Efetivação de piso salarial da enfermagem ainda enfrenta resistência

Da Agência Brasil

Profissionais da enfermagem enfrentam resistência à efetivação do piso salarial, após o Supremo Tribunal Federal (STF) liberar, no último dia 15, o pagamento. O argumento de entidades de empregadores e municípios é falta de recursos o que, consequentemente, geraria desemprego para o segmento profissional.

Entrentanto, para a economista Marilane Teixeira, professora e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), ligado ao Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o estabelecimento de pisos salariais traz avanços notórios já que leva à valorização das ocupações e melhora os rendimentos do trabalho.

“A gente chegou, tanto no caso do piso da enfermagem como em outras categorias, a um determinado patamar em relação ao que é um valor, um preço justo, pela força de trabalho a partir de um reconhecimento de que é um trabalho essencial e necessário. No caso da enfermagem, ficou muito evidente na pandemia, as pessoas foram fundamentais e foram os profissionais que mais perderam suas vidas, justamente cuidando da vida dos das outras pessoas”, avaliou.

A liberação do pagamento foi feita pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF. Contudo, o ministro entendeu que estados e municípios devem pagar o piso nacional da enfermagem nos limites dos valores que receberem do governo federal. Para profissionais da iniciativa privada, está prevista a possibilidade de negociação coletiva.

A decisão do ministro foi proferida após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sancionado a abertura de crédito especial de R$ 7,3 bilhões para o pagamento do piso. A medida foi publicada na sexta-feira (12), Dia Internacional da Enfermagem.

Historicamente, os empregadores tendem a resistir em relação ao pagamento de um de um piso salarial mínimo. “Essa pressão por parte dos empregadores é histórica. Estamos falando de relação do capital e trabalho, então tudo que implica em melhora do ponto de vista da remuneração salarial sempre vai encontrar uma certa resistência do outro lado no sentido de cumprir com as condições”, disse.

“As categorias mais organizadas, mais estruturadas, foram, na verdade, as que mais inovaram nesse sentido, porque como elas tinham mais poder de força de negociação, elas foram impondo também os pisos salariais e com valores relativamente superiores ao que é praticado em termos de salário mínimo”, disse, acrescentando que o mínimo é referência importante sobretudo para as categorias que não são tão organizadas.

A pesquisadora destaca que há categorias formadas predominantemente por mulheres, como é o caso da enfermagem, o que leva a maior dificuldade no reconhecimento social do valor e da função dessas profissões. “É uma ideia de que ‘enfermeira é cuidadora’, então é uma função que as mulheres já nascem sabendo e não precisam de muita capacitação para realizar uma coisa que é inata. Então, por que pagar salários altos por um trabalho que elas já nasceram sabendo fazer? Mas não é verdade, é uma área fundamental”, acrescentou.

Desemprego

A pesquisadora afirmou ainda que não há evidência de que a conquista de pisos salariais leve ao desemprego, à extinção ou à redução de demanda por determinado tipo de ocupação. “Isso é uma pressão de quem obviamente resiste, sempre resistiu a qualquer avanço em termos de direito, porque não é só no piso, também se manifesta em outros direitos. Toda vez que você avança num determinado direito, sempre tem a pressão de que isso vai gerar desemprego”, disse.

Segundo ela, o que vai determinar a geração de desemprego em uma categoria é a avaliação de que determinada ocupação perdeu o sentido do ponto de vista social e, portanto, foi se ressignificando e sendo criadas outras funções com trabalhos similares que possam substituí-la. “Depende da demanda e não necessariamente da remuneração”, afirmou.

Valor

O novo piso para enfermeiros contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é de R$ 4.750, conforme definido pela Lei nº 14.434. Técnicos de enfermagem recebem, no mínimo, 70% desse valor (R$ 3.325) e auxiliares de enfermagem e parteiras, 50% (R$ 2.375). O piso vale para trabalhadores dos setores público e privado.

Dados do Conselho Federal de Enfermagem contabilizam mais de 2,8 milhões de profissionais do setor no país, incluindo 693,4 mil enfermeiros, 450 mil auxiliares de enfermagem e 1,66 milhão de técnicos de enfermagem, além de cerca de 60 mil parteiras.

Empregadores

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) avalia que a medida é uma “ilusão”. Em nota, a entidade afirmou que “o valor sancionado não paga um terço do piso dos profissionais de saúde que atuam nos municípios. Além disso, trata-se de recurso somente para 2023, não permanente para uma despesa continuada, não traz regulamentação sobre a forma de distribuição e transferência, e é destinado apenas aos profissionais da atenção especializada, ficando de fora os profissionais da atenção básica, como aqueles que atendem o Estratégia Saúde da Família.”

