Assessor especial de Biden discutirá meio ambiente e energia com o governo Lula

O assessor especial do governo Joe Biden para o clima, John Kerry, chega a Brasília neste fim de semana para cumprir uma série de compromissos com autoridades brasileiras.

De acordo com a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, a visita de John Kerry ao país tem como objetivo discutir dois assuntos centrais: questões climáticas e combate ao desmatamento.

g1 apurou junto a integrantes do governo brasileiro e do governo americano que a agenda deve ser dividida em duas vertentes de discussão. A primeira, considerada a agenda climática da viagem, envolverá discussões sobre temas como:

  • preservação do meio ambiente
  • energias renováveis
  • agricultura
  • indústria
  • comércio

Diplomacia

A outra parte da agenda, mais dedicada à parte diplomática da questão ambiental, deve envolver:

  • Convocação de reunião do Grupo de Trabalho de Alto Nível Brasil-EUA sobre Mudança do Clima (GTNC);
  • Intenção dos EUA de fornecer recursos para programas de conservação e preservação da Amazônia, incluindo o aporte de recursos para o Fundo Amazônia;
  • Cooperação Brasil-EUA na Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima;
  • Cooperação Brasil-EUA sobre a implementação do Acordo de Paris.

Reuniões

A expectativa é que John Kerry se reúna com empresários, parlamentares e diversas autoridades do governo brasileiro, entre as quais:

  • Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro da Indústria e Comércio
  • Rodrigo Pacheco, presidente do Senado
  • Marina Silva, ministra do Meio Ambiente
  • Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas
  • Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
  • Essas agendas incluem reuniões, por exemplo, no Palácio Itamaraty (sede do Ministério das Relações Exteriores), na segunda-feira; e no Ministério do Meio Ambiente, na terça-feira.

Embaixador brasileiro para o clima

A viagem de Kerry ao Brasil acontece uma semana após o governo brasileiro ter anunciado o diplomata e ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Alberto Figueiredo como novo embaixador extraordinário para o clima, cargo recriado pelo governo Lula.

Segundo o Itamaraty, Figueiredo deverá representar o Brasil em eventos internacionais sobre o clima e participar de discussões no exterior sobre o combate às mudanças climáticas.

Figueiredo já foi embaixador do Brasil nos Estados Unidos e atuou como representante do Brasil nas Nações Unidas, em Nova York (EUA). Na estrutura do Itamaraty, chefiou a Divisão de Política Ambiental do ministério.

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O Instituto de Terras e Reforma Agrária de Pernambuco (Iterpe) participou da cerimônia de criação do Núcleo de Regularização Fundiária (NUREF), nesta semana, no Palácio da Justiça de Pernambuco. A iniciativa faz parte do programa Moradia Legal Pernambuco e tem como objetivo acelerar a entrega de títulos de terra no estado. Durante o evento, foi assinado um acordo para capacitar engenheiros e agrônomos, com apoio de universidades e entidades ligadas à área fundiária.

Jaboatão dos Guararapes - UBS Pet Massangana

O prefeito de São José do Egito, Fredson Brito, participou hoje do programa institucional De Mãos Dadas com o Povo, transmitido pela Rádio Cultura FM. Durante a entrevista, conduzida pelo radialista Fabrício Ferreira, o gestor fez um balanço das principais ações dos seus quase 100 primeiros dias à frente da Prefeitura, destacando avanços nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e valorização do servidor público.

Entre os anúncios, Fredson celebrou o reajuste salarial de 7% para servidores ativos e inativos, percentual superior ao recomendado pelo Ministério da Educação, além da regularização da folha de pagamento, que agora é quitada dentro do mês trabalhado. Na saúde, destacou a reestruturação do hospital municipal, com a volta dos partos normais e cesarianas, ampliação do quadro médico, atendimento até às 22h na unidade de Riacho do Meio e a chegada de um novo ônibus para o TFD, além de uma nova Casa de Apoio na capital pernambucana.

Na educação, o prefeito comemorou a implantação de uma escola de ensino integral, o destravamento de recursos para concluir a Escola Graça Valadares, a conquista de um novo Centro Esportivo e a reforma do Ginásio de Esportes, que volta a sediar os Jogos Escolares. Na zona rural, destacou o inédito Programa de Aração de Terras e as obras de abastecimento de água nas comunidades do Buquê e do Papagaio, ampliando o acesso à água potável.

Fredson também ressaltou o fortalecimento das ações sociais, como a implantação do Bom Prato, que transformou a antiga cozinha comunitária em um espaço que oferece almoços completos à população. Ao fim da entrevista, convidou os moradores para um evento no próximo sábado (12), onde fará uma prestação de contas detalhada sobre as conquistas desses primeiros 100 dias de gestão.

Dulino Sistema de ensino

Por Aldo Paes Barreto*

Antigamente, havia uma localidade no Recife chamada Caldeireiro, fazia fronteira com Dois Irmãos. Ali morou o excêntrico comerciante português Francisco Ribeiro Pinto Guimarães, apelidado de “Chico Macaco”. A alcunha foi imposta pela vizinhança porque ele carregava dois graves pecados: mantinha amizade com pretos e se alimentava de bananas.

A mansão ainda está lá, restaurada, e como consta na placa no frontispício da edificação, Francisco Guimarães a edificou entre 1874 e 1877, quando ainda tinha juízo. No requintado solar que hoje abriga a sede da Fundação Joaquim Nabuco, morou até o final da vida provavelmente entre 1935 e 1936.

Excêntrico na antessala da paranoia, Francisco Guimarães comercializava açúcar para a Europa onde ia com frequência quando jovem. Educado, refinado, rico e solteiro, não deixou herdeiros. A dramática existência desse emigrante fez dele lenda, do sobrado lugar mal-assombrado e da sua existência uma chaga do preconceito.

Quando surgiram os primeiros sintomas da demência, Francisco Guimarães isolou-se no casarão e recomendava aos criados que fechassem portas e janelas. Malfeitores, facínoras de todos os credos queriam assassiná-lo e roubar o que era dele. Refugiado no primeiro andar, apenas uma criada, Joana, tinha acesso ao local abastecendo o esquisito Francisco com bananas e outras necessidades.

No início do século 20, os interesses pelo excêntrico português, pelo solar e pela sua fortuna, cresceram. Sem herdeiros, o caso chegou à Justiça, a interdição foi pedida e nomeado um psiquiatra para avaliar a decrepitude do velho e ainda rico lusitano. Foi então nomeado o especialista Ladislao Porto para realizar o laudo de interdição.

Em reportagem publicada neste Diario de Pernambuco, edição de 2 de abril de 1954, o então iniciante repórter Marco-Aurélio de Alcântara entrevistou o psiquiatra Ladislau Porto, que atuou no Caso “Chico Macaco”, em 1935. O médico bem que tentou demover o lunático a sair de sua solidão e ser internado em hospital especializado. Em vão.

