Malafaia põe STF sob pressão de religião em investigações contra Bolsonaro

Por Ana Gabriela Oliveira Lima*

“Tocar em um líder religioso não é uma coisa fácil. A religião que eu sou representa 35% do povo brasileiro. Isso é um negócio muito gigante.”

A mensagem dada pelo pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, em entrevista à youtuber Antonia Fontenelle no fim de fevereiro, revela uma das estratégias do aliado de Jair Bolsonaro (PL) para intimidar o STF (Supremo Tribunal Federal) nas investigações que envolvem o ex-presidente: fazer pressão blindado por seu status de líder religioso.

Depois de financiar manifestação na Paulista que admitiu ter sido planejada com essa finalidade, o pastor volta a protagonizar a organização de mais um ato a favor de Bolsonaro, desta vez em Copacabana, no Rio, neste domingo (21), e com a ameaça de subir o tom.

Para especialistas, a utilização da religião para pressionar a Justiça é sinal preocupante que testa a democracia. A estratégia anda lado a lado com a deslegitimação do STF sob o argumento de que “Supremo é o povo”, pensamento expresso recorrentemente por Malafaia.

“Se você botar o povo na rua, eles vão pensar umas três vezes [antes de prendê-lo]. E, se isso acontecer, o negócio vai ser feio”, disse Malafaia a Bolsonaro para convencer o político a promover a manifestação na Paulista, segundo relato feito pelo pastor em fevereiro.

A ideia, admitiu, era pressionar o STF em meio ao contexto em que Bolsonaro havia sido intimado a falar sobre uma possível trama golpista para impedir a posse do presidente Lula (PT).

Na mesma entrevista, Malafaia creditou o fato de ser líder religioso a chance de poder ter uma postura mais combativa junto ao Supremo.

Ataques ao ministro Alexandre de Moraes, que chama de ditador de toga, e a ideia de que o Judiciário deve observar a vontade do povo também estão presentes em seu discurso.

“O povo é o Supremo poder de uma nação. Nada é superior a nível de poder em uma nação do que o povo. Quando um povo se manifesta, se submete ao poder Judiciário, o Legislativo e o Executivo”, afirmou.

Em outra entrevista no fim de março, desta vez para o canal Rádio+Brasil, Malafaia disse não ter medo de ser preso e ameaçou divulgar vídeos dele e de Bolsonaro em caso de prisão. “Tem um vídeo meu gravado na mão de algumas pessoas. Se me prenderem, amigo, a coisa vai ficar bonita ao contrário”, afirmou. “Até Bolsonaro tem vídeos gravados. Se for preso, vai ser solto. Aí os caras vão ver o problema que eles vão arrumar.”

Depois da repercussão, o pastor justificou que os vídeos aos quais fazia referência tinham a ver com sua autodefesa e não eram incentivo à “quebra-quebra, perseguição política ou golpe”.

De acordo com Sérgio Feldman, professor de história da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), a ideia de que o Judiciário deve observar a vontade do povo é antiga e foi marcadamente usada pelo fascismo e nazismo na Europa do século 20.

“Esse discurso já existia, mas foi retomado entre as tendências totalitárias do século 20 que surgiram no pós-Primeira Guerra”, afirma. “Tendências autoritárias trabalhavam com propagandas para justificar os regimes. Nessas propagandas, elas assumiam estar no lugar do povo, representar o povo contra inimigos externos.”

Para Luis Gustavo Teixeira, doutor em ciência política com foco em laicidade estatal e professor da Unipampa (Universidade Federal do Pampa), as falas de Malafaia sobre o Supremo e a pressão que pode exercer como líder religioso exemplificam um pensamento que representa “clara violação da democracia”.

“Grupos extremistas desconsideram o papel do Judiciário enquanto entidade cuja atribuição é impedir a violação dos direitos”, diz.

“O que Malafaia pondera é: somos [evangélicos] muito em termos de densidade populacional e também temos um capital político enorme.”

Entretanto, afirma Teixeira, é papel do Judiciário apreciar assuntos polêmicos que podem ir de encontro a valores consensuais no debate público.

De acordo com Henderson Fürst, professor de direito constitucional da PUC-Campinas, o uso da concepção de povo como poder supremo é recorrente em democracias em crise.