Dados da confederação mostram que os municípios têm em seu quadro mais de 589 mil postos de trabalho da enfermagem. De acordo com estimativa da entidade, o impacto do piso aos municípios será de R$ 10,5 bilhões neste ano. “No entanto, a Lei 14.581/2023 se limitou a destinar R$ 3,3 bilhões aos entes locais, apesar de ser a esfera municipal que absorve o maior impacto financeiro com a instituição do piso”, diz a nota. Ainda segundo a entidade, com a vigência da medida, há risco de desligamento de mais de 32,5 mil profissionais da enfermagem.

A Federação Brasileira de Hospitais (FBH) informou que lamenta a decisão de Barroso. “A decisão veio sem que fosse apresentada, conforme solicitava liminar emitida pelo próprio ministro, soluções para minimizar o impacto dos custos com o reajuste na rede privada”, disse, em nota. A entidade ressalta que o PL assinado pelo presidente Lula é destinado apenas aos hospitais públicos, o que não resolve o impacto na rede privada, estimado pela FBH em mais de R$ 7 bilhões anuais.

A entidade acrescenta que, apesar de São Paulo, Minas e Rio responderem por 48% do total de vínculos em profissionais de enfermagem, será o Nordeste que mais será impactado. “A região com mais estados no país terá que lidar com um aumento de 40% de custos, pois 84% dos profissionais da categoria recebem abaixo do piso estipulado. Estados como Maranhão e Pernambuco chegam a ter 90% dos vínculos abaixo do piso estipulado.”

O presidente da FBH, Adelvânio Francisco Morato teme pelos 4,2 mil estabelecimentos filiados, principalmente os de pequeno e médio porte, que representam 70% do total. A estimativa é que haja redução de 30% do quadro de enfermagem nos hospitais com até 100 leitos.

“O governo, em nenhum momento, demonstrou preocupação em estabelecer as fontes de custeio. Com isso, centenas de hospitais vão fechar as portas, e o país vai registrar aumento no desemprego, além de precarização no acesso a serviços de saúde no interior”, avaliou Morato. Segundo ele, a rede privada responde por 62% dos cerca de 1,3 milhão de profissionais de enfermagem do país, e 71% dos pequenos estabelecimentos estão fora das capitais.

Trabalhadores

Para o conselheiro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Daniel Menezes de Souza, a liberação do piso pelo STF “representa a concretização do que sempre defendemos, de que o piso é constitucional, que há recursos para o financiamento do setor público e se concretiza como um passo na conquista de reconhecimento social para nossa profissão”.

Em relação à falta de recursos para o pagamento do piso, ele explicou que durante a tramitação do projeto no Congresso Nacional, as equipes técnicas usaram os dados oficiais, com estudos realizados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), para calcular o impacto financeiro do valor necessário para completar aquilo que faltava para alcançar o equivalente ao piso.

“Esses valores foram liberados pela União, então não há justificativa para que o pagamento não se concretize. Para os privados, o piso também deverá ser pago, contudo a partir de 1º de julho. Quanto à negociação coletiva, entendemos que ela parte dos direitos mínimos já garantidos na proteção do trabalhador, e o valor estabelecido por lei que cria piso é uma dessas garantias”, disse. Para cada ano, os valores devem ser incluídos na lei que estabelece as prioridades do Orçamento da União – a LDO, que é aprovada anualmente.

Menezes ressalta que a argumentação em torno de demissões era usada quando não havia a fonte de custeio definida e que estes postos de trabalho são fundamentais para garantir a produtividade nestes serviços. “Entendemos que, com a criação do fundo estabelecido na emenda constitucional 127 e a consequente disponibilização dos recursos no Orçamento da União e a confirmação dos repasses pelo Ministério da Saúde, não há qualquer justificativa para manter este discurso.” Ele afirma ainda que, para o setor privado com fins lucrativos, o pagamento do piso representa em média menos de 5% de seu faturamento.

O presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), James Francisco dos Santos, considerou a medida “um grande alívio e uma grande justiça”, ressaltando que o piso salarial é um direito pelo qual a categoria vinha lutando há décadas.

