi a primeira mulher a se formar em Engenharia no Brasil, na então Escola Polythecnica do Distrito Federal, atual Escola Politécnica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), mais de um século após a criação do primeiro curso de engenharia em 1810 e, a segunda, mais recente, a Enedina Alves Marques, 1ª Eng. Civil formada no Paraná em 1945 e 1ª Engenheira negra do Brasil.
- Agronomia: Rita de Cássia Rangel de Azevedo Coutinho de Lacerda, 1ª Eng. Agrônoma formada no Rio de Janeiro em 1938.
- Geociências: Marília Regali, 1ª Geóloga formada em São Paulo em 1959, sendo a 1ª pessoa formada em Geologia (entre homens e mulheres) e a 1ª mulher a ingressar na Petrobrás em 1960, única por 16 anos.
Além dos pioneirismos destacados nas profissões, temos outras Engenheiras que atuam em órgãos governamentais no Estado de Pernambuco e a nível nacional, a exemplo de:
- Suzana Maria Gicco Montenegro – Eng. Civil e atual e 1ª presidente da APAC – Agência Pernambucana de Águas e Clima.
- Manuela Marinho – Eng. Civil e ex-presidente da Compesa – Companhia Pernambucana de Saneamento.
- Fernandha Lafayete Baptista – Eng. Civil e ex-secretária de Infraestrutura e Recursos Hídricos de PE – Seinfra, no governo estadual passado.
- Simone Rosa – Eng. Civil, professora da UPE e ex-secretária Executiva de Recursos Hídricos da Seinfra, no governo estadual passado.
- Maria José Sena – professora, Licenciatura em Ciências Agrárias, além de graduação em Medicina Veterinária e em Biologia, sendo a 1ª mulher a assumir o cargo de Reitora nos 100 anos da UFRPE e a 1ª mulher a ocupar esse cargo numa universidade pública em Pernambuco.
- Luciana Santos – Eng. Eletricista e ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação do atual Governo Federal, foi vice-governadora de PE e prefeita de Olinda.
Somando-se aos órgãos governamentais, temos pioneirismos e destaques de mulheres, profissionais das Engenharias, Agronomia e Geociências junto às entidades de classe ligadas ao nosso Sistema, que estão em posição máxima de liderança em sua entidade, como Diretora Geral e Presidentes, a exemplo de:
- Roberta Meneses – Eng. Civil e de Segurança do Trabalho, e 1ª Diretora Geral da Mútua-PE – Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea-PE.
- Eloisa Basto Amorim de Moraes – Eng. Civil e 1ª Presidente do Senge-PE – Sindicato dos Engenheiros no Estado de Pernambuco.
- Giani de Barros Câmara Valeriano – Eng. Civil e Presidente da AESPE – Associação dos Engenheiros de Segurança do Trabalho do Estado de Pernambuco.
- Michelle Pinheiro Pessoa – Eng. Civil e Presidente do Sinaenco – Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva Regional Pernambuco.
- Lília Albuquerque da Silva – Geóloga e Presidente da AGP – Associação Profissional dos Geólogos de Pernambuco.
- Ranjana Yadav de Carvalho – Geóloga e Presidente do IPGeoPE – Instituto Profissional de Geologia de Pernambuco, sendo a 1ª Presidente.
Apesar desse protagonismo da mulher engenheira em nosso Sistema Confea/Creas e Mútua, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco – Crea-PE, em seus quase 90 anos de existência, é um dos poucos Creas no país que nunca teve uma mulher na Presidência, atrás até de nossos Estados vizinhos como Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, dentre tantos outros pelo país, como Acre, Pará, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Esse cenário, contudo, tende a mudar a partir do ano que vem, dependendo apenas da maioria dos Engenheiros, Agrônomos e Geocientistas de Pernambuco. Vamos em frente!
*Engenheira Civil e de Segurança do Trabalho e diretora Geral da Mútua-PE
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