“É uma afirmação falaciosa, mas de fácil assimilação por quem não está familiarizado com a estrutura jurídica complexa de uma democracia. Todo poder emana do povo, isso é verdade, mas esse poder se concretiza na forma de uma Constituição”, diz.

Ele afirma que a função do Supremo é ser contramajoritária. “Ainda que todo o povo queira algo, o Supremo precisará ir contra essa vontade porque sua função não é ouvir a voz da rua, é ouvir as vozes da Constituição.”

Segundo Pedro Serrano, professor de direito constitucional da PUC-SP, se o STF leva em consideração a pressão religiosa na hora de tomar suas decisões, o impacto é negativo para a democracia.

“A ideia de que o Supremo deve observar o povo parte do pressuposto de que o poder político deve ser superior aos direitos. É a essência da tirania”, diz.

O especialista completa que a intensidade de uma democracia se mede, entre outros aspectos, pelo grau de autonomia do direito. “Ou seja, o quanto que no plano real, na prática social, as decisões do Judiciário e da corte constitucional se dão por razões de Justiça e não por estratégias de disputa de poder.”

Questionado pela Folha, Malafaia afirmou que “o povo ter consciência de que é o supremo poder” não é prejudicial à democracia, mas sim àqueles que querem calar a população. O pastor também afirmou desconhecer pressão de líderes religiosos sobre o STF e disse que ele, como pastor, tem “certa influência”, mas não “toda a influência”.

Sobre os vídeos que ameaçou divulgar em caso de sua prisão ou de Bolsonaro, reafirmou que são uma precaução, uma vez que tem visto Moraes prender pessoas “sem nenhum motivo”. “E eu garanto para você que não é para incentivar a perseguição a autoridades, para quebrar o país. Eu sou democrata. Quem gosta de quebrar é a esquerda”, afirmou.

Malafaia disse também que se posiciona como cidadão e que há 40 anos conscientiza o povo evangélico. Afirmou que suas críticas a Moraes são embasadas na Constituição e que pretende trazer, na manifestação de domingo em Copacabana, novas denúncias envolvendo investigações contra Bolsonaro.

*Jornalista da Folha de São Paulo

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O STF (Supremo Tribunal Federal) volta a julgar na próxima terça-feira (25) o recurso que discute a descriminalização do porte de drogas. Os ministros analisavam o recurso sobre o tema no plenário da Corte na quinta-feira (20), quando o julgamento foi suspenso. Na ocasião, será fixada uma tese sobre o assunto. Atualmente, o placar está em 5 a 3 a 1, com três vertentes em discussão.

Já há maioria para fixar uma quantidade de maconha para caracterizar uso pessoal, e não tráfico de drogas. Entretanto, ainda está em discussão a quantidade específica e se a decisão deve partir da Corte ou do Congresso. Por isso, ainda não há maioria para descriminalizar o porte de maconha. O julgamento começou em 2015 e, até o momento, foram apresentados nove votos. Faltam os votos dos ministros Cármen Lúcia e Luiz Fux. As informações são do R7.

Embora a lei tenha abolido a pena de prisão, ainda mantém a criminalização, resultando na investigação policial e em processos judiciais contra os usuários de drogas, buscando a aplicação das penas alternativas.

Em um caso específico sob julgamento, a defesa de um condenado solicita que o porte de maconha para uso pessoal não seja mais considerado crime. O acusado foi detido com três gramas da substância.

Nessa quinta-feira (20), o ministro Dias Toffoli votou para manter a criminalização do porte de drogas e apresentou uma nova corrente de voto. Para Toffoli, a lei atual é constitucional e deveria ter uma interpretação mais administrativa de advertência e tratamento, não uma sanção penal. Ou seja, ele votou para manter a lei, mas entende que a norma não criminaliza.

No início do voto, Toffoli fez uma comparação e disse que o café, o tabaco e a cocaína oferecem uma mudança bioquímica do cérebro, mas em níveis diferentes. “Tanto o café que eu acabei de beber aqui, quanto o tabaco – que eu não fumo -, quanto a cocaína – que eu nunca vi – se enquadram nessa definição, pois todos modificam a bioquímica do cérebro, apesar de terem efeitos distintos”, afirmou o ministro.