“O piso salarial da enfermagem não é uma novidade e todo o movimento, apesar das iniciativas em contrário, denotava que ele seria aprovado. É um justo reconhecimento ao trabalho realizado pela maior força de trabalho da saúde brasileira e sempre contou com um grande apoio popular. Portanto, a gestão das unidades de saúde pode ser realizada de forma a reorganizar suas finanças e direcionar o investimento necessário para o cumprimento do piso salarial”, avaliou Santos.

Em relação ao risco de demissões, apontado pelo setor patronal, ele afirma que a enfermagem é uma das profissões mais promissoras para a saúde, que sua presença é essencial nas instituições, e um corte de profissionais da área configuraria uma ameaça à qualidade da assistência prestada. “No caso da negociação coletiva das instituições privadas, o que esperamos é que sejam respeitados os valores previstos na Lei nº 14.434, pois são fruto de extensas tratativas que foram realizadas ao longo dos anos também com representantes da iniciativa privada”, ressaltou.

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João Campos candidatíssimo a governador

Por Larissa Rodrigues – repórter do Blog

Se existia alguma dúvida de que o prefeito do Recife, João Campos (PSB), seria ou não candidato a governador de Pernambuco, em 2026, os movimentos da última semana se encarregaram de elucidar. João é candidatíssimo.

Prevendo esse cenário, o mundo da política no Estado entrou em 2025 se perguntando qual seria o formato que o socialista encontraria para “entrar” no Interior, já que sua caneta é limitada apenas ao Recife. Os congressos do PSB começaram a responder.

Depois do animado congresso do PSB do Recife, na última terça-feira (25), no qual a militância saudou João Campos como “governador”, o prefeito participa, neste sábado (29), do congresso do PSB de São Lourenço da Mata (RMR), o primeiro fora da capital. Amanhã (30), estará no evento da sigla em Afogados da Ingazeira, no Sertão.

Os encontros são pretextos para João trabalhar sua imagem fora do Recife e movimentar a militância nas outras cidades. Outra ideia interessante, encontrada pelo grupo de aliados para abrir espaço para o prefeito em outros municípios, são os Títulos de Cidadão.

João Campos já teve o Título de Cidadão de Garanhuns, no Agreste, aprovado pela Câmara da cidade. A proposta foi apresentada pela vereadora Nelma Carvalho, do Solidariedade, e aprovada com o voto favorável de 15 vereadores, dentre os quais o presidente daquele Poder Legislativo, Johny Albino (PSB), e o líder do Governo na Casa, Matheus Martins (PSB). A entrega ainda não tem data, mas será uma excelente oportunidade para João pôr os pés em Garanhuns.

Em Olinda (RMR), os vereadores também articulam um Título de Cidadão para o prefeito do Recife. Certamente, Garanhuns e Olinda não serão as únicas cidades a concederem a honraria ao socialista. Até 2026, casas legislativas de outros municípios, nos quais há prefeitos ou vereadores aliados, devem repetir o gesto, parte da estratégia de pré-campanha de João.

Em meio aos congressos socialistas e Títulos de Cidadão, o chefe do Poder Executivo da capital também conta com as novas inserções do PSB na televisão, destacando as obras entregues na sua gestão e a expressiva reeleição em 2024, com 78% dos votos. Além disso, em junho, João assume a presidência nacional do PSB, mais uma ferramenta para justificar andanças pelo Estado.

A pré-campanha já começou – O ato de filiação da governadora Raquel Lyra ao PSD, no dia 10 se março deste ano, teve clima de convenção e foi considerado o pontapé inicial na pré-campanha da gestora à reeleição, da mesma forma que os congressos do PSB estão sendo considerados os movimentos iniciais da pré-campanha de João Campos. Tanto Raquel quanto João sabem que o pleito será duro, sem moleza para nenhum dos lados. Raquel vai enfrentar um adversário aprovado no Recife, com histórico familiar de peso e estrela de uma sigla forte e experiente em campanhas. Por outro lado, João enfrentará a pessoa que tem a máquina estadual nas mãos e diversos prefeitos aliados, além do também histórico familiar renomado. Não havia como os dois caírem na estrada apenas em 2026. Em uma campanha majoritária, esse movimento começa pelo menos um ano antes mesmo. Ainda mais neste pleito em específico, de páreo duro.

Congresso da Amupe – A Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) lançou, ontem (28), o 8º Congresso Pernambucano de Municípios, que acontecerá nos dias 28, 29 e 30 de abril, no Centro de Convenções, em Olinda. O tema do encontro será “Gestão de Sucesso: Planejamento e Ação”. O congresso é o maior evento municipalista do Estado e reúne prefeitos, assessores, técnicos e sociedade em geral. A solenidade de abertura contará com a presença de autoridades nacionais, estaduais e municipais. As inscrições são gratuitas e já estão abertas no site www.amupe.org e seguem até o dia do evento ou até que o espaço atinja a lotação máxima. Em 2024, foram mais de quatro mil inscritos.