Vergado, coberto por enormes barbas brancas, vestindo timão sem cor, Francisco isolou-se cada vez mais no primeiro andar do casarão de onde nunca saiu e onde morreria de inanição.

O majestoso solar ficou muito tempo abandonado. Roubaram vitrais, mobílias, pisos de jacarandá, mármores dos banheiros. Ainda assim manteve grande parte do original até ser totalmente recuperado pela Fundação Joaquim Nabuco, depois de ter sido ocupado por uma clínica veterinária e pelo Hospital Magitot.

Graças ao empenho do pernambucano Gilberto Freyre, o Solar do Caldeireiro escapou do triste destino de ser tombado para coisa alguma e virar ruínas de coisa nenhuma. Nesse meio tempo, a imagem fantasmagórica do ancião de longas barbas, vestes brancas, assombrava quem se aventurava ao local e protegia o casarão. Era uma época em que os ladrões temiam assombrações.

Logo depois da tentativa de interdição judicial, o emigrante foi encontrado morto pela velha preta Joana. Ao lado, um cacho de bananas que ele já não comia e um bilhete de agradecimento a amiga. Era ela que lhe dava bananas, atenção e nenhum enjeitamento. Ela era filha de escravos, desconhecia as despudoradas paixões pelo futebol, mas conhecia de perto a maldição do preconceito.

*Jornalista

Petrolina - O melhor São João do Brasil

Do Estadão Conteúdo

A mais recente pesquisa Datafolha mostra que a aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interrompeu a tendência de queda e registrou uma leve alta. Mesmo assim, o índice de reprovação segue significativamente superior ao de aprovação: 38% consideram a gestão ruim ou péssima, enquanto 29% a avaliam como ótima ou boa.

Na comparação com o levantamento anterior, de 14 de fevereiro, houve melhora de cinco pontos percentuais na avaliação positiva — que havia sido a pior dos três mandatos de Lula, com 24%. Já a reprovação caiu três pontos, de 41% para os atuais 38%. A avaliação regular se manteve estável, em 32%.

Durante seus dois primeiros mandatos, Lula nunca havia enfrentado aprovação tão baixa. Os dados indicam que a popularidade do presidente atingiu um piso e parou de cair. Apenas 1% dos entrevistados disseram não saber como avaliar o governo, ante 2% na pesquisa anterior.

Imagem

A publicação da pesquisa veio logo após o governo divulgar um balanço das entregas federais, em tentativa de reverter a imagem negativa dos últimos meses. A chamada “crise do Pix”, envolvendo especulações sobre limites na ferramenta, e a alta no preço dos alimentos são apontadas como fatores que afetaram a avaliação da gestão.

Sobre o futuro do governo, 35% dos entrevistados disseram acreditar que Lula fará um mandato ótimo ou bom. O mesmo percentual projeta uma gestão ruim ou péssima, enquanto 28% esperam um desempenho regular. É a primeira vez que os índices otimista e pessimista aparecem empatados numericamente.

A pesquisa Datafolha ouviu 3.054 pessoas com 16 anos ou mais em 172 municípios entre os dias 1º e 3 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Ipojuca - IPTU 2025

A governadora Raquel Lyra (PSD) segue ampliando o loteamento da máquina pública em Pernambuco. Em mais um “trem da alegria”, ela nomeou um novo grupo de aliados para cargos comissionados na Secretaria da Casa Civil, transformando a estrutura do governo em um verdadeiro cabide de empregos — numa movimentação voltada para garantir apoio político de olho na reeleição em 2026.

Entre os contemplados está o ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Keko do Armazém (PP). Derrotado por Lula Cabral (SD) na tentativa de reeleição em 2020, Keko agora retorna à cena pública como assessor especial de Relações Institucionais (DAS-2), um dos cargos mais altos da pasta.

Outros 12 nomes foram nomeados, a maioria com histórico político ou eleitoral. Um dos destaques é Gyan Karlos (PRD), ex-presidente da Câmara de Buenos Aires e ex-candidato a vice-prefeito. Ele já atuava na Casa Civil como assistente, foi exonerado e agora retorna em um posto superior, como assessor especial de articulação e acompanhamento (DAS-4).

A lista passa por diversas siglas partidárias, do PL ao PT. Rodrigo Gomes, ligado aos irmãos Ferreira e candidato derrotado a vereador do Recife, também ganhou cargo: volta ao governo como assessor especial (DAS-4). Ele havia sido exonerado da Secretaria de Justiça em 2023 para disputar as eleições municipais, onde teve apenas 4.930 votos.

Também foram nomeados Anderson Lopes, candidato a prefeito de Itapetim pelo PSDB em 2024, agora como assessor técnico (CAA-1), e Aluízio Camilo (PT), ex-vereador de Paulista, que passa a integrar a Casa Civil como assessor (CAA-2).

Os cargos comissionados de DAS (Direção e Assessoramento Superior) e CAA (Cargo de Apoio Administrativo) são de livre nomeação e exoneração, ou seja, preenchidos sem concurso público. A numeração indica o nível hierárquico e salarial: quanto menor o número, maior o prestígio e a remuneração. Esses cargos são frequentemente utilizados para acomodar aliados políticos, mesmo que sem vínculo técnico com as funções exercidas.

As nomeações foram oficializadas ontem (4) e publicadas na edição deste sábado (5) do Diário Oficial.

Caruaru - São João na Roça

Por Marcelo Tognozzi

Colunista do Poder360

O mundo saiu da zona de conforto com o tarifaço de Donald Trump. Alguns reagiram com a cabeça, outros com o fígado, muitos ficaram perdidos. Um jornalista do Financial Times comparou o tarifaço de Trump à revolução cultural de Mao Zedong no início da década de 1970.

Trump mexeu com a burocracia, os intestinos da administração dos Estados Unidos e, diferentemente de Mao, sabe que seu prazo é curto: termina em 2029. Acho que há um pouco de exagero nisso e creio que os Estados Unidos, com seu enorme poder de resiliência, sairão deste processo ganhando mais do que perdendo.

As consequências sobre o futuro, claro, ainda são imprevisíveis. Há uma insegurança generalizada típica do desconforto, como mostrou o Wall Street Journal, com os norte-americanos correndo para comprar bens de consumo antes que o preço suba por causa das tarifas.

É bem possível que a popularidade de Trump sofra uma queda significativa, caso sua política protecionista provoque inflação e diminua a capacidade de consumo da população. Daqui até 2029, muita água vai correr debaixo da ponte e, como ensinou Maquiavel, o mal se faz primeiro.

A reportagem do WSJ registra aumento de preços no comércio para produtos que já estavam nas prateleiras antes do “Liberation Day” de Trump. Este tipo de coisa se dá no mundo todo e já vimos este filme por aqui centenas de vezes.

No Brasil, o que mais chamou a atenção nesta semana foi a capacidade de reação da bancada do agro no Congresso. Ao longo das duas últimas décadas, a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) e o IPA (Instituto Pensar Agro) passaram por um processo de profissionalização exemplar. É o Brasil que dá certo comandando o processo. São os profissionais mostrando como se faz.