Entretanto, o voto do ministro mantém o tratamento dos casos com a Justiça criminal. Isso significa que as abordagens continuam com a polícia e as determinações passariam por um juiz criminal. Toffoli não restringe sua posição à maconha. Seu voto vale para usuários de todas as drogas. O ministro fez ainda um apelo ao Congresso para editar uma lei antidrogas e votou para que, no prazo de 18 meses, os parlamentares formulem uma política pública de drogas baseada em evidências científicas.

Placar

Até agora, cinco votos apoiam a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal — dados por Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Rosa Weber e Gilmar Mendes —; três ministros se posicionam contra: Cristiano Zanin, André Mendonça e Nunes Marques. Toffoli apresentou um voto divergente das duas correntes, abrindo um novo entendimento. Já os ministros Luiz Fux e Cármen Lúcia ainda não votaram.

O Supremo Tribunal Federal analisa a constitucionalidade do Artigo 28 da Lei das Drogas (Lei 11.343/2006), que estabelece medidas para distinguir usuários de traficantes. Esta norma prevê penas alternativas, como serviços comunitários, advertência sobre os efeitos das drogas e participação em cursos educativos, para indivíduos que adquirem, transportam ou portam drogas para uso pessoal.

Paulista - Boa praça

João e Marcílio Fragoso estão mostrando ao mundo como práticas sustentáveis podem transformar a proteção costeira. Utilizando troncos de coqueiros, eles demonstraram como essa técnica pode ajudar a mitigar os efeitos da erosão marinha. “Os troncos absorvem a energia das ondas e ajudam a manter a areia no lugar”, explicaram.

Além de proteger a costa, os Fragoso estão promovendo o reflorestamento com coqueiros, criando um futuro sustentável e próspero para a comunidade local. “Cada coco que colhemos é um símbolo de nossa dedicação ao meio ambiente e à nossa comunidade”, afirmaram.

A visão dos Fragoso para a Pontal dos Fragoso é um exemplo inspirador de como viver em harmonia com a natureza pode promover o desenvolvimento econômico sustentável. “Estamos plantando as sementes de um futuro melhor”, concluíram.

Um legado de amor pela natureza

A história dos irmãos Fragoso é marcada por um profundo amor pela natureza, herdado de seu pai, Marcílio Fragoso de Medeiros, um renomado ambientalista. 

João e Marcílio têm orgulho de continuar seu trabalho, plantando coqueiros e promovendo a sustentabilidade no Pontal dos Fragoso. 

“Quem puxa aos seus não nega suas origens”, disseram emocionados.

O nome do pai dos Fragoso foi eternizado na Rodovia Marcílio Fragoso de Medeiros, que liga Porto de Galinhas a Maracaípe. “Cada vez que passamos por essa estrada, lembramos de seu compromisso e amor pela terra”, relataram.

A dedicação dos Fragoso ao meio ambiente é um exemplo inspirador de como o amor pela natureza pode se transformar em um legado duradouro de prosperidade e dignidade. “Estamos plantando as sementes de um futuro melhor”, afirmaram.

Uma visão de sustentabilidade

João e Marcílio Fragoso estão transformando o Pontal dos Fragoso em um modelo de sustentabilidade e prosperidade para a comunidade local. Recentemente, os irmãos plantaram 500 coqueiros, com a expectativa de que, dentro de três anos, a safra renda aproximadamente 8.000 cocos verdes por mês. “Estamos cultivando não apenas árvores, mas esperança e prosperidade”, afirmaram.

A projeção de uma safra tão significativa traz consigo a promessa de geração de renda e empregos para a localidade. “Esperamos criar 10 empregos diretos e 80 empregos indiretos, fortalecendo a economia local e trazendo dignidade e segurança para muitas famílias”, disseram.

A iniciativa dos Fragoso vai além da simples plantação de árvores, sendo um compromisso com o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida da comunidade. “Veremos nossa comunidade crescer e prosperar com dignidade”, concluíram.

Um exemplo de proteção e sustentabilidade

Na tarde de 22 de junho de 2024, a deslumbrante Beira Mar de Maracaípe foi cenário de um emocionante relato de preservação ambiental. João e Marcílio Fragoso, proprietários do Pontal dos Fragoso e defensores ardorosos do meio ambiente, realizaram vídeos esclarecedores sobre a importância de práticas sustentáveis na proteção costeira.

