Os supremos interesses esquecidos

Por Márcio de Freitas*

O desnudar das instituições presenciado nesta semana pelo cidadão brasileiro revela o distanciamento profundo entre representantes e seus representados. É um dos fenômenos contemporâneos que enfraquece as democracias e o Estado. As capas pretas dos ministros do Supremo Tribunal Federal rodaram mais que as baianas do candomblé, despejando pimenta ardida sobre o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que exerceu sua prerrogativa parlamentar de votar numa matéria em tramitação no Congresso. Um senador votar de acordo com sua convicção deveria ser coisa normal, mas descobriu-se que ele deve obedecer à determinação de uma sentença que paira onipotente sobre todos brasileiros.

Esta é uma comédia de erros que Shakespeare jamais sonhou escrever numa noite quente de verão. As alegres comadres de Brasília decidiram apressar a sucessão das Mesas Diretoras e avançaram em alianças e conchavos para votar determinadas matérias que atendem ao interesse de grupos específicos. É o interesse individual de sentar numa cadeira única movendo projetos de impacto geral, ameaçando criar crises institucionais que podem mandar o interesse coletivo para junto das botas de Judas. Esta é a motivação inicial do espetáculo semanal de Brasília.

Os conservadores que deixaram o poder juntamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro, sempre tiveram o Supremo como alvo de sua ira. Elevada exponencialmente após a campanha eleitoral de 2022, e que transbordou em 8 de janeiro deste ano no quebra-quebra de Palácios e tentativas de assassinar perigosas obras de arte. Querem limitar poderes da Corte maior, abrindo caminho para se chegar a cassar mandatos de ministros do STF. Começaram agora por baixo, ao propor Emenda à Constituição limitadora do procedimento de vistas e impedir que ministro possa suspender monocraticamente decisão de chefe de outro Poder. Como a sucessão do Senado já começou um ano antes da hora, esse grupo bolsonarista enxergou a oportunidade de fortalecer um nome na disputa que permita a continuação da batalha com o Judiciário, incomodando ainda o governo ao qual é oposição.

Por sinalizar o fortalecimento de um nome para a sucessão no Senado, o grupo demonstra capacidade de influenciar no jogo da Casa Alta para criar um presidente independente do governo. Seria uma versão de Arthur Lira do Senado. E esse papel caberia em Davi Alcolumbre, que foi próximo de Bolsonaro no começo de seu mandato, mas se distanciou no fim e acabou nas graças do PT em 2022, com rara habilidade e senso de oportunidade. Nessa jogada, os bolsonaristas usaram a tese legítima que acabou tendo o voto do líder do governo no Senado, Jaques Wagner.

A reação veio envenenada como uma espada hamletiana. Após aprovação da matéria no plenário do Senado, ouviram-se os tambores da guerra entre bravatas, frases de efeito, ameaças veladas e explícitas, recados duros como o mármore do Palácio da Justiça. Julgamentos de interesse do governo podem ser atrasados, enquanto matérias que podem prejudicar as contas públicas podem entrar na pauta. Coisas de assustar até as tradicionais famílias italianas da Sicília.

Brigam aqueles que não têm razão com os que perderam o juízo. O próprio Supremo vinha limitando os pedidos de vista, e a questão de decisões monocráticas passou a ser questionada internamente. São dois procedimentos nefastos à democracia: foram usados recentemente para objetivos nada nobres e criaram crises artificiais e que foram revistas em Plenário pelo próprio STF. Vistas indefinidas serviram a interesses corporativos do próprio Judiciário e outros casos foram de uma duvidosa espera de momentos adequados para conseguir uma composição de corte mais adequada a obter a concordância dos companheiros de toga. Decisões exorbitantes limitaram atos legítimos do Congresso e do Executivo, de maneira autoritária e antidemocrática.

Se o próprio Supremo está ciente da necessidade de limites, que mal há na PEC do Senado? Talvez porque se enxergue a abertura de uma seara que pode abrir nova senda para se explorar novos limites futuros. Inclusive limites de gastos, que somente o Poder Executivo é obrigado a respeitar. Outros temas polêmicos, como limitar tempo de mandato de ministro do STF ou um impeachment de integrante da Corte, enfrentam muito mais resistência do que sugerem as vãs aparências. 

Há muito barulho que poderia ser por nada, mas acaba sendo por tudo, até pelo reino sem cavalo, sem teto, sem emprego. O Supremo não admite que suas prerrogativas sejam tocadas. Risca o chão com frases de lava derretida, quem passar se queima. E o país arde sem que os problemas mais urgentes, reais e que permanecem intocados sejam realmente debatidos com a mesma paixão e ardor. No Brasil, os interesses corporativos ou individuais são muito maiores que os coletivos.