Não é por acaso que o agro ganhou força política e colhe uma safra recorde de resultados. O último deles foi a Lei da Reciprocidade, instrumento pelo qual o governo poderá reagir à altura toda vez que nossos parceiros comerciais criarem dificuldades para nossos produtos.

Esta lei já era bala na agulha do agro faz tempo. Desde que a União Europeia resolveu impor restrições aos produtos brasileiros por questões ecológicas, aprovando uma lei maluca que proíbe a compra de produtos produzidos em zonas desmatadas, ignorando completamente nosso Código Florestal.

A Europa assistiu nos últimos 50 anos a um aumento exponencial da competência dos produtores brasileiros, enquanto crescia a incompetência do seu setor agrícola, cada vez mais dependente de subsídios governamentais. Enquanto o agro europeu anda na cadeira de rodas dos subsídios, o nosso caminha pelas próprias pernas.

Diante do tarifaço de Trump, a bancada do agro agiu com a cabeça, uniu governo e oposição, aprovando a lei que agora servirá para dar pronta resposta às penalidades impostas aos nossos produtos. Este caso é exemplar, porque mostra a relevância política de um setor num assunto o qual, não faz muito tempo, era dominado pela CNI e a Fiesp. O agro, com seu profissionalismo, tomou a frente na defesa dos interesses do país, foi atrás dos resultados e colocou-se acima das picuinhas políticas da esquerda e da direita.

Poucos países experimentaram o grau de internacionalização do agro como o Brasil. Há alguns anos, acompanhei o então ministro Blairo Maggi num périplo pela Ásia e pude ter a exata medida do prestígio do agro brasileiro. No mercado de Xangai, um dos maiores centros de venda de proteína animal do mundo, os compradores pediam as carnes brasileiras pelo número do SIF (Serviço de Inspeção Federal). Os pés de galinha expostos, uma iguaria para os chineses, pareciam ter saído de um salão de manicure de tão perfeitos.

O Brasil vende para os Estados Unidos suco de laranja, café, celulose, carne, açúcar, madeira e até sebo bovino, entre outros itens do agro. A tendência, com a tarifa de 10% imposta pelo governo Trump, é que estes produtos fiquem mais caros para o consumidor norte-americano. Mas esta situação pode ser passageira.

O Brasil tem uma vantagem, um diferencial competitivo sobre o produtor dos Estados Unidos, que é a nossa produtividade. Nós conseguimos produzir mais e melhor a cada ano, o que permite reduzir custo e preço, tornando nossos produtos ainda mais competitivos. Se o governo deixar o produtor e a Embrapa trabalharem, esta tarifa do governo Trump será devidamente engolida pelo nosso agro.

É líquido e certo que o mundo iniciou uma nova era. Todos apostam que os EUA serão os grandes perdedores, mas isso é só um palpite, porque ninguém sabe como vai funcionar. Trump virou o comércio internacional de ponta cabeça. Há quem imagine o Brasil sendo jogado nos braços da China e os Estados Unidos isolados do resto do mundo.

Bobagem. Nem o Brasil será dominado pela China, embora seja ela nosso maior parceiro comercial, nem os Estados Unidos irão para o ostracismo. O Brasil, por tradição e um ranço cultural vindo dos tempos da República Velha, é uma das economias mais fechadas do mundo. Pagamos um preço altíssimo pela teimosia em nos mantermos fechados, como se deu com a política de proteção da indústria brasileira de informática nos anos 1980, cujo resultado foi um só: mais atraso.

Os Estados Unidos são produtores de conhecimento e de inovação. A indústria deles se espalhou pelo mundo em busca de custos menores e lucros maiores e não é outro o motivo que levou a Apple a investir na China, a Nike produzir no Vietnã ou empresas de call centers se instalarem na Índia. A economia é movida a lucro, seja ela chinesa ou norte-americana. Trump só terá sucesso com consumidores satisfeitos e empresários lucrando.

Se não for assim, seu Donald corre o risco de ficar igual ao presidente da piada, contratado para tornar a companhia mais produtiva. No 1º dia, saiu andando pela empresa e deu com um rapaz encostado na parede, as mãos no bolso, puro tédio.

“Quanto você ganha?”, pergunta. O rapaz responde: “R$ 1.000, doutor”. Ele tira o dinheiro do bolso, dá ao moço e diz: “Some daqui. Está demitido”. Em seguida, pergunta ao gerente: “O que este imbecil fazia aqui?”. E o gerente: “Nada, ele veio entregar pizza e estava esperando o pagamento”. Moral da história: você só acerta a mão quando conhece muito bem com quem e o que está lidando.

Camaragibe Cidade do Trabalho

Por Hylda Cavalcanti

Especial para a Folha de Pernambuco

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, foi o convidado de estreia do podcast “Direto de Brasília”, do Blog do Magno, em parceria com a Folha de Pernambuco. Durante a entrevista, ele afirmou que o Brasil pretende negociar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos com diálogo, destacando que uma guerra tarifária não interessa a nenhum país.

Alckmin também defendeu que a candidatura de Lula à reeleição em 2026 é “natural” e comentou a queda na popularidade do governo, atribuindo o momento à crise climática e à alta no preço dos alimentos. Ao longo da conversa, o vice falou ainda sobre acordos internacionais, política fiscal, relembrou a convivência com Marco Maciel e Mário Covas e revelou sua paixão pelo sítio em Pindamonhangaba, onde costuma relaxar.

Confira:

Magno Martins: Estamos aqui no dia seguinte à taxação do Donald Trump. Sabemos que o presidente Lula chamou o senhor de imediato ontem para uma reunião no Palácio de Planalto para tratar do assunto. Que medidas vocês tomaram para garantir que os efeitos sejam menos perversos?

Geraldo Alckmin: Nós entendemos que o comércio exterior é importantíssimo. Ele gera empregos, estimula a inovação, traz competitividade e ganha sociedade. Precisa ter regras, por isso a OMC [Organização Mundial do Comércio]. Então entendemos que a decisão unilateral dos Estados Unidos não é boa para o comércio, porque cria imprevisibilidade, insegurança e isso diminui o investimento. Mesmo o Brasil tendo ficado com a menor tarifa em comparação com outros países, mesmo sabendo que para outros países a medida foi muito pior, para nós também foi ruim. O caminho que vemos é o do diálogo, da negociação e é isso que vamos fazer.

MM: O presidente Lula disse que vai fazer o possível para preservar as empresas. O que é que vocês estão pensando neste sentido?

GA: Foi votado pelo Senado e pela Câmara um Projeto de Lei que vai ser sancionado, que estabeleceu um arcabouço jurídico para o Brasil poder responder [a essas medidas]. É uma boa legislação, necessária e importante, mas nós não pretendemos usá-la agora. Mesmo o Brasil ficando com a menor tarifa (de 10%), ela é ruim. Ninguém ganha numa guerra tarifária, ninguém. Vamos ficar atentos a desvios de mercado, de comércio. Porque se você tem um bloqueio em determinado lugar, isso pode desaguar no Brasil, prejudicando a indústria e o comércio local.  Vamos ficar atentos com os critérios para qualquer alteração do comércio exterior. Por outro lado, eu acho que isso vai acelerar o acordo Mercosul-União Europeia.