Os Fragoso demonstraram a utilização de troncos de coqueiros na linha costeira, uma técnica simples mas eficaz que ajuda a proteger a costa contra a erosão sem causar danos ao ecossistema local. “Não é só no Pontal que podem ser utilizados esse método, pois, praias como Maria Farinha, Gravatá e tantas outras sofrem do mesmo problema, esses troncos, quando estrategicamente posicionados, ajudam a manter a areia no lugar”, explicaram João e Marcílio.

Além disso, os vídeos destacaram a diferença entre cercamento e contenção, ambos utilizando troncos de coqueiros. “Cercar uma propriedade significa delimitar seu perímetro, enquanto a contenção é uma barreira que protege contra a força da natureza”, explicaram, mostrando como a contenção está acumulando areia e a restinga está ultrapassando os limites da propriedade, beneficiando o ecossistema local.

A narrativa dos Fragoso é um chamado à ação para todos que se preocupam com o meio ambiente. “Não se trata apenas de proteger nossa propriedade. Estamos falando de preservar um legado para as futuras gerações”.

Petrolina - Viva a nossa arte

O pessimismo voltou a tomar conta de bolsonaristas que esperavam que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, autorizaria em breve Jair Bolsonaro a voltar a falar com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Aliados do ex-presidente dizem ter recebido, de interlocutores próximos de Moraes, novas sinalizações de que o ministro não deve revogar agora a proibição para Bolsonaro e Valdemar manterem contato direto. Da coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles.

Até então, aliados e auxiliares do ex-presidente da República esperavam que Moraes revogaria a proibição ainda em junho deste ano, permitindo que Bolsonaro e Valdemar voltassem a se falar diretamente.

“Espero resolver isso nesse mês. Estou com saudades de conversar com o Bolsonaro”, afirmou Valdemar em conversa com jornalistas no último dia 12 de junho, no Senado.

A decisão de Moraes

Bolsonaro e Valdemar estão proibidos de se falar desde 8 de fevereiro por ordem de Moraes. A decisão foi dada no âmbito do inquérito que investiga suposta tentativa de “golpe de Estado” para manter Bolsonaro no poder.

Desde então, a OAB e a defesa do ex-presidente já pediram a Moraes para revogar a proibição, mas o ministro do Supremo não cedeu. Novos pedidos foram feitos depois e ainda aguardam decisão do magistrado.

O principal argumento da defesa de Bolsonaro é de que a proibição de contato entre ele e Valdemar compromete o dia-a-dia partidário e pode prejudicar as articulações do PL para as eleições municipais de outubro.

Ipojuca - Minha rua top

Em evento promovido na quinta-feira (20), foi anunciado oficialmente o lançamento das pré-candidaturas da majoritária e proporcional pela oposição em Santa Terezinha. Neguinho Danda (União Brasil) e Dr. Júnior (Avante), ambos vereadores, foram apresentados como pré-candidatos a prefeito e vice, respectivamente.

Neguinho de Danda é o atual presidente da Câmara de Vereadores. Dr. Júnior foi presidente da edilidade duas vezes. O grupo de oposição ao governo lança uma base sólida e entra em definitivo em pré-campanha. Os nomes devem ser homologados candidatos na convenção que vai acontecer nos primeiros dias de agosto próximo.

Ipojuca - Minha rua top

Ainda se observa um contingente relevante da população brasileira em situação de privação de renda. A distribuição espacial dos indicadores de renda e pobreza indicam uma situação mais delicada na região Nordeste, que concentra quase metade (45%) das pessoas em situação de pobreza monetária no país. Nesse sentido, estabelecer como foco de análise a dinâmica destes indicadores para a região Nordeste se torna um exercício importante, tendo em vista os persistentes desafios ao desenvolvimento da região. E claro, a análise de informações estatísticas fornece evidências para o debate sobre as políticas que já foram e estão sendo realizadas para a região, além de provocar reflexões em busca de novas alternativas.