*Analista político

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Pré-candidata à reeleição, a prefeita de Canhotinho, Sandra Paes, vai assinar a ficha de filiação ao partido Republicanos, no próximo dia 10 março. A chegada à nova legenda será marcada por evento festivo no pátio da antiga fábrica da Mucuri, no centro de Canhotinho, a partir das 16h.

O evento contará com as presenças do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto, do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, do presidente estadual do partido e superintendente adjunto da Codevasf, Samuel Andrade, e de lideranças políticas do Agreste e de outras regiões do estado.  Sandra Paes está se desvinculando do PSDB. A escolha do dia 10 não é aleatória. Dez é o número de identificação do Republicanos na Justiça Eleitoral.

O União Brasil publicou uma nota, no final da tarde de hoje, na qual confirma a eleição de Antônio Rueda como novo presidente da sigla. No documento, o partido diz que “a realização do pleito foi uma demonstração do compromisso democrático e republicano da legenda” e que “as eleições para a executiva nacional seguiram rigorosamente as diretrizes do estatuto do partido”.

Rueda substitui Luciano Bivar, que comandava o partido desde a fusão do antigo DEM com o PSL. Bivar estava isolado, sem contar com apoio dos governadores da sigla. As informações são do portal O Antagonista.

A eleição desta quinta aconteceu após um embate entre esses grupos. No início da manhã, Bivar, ainda na condição de presidente do União, cancelou a convenção nacional do partido que iria formalizar Rueda na sucessão. Um dia antes, ele havia ameaçado entrar na justiça com denúncias contra Rueda. Ele, no entanto, não apresentou as provas. Confira a íntegra da nota divulgada pelo União Brasil

Comunicado Oficial

A nova diretoria do União Brasil, eleita democraticamente nesta quinta-feira (29/2), vem a público agradecer o apoio dos filiados e delegados do partido. A realização do pleito foi uma demonstração do compromisso democrático e republicano da legenda, que está comprometida com o desenvolvimento econômico e social do país dentro de uma ótica liberal, transparente e pautada na ética e na legalidade.

As eleições para a executiva nacional do União Brasil seguiram rigorosamente as diretrizes do estatuto do partido. A chapa eleita teve a totalidade dos votos apurados, o apoio dos filiados e dos mais de 50 deputados, oito senadores e os quatro governadores do partido, demonstrando a unidade e a firmeza de propósitos do União Brasil.

O partido vai se manter na busca por soluções concretas para a vida dos brasileiros, defendendo a população, o Estado, a democracia e a liberdade. Além disso, a nova diretoria vai dedicar esforços incansáveis na promoção do livre debate de ideias no âmbito dos Três Poderes. O Brasil livre, próspero e justo é um objetivo real por meio do esforço de todos.

A democracia foi fundamental para nossa evolução, permitindo avanços econômicos e sociais. O União Brasil é uma força coletiva formada para promover o diálogo construtivo e trabalhar em prol de um Brasil melhor. Juntos unidos, vamos alcançar a nação que sonhamos para as futuras gerações.

Antônio de Rueda Presidente eleito do União Brasil

Abaixo, a lista completa da nova Executiva Nacional:

Presidente – Antonio Eduardo Gonçalves de Rueda

1° Vice-Presidente – Antonio Carlos Peixoto de Magalhaes Neto

2° Vice-Presidente – Pedro Lucas Andrade Fernandes Ribeiro

3° Vice-Presidente – Elmar José Vieira Nascimento

4° Vice-Presidente – Moses Haendel Melo Rodrigues

5° Vice-Presidente – Ronaldo Ramos Caiado

6° Vice-Presidente – Marcio Correia de Oliveira

7° Vice-Presidente – Efraim de Araújo Morais Filho

8º Vice-Presidente – Milton Leite da Silva

Secretário-Geral – David Samuel Alcolumbre Tobelem

Secretário-Geral-Adjunto – José Agripino Maia

Tesoureira – Maria Emilia Gonçalves de Rueda

Tesoureiro-Adjunta – Fabio Luiz Schiochet Filho

Membros

Maria Auxiliadora Seabra Rezende

Fábio Gonçalves de Rueda

Bruno Soares Reis

Alexandre Leite da Silva

José Juscelino dos Santos Rezende Filho

Celso Sabino de Oliveira

José Mendonça Bezerra Filho

Wilson Miranda Lima

Pauderney Tomaz Avelino

Marcos José Rocha dos Santos

Paulo Velloso Dantas Azi

Wagner Souza Gomes

Luiz Henrique Mandetta

Antonio Carlos Nicoletti

José Marcos de Moura

Manoel Coelho Arruda Junior

Mauro Mendes Ferreira

Fausto Vieira dos Santos Junior

Paulo Eduardo da Costa Freire

Rosiane Modesto de Oliveira

Maria das Graças Landim de Carvalho Caiado

Murilo Gouvea Rodrigues

Suplentes

Paulo Faria do Vale

Fernando Bezerra de Souza Coelho Filho

Gean Marques Loureiro

Sérgio Fernando Moro

Fabio Paulino Garcia

Mayr Maranhão Lapenda Neto

Alfredo Gaspar de Mendonça Neto

Luis Felipe Bonatto Francischini

Rodrigo Santana Valadares

Andre Luis Dantas Ferreira

Maurício Fonseca Ribeiro Carvalho de Moraes

Jaboatão dos Guararapes - Dengue 2024

Soube que em Surubim a prefeita Ana Célia (PSB) já bateu o martelo: a pré-candidata do seu grupo ao Governo municipal será uma mulher, a vereadora Véia de Aprigio, do mesmo partido. A vice, segundo se especula, também será mulher, a vereadora Ivete do Sindicato.

São apontadas como mulheres guerreiras, com forte atuação na área social. Em Surubim, a avaliação da atual gestão supera a casa dos 70% na soma do ótimo com o bom. A cidade virou um canteiro de obras e, hoje, ocupa a 18ª economia do Estado.

Véia de Aprigio e Ivete, juntas, segundo uma fonte, estão construindo a unidade na base da prefeita, tendo já o aval do vereador Bomba, presidente da Câmara, e o deputado Rodrigo Farias. Véia tem histórico no PSB. Era a queridinha de Eduardo Campos e tem trânsito em todas as correntes da legenda.

Petrolina - Bora cuidar mais

Hoje, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, acompanhou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a participação na 46ª Conferência de Chefes de Governo da Comunidade do Caribe (Caricom), realizada na Guiana. A comitiva contou ainda com os ministros Renan Filho (Transportes), Waldez Goes (Integração) e Simone Tebet (Planejamento).

O evento teve como foco a discussão de temas relevantes, como integração regional por meio dos portos e aeroportos, além das hidrovias que podem atender à Rota Ilha das Guianas. O objetivo principal é fortalecer os laços e contribuir para o desenvolvimento conjunto econômico e social na região do Caribe.

“O que propomos a todos é tornar os portos verdadeiras Plataformas de Integração Regional em termos de logística, indústria, comércio, turismo, cultura e tudo o que necessita para o Desenvolvimento Regional da América do Sul”, destacou Silvio Costa Filho, durante a reunião bilateral com a primeira-ministra de Barbados, Mia Amor Mottley.

O ministro apresentou os grandes portos e aeroportos, assim como as hidrovias que podem atender a região, todos temas de interesse bilateral. Ele ainda destacou que o Governo Federal tem trabalhado fortemente para definir o modelo de concessão hidroviário, algo inédito no Brasil, o que permitirá a exploração sustentável desses ativos estratégicos.

A exemplo dos portos, os aeroportos são componentes da Plataforma de Integração Regional. Linhas internacionais entre os países, serviços customizados, canal verde para as operações de comércio exterior, operadores logísticos autorizados, terminais logísticos, são algumas das propostas apresentadas ao governo da Guiana.

“Colocando lado a lado o que temos em orçamento público e em pipeline com o setor privado, para a Rota 1 – Ilha das Guianas, são quase R$ 6,5 bilhões ou US$ 1,3 bilhão”, destacou Silvio Costa Filho.

Ipojuca - App 153

O advogado Antonio Rueda anunciou que venceu a eleição para presidência do União Brasil, hoje. Ele concorreu contra o atual presidente da sigla, Luciano Bivar, após uma campanha marcada por ameaças e até um dossiê. Segundo parlamentares, o placar foi de 30 a 0, o que indica que adversários de Rueda não participaram da escolha – no total, eram 40 votantes. O ex-prefeito de Salvador ACM Neto foi escolhido o primeiro vice-presidente da sigla.