Por falar em municípios – O senador Fernando Dueire (MDB) montou um gabinete itinerante do seu mandato na cidade de Salgueiro, no Sertão. Em dois dias de trabalho no local, recebeu 19 prefeitos das regiões dos Sertões Central e do Araripe. A iniciativa busca aproximar a população do Poder Legislativo e fortalecer o diálogo entre o senador e os gestores locais. Os prefeitos aproveitaram a oportunidade para discutir questões essenciais para o desenvolvimento dos municípios. Infraestrutura, saúde, educação e segurança pública foram alguns dos temas mais debatidos. Outras regiões vão receber o gabinete itinerante. A agenda está sendo definida.

Jarbinhas também esteve no Sertão – Quem também esteve pelo Sertão, na última semana, foi o deputado estadual Jarbas Filho (MDB). Defensor do agronegócio, Jarbinhas esteve, na quarta (26) e na quinta (27), no município de Bodocó para participar da Expo Março. O festival e feira são voltados para a agropecuária da região do Sertão do Araripe. Ao lado do prefeito Otávio Pedrosa (MDB) e do senador Fernando Dueire (MDB), o parlamentar participou de palestras, conversou com expositores, visitou as baias com os bovinos, caprinos e ovinos, além de prestigiar a apresentação de artistas locais realizadas no novo espaço da festividade, a Budega do Forró.

Débora Almeida em Brasília – Aliada de primeira hora da governadora Raquel Lyra (PSD), a deputada tucana Débora Almeida (PSDB), que atualmente ocupa a vice-presidência do partido em Pernambuco, participou de evento da sigla em Brasília, na última semana. O encontro serviu para debater os desafios da política nacional e reforçar o papel das mulheres na construção do futuro do PSDB. Também foi discutido o fortalecimento da participação feminina e a definição dos novos rumos da legenda em todo o país. Foi unânime o apelo por um posicionamento firme e contundente do partido contra a crescente violência de gênero, evidenciada pelos alarmantes índices de feminicídio. “Juntas, discutimos políticas públicas essenciais para fortalecer a participação das mulheres na política e transformar realidades”, destacou Débora.

CURTAS

ROSA AMORIM NA CHINA 1 – A deputada Rosa Amorim (PT) participou, na última semana, de um jantar na Embaixada do Brasil na China, junto da delegação de parlamentares ligados à reforma agrária que está em visita ao país. Além da Embaixada, a delegação se reuniu com o Centro de Cooperação da China e o Centro Internacional para Alívio da Pobreza, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura e da Revitalização Rural do país. Foram discutidas as possibilidades de parcerias estratégicas nas áreas de reforma agrária, comercialização, mecanização agrícola e a produção de bioinsumos.

ROSA AMORIM NA CHINA 2 – Os parlamentares, entre eles o também pernambucano Edilson do MST (PT), vereador em Caruaru (Agreste), reforçaram o pedido para que a Embaixada contribua nas negociações para a implantação de fábricas de máquinas agrícolas e bioinsumos voltadas à agricultura camponesa no Brasil. Uma delas seria uma fábrica de bioinsumos em Caruaru, cidade natal de Rosa. “Vamos levar essa experiência junto com o MST para Pernambuco”, projetou Rosa.

QUEM MAIS COBRA É RAQUEL – A secretária de Saúde de Pernambuco, Zilda Cavalcanti, disse, em audiência pública da Comissão de Saúde da Alepe, na última semana, que não acha ruim as cobranças do Poder Legislativo. “É uma forma de a gente trabalhar juntos”, garantiu. Disse que as maiores cobranças que recebe são da governadora Raquel Lyra (PSD), “que quer atender à população”. Zilda apresentou o relatório da Saúde do terceiro quadrimestre de 2024 ao colegiado, presidido pelo deputado Sileno Guedes (PSB). Na opinião do parlamentar, o documento precisa ser aperfeiçoado. “Não tivemos, por exemplo, dados de grandes hospitais que hoje passam por dificuldade, como Hospital da Restauração, Hospital Getúlio Vargas e Barão de Lucena”, destacou.

Perguntar não ofende: até as eleições de 2026, quantos títulos de cidadão de municípios do Interior João Campos vai receber?