No presente artigo, nos preocupamos em analisar de forma mais específica a situação dos estados nordestinos, apresentando e avaliando as trajetórias dos indicadores de pobreza no período de 2012 a 2023, conforme o recorte da PNAD Contínua nos permite. Aqui estivemos atentos a dinâmica diferenciada destas trajetórias ao longo destes anos e entre os nove estados da região. Também consideramos dois parâmetros de identificação, calculando e avaliando índices de pobreza e extrema pobreza.

Na dimensão temporal, o comportamento dos indicadores é diferenciado entre recortes alternativos considerados. Entre 2012 e 2019, embora o país tenha enfrentado uma importante recessão e anos de baixo crescimento, foi possível observar reduções no índice de pobreza em todos os estados do Nordeste. A dinâmica após 2020 é bastante diferente, explicada pelo cenário de pandemia e de transformações na política de transferência de renda. Os efeitos mais severos da pandemia de Covid-19 sobre os indicadores de pobreza só foram sentidos em 2021, ano em que foi possível observar um abrupto aumento nos índices de pobreza. 

Após este ano, as políticas de transferência de renda permitiram o esboço de uma nova tendência de redução. Na região Nordeste, que concentra a maior parcela da população em situação de pobreza e dependente das transferências, efeitos destes acontecimentos são bastante perceptíveis, com mais de 5,4 milhões de pessoas saindo da situação de pobreza no Nordeste em 2022 e 2023.

Pobreza e extrema pobreza no contexto nacional e regional

Conforme publicado recentemente no blog do FGV IBRE, 3,3 milhões de nordestinos sairam da pobreza entre 2012 a 2023, publicado em 11 de junho de 2024, o número estimado de pessoas em situação de pobreza no Brasil em 2023 correspondia a um contingente de aproximadamente 60,4 milhões de pessoas, equivalente a 28% da população. Ao comparar 2023 com o primeiro ano da série da PNAD Continua, temos uma redução de 6,7 pontos percentuais, o que representa uma estimativa de 8,3 milhões de pessoas a menos na situação de pobreza.

Analisar esta variação entre 2012 e 2023 não permite observar que a redução de pobreza ao longo de todo este período não se deu de maneira uniforme. O comportamento destes indicadores foi diferenciado ao longo dos anos, respondendo ao cenário econômico que, por sua vez, induziu mudanças no nível e na composição da renda das famílias (variável empregada para o cálculo dos indicadores de pobreza monetária). De forma mais recente, também tivemos mudanças significativas nas políticas de combate à pobreza, principalmente nas de transferência de renda.

De 2012 até 2019, tem-se um período caracterizado por uma forte recessão (nos anos de 2015 e 2016) e uma sequência de anos marcados por um crescimento muito baixo. Obviamente, esse cenário teve repercussões sobre a renda e os indicadores de pobreza em todo o país. Entre 2012 e 2019, o quantitativo de pessoas pobres no Brasil, declinou pouco mais de 355 mil pessoas. Isso representa uma redução de 0,5% entre os dois anos. Neste mesmo período, as regiões Nordeste e Sul, foram as únicas que conseguiram reduzir parcelas da população em situação de pobreza, redução esta, que quase foi anulada pelo crescimento estimado nas regiões 

Centro-Oeste, Sudeste e Norte

Quando se considera o indicador de extrema pobreza, estabelecendo maior atenção aos mais pobres, se observa um aumento no número de pessoas nesta condição em todas as regiões do país. No agregado, o número de pessoas em extrema pobreza aumentou 18% entre 2012 e 2019, de 13,1 para quase 15,5 milhões. 

Apesar de ter experimentado uma redução no número de pobres, se observou uma piora nas estimativas de extrema pobreza para o Nordeste, o que indica uma evidência de que, aqueles que permaneceram com rendimentos abaixo da linha de pobreza, experimentaram uma piora de suas privações monetárias.

Por sua vez, a dinâmica após 2020 é bastante diferente, sendo explicada pelo cenário de pandemia e de transformações na política de transferência de renda. Os anos de 2020 e 2021 foram caracterizados por dois grandes extremos. Em 2020, o Auxílio Emergencial conseguiu fazer frente aos efeitos socioeconômicos da pandemia e os indicadores de pobreza chegaram a sofrer forte redução. Os efeitos mais severos do cenário econômico da pandemia de Covid-19 sobre os indicadores de pobreza só foram sentidos em 2021, quando a proporção de pessoas em situação de pobreza alcançou o patamar de 36,9%, representando uma estimativa de 78,3 milhões de pessoas. 