MM: O Brasil vai buscar outros parceiros?

GA: O acordo Mercosul-União Europeia é o maior acordo do mundo hoje. Envolve 720 milhões de pessoas, 22 trilhões de dólares. Os cinco países do Mercosul, com a entrada da Bolívia e 27 dos países mais ricos do mundo na União Europeia. É um ganha-ganha, é assim que vejo o comércio exterior.

MM: Como o senhor avalia o argumento do presidente Donald Trump para adotar esse tarifaço? Ele disse que fez isso para preservar empregos, que vai valorizar a indústria americana.

GA: Os Estados Unidos têm um enorme déficit comercial. É um país que exporta, mas importa muito mais, então isso gera um grande déficit na balança comercial americana. Só que eles não têm isso com o Brasil. Com o Brasil eles têm superávit comercial em serviços de 18 bilhões de dólares, e em bens, de 7 bilhões de dólares. Só no ano passado o superávit foi de 25 bilhões de dólares no total. Então o Brasil não é problema para os Estados Unidos. É um mercado importante para nós, porque embora não seja o maior parceiro, hoje nosso maior parceiro comercial é a China, é um parceiro para quem nós vendemos maior volume de produtos de valor agregado: avião, motores, autopeças, máquinas, retroescavadeiras. Então tenho marcadas já para a próxima semana, reuniões entre as equipes técnicas, para a gente trabalhar.

MM: Se o Brasil não é problema para os Estados Unidos, porque Trump incluiu o Brasil?

GA: Ele incluiu praticamente todo mundo. 

MM: Mas havia uma expectativa de o Brasil não ser incluído…

GA:  É. Ele incluiu na tarifa menor. Para outros países, o percentual foi de 25%, e para os países asiáticos, de 50%. Embora tenhamos ficado com a menor tarifa, não é bom nem para nós nem para os Estados Unidos, porque quem quiser adquirir produtos vai acabar comprando mais caro.

MM: Eu fiquei com a impressão de que o Trump tomou essa medida em relação ao Brasil em retaliação à campanha passada, uma vez que o presidente Lula ficou do outro lado, no apoio ao adversário dele…

GA: Acho que não. Na realidade, o que acontece é que ele [Trump] está tentando atrair de volta empresas para os Estados Unidos, só que isso é uma coisa de meio século atrás, quando você tinha uma política de substituir importação. Então eu vou substituir importação para produzir aqui, faço um protecionismo. Só que agora o mundo é outro. Estamos em outro momento. Mas temos de respeitar a decisão de outros países e proteger e defender o comércio brasileiro, buscar mercado. Agora mesmo, o presidente Lula esteve no Japão e no Vietnã numa viagem muito bem-sucedida, já vem para cá uma missão que vai avaliar a questão da carne, para que possamos exportar carne para o Japão. Também estamos discutindo a questão do etanol, de venda de aviões. O negócio é abrir o mercado. 

MM: Qual a forma mais simples para isso?

GA: O Brasil é favorável ao comércio exterior. O Mercosul já fez no ano passado acordo com Cingapura, podemos fazer com a União Europeia, enfim, agora é abrir mercado, colocar o produto brasileiro lá fora, ter complementaridade econômica. Veja o caso do aço, nós somos o terceiro maior comprador do carvão siderúrgico dos Estados Unidos. Aí fazemos aqui o semielaborado, exportamos para os Estados Unidos e eles fazem o elaborado do aço. Há uma complementaridade na cadeia. O que nós devemos fazer é ver outras oportunidades de investimentos recíprocos e complementaridade econômica. É nisso que nós acreditamos e pelo qual vamos trabalhar.

MM: Fernando Henrique Cardoso disse uma vez que Marco Maciel era o vice dos sonhos de todo presidente. A cartilha de Maciel é muito parecida com a do senhor, de discrição e elegância. Quando exerce a presidência da República interinamente a gente quase não vê notícias a seu respeito, exatamente como agia Marco Maciel. O senhor chegou a conviver com ele?

GA: Eu tinha um grande carinho pelo Marco Maciel. Era meu companheiro de missa. Quando ele ia para São Paulo a gente se encontrava muito nas missas por lá. E o Marco Maciel tinha um espírito público e uma capacidade de trabalho impressionante. Sem falar que era muito bem-humorado

MM: Apagador de incêndios, não é? O ex-presidente Fernando Henrique dizia que ele era o bombeiro do Governo.

GA: Isso mesmo. E muito ponderado, além de excelente contador de histórias. Tenho duas para contar (rindo). Uma vez ele me relatou que estava numa reunião no interior de Pernambuco com vereadores e prefeitos. E ia falando com um por um, numa roda. Aí chegou num deles e perguntou “e você? ”. O rapaz respondeu “não, não, eu tô só expectorante” (risos). Marco também contou que um amigo dele plantou muito e ficou apavorado de não chover. Aí consultou vários outros órgãos técnicos e de pesquisa e todos disseram “não chove”. Desesperado, ele foi para a fazenda e chamou o Zé Dito, que estava lá há 30 anos. Zé Dito olhou para o céu, olhou de novo, e afirmou confiante: “vai chover, doutor, vai chover”. E ele, “mas como é que você tem tanta certeza? ”. Zé Dito respondeu: “é que se não chover, doutor, nós tá frito”. 

MM: Com relação a essa iniciativa ter partido do Senado, o Congresso saiu antes do Governo. Não deveria ter sido o contrário, de o Governo ser o primeiro a tomar essas medidas?

GA: Não, porque já existia a proposta no Senado. Essa proposta começou a ser estudada quando a União Europeia começou a estabelecer restrições ao Agro em relação a fatores ambientais, com medida protecionista. Iniciou-se um trabalho no Senado para a questão ambiental, para evitar punições por parte da UE ao agro brasileiro nessa questão ambiental.  E como já havia esse projeto andando, ele foi aperfeiçoado, com a colaboração do Governo, e foi feita uma boa legislação aprovada pelo Senado e aprovada em 24 horas pela Câmara dos Deputados.

Betânia Santana/ Folha de Pernambuco – Como o Brasil vai se comportar daqui por diante na sua relação com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump?

GA: Nossa relação com os Estados Unidos completa agora em 2025, 200 anos. Então nós temos dois séculos de amizade e parcerias. Temos 4 mil empresas americanas no Brasil prosperando, crescendo, empregando pessoas, gerando renda, tendo lucratividade. Então é uma parceria muito importante. Nós queremos aperfeiçoar isso e até ampliar essas possibilidades. Claro que os EUA têm um problema de déficit na balança comercial que nós reconhecemos. O Brasil tem superávit na sua balança comercial com o mundo: nós exportamos mais do que importamos.  Agora, com os EUA, eles é que têm superávit conosco. E dos dez produtos que nós mais exportamos deles, em oito, a alíquota de importação é zero. Então o Brasil não é problema para os EUA. Por isso fomos incluídos na tarifa menor, mas não achamos justo isso e vamos trabalhar para melhorar a situação.