Após o anúncio, Bivar disse que a eleição não teve valor legal. “A convenção foi anulada estaturiamente. Como a eleição foi viciada, teve uma série de problemas, ela não tem nenhum efeito prático, nem administrativo nem legal. Então, eu dizer que vou à Justiça por algo que não existe… Não tem nenhum efeito prático isso”, disse Bivar em entrevista ao portal O Globo.

A campanha foi marcada por ameaças e até um dossiê. Na quarta-feira, Bivar deu uma entrevista coletiva com envelope escrito “denúncias”, mas, durante o encontro, não apresentou provas do que teria contra o adversário. Ao seu lado, estavam poucos aliados, o que reforça o cenário de isolamento no partido.

Pressionado, Bivar também falou que os advogados do partido estavam analisando a formação das chapas para saber se a eleição seria realizada. “As chapas ainda não foram examinadas em suas minúcias. Então, a gente não pode dizer ainda dessa situação, com relação a posicionamento do partido a respeito da legalidade das chapas”, disse Bivar.

De acordo com técnicos aliados de Rueda, um movimento de Bivar no sentido de barrar a eleição seria frustrado em “10 minutos”, com deliberação pela Executiva a favor da continuidade do processo.

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O deputado federal Fernando Monteiro (PP) protocolou, na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei nº 488/2024 para adotar, em definitivo, medidas realmente eficazes para combater a violência nos estádios de futebol. Entre as ações, estão o monitoramento por câmeras e imagens acompanhadas pelas forças policiais, acesso aos estádios condicionado a cadastramento biométrico. O envolvimento dos clubes e o cumprimento de penalidades também estão previstos no projeto. “A segurança dos torcedores, a integridade dos eventos esportivos e o respeito mútuo entre os apaixonados pelo futebol são prioridades que exigem ação legislativa imediata”, disse o parlamentar.

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O novo presidente do União Brasil é o advogado Antônio Rueda. Foi eleito, há pouco, por 30 dos 42 delegados do partido que compareceram à convenção, em Brasília. Rueda derrotou o deputado Luciano Bivar, a quem é ligado politicamente há 30 anos, depois de um dia tenso em Brasília, no qual Bivar chegou a cancelar a eleição baixando uma resolução, derrubada pelos votos da maioria.

Caruaru - Geracao de emprego

Em entrevista gravada, há pouco, para o Frente a Frente, o candidato da oposição à presidência da Confederação Nacional dos Municípios, Julvan Lacerda, afirmou que o fim da era de Paulo Ziulkoski na instituição, que comanda com mão de ferro há 27 anos, chegará ao fim amanhã, com a eleição de renovação da entidade. “Os prefeitos vão me eleger para dizer a Ziulkoski que ele não é o dono da CNM”, afirmou.

Mineiro, Lacerda presidiu a Associação Municipalista de seu Estado por duas vezes e é o atual vice-presidente da CNM. Aceitou enfrentar o quase eterno dirigente da instituição atendendo a uma convocação de várias associações municipalistas, entre elas a de Pernambuco, Amupe.

À presidente da Amupe, Márcia Conrado, prefeita de Serra Talhada, está na chapa de Julvan representando o Nordeste. A entrevista do candidato da oposição na corrida pelo controle da CNM vai ao ar às 18 horas pela Rede Noroeste de Rádio, formada por mais de 40 emissoras em Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife.

Se você deseja ouvir pela internet, clique no link do Frente a Frente em destaque acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na play store.

Belo Jardim - Patrulha noturna

Por Diana Câmara*

Estamos chegando em março, mês que se inicia a janela eleitoral para quem vai disputar o cargo de vereador (a) e pretende trocar de partido sem dor de cabeça (de o suplente ou até mesmo a sigla partidária pedir na Justiça Eleitoral o seu mandato). A janela durará um mês e vai de 7 de março a 5 de abril.

Por outro lado, estamos chegando na reta final do prazo para filiação partidária. Quem deseja concorrer nestas eleições precisa estar devidamente filiado (a) até 6 de abril. E, com isso, partidos e pré-candidatos (as) estão em polvorosa decidindo por qual partido irão concorrer, em quais campanhas irão apostar, montando as chapas de candidatos ao cargo de vereador (a) que vão estar na base e quais os partidos irão fazer parte do projeto político de cada município. É um grande xadrez com movimentos, muitas vezes, inusitados e inesperados.

Lembrando que, neste pleito, para as eleições de vereador cada partido tem que ser autossuficiente, porque não terá mais coligação e cada sigla individualmente terá que ter seus votos suficientes para conseguir cadeiras na Câmara de Vereadores, além de candidatas mulheres dispostas a enfrentar uma eleição e ser votada. Vale registrar que a Justiça Eleitoral promete tolerância zero para as candidaturas fraudulentas de mulheres, tendo por consequência a anulação da chapa inteira.