Ao final de 2021 o Programa Auxílio Brasil foi lançado em substituição ao Programa Bolsa Família. Inicialmente com valor médio de R$ 400 por família em situação de pobreza, este programa obteve um acréscimo de R$ 200 no segundo semestre de 2022. Com isso, os dados em 2022 já passaram a revelar uma redução da pobreza monetária em todo o país.

Por fim, o último marco significativo destas mudanças na política de transferência de renda foi o relançamento do Programa Bolsa Família em março de 2023. Mantendo o valor mínimo de R$600, mas com a inclusão de novos benefícios de acordo com a composição familiar, o valor do benefício médio aumentou e, obviamente, gerou efeitos ainda maiores sobre os indicadores de pobreza monetária aqui analisados. Ao final de 2023, as estimativas revelam uma redução no número de pobres de quase 18 milhões de pessoas desde o pico em 2021. Uma redução de quase 23% em dois anos.

Com base no critério da linha de extrema pobreza, estima-se que em 2021 havia 19,2 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema. Ao final de 2023, esse número caiu pela metade, representando uma redução de 9,6 milhões de pessoas. A redução acentuada foi observada em todas as regiões do país, mas vale destacar que deste contingente, 4,8 milhões residiam na região Nordeste, o que equivale a 50% da redução observada no país.

Serra Talhada - Saúde

O nível do lago Guaíba subiu 23 centímetros nas últimas 11 horas, de domingo (23), para esta segunda-feira (24). A situação fez com que a prefeitura de Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre (RS), emitisse um alerta de risco de inundação em áreas consideradas vulneráveis a enchentes. O tempo está instável na região desde o fim de semana.

Segundo informações da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o nível do lago Guaíba estava em 3,19 metros à 1h da manhã de domingo. O nível subiu gradualmente durante o dia até chegar em 3,33 metros às 22h. As informações são do site Terra.

Já na madrugada desta segunda-feira, o nível do Guaíba alcançou 3,38 metros às 0h44, 3,42 metros às 5h45 da manhã e ficou em 3,40 metros às 6h45, segundo a medição. A taxa de inundação é de 3,60 metros.

A Defesa Civil da cidade alertou pelas redes sociais que os moradores se atentem ao risco de enchente, nas áreas vulneráveis da cidade. São consideradas áreas de risco aquelas que ficam às margens do lago.

“Devido a incidência de vento sul e sudeste, previstos para ocorrerem até a terça-feira (25), ocasionando o represamento da água do lago Guaíba, haverá um aumento no nível das águas, o que pode ocasionar alagamentos em alguns pontos localizados nas margens do Guaíba”, disse a nota.

“Há risco de transtornos por conta desse evento, com novas ocorrências de inundações também de córregos e arroios próximos ao lago Guaíba. A Defesa Civil de Guaíba orienta a todos que se encontram em áreas de risco, nas margens do lago, que busquem um local seguro ou dirijam-se ao abrigo municipal do Ginásio do Coelhão. Em caso de emergência, ligue para 199, 190, ou 193”, orienta o órgão municipal.

Vitória Reconstrução da Praça

Por Mariana Teles*

No meu São João tem que ter

O gemido da sanfona,

E o chiado do chinelo 

Que o salto alto não clona,

Tem um nordeste abraçado

Xote, baião e xaxado…

Tocando a cada segundo!

Em sítio, vila e cidade

Preservando a identidade

Da maior festa do mundo!

No meu São João, Gonzagão 

É REI com fama e tiete, 

Ninguém vai sair de casa

Para escutar Juliette.

Henry Freitas que não cria 

Ou qualquer pornografia 

Não tem palco, não tem vez!

A cultura é quem domina

Caruaru e Campina

Honram Jackson e Marinês.

No meu São João, Alcymar

É Rei sem perder o trono,

Santanna manda e desmanda

No Palco que o verso é dono.

Tem xote de Marcolino,

Tem arte de Vitalino

Tem muganga de Biliu…

Tem tudo que a gente é fã,

Tem Ton, tem Elba, Amazan…

Falando alto ao Brasil.

A “Asa Branca” é o hino. 