MM: No Nordeste há uma grande preocupação por parte do setor de etanol. Como fica a situação?

GA: Quanto ao etanol, primeiro, nós somos os maiores produtores do mundo de etanol e açúcar. E o nosso etanol tem menor pegada de carbono, porque nós utilizamos energia renovável, eólica, solar e muita biomassa. Os EUA, que cobravam 2,5% na alíquota de importação, passou para 12,5%. Agora, se formos pegar o açúcar que nós exportamos para os EUA é 90% a alíquota de importação. Então temos de olhar o conjunto, porque quando olhamos o conjunto a nossa tarifa média de entrada de produtos dos EUA no Brasil é 2,73%. É baixa. O Brasil não é problema. Mas nessa questão do etanol, temos de analisar sempre etanol e açúcar. Não é uma coisa separada uma da outra. 

MM: Continua a tendência de crescimento do país no setor, então?

GA: O Brasil é um exemplo para o mundo de energia limpa. Quem tem 27,5% de etanol na gasolina? Além de nós, ninguém tem no mundo. Nós limpamos a gasolina, o combustível fóssil. Hoje, 90% da nossa frota é de motor flex. Em São Paulo, por exemplo, todo mundo põe álcool. Então somos um exemplo de desfossilização, de ajuda ao meio ambiente nesse aspecto. E podemos, com os EUA e a Índia, ter condições de mudar a querosene de aviões, que é muito poluente, pelo Combustível Sustentável de Aviação (SAF) gradualmente. Quem pode produzir ou o óleo vegetal ou o etanol para termos o SAF são esses três países. Então temos de trabalhar muito.

MM: O senhor e o ministro Fernando Haddad têm comandado a economia do Brasil. O que vocês dois têm alinhado juntos? A gente percebe que há muita coisa na economia que está dando certo, mas que não tem repercutido na popularidade do presidente Lula e nem no Governo. Por que isso está acontecendo?

GA: Primeiro, em relação ao Fernando Haddad, eu era governador de São Paulo e ele prefeito da capital paulista, e nós apesar de adversários, de disputarmos as eleições, sempre trabalhamos juntos e tivemos um bom relacionamento. Temos um fato bom e muito importante que vai ajudar no comércio exterior brasileiro que é a reforma tributária. A reforma acaba com o chamado crédito tributário, então ela vai desonerar totalmente o investimento e desonerar totalmente a exportação. Há um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que mostra que em 15 anos depois da vigência total da reforma, poderão ser aumentados em 14% os investimentos no Brasil e em 17% as exportações.

MM: E quanto às pesquisas de popularidade que não repercutem essas iniciativas?

GA: Quanto às pesquisas, nós estamos no meio do mandato. E tivemos no final do ano passado e começo deste ano dois fatos que impactam a inflação, especialmente a de alimentos. Primeiro o clima, que leva à queda da safra e aumenta o preço dos produtos. Em segundo lugar, o dólar, que impacta o preço de produção. Duas boas notícias são que este ano a expectativa do clima é muito boa e prevemos uma safra recorde, o que reduzirá o preço dos alimentos. A outra é que o dólar está caindo, o que também ajuda a reduzir a inflação e o preço da cesta de alimentos. E em terceiro lugar, nós zeramos o imposto de importação de dez produtos, a pedido do presidente Lula. Tanto que as pessoas já poderão perceber que em muitos produtos, o preço no supermercado já está caindo

MM: Em relação à questão do Pix, que contribuiu muito para a queda de popularidade do Governo, aquilo não foi um atropelo?

GA: Sim, inclusive foi uma coisa injusta, porque a medida que a Receita Federal estava tomando não era para aumentar imposto e nem criar tributo nenhum. Eram apenas instrumentos para acompanhamento e fiscalização que já existem, tanto é que acabou sendo anulado o ato. Mas você tem hoje um fato que é a rapidez da comunicação. Por isso precisamos ficar sempre atentos à questão da comunicação, prestar contas constantemente, ter absoluta transparência e dizer sempre a verdade para a população. Mário Covas costumava dizer “o povo não erra”.

Tiago Gomes/ Gazeta News: O partido do senhor tem nos seus quadros figuras importantes que possuem projeção nacional, como o prefeito do Recife João Campos. Como o PSB vai se encaixar nas eleições de 2026?

GA: Em relação a João Campos, fui governador no mesmo período do pai dele, Eduardo Campos, que era uma figura cativante, bom gestor e bom governador. E João Campos herdou do pai e também da mãe, Renata, essa vocação para a vida pública. Eu sempre estimulei os jovens para participarem desde cedo da política. Então quando vemos um jovem, engenheiro, que se elegeu deputado federal extremamente jovem, se elege prefeito da capital e faz um mandato reconhecido, sabemos que ele tem uma avenida pela frente, está fazendo um bom trabalho. Por isso, é um nome natural para alçar cargos maiores. Quem é prefeito de capital já é candidato a governador naturalmente. Quem foi reeleito, está em segundo mandato, mais ainda. E quem foi reeleito com quase 80% dos votos, mais ainda. Mas tudo tem seu tempo. Isso é mais na frente.

MM: O senhor tem projeto de voltar a ser governador de São Paulo?

GA: Eu fui governador quatro vezes, tentei duas vezes ser presidente da República. Esse nosso país é apaixonante, é o quinto maior país do mundo em expansão territorial, com reservas naturais diversas, agricultura e indústria muito competitivas, está entre as dez maiores economias do mundo. Eu conheço bem o Brasil. Estou muito feliz trabalhando ao lado do presidente Lula, colaborando no que posso e à frente do Ministério da Indústria e Comércio. Quem no ano passado empurrou o PIB [Produto Interno Bruto] para 3,4% foi a indústria da transformação, que cresceu 3,8%, e está fazendo a diferença, inclusive em Pernambuco. 

Filipe Clisman/A Notícia do Ceará: No nosso estado o PSB se tornou principal partido das bases desse arco de alianças que governa o Ceará e isso é visto como um fator muito positivo, já que existe essa parceria entre o PSB e o PT. Queria saber se essa parceria pode ser vista nacionalmente em 2026. O senhor integrará a chapa com Lula outra vez, como candidato a vice-governador no ano que vem?

GA: Quero destacar muito a liderança do ex-governador e senador Cid Gomes no Ceará e sei que o PSB cresceu bastante no estado. Sobre o quadro nacional, é natural a candidatura do presidente Lula. Ele é o único brasileiro que é presidente pela terceira vez, então o candidato natural é o presidente Lula, que tem experiência, tem liderança. Se você for olhar nas pesquisas, mesmo nas que aparecem citadas aqui, ele continua como favorito. Agora nós devemos ver isso com humildade. O Governo pode melhorar muito com experiência, com novas medidas, com o controle da inflação. Mas o Governo trabalhou e trabalhou rápido. A inflação é importantíssima, não é algo socialmente neutro, então é importantíssimo que seja controlada e evitada. E acredito que todas as medidas para isso estão sendo tomadas.