Petrolina - O melhor São João do Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou, hoje, a investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado Gutemberg Reis por suposta fraude em certificados de vacinação da Covid. Moraes aceitou o pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para encerrar o caso.

A Procuradoria disse que não encontrou provas que confirmassem a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Cid afirmou que seguiu ordens do ex-presidente. Mesmo assim, a delação de Cid continua válida. Suas informações foram usadas no caso da tentativa de golpe de Estado, no qual Bolsonaro é réu.

Gonet explicou que a PGR não descartou que o crime foi cometido, mas disse que faltam provas para confirmar a delação, uma determinação legal. A Polícia Federal confirmou que dados falsos sobre a vacina foram incluídos na carteira de Bolsonaro e, dias depois, apagados do sistema do Ministério da Saúde.

A PF indiciou Bolsonaro, o deputado Gutemberg, Mauro Cid e mais 14 por associação criminosa e inserção de dados falsos sobre vacinação no sistema do Ministério da Saúde. A PGR, responsável por apresentar denúncias, disse que não encontrou provas de que Bolsonaro deu a ordem. Sobre o deputado, a PGR afirmou que há indícios de que ele tomou a vacina e incentivou a imunização nas redes sociais.

Dulino Sistema de ensino

Por Flávio Chaves*

Há dois anos, a cabeleireira Débora Rodrigues foi arrancada de sua vida e dos braços de seus filhos por um sistema penal que deveria protegê-la, mas escolheu esquecê-la. Presa sem julgamento definitivo, sem condenação transitada em julgado, ela cumpre uma pena antecipada – injusta, inconstitucional e desumana – enquanto dois filhos, um de 6 e outro de 10 anos, enfrentam o abandono forçado, a dor da ausência e o silêncio de um país que falha em proteger os seus mais frágeis.

Débora é mãe. Débora é pobre. Débora é brasileira. E, como milhões de mulheres que enfrentam a dureza de um sistema judicial que enxerga primeiro o CEP e só depois a Constituição, ela se tornou mais um número nas estatísticas da injustiça.

Débora foi presa por escrever, com um batom, a frase “Perdeu, Mané!” – uma frase dita, curiosamente, pelo próprio ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso. O absurdo do caso não está apenas no suposto “crime”, mas na proporção insana da punição: dois anos de reclusão provisória, sem julgamento, sem sentença definitiva, sem compaixão. Um batom virou prova criminal. Um protesto virou prisão. E uma mãe virou prisioneira de um Estado que fecha os olhos para o que ele mesmo escreveu em suas leis.

A prisão domiciliar para mães com filhos menores de 12 anos é garantida pela Lei 13.769/2018, pela jurisprudência do STF, pela Constituição e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. No entanto, nada disso tem servido de escudo para Débora. O que está sendo feito com ela é a negação de sua condição materna, a negação de sua dignidade humana, e, sobretudo, a condenação silenciosa da infância de seus filhos.

Por que Débora não está em casa, como tantas outras mulheres em situação semelhante? A resposta parece clara: ela é pobre. Não tem sobrenome político, não frequenta as colunas sociais, não tem escritório de advocacia milionário para gritar por ela nas tribunas do poder. Enquanto isso, condenados por corrupção bilionária estão soltos, reformando a imagem para, quem sabe, voltarem como candidatos em 2026.

Adrianna Anselmo, ex-esposa de Sérgio Cabral, foi solta rapidamente quando presa na Lava Jato. Alegou ter filhos menores. E teve o direito respeitado. A mesma justiça que se apressa para uma, se arrasta para a outra. Dois pesos, duas medidas. Classe A, classe B. Como bem escreveu Graciliano Ramos em Memórias do Cárcere:  “A justiça é uma senhora cega, mas, por vezes, sabe muito bem onde pisa.”

O mais cruel desse drama é o que acontece fora das grades: os filhos de Débora. Dois meninos pequenos, privados do convívio materno, crescendo sem a presença, o carinho e o amparo da mãe. A pena, neste caso, não é só dela. É deles também. Estamos, na prática, perpetuando um castigo hereditário, algo que nenhuma democracia real deveria tolerar. Tolstói já advertia que “o grau de civilização de uma sociedade se mede pelo tratamento que dá às suas crianças.” O que dizer, então, de um país que aprisiona a infância junto com a mãe?