Passada esta fase, o jogo eleitoral ficará mais claro de quem disputará em outubro, por quais legendas e de quem o candidato terá o apoio político.

Ontem, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou as resoluções para esta eleição e, apesar de o Congresso não ter aprovado uma reforma eleitoral específica para esta eleição, podemos ter algumas novidades em termos de regras para o dia a dia das campanhas, em especial no que tange as campanhas virtuais, aquelas que se desenrolam na internet, nas redes sociais e nos aplicativos de mensageria, como o WhatsApp. Vamos abordar cada uma delas nos próximos artigos.

*Advogada especialista em Direito Eleitoral, ex-Presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/PE, membro fundadora e ex-presidente do Instituto de Direito Eleitoral e Público de Pernambuco (IDEPPE), membro fundadora da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (ABRADEP) e autora de livros.

Vitória Reconstrução da Praça

Por Vianney Mesquita

​Depois de 2020, este ano é o primeiro bissexto, pois hoje, 29 de fevereiro – só ocorrente de quatro em quatro anos – significa o fato de que o exercício corrente possuirá 366 dias, ao passo que os três anteriores perfizeram somente 365 períodos de 24 horas.

Ocorreu de amigos e pessoas modestas a mim chegadas, nomeadamente não muito afeitos ao trato literário, me perguntarem, com recorrência, acerca dessa dicção, empregada a miúdo com relação aos poetas e escritores pouco produtivos ou de produção apenas singular, ou seja, “por que Fulano é considerado poeta bissexto?”

Lembro-me de que, em 2020, derradeiro bissexto sucedido, as indagações mais afluíram, de modo que passo a narrar o assunto, evidentemente, sem profundidade científica, louvado apenas no conhecimento do senso comum adquirido à extensão do tempo, na vida e na escola, o qual também se encontra à disposição de qualquer pessoa, em obras de referência de domínio público, facilmente acessíveis, como dicionários e enciclopédias.

Colhi, pois, a informação de que, no tempo do Império Romano, sob Caio Júlio César, consoante conta Caio Plínio Segundo, o Velho, o ano vulgar possuía 365 dias. Como o movimento de translação anual da Terra à volta do Sol somente se completa após 365 dias mais um quarto, as seis horas restantes ensejavam divergências entre o ano civil e o movimento dos corpos celestes – estrelas, planetas, nebulosas, cometas etc.

Júlio César, então, convocou o astrônomo Sosígenes, de Alexandria, e contratou com ele a solução do problema. O Sábio egípcio, então, decidiu estabelecer que, de quatro em quatro anos, seria acrescentado um dia ao mês de fevereiro, resultado da soma das horas sobrantes de 365 dias nos quatro anos. Tal significa dizer que, após um ano de 366 dias (bissexto = duas vezes sexto), se seguem três de 365 e um de 366 dias. De tal maneira, não parece correto se dizer que um ano perfaz 365 e seis horas, dada a decisão do astrônomo alexandrino de somar às 18 horas as seis do ano bissexto para completá-lo, porém, com 366 dias.

Curioso é notar o fato de que todos os anos cuja expressão numérica é divisível por quatro são bissextos, com 366 dias, como nos casos de 1.600, 1.200, 800, 2.000 e 2024.

Os anos seculares, salvante esses do exemplo e outros cujos dois algarismos iniciais não se expressam como exatamente divisíveis por quatro, não resultam bissextos, razão por que o ano secular de 1.900 não o foi.

Em alusão a essa periodicidade do tricentésimo sexagésimo sexto dia, inventou-se, no Brasil, uma locução, desusada noutras nações lusófonas – poeta bissexto/escritor bissexto.

A palavra bissexto, bem como o termo bissêxtil, de há muito deixaram de ser neologismos, pois dicionarizados em 1946. Tencionam, então, conotar o estado daquele, particularmente do poeta, dedicado excepcionalmente à literatura, fazendo poucos versos, o que sugere se evocar, em razão dessa escassez de produção, o dia bissexto de fevereiro (29) e os anos bissêxteis.

Ocorre, exempli gratia, com EUCLIDES Rodrigues Pimenta DA CUNHA, celebrado autor nacional das letras, no terreno social, bem como nas áreas histórica e política. O Autor fluminense produziu extraordinárias obras nestas fertílimas searas, internacionalmente conhecidas e acatadas, como, nos exemplos, Peru versus Bolívia, Contrastes e Confrontos, À Margem da História e o admirável Os Sertões, além doutras de fecunda inspiração e lúcidas ilações.