MM: No Congresso há muitas reclamações de que Lula, ao contrário dos governos anteriores, não está fazendo política. Tem passado o final de semana com a família. Antes se dizia que a comunicação não estava bem, mas mudou o ministro da Secom e o Governo não está sendo bem avaliado. A que o senhor atribui isso?

GA: Você se referiu ao Congresso. Nós temos um vácuo que com o tempo vai ser corrigido, poderia ser mais rapidamente corrigido com a reforma política, que é o excesso de partidos políticos. Então essa fragmentação partidária muito grande, quase 30 partidos, dificulta a governabilidade. De Gaulle (ex-presidente francês Charles de Gaulle) dizia: “A França é difícil de ser governada porque tem muitos tipos de queijo e muitos partidos políticos”. Com a cláusula de barreira, de desempenho, isso vai reduzir. Na próxima eleição vamos ter menos partidos, na outra teremos menos ainda. Não é nem partido, temos cinco federações partidárias, porque temos partidos que são simplesmente cartórios. Mas o presidente aprovou tudo no Congresso. Reforma tributária, num período democrático, não é fácil de ser aprovada. Então o Governo tem tido sim, diálogo. Esse é o caminho, fazer o diálogo. O presidente viajou ao Japão, levou os presidentes da Câmara e do Senado e os ex-presidentes das duas Casas. Então ele tem feito uma aproximação. Mas é natural que aconteçam períodos de divergências em determinados pontos, ninguém precisa pensar igualzinho. O que também é bom, porque a divergência é positiva. 

MM: As pessoas costumam dizer que governo bom é aquele em que a economia roda, o dinheiro circula no bolso do povo. Será que nesse Governo não está faltando isso? Não se está fazendo a economia girar?

GA: A economia cresceu. Em 2023 cresceu 3,2%. Hoje, quando se cresce 3% isso equivale a 4% no passado. O mundo não vive o seu melhor momento, tivemos duas guerras. No ano passado crescemos 3,4% e tivemos o menor desemprego da série histórica nas últimas duas décadas. E melhorou a massa salarial. Por que se vendeu mais geladeira, fogão, máquina de lavar? Porque as pessoas estão ganhando mais e comprando mais. Agora a inflação e o clima atrapalharam no fim do ano. O Governo agiu rápido com as medidas adotadas e estamos esperando que o clima ajude também

MM: O senhor falou na reeleição de Lula, que ele é candidato natural à reeleição. E Geraldo Alckmin segue na vice?

GA: Para a vice, você é convidado. Eu fui convidado na eleição anterior, fiquei muito honrado, trabalhamos juntos e fizemos a diferença. Quer dizer, em São Paulo a redução da diferença de 2018 para 2022 foi fundamental para a eleição. E o mais importante: salvamos a democracia. Isso é um fato. A democracia brasileira estava em risco. Eu iniciei minha modesta vida pública como vereador em Pindamonhangaba, ainda estudante de medicina, o vereador não ganhava um centavo. Era uma honra você trabalhar pela sua cidade. Depois fui prefeito seis anos da minha cidade com um objetivo, que era ajudar na redemocratização do Brasil. Tínhamos dois partidos, Arena e MDB e eu fui sempre MDB, até ser um dos fundadores do PSDB. A democracia é o povo que decide, ele é o protagonista. As ditaduras suprimem a liberdade em nome do pão. Não dão o pão que prometeram e nem a liberdade que tomaram. Então nós vamos fortalecer a democracia.

Cabo de Santo Agostinho - IPTU 2025 prorrogado

Mais de 80 escolas no Brasil são contempladas com melhorias na infraestrutura pela Dulino, sistema de ensino que vem ganhando destaque no cenário educacional brasileiro. Para conseguir implementar suas metodologias, a empresa precisou ir além das suas obrigações contratuais e investir na infraestrutura das escolas.

O sistema de ensino atua principalmente em escolas públicas que, muitas vezes, carecem de estrutura física adequada. Isso ressalta que os esforços para melhorar a educação no país vão além do que é ensinado em sala de aula, mas como a sala e a escola de modo geral estão preparadas para receber seus alunos.

Infraestrutura como necessidade

Embora o objetivo da Dulino seja oferecer educação de excelência por meio de metodologias centradas no professor e no aluno, além de tecnologias de ponta, a preocupação com a infraestrutura escolar tem se mostrado uma necessidade recorrente.

A empresa tem se comprometido a resolver problemas que poderiam prejudicar o andamento das aulas, mesmo que ultrapasse suas obrigações contratuais. Desde questões de climatização e conforto térmico até problemas elétricos e a falta de mobília como mesas e cadeiras, o sistema de ensino tem investido para que os alunos recebam a melhor educação possível.

Esse é um desafio ainda maior em escolas localizadas em regiões remotas do país, onde a Dulino tem levado educação de qualidade, mas interferido diretamente em questões de infraestrutura para garantir as condições ideais de aprendizagem.

Um olhar além do ensino

Raphael Gadelha, CEO da Dulino, ressalta que a empresa adota uma postura proativa para garantir que a infraestrutura não comprometa a qualidade das aulas.

“Quando identificamos que a infraestrutura da escola pode prejudicar o ensino, nós tomamos a frente e resolvemos. Sabemos que problemas como a falta de climatização, cadeiras inadequadas ou a ausência de equipamentos impactam diretamente a qualidade das aulas, e nosso objetivo é garantir que isso não aconteça”, explica.

Esse cenário destaca que para implementar avanços reais na educação, não basta otimizar o conteúdo que é ensinado e os métodos de aprendizagem. A melhoria da educação passa, também, pela análise e intervenção nas condições estruturais das escolas.

A infraestrutura escolar tem um papel fundamental no processo de ensino-aprendizagem. Um ambiente inadequado pode prejudicar a concentração dos alunos, dificultar a dinâmica das aulas e impactar o bem-estar de todos os envolvidos.

Ao ir além do esperado e tomar a frente na resolução de problemas de infraestrutura, a Dulino demonstra que, para garantir um ensino de qualidade, é necessário oferecer não só ferramentas pedagógicas inovadoras, mas também ambientes físicos que favoreçam o aprendizado e o desenvolvimento integral dos estudantes.

Toritama - Prefeitura que faz

Jogo de “perde e perde” no MDB de Pernambuco

Por Larissa Rodrigues
Repórter do blog

Como ensina a sabedoria popular, há três coisas na vida que não voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. As duríssimas palavras trocadas por meio da imprensa, ontem (4), por membros do MDB de Pernambuco mais pareceram flechas e chocaram o meio político estadual.