Débora é o retrato mais doloroso de um Brasil desigual, seletivo e cruel. Um país que prende antes de julgar, que nega direitos previstos em lei, que fecha os olhos para a miséria de seus cárceres e para a solidão das celas onde mães choram longe dos filhos. Como escreveu Dostoiévski: “O grau de civilização de uma sociedade pode ser julgado entrando-se em suas prisões.”  Pois que entremos, então, nos presídios brasileiros e vejamos: o Brasil é um país que não protege mães, nem crianças, nem sua própria Constituição.

Charles de Gaulle estava certo: “O Brasil não é um país sério.” E casos como o de Débora Rodrigues são a prova viva disso. Mais do que um erro judicial, trata-se de um escândalo humanitário.

É preciso romper o silêncio. É preciso denunciar, gritar, escrever, pressionar. Levar esse caso a instâncias internacionais, se necessário. A Convenção de Haia, os direitos humanos universais, os princípios mínimos de dignidade precisam ser evocados com urgência.

Não se trata apenas de fazer justiça a Débora. Trata-se de salvar a infância de seus filhos. Trata-se de respeitar a Constituição. Trata-se de impedir que o cárcere seja mais forte que a maternidade.

Débora precisa voltar para casa. Os filhos de Débora precisam da mãe. O Brasil precisa reencontrar a sua alma – se ainda lhe resta alguma.

*Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc

Ipojuca No Grau

O deputado federal Fernando Monteiro (Republicanos), autor do Projeto de Lei que pretende fazer do município de Lagoa Grande a Capital Nordestina da Uva e do Vinho, integra a comitiva da Missão Mendoza, que partiu para a Argentina hoje. Articulada pelo Governo de Pernambuco e a Província de Mendoza, a missão quer aproximar os dois países para o intercâmbio na vitivinicultura e no enoturismo.

Mendoza, reconhecida como a Capital Mundial do Malbec, responde por 70% da produção de vinhos da Argentina. São 1.200 vinícolas instaladas na região. “Mendoza é um hub logístico que abastece toda a região da Argentina e o entorno. Fortalecer as relações comerciais com esta província e com a Argentina deve facilitar o acesso de produtos pernambucanos a novos mercados”, avalia Fernando Monteiro, que tem trabalhado, junto ao governo brasileiro, para dar visibilidade e reconhecimento ao município pernambucano do Vale do São Francisco.

LAGOA GRANDE – O município de Lagoa Grande produz anualmente mais de 20 milhões de litros de vinhos, sucos e espumantes e abriga cinco das oito vinícolas do Vale do São Francisco. São 47 toneladas de uvas produzidas por hectare, o que supera a média nacional de 19,4 toneladas por hectare.

Caruaru - IPTU 2025

A Prefeitura de Olinda realizou, hoje, a antecipação do pagamento do salário do mês de março a todos os servidores municipais: efetivos, cargos comissionados, aposentados e pensionistas. O ato foi autorizado pela prefeita da cidade, Mirella Almeida, reforçando o compromisso da gestão com a pontualidade e valorização do funcionalismo público, além de representar um importante estímulo à economia da cidade.

Mirella também aproveitou a sexta para realizar duas vistorias pela cidade. A gestora esteve no Sítio de Seu Reis e fiscalizou as obras de construção do Mercado dos Frios. O espaço funcionará em Peixinhos e terá 24 boxes que serão destinados à venda de carnes, frangos, lacticínios, embutidos, especiarias e frutos do mar, além de um restaurante self-service.

“A gente vai garantir mais uma conquista para a população. A previsão é que em setembro o mercado esteja fomentando a economia, gerando desenvolvimento econômico e cada vez mais emprego e renda”, afirmou Mirella.

Camaragibe Cidade do Trabalho

O prefeito de São José do Egito, Fredson Brito, esteve reunido com o novo presidente do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Miguel Duque, acompanhado do ex-deputado Ricardo Teobaldo. Durante o encontro, o gestor apresentou demandas essenciais para fortalecer a agricultura familiar no município, especialmente no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e na ampliação da distribuição de sementes.

Fredson Brito destacou a importância de um maior suporte do IPA para garantir que mais agricultores de São José do Egito tenham acesso aos benefícios do PAA, programa que incentiva a produção rural e abastece instituições sociais com alimentos adquiridos diretamente dos produtores locais. Além disso, o prefeito solicitou um aumento na quantidade de sementes distribuídas, ampliando o alcance do programa e garantindo que mais famílias possam plantar e fortalecer a economia rural.