Euclides da Cunha (*Cantagalo-RJ, 20.01.1866; + Rio de Janeiro, 15.08.1909) achou de escrever, em meio às produções do seu gênero, o soneto sequente, intitulado Dedicatória, que extraí de Os mais Belos Sonetos Brasileiros, livro de Edgard Resende (Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1945): 

Se acaso uma alma se fotografasse,

De sorte que nos mesmos negativos

A mesma luz pusesse em traços vivos

O nosso coração e a nossa face …

E os nossos ideais, e os mais cativos

De nossos sonhos … se a emoção que nasce

Em nós também nas chapas se gravasse

Mesmo em ligeiros traços fugitivos …

Amigo! Tu terias com certeza

A mais completa e insólita surpresa

Notando – deste grupo bem no meio

Que o mais belo, o mais forte e o mais ardente

Destes sujeitos é precisamente

O mais triste, o mais pálido e o mais feio.

Muitos dos literatos nacionais fizeram versos assim, bissextamente, conforme disse, certa vez, o intelectual-dentista Ivan César a respeito de meu amigo escritor cearense, Antônio Girão Barroso, “o único poeta dispensado de fazer poesia”. Há alguns livros, especialmente de sonetos (duas estrofes de quatro versos = quartetos; e duas de três = tercetos ou trísticos), enfeixando a produção de poetas bissextos, o mais importante dos quais, pela sua contemporaneidade, é a Antologia dos Poetas Bissextos Contemporâneos, organizada por MANUEL Carneiro de Sousa BANDEIRA Filho, celebrado poeta, crítico, professor e tradutor recifense (19.04.1886; Rio de Janeiro, 13.10.1968), conterrâneo do não menos ilustre e ilustrado jornalista e escritor afogadense Magno Martins.

A produtiva industriosidade neológica brasileira – nordestina, nomeadamente – já se serve de estender mais ainda o alcance de bissexto, de maneira que se diz, progressivamente, economista bissexto, administrador bissexto, articulista bissexto advogado, orador, comentarista e até bebedor bissexto; tudo isto sem remissão a fevereiro como o mês em que, por motivo óbvio – de acordo com a invencionice moleque do cearense – a mulher fala menos…

Presidente nacional do União Brasil, o deputado federal pernambucano Luciano Bivar está em guerra com o vice-presidente do partido e ex-aliado, Antônio de Rueda, pelo comando da legenda. Na manhã de hoje, inclusive, ele tentou, sem sucesso, cancelar a convenção partidária que deve eleger Rueda como seu sucessor.

Já com os ânimos acirrados, Bivar expediu, na terça-feira, uma notificação em nome da Comissão Executiva Nacional da legenda para tomar um carro blindado (uma Toyota Hilux modelo 2023) cedida pelo partido para uso de Rueda. As informações são do portal Veja Online.

O cacique do União Brasil também notificou o “encerramento das cessões de uso de bens móveis da Nacional” aos diretórios estaduais do partido no Rio de Janeiro, comandado por Rueda, e em Pernambuco, presidido por Marcos Aurelio Vidal Amaral. Tratam-se, respectivamente, de um Toyota Corolla modelo 2021 e de um Chevrolet Trailblazer modelo 2022.

Segundo o documento, datado desta terça-feira e assinado por Bivar, os veículos devem ser encaminhados à sede do partido em Brasília, no prazo de até dez dias. “A Nacional também coloca à disposição de Vossas Senhorias funcionário para recolher o veículo onde se encontra, de forma a facilitar a devolução. Nos colocamos à disposição para sanar qualquer dúvida”, conclui a notificação.

Ao convocar o deputado Diogo Moraes para o seu primeiro escalão, assumindo a pasta de Saneamento, abrindo vaga na Assembleia Legislativa para o primeiro suplente do PSB, vereador Davi Muniz, o prefeito João Campos (PSB) deu uma jogada de mestre, mais uma rasteira na governadora Raquel Lyra (PSDB).

Travou a chegada do deputado estadual Jarbas Filho, único do MDB, mas eleito pelo PSB, ao secretariado da tucana. Como assim? O segundo suplente de deputado é o ex-prefeito de Paulista, Júnior Matuto, aliado de João e da família Campos. 

Jamais a governadora iria dar uma chance a Matuto!