“Ana Maria” a bandeira 

“Se Avexe Não” é a prece

Rezada em toda maneira…

No nosso templo de fé,

É onde Flávio José 

Ninguém lhe manda parar. 

Quanto mais toca, mais bis,

É São João que o REI LUIZ

É vivo em todo lugar. 

Meu São João possui o gosto

De um caldeirão de canjica…

Tem sabor de gente simples 

Na história e na cantiga,

Tem arte em forma de gente

Tem a tradição valente 

Da nossa chama mais pura 

É o São João de verdade

Faz parte da identidade 

Força da nossa cultura.

No meu São João ninguém manda

Um forrozeiro parar

E a história do forró

É viva em todo lugar!

Meu São João tem velho e novo 

Nasceu com a força do povo 

É ritmo, é inspiração!

Suporta a modernidade 

Sem perder a identidade

Sem vender a tradição!

Meu São João ninguém licita 

Pra dividir a propina,

Sabe preservar a força 

Do fole e da concertina. 

É a cara do nordeste

Da nossa força inconteste,

Do baião mais genuíno 

Só se rende ao forrozeiro

Que é o ídolo verdadeiro

Do coração nordestino!

No meu São João, tudo é NOSSO

No plural, no coletivo!

E o Baião de Dominguinhos

É todo dia mais vivo.

Nós sabemos receber

Mas quem vem tem que saber 

Quem manda no meu terreiro,

É xote, baião, é rima,

E não tem Gustavo Lima

Maior que um forrozeiro!

*Poetisa e advogada, filha do poeta Valdir Teles

Durante o maravilhoso show que fez ontem em Serra Negra, no município de Bezerros, a cantora Cristina Amaral fez uma justa, oportuna e emocionante homenagem ao cantor e compositor Paulo Diniz, de Pesqueira, que morreu há dois anos. Confira!

No posto Cruzeiro, em Arcoverde, encontrei esta dupla maravilhosa de bacarmateiros – Manoel Jibóia e Vicente Policial – de Afogados da Ingazeira, minha terra natal. Vestidos a caráter, estão a caminho de Caruaru para uma reunião de interesse da categoria, pautada em torno de um projeto de lei que tramita no Congresso Nacional.

Por Fernando Rodolfo*

Tem virado rotina criticar as grades de programação dos principais festejos de São João em Caruaru e no Nordeste. O predomínio de artistas de gêneros como sertanejo, axé e música eletrônica vem, ano a ano, destruindo as tradições. Em Caruaru, este ano beiramos o desrespeito, com o prefeito e seus aliados comemorando uma atração internacional no maior palco de forró do Mundo, ao passo em que excluíram nomes historicamente ligados à cultura local.

É preciso entender que não há aqui ninguém contra a festa, que movimenta a nossa economia e garante o sustento de milhares de famílias. Também não é nada contra os artistas, que estão sendo pagos para levar suas mensagens ao público frequentador. Mas é uma questão de valorização do forró e da nossa cultura: o São João de Caruaru não é uma micareta. A nossa festa é uma celebração de uma cultura tradicional, de xote, baião, sanfona, zabumba, triângulo, bacamarteiros e tantos outros elementos característicos como a feira, a literatura de cordel e o artesanato, e que vêm sendo dizimados por essa gestão.

É urgente resgatar os nossos elementos culturais, as nossas tradições, aquilo que fez o São João ser patrimônio histórico e imaterial do nosso País, título concedido pelo Governo Bolsonaro, e que até poderia ter sido dado antes pelas esquerdas, mas não foi. E que vem sendo desmerecido pela atual gestão, que (des)organiza sua terceira – e última, clamamos – festa junina.

Por conta de gestores como o de Caruaru que criamos e protocolamos o projeto criando a Lei Luiz Gonzaga, obrigando todos os prefeitos a destinarem 80% dos recursos públicos dos festejos juninos para artistas que tenham vinculação à cultura regional. Assim, veremos mais São João de verdade em Caruaru, em Campina Grande e no Nordeste de maneira geral. Veremos as tradições, o forró clássico e todas as suas derivações, respeitando o espaço para outras manifestações, mas não descaracterizando a alma da nossa festa. Essa é a missão.