“Seguimos buscando apoio e investimentos para fortalecer a agricultura familiar, garantindo mais oportunidades para nossos produtores e impulsionando o desenvolvimento de São José do Egito. A parceria com o IPA é fundamental para ampliar o alcance do PAA e melhorar a distribuição de sementes para quem mais precisa”, destacou o prefeito.

Cabo de Santo Agostinho - IPTU 2025

Em fevereiro, o Nordeste apresentou um saldo positivo de 37.090 novos postos de trabalho, o que representa 8,6% do saldo de 431.995 novos empregos no País. No acumulado do ano, o Nordeste apresenta um saldo de 34.419 empregos gerados, o que equivale a 6% do acumulado no País. Esse número representa uma média de aproximadamente 17 mil empregos líquidos por mês. A análise é da Sudene a partir dos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados hoje.

“O resultado de fevereiro representa uma reversão do resultado negativo observado na Região em janeiro, demonstrando o caráter sazonal dos números do mês anterior”, afirma o economista Miguel Vieira Araújo, da Sudene. Ele destaca que o desempenho do Nordeste acompanha o brasileiro, que criou 432 mil empregos com carteira assinada, o maior saldo mensal registrado na nova série histórica do Caged.

O setor de serviços foi o grande motor dessa recuperação, sendo responsável por 78% do saldo da Região como um todo. Com relação aos estados, a Bahia, com 20.132, representou mais da metade do saldo da Região. Os estados de Pernambuco e Ceará, com 7.588 (20,5%) e 6.488 (17,5%) novos postos de trabalho, respectivamente, também apresentaram um bom desempenho. Na sequência, aparecem Piauí (2.994), Rio Grande do Norte (2.495), Maranhão (1.470), Sergipe (869) e Paraíba (525). Por sua vez, Alagoas apresentou um decréscimo de 5.471 postos de trabalho.

No setor de serviços, destacaram-se, em valores absolutos, Bahia, com saldo de 11.473, Pernambuco, com 6.070 novos empregos, e Ceará, com 3.339 novos postos de trabalho. Em termos proporcionais ao saldo de cada estado, esse segmento foi destaque em quase todos os estados, sendo responsável pela maior parte do saldo positivo em oito estados, exceção feita a Alagoas. Na Paraíba, o saldo do setor de serviços foi cerca de três vezes maior que o saldo total do estado. Algo parecido foi observado em Sergipe, no qual o setor de Serviços apresentou um saldo quase duas vezes maior que o saldo do estado como um todo. 

Desagregando-se um pouco mais o setor de serviços, é possível observar que a educação foi uma grande impulsionadora para o saldo positivo, com 10.572 novos postos de trabalho, o que corresponde a cerca de 37% do saldo do setor na Região. Bahia, Pernambuco e Ceará, com 2.254, 2.180 e 1.971 novos postos de trabalho, responderam por cerca de 60% do saldo da educação. Ainda no setor de serviços, as “Atividades Administrativas e Serviços Complementares” também apresentaram um bom desempenho, com um saldo de 7.160 novos postos de trabalho e destaque para Bahia (3.586) e Pernambuco (1.977).

Além de serviços, os setores da construção e de comércio também apresentaram um bom resultado. Eles responderam por 6.081 e 5.752 novos empregos, respectivamente, no Nordeste.  Na construção, destacaram-se Ceará, Pernambuco e Bahia, com 1.317, 1.276 e 1.170 novos postos de trabalho, respectivamente. Juntos, responderam por mais de 60% do saldo da Região no setor. Em termos proporcionais, chamam a atenção os estados da Paraíba e de Sergipe, nos quais o setor representou 83% e 81% do saldo total do estado, respectivamente.

No setor de comércio, destacaram-se Bahia e Ceará, com saldos de 2.552 e 1.155 novos postos de trabalho, respectivamente, representando cerca de 64% do saldo do setor na Região. Em termos proporcionais, o setor de comércio foi responsável por 23,5% do saldo de Sergipe e por 22,4% do saldo do Maranhão e do Rio Grande do Norte. 

O setor industrial, por sua vez, apresentou como destaque a Bahia, com 2.462 novos postos de trabalho. Ceará (762), Maranhão (420) e Piauí (80) também apresentaram saldos positivos. Por outro lado, os demais estados apresentaram saldo negativo, com Alagoas apresentando um saldo expressivamente negativo de -4.847 postos de trabalho, o que fez com que a região como um todo apresentasse um saldo negativo de -1.976 postos de trabalho na indústria. Para a Indústria de Transformação, o saldo foi ainda mais negativo (-2.426). Em termos proporcionais, os novos postos da Indústria representaram 28,6% do saldo total do Maranhão, 12,2% na Bahia e 11,7% no Ceará.

