Todo dia é dia delas, mas as convenções da humanidade forjaram datas para serem lembradas e comemoradas. Seguindo esse convencionalismo nos curvamos, hoje, aos pés das nossas soberanas, às mulheres, no seu Dia Internacional, este sagrado 8 de março.
Louvo minha Nayla Valença, em nome da qual faço os sinos dobrarem por todas as mulheres. Tangida da seca, como eu, Nayla é uma mistura de sangue azul latino das tejucupanas com o vermelho da valentia de Maria Bonita.
Leia maisAs mulheres de Tejucupapo, distrito de Goiana, na Mata Norte de Pernambuco, entraram para a história do Brasil em um episódio heroico em 24 de abril de 1646, quando enfrentaram e derrotaram 600 soldados holandeses, usando como armas pedaços de pau, chuços, enxadas, pimenta e água fervente.
Maria Bonita não pode ser vista apenas pela lente angular do cangaço. Foi também uma heroína que venceu a seca e desbravou o Sertão. Na sua face guerreira se espalha as cores, os sabores e os aromas do bravo povo nordestino. Sangue de Maria Bonita é sangue de mulher empoderada, de mulher nordestina.
Como as tejucupanas e como Maria Bonita, minha Nayla é uma mulher forte e guerreira, senhora do seu destino. Enfrenta intempéries, luta quando a tempestade é de areia, supera as dores da alma partida na batida do sol inclemente. Realça na sua beleza a mais nobre expressão de mãe, de duas filhas lindas, suas Marias – Beatriz e Heloísa.
Minha Nayla Valença é como o poema de Cora Coralina, aquela mulher a quem o tempo muito ensinou. Ensinou a amar a vida e não desistir da luta, recomeçar na derrota, renunciar a palavras e pensamentos negativos. Acreditar nos valores humanos e ser otimista.
Cora Coralina nasceu às margens do Rio Vermelho, em Goiás. Ao completar 50 anos, passou por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como “a perda do medo”. Seu primeiro livro foi escrito quando tinha 76 anos. Seus poemas tratam da sua história pessoal, da cidade em que nasceu e do ambiente em que foi criada.
Minha Nayla nasceu às margens do Rio Moxotó, em Sertânia. Lá, quando os pássaros murmuram de sede e o gado morre abatido pela seca, o homem renasce pela coragem. Não é fácil resistir em terras secas, como escreveu Euclides da Cunha, em Os Sertões.
Por isso, minha Nayla tem o espírito de luta incansável de Cora, uma mulher que faz a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando flores.
Viva às mulheres!
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