Que 2024 seja o último ano para gestores assim, que vendem a alma de um evento dessa magnitude e não pensam no futuro, nas próximas gerações. Seu interesse é apenas festa, farra e capitalizar com isso. E não vão, porque o povo trabalhador de Caruaru sabe que mais importante é a obra que não aconteceu, a estrada que não foi asfaltada, os defeitos que seguem sem serem corrigidos. Isso um São João não resolve. Só faz quem sabe trabalhar. A imagem e a autoestima do povo de Caruaru serão sempre o nosso foco. Vamos em frente.

*Deputado Federal e pré-candidato a prefeito de Caruaru

Por Ricardo Andrade*

Muitos concordam: nosso ciclo junino já não é o mesmo. Prefeitos, produtores, meios de comunicação e a indústria de massas etc, “encantados” por  cachês altíssimos, seguem descaracterizando nossa cultura e tradições nordestinas, com artistas e gêneros alienígenas. 

Daqui a pouco, teremos que ter políticas de ações afirmativas, com cotas, para participação de artistas e de ritmos/gêneros da cultura nordestina, em pleno ciclo junino. O desabafo de Elba Ramalho e de Joquinha Gonzaga (sobrinho de Gonzagão), feito dias atrás, apenas demonstra o atual quadro, por que passa, nossos festejos juninos, sobretudo em nossas duas maiores praças: Caruaru e Campina Grande.

Não escrevo aqui apenas em nome da nostalgia e/ou saudosismo, mas em favor das tradições nordestinas, de nossos ritmos e artistas, de nossa cultura tão ampla, rica e plural. Em nome de uma pretensa multiculturalidade, esquecer de nossos valores e expressões artístico-culturais, ou abortar novos talentos. O resgate dos Trios pé-de-serra, grupos de Bacamarteiros, de nossos artistas e ritmos originais, não se trata apenas de nos manter vivos, mas de um sentimento de pertença, de identidade regional, que é mais valorizado lá fora, do que, em  nossa próprio solo nordestino. 

Um dos únicos segmentos, que eles não conseguem se desvencilhar, é a nossa gastronomia, com nossa comida típica, maravilhosa e diversa. As Quadrilhas Juninas se ressignificaram, se organizaram, mas mantém as raízes de nossa nordestinidade, nos seus temas, figurino, repertório etc. É hora de reflexão, mas de “virada de chave”. Viva o autêntico São João e nossas manifestações, da genuína cultura nordestina!

*Historiador, cientista político, músico e compositor.

Conheci, ontem, ao lado da minha Nayla Valença, a Caminhada do Forró, de Arcoverde, que já está na sua 12ª edição, um dos maiores eventos juninos do Nordeste. É tão gigantesco, arrasta tanta gente animada, divertida e bem vestida que mais lembra uma micareta, o carnaval fora de época. 

O esquenta da festa foi na Retífica Arcoverde, de João Fernando Gomes, o Nando, como é mais conhecido. Lá, ele reuniu uma turma muito animada. Teve sanfoneiro, ele próprio cantou e nos serviu cerveja gelada, feijoada e caldo de mocotó.

Em seguida, saímos em direção ao Esporte Clube, local da concentração dos trios que seguiram pela Avenida Antônio Japiassu seguidos por um mar de gente. Entre os mais animados, o ator Irandir Santos, da novela Renascer, da TV Globo, que se encontra em Arcoverde. 

Durante a concentração, havia uma praça de alimentação com bebidas e comidas típicas. Foram montados dois palcos, um na parte externa e outro dentro do clube, onde artistas vinculados ao ciclo junino, especialmente ao Forró de Raiz, se revezaram em apresentações.

A sonorização foi reforçada com a contratação de quatro trios elétricos e o local de encerramento da 12ª edição da Caminhada foi no cruzamento da Avenida Antônio Japiassu com a Rua Germano Magalhães (Posto Central).

Teve também uma área exclusiva para pessoas com necessidades especiais, chamada “Tenda da Acessibilidade”, que ficou posicionada no Parque Linear. Outra novidade deste ano foi, em parceria com o SESC, uma exposição das artes das camisas de todas as edições da Caminhada do Forró, elaboradas pelo artista plástico Sebastião Rodrigues, incluindo as desse ano com as figuras dos homenageados, Mestre do Coco Cícero Gomes e da cantora e poetisa Sílvia Regina.