Por fim, no setor agropecuário, apenas a Bahia, com 2.476 novos postos de trabalho, o Piauí, com 518, e o Maranhão, com 347 novos postos, apresentaram saldo positivo. O Nordeste apresentou um saldo negativo de –1.641 postos de trabalho no setor.

Toritama - Prefeitura que faz

O PSB está promovendo, até a próxima segunda-feira, congressos em 40 municípios pernambucanos com o objetivo de eleger os membros dos diretórios e comissões executivas do partido no âmbito local. Somente neste sábado (29) e domingo (30), 18 eventos vão ocorrer em todo o estado, incluindo São Lourenço da Mata, no Grande Recife, e Afogados da Ingazeira, no Sertão, que terão congressos com abrangência regional e com a presença do prefeito da capital, João Campos (PSB).

Para o presidente estadual do PSB, deputado Sileno Guedes, a participação de João Campos nos congressos reforça a posição do gestor como grande liderança no estado e aponta para os passos seguintes do rito partidário, que incluirá ainda a realização do Congresso Estadual, em 5 de abril, na sede da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), e do Congresso Nacional, no mês de maio, em Brasília, momento em que o prefeito deve ser eleito presidente nacional do PSB.

“Alguns municípios já realizaram congressos, como Escada, Nazaré da Mata e Recife, e neste fim de semana a maior parte vivenciará esse momento importante da dinâmica interna do nosso partido. Em São Lourenço da Mata e Afogados da Ingazeira, faremos encontros maiores, de caráter regional, e contaremos com a presença em peso da nossa militância, que vai receber o prefeito João Campos para, juntos, falarmos de futuro, expectativa e esperança”, declarou Sileno.

Em São Lourenço da Mata, o congresso está marcado para este sábado, às 9h, no Flamengo Atlético Clube, no Centro. Já em Afogados da Ingazeira, o evento ocorrerá no domingo, no mesmo horário, na Associação Atlética Banco do Brasil.

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Se o leitor não conseguiu acompanhar a entrevista com o poeta, músico, cantor e compositor paraibano Ton Oliveira ao quadro “Sextou”, do programa Frente a Frente, ancorado por este blogueiro e exibido pela Rede Nordeste de Rádio, não se preocupe. Clique aqui e confira. Está incrível!

Meu podcast direto de Brasília, parceria editorial com a Folha de Pernambuco, estreia em grande estilo na próxima quarta-feira, 2: o entrevistado será o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB). Por sugestão dos parceiros de rádios em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, o horário ficou agendado para às 18 horas, com duração de uma hora.

É neste horário que já ancoro, há 18 anos, o programa Frente a Frente, transmitido para 48 emissoras em Pernambuco, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Com o podcast no mesmo horário do Frente a Frente, também passam a integrar o pool mais duas redes de rádios no Nordeste, a Rede Mais Rádios, formada por 25 emissoras, e a Rede Francês de Alagoas, com 16 emissoras.

Também vai transmitir a TV a cabo Gazetta News, de Alagoas, e a MaisTV, da Paraíba. O podcast será transmitido pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog.

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Nota oficial

A Secretaria de Defesa Social (SDS) informa que uma aeronave do Grupamento Tático Aéreo (GTA) sofreu um acidente, na tarde desta sexta-feira, no distrito de Caraíbas, zona rural do município de Santa Maria da Boa Vista. O fato aconteceu durante as buscas pela adolescente sequestrada, na terça-feira (25), no Sertão pernambucano.

No helicóptero de nome DEFESA 02 e prefixo PR-EPE estavam quatro pessoas, sendo dois pilotos e dois operadores aerotáticos. Não houve feridos, apenas danos materiais. A investigação do acidente ficará com o Segundo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA II) da Força Aérea Brasileira, a quem compete a investigação de acidentes aeronáuticos.

A SDS destaca que as buscas pela adolescente sequestrada seguem pelo quarto dia e não haverá interrupções.

Um helicóptero do Grupamento Tático Aéreo (GTA) da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco caiu, no fim da tarde de hoje, nas proximidades do distrito de Caraíbas Velha, na fronteira com o estado da Bahia, após sofrer problemas mecânicos. A aeronave fazia buscas à menina Ingrid Vitória, sequestrada no início da semana em Santa Maria da Boa Vista, no Sertão do São Francisco. Apesar do susto, não há relatos de vítimas. Mais informações em instantes.