A avaliação entre alguns integrantes do partido é de que será difícil reverter o estrago nas relações. Além disso, a briga pública teria se tornado um “jogo de perde e perde”, ou seja, ruim para todos os lados. Na próxima semana, caberá ao presidente nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi, tentar acalmar os ânimos na sigla, em reuniões em Brasília.

Era por volta das 10h45 quando o filho e herdeiro político do ex-governador e ex-senador Jarbas Vasconcelos, Jarbas Filho — ou Jarbinhas, como é mais conhecido — divulgou uma nota. No texto, o pai formalizou apoio, pelo comando do MDB no Estado, ao grupo de Jarbinhas e do senador Fernando Dueire, suplente do ex-senador.

Pouco tempo depois, o atual presidente estadual da legenda, Raul Henry, que é secretário de Relações Institucionais da Prefeitura do Recife, reagiu. Aliado de Jarbas Vasconcelos durante toda a vida pública dos dois, Henry acusou Jarbinhas de explorar a imagem do pai para se beneficiar.

“Quando Jarbas resolveu se retirar da vida pública, foi, lamentavelmente, por estar incapacitado de nela permanecer. É de conhecimento público que suas condições de saúde o impossibilitam de fazer avaliações dos fatos políticos. Explorar a imagem de um homem com sua história, nessas circunstâncias, é uma das maiores indignidades que Pernambuco já viu. Jarbas não merece isso!”, disparou Raul Henry.

O secretário completou: “Ninguém vai apagar minha trajetória ao seu lado, marcada pela lealdade e pelo companheirismo ao longo de 35 anos, sobretudo nos momentos de maior adversidade. Tenho absoluta convicção de que a opinião pública de Pernambuco e as companheiras e companheiros do MDB do Estado irão repudiar esse ato fraudulento, indecente e de falta de respeito com um dos maiores líderes da nossa história”, concluiu Henry.

A resposta de Jarbinhas veio em seguida. “É no mínimo estranho o comportamento do ex-deputado Raul Henry. Ele permaneceu na presidência do partido por uma homenagem respeitosa que deve existir entre companheiros, isso depois de perder as eleições para deputado federal. No entanto, sua nota à imprensa revela profunda ingratidão ao ex-governador Jarbas Vasconcelos, que sempre teve gestos de acolhimento e assistência ao ex-deputado, e também não o autoriza a agredir descaradamente pessoas portadoras de sólidos conceitos e que sempre receberam forte confiança de meu pai”, disse o deputado estadual.

O parlamentar ainda acusou Raul Henry de receber cargos no Governo Raquel Lyra (PSD) e, logo depois, “trocá-los por posições de melhor vantagem pessoal na Prefeitura do Recife”. “Esse é o retrato de sua história, um usurpador que sempre trabalhou para se promover às custas de Jarbas”, afirmou Jarbas Filho. O deputado ainda desautorizou Henry a falar em 2026 em nome do MDB. “Existem parlamentares com mandato que, no tempo oportuno e adequado, deverão tratar desse assunto ao lado de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e outras lideranças partidárias filiadas ao MDB. É triste vê-lo desesperado e de máscara caída, desnudada pela ingratidão já precificada por muitos”, concluiu.

DISPOSIÇÃO PARA O EMBATE – Após a nota do deputado estadual Jarbas Filho, Raul Henry não mais respondeu. Mas, em conversa com este blog, afirmou que a situação será resolvida no voto. “Vamos disputar voto na convenção. Vamos combinar, semana que vem, com o presidente Baleia Rossi a data”, comentou. Henry reafirmou sua decepção com o movimento de Jarbinhas. “Achei uma falta de respeito com Jarbas, e vários amigos próximos dele (do ex-governador) me ligaram dizendo que foi um absurdo. Não poderia me calar. Quero morrer sem perder a capacidade de me indignar”, enfatizou Henry.

A origem do mal-estar – O clima difícil entre Raul Henry e Jarbas Filho pode ter iniciado nas eleições de 2022. Algumas fontes revelaram ao blog que existiu uma decepção de Jarbinhas pelo fato de Henry não ter se empenhado de forma incisiva para montar uma chapa do MDB para deputados estaduais, o que provocou a ida do filho de Jarbas para o PSB, onde disputou a vaga na Assembleia Legislativa. Naquele ano, Henry disputou uma vaga federal, mas quem foi eleita foi a deputada Iza Arruda. O movimento de Jarbinhas e Dueire, ontem, seria uma tentativa de evitar que o mesmo ocorra em 2026, por isso tentam assumir o comando da legenda para organizar melhor a montagem das chapas.

Raquel e João, a outra questão – O outro pano de fundo do clima tenso no MDB de Pernambuco é que um lado quer se manter na base do prefeito do Recife, João Campos (PSB), e o outro tende a se unir à governadora Raquel Lyra (PSD). Raul Henry e o prefeito de Vitória de Santo Antão, Paulo Roberto, pai da deputada federal Iza Arruda, querem manter o MDB com João. Já o senador Fernando Dueire talvez encontrasse, na chapa de reeleição de Raquel Lyra, um espaço para renovar o mandato de senador, apoiado por Jarbinhas.

Por falar em João Campos – Se João Campos não tomar cuidado, pode sobrar pra ele. Articulação política é prioridade para quem quer disputar uma vaga majoritária, como ele vem demonstrando que quer. Nesse sentido, observando a política pernambucana, pode até parecer uma coincidência, mas um olhar mais atento percebe que a jogada do prefeito de tirar Aldemar Santos, o Dema, da articulação política e colocá-lo na Alepe não foi boa, não. Depois que Dema saiu, o clima na gestão mudou “do vinho para a água”: oposição sem controle na Câmara do Recife; demonstração de “falhas” na gestão da saúde; saída de Fred Amâncio de modo repentino e inesperado, por mais que a justificativa tenha sido a ida para a iniciativa privada; crise no MDB, com o secretário Raul Henry envolto numa polêmica com Jarbinhas. Ainda dá tempo de dar um freio de arrumação, mas é preciso estar atento.

Caiado candidato – O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), anunciou, ontem, sua pré-candidatura para a Presidência da República nas eleições de 2026. Em discurso no Centro de Convenções de Salvador, na Bahia, ele definiu o momento como “um dos mais importantes de sua vida”. Sua chegada no palco ocorreu ao som do jingle “Coragem para mudar, coragem para fazer, um grande coração, Caiado por você”, e o pré-candidato foi anunciado como “o governador da ética, da moral e da transparência”.

CURTAS

Mais um evento bom para João – Hoje tem mais um congresso do PSB, desta vez estadual. Os eventos municipais, na semana passada, foram excelentes oportunidades para João Campos lançar seu nome na corrida pelo Estado, em 2026. Hoje, a legenda vai eleger os membros do Diretório, da Comissão Executiva Estadual e das Comissões Executivas dos segmentos. A militância se reúne às 8h, no Auditório da Unibra (Campus 2), na Boa Vista, no Recife. O encontro será dedicado a José Patriota, falecido em setembro do ano passado. O ato terá a presença do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira.

Ninho tucano sob nova direção – O deputado Álvaro Porto (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), esteve ontem na sede do partido, no bairro do Derby, no Recife, para sua primeira agenda como presidente estadual da legenda. A visita ocorre após sua nomeação pela Executiva Nacional, que determinou a reorganização da sigla no Estado. “Como determinou a Executiva Nacional, já começamos a agir para reorganizar o partido para futuras disputas em Pernambuco”, afirmou Porto.

Contra a PEC – A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) e diversas entidades representativas do setor produtivo do Estado assinaram um manifesto que demonstra a preocupação da categoria com a PEC de autoria do deputado Alberto Feitosa (PL), que prevê a elevação de 1,2% para 2% do montante da Receita Corrente Líquida destinado à execução de emendas parlamentares. “Representantes do setor produtivo pernambucano manifestam preocupação com a proposta em debate na Alepe, que acarretará, a curtíssimo prazo, na elevação da parcela de recursos públicos cuja aplicação será definida de forma fragmentada, implicando na diluição de parte da capacidade de investimento do Estado”, expõe o manifesto.

Perguntar não ofende: como Baleia Rossi vai resolver a rachadura no MDB de Pernambuco?

Palmares - Pavimentação Zona Rural

A Advocacia-Geral da União (AGU) publicou nesta sexta-feira um parecer que oficializa estrutura no Palácio do Planalto para bancar as atividades da primeira-dama. O texto define regras de publicidade e transparência tanto no dia a dia quanto nos gastos de viagens internacionais de Janja da Silva. Há a ressalva, porém, de que informações relativas “à intimidade” e “segurança” não serão divulgadas.

O texto é inédito e vale para todos os cônjuges do presidente da República, com previsão de prestação de contas de deslocamentos e o uso de recursos público. As informações são do Jornal O Globo.

Segundo as regras elaboradas pela AGU, os dados sobre despesas e viagens serão divulgados no portal da transparência. A divulgação da agenda de compromissos públicos da primeira-dama também terá que ser pública.

Mas há uma exceção: “Deve ser examinada, caso a caso, a eventual incidência de restrição constitucional ou legal de acesso às informações, como em razão de segurança ou proteção de intimidade”.

O parecer também determina que a atividade da primeira-dama é voluntária, ao mesmo tempo que libera a capacidade de representar, em certa medida, o presidente da República. Isso ocorrerá por meio de “papel simbólico”, em eventos políticos, culturais ou diplomáticos.

Elaborado por ordem do Palácio do Planalto, o texto da AGU prevê os limites da atuação do cônjuge do presidente da República em eventos nacionais e internacionais.

— Agora, os ritos administrativos estão devidamente organizados com a divulgação do parecer. Janja sempre se destacou por conduzir suas atividades públicas com atenção, compromisso e transparência. É importante destacar que o parecer não se refere a ela especificamente, mas sim orienta a administração pública sobre como lidar com as funções de interesse público exercidas pelo cônjuge do Presidente da República. Trata-se de uma iniciativa inovadora e de suma importância para a Presidência da República — diz o advogado-geral da União, Jorge Messias.

A Constituição não trata sobre o papel da primeira-dama nem dá limites, direitos e deveres sobre as funções do cônjuge do presidente. Um dos pressupostos principais que embasa a análise da AGU é o de que, em um país democrático, é fundamental que haja definição mais clara sobre o papel do cônjuge presidencial no âmbito da administração pública.

Liderado pelo ministro, Jorge Messias, o parecer é mais um movimento do “bunker de proteção” à primeira-dama. Como mostrou O GLOBO, o governo montou um grupo informal para tentar blindá-la e oferecer uma estratégia jurídica e política, ante o diagnóstico de que Janja virou alvo preferencial de ataques da oposição.

O grupo é formado pelo ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, e o grupo de advogados do Prerrogativas.

Por Blog da Folha

Com o objetivo de eleger os membros do Diretório, da Comissão Executiva estadual e das Comissões Executivas dos segmentos, o PSB reúne a militância neste sábado (5), às 8h, no Congresso Estadual do partido. O evento será dedicado a José Patriota, falecido em setembro do ano passado.

O ato terá a presença do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, do prefeito do Recife e vice-presidente nacional da sigla, João Campos, e de outras lideranças.

Anteriormente, a legenda já havia realizado congressos regionais e municipais. Para o presidente do PSB de Pernambuco, deputado Sileno Guedes, que é candidato a mais um triênio à frente do partido, o Congresso Estadual vai reafirmar a força da legenda.

“Por conta de algumas manobras confusas de quem hoje ocupa o poder estadual, Pernambuco está vivendo um período de instabilidade política. Enquanto isso, do lado de cá, junto com a nossa maior liderança, que é o prefeito João Campos, nossa militância fez bonito nos congressos regionais e municipais e vai novamente se reunir, agora no Congresso Estadual, para falar de futuro e de esperança para o nosso estado”, afirmou.

Além dos membros do Diretório, da Executiva e da direção dos segmentos, serão eleitos os delegados e delegadas que representarão Pernambuco no Congresso Nacional do partido, marcado para 30 e 31 de maio e 1º de junho, em Brasília.

Na ocasião, o prefeito João Campos deverá ser eleito presidente nacional do PSB, posição também já ocupada por seu bisavô, o ex-governador Miguel Arraes, e por seu pai, o ex-governador Eduardo Campos.

Homenagem
O homenageado do Congresso Estadual do PSB, José Patriota, era um militante histórico do partido e se destacou na defesa do municipalismo, especialmente durante seu trabalho à frente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe).

Patriota também foi homenageado, no último domingo (30), durante o Congresso Regional do PSB em Afogados da Ingazeira, município do qual foi prefeito por dois mandatos.

O deputado federal Coronel Meira (PL-PE) protocolou, nesta semana, o Projeto de Lei 1493/2025 na Câmara dos Deputados, propondo restrições ao uso de tornozeleira eletrônica. A proposta proíbe a imposição do equipamento a cidadãos acusados de crimes contra a honra, a atos antidemocráticos de natureza verbal ou virtual, inclusive quando se tratar de detentores de cargos eletivos. A medida, segundo o parlamentar, visa preservar os princípios constitucionais da razoabilidade e da liberdade de expressão.

Coronel Meira argumenta que a ausência de uma legislação específica sobre a monitoração eletrônica tem levado à aplicação indiscriminada da medida por parte do Judiciário, inclusive em situações que, segundo ele, não apresentam ameaça concreta à ordem pública. “O uso indiscriminado desse dispositivo representa uma afronta ao devido processo legal e um perigoso precedente para a criminalização da liberdade de expressão e da legítima atividade política”, afirmou o deputado.

Na avaliação do parlamentar, o uso da tornozeleira deve se restringir a casos de maior gravidade, como instrumento de controle para indivíduos que apresentem periculosidade real. “Não pode ser um meio de coerção indireta contra opositores ideológicos ou indivíduos que expressam opiniões dissidentes”, completou Meira. O projeto agora aguarda a tramitação nas comissões temáticas da Casa.