Dez anos após protestos, política brasileira carrega marcas e consequências das jornadas de junho

Por Ricardo Fabrino Mendonça

Há dez anos, o Brasil foi tomado pelas chamadas “jornadas de junho”, série de manifestações que se iniciou com insatisfações sobre as tarifas de ônibus e depois agregou pautas e grupos difusos, virando a política brasileira de cabeça para baixo.

Na época, o país era presidido por Dilma Rousseff (PT), que ainda tinha considerável grau de aprovação popular. A partir daquele mês, contudo, um novo ciclo político se iniciaria: vieram, em sequência, a operação Lava Jato, o impeachment da petista e a eleição de Jair Bolsonaro (PL).

Por conta da série de acontecimentos que sucederam aqueles protestos, junho de 2013 passaria a ser chamado de “o mês que não terminou” para acadêmicos, políticos e parte da sociedade.

Para o cientista político e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Sérgio Praça, 2013 divide com 2016 (impeachment de Dilma) e 2018 (eleição de Bolsonaro) o status de anos mais importantes na política brasileira das últimas três décadas.

“Houve uma conjunção rara de fatores que impactou a política brasileira de forma decisiva: o início da crise econômica, as manifestações populares, e o início da ideia da Lava Jato”, diz, sobre o ano das jornadas. As informações são do G1.

Professor do Departamento de Ciência Política da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Ricardo Fabrino Mendonça afirma que, de fato, é possível estabelecer laços entre os atos de 2013 e os acontecimentos políticos que os sucederam, mas destaca que “essas conexões não são de caráter simples e unilinear”.

“Não vejo junho de 2013 como a causa dos processos que sucederam aquilo ali, mas o período é atravessado por muitos dos fatores que se manifestam de outras formas nos anos subsequentes”, aponta.

Nessa mesma linha, a cientista política Deysi Cioccari acredita que aqueles atos ainda “não foram totalmente compreendidos” e, por isso, devem ser tratados com cuidado.

“Concordo, sim: 2013 não terminou. Foi o estopim para uma nova política brasileira, mas uma fase que ainda precisa de cuidado e análise crítica”, diz.

O Brasil nas ruas

O pontapé inicial para os atos de junho se deu no dia 2, quando passou a vigorar na cidade de São Paulo um reajuste de R$ 0,20 para as tarifas do transporte público— na época, a tarifa custava R$ 3. No dia 3 ocorreram as primeiras manifestações, ainda de pequeno porte.

Três dias mais tarde, o Movimento Passe Livre (MPL) realizou ato na Avenida Paulista contra o reajuste. Na mesma data, manifestantes ocuparam a Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, também para protestar contra as tarifas. Voltaram a acontecer protestos nos dias 7 e 11, com registros de depredação.

“No dia 13 de junho, no entanto, ocorre a virada para os atos. O quarto protesto em São Paulo foi duramente reprimido pela Polícia Militar. Entre os feridos, em meio a pancadarias e tiros de bala de borracha, estavam jornalistas”.

“Houve uma solidariedade midiática, com uma série de jornalistas atingidos por bala de borracha, e uma sociedade civil que começa a apoiar aquela forma de se manifestar, vinculada a toda uma tendência de questionamento do sistema político”, afirma Ricardo Fabrino Mendonça.

O cientista político explica que a efervescência de 2013 se torna compreensível quando considerados fatores como o questionamento por parte da população de “uma ideia mediada de representação” e a “janela de visibilidade” aberta pela Copa das Confederações — que ocorria no Brasil naquele momento.

Ele dá destaque, contudo, ao cenário externo: “Junho de 2013 no Brasil acontece dentro de um ciclo de protestos que tem uma escala maior que o Brasil. Há reverberações do que tinha acontecido no Egito, nos EUA, na Espanha, na Turquia”.

Já no dia 15 de junho, durante o primeiro jogo da Copa das Confederações, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff foi hostilizada. O momento marca a incorporação das críticas contra investimentos para eventos esportivos e a exigência de melhora dos serviços públicos às pautas dos atos — demandas que se arrastariam pelos anos seguintes.

Dois dias depois, em Brasília, se dá uma das cenas mais icônicas das jornadas de junho, quando manifestantes subiram a marquise do Congresso Nacional.

Com o avanço dos protestos pelo país, diversos grupos e pautas difusas passaram a integrar o movimento. No dia 20 ocorrem as maiores manifestações, com mais de 1 milhão de pessoas nas ruas de mais de 100 cidades brasileiras.

O professor da UFMG explica que o traço “diverso” daquelas manifestações fazem com que até hoje elas sejam “disputadas” por diferentes grupos.

“A disputa política sobre o que foram aquelas vozes ali nas ruas continua se desdobrando e empurrando junho de 2013 em direções diferentes, e é por isso que aquele mês não acaba”, explica.

As consequências das jornadas

Após semanas de protestos, parte das capitais, inclusive São Paulo, onde as manifestações começaram, anunciou a redução das tarifas. Na sequência, Dilma Rousseff fez pronunciamento na TV prometendo “pacto” com governadores e prefeitos para atender às demandas. Com isso, as tensões se arrefeceram, mas as “impressões digitais” das jornadas de junho já haviam se solidificado.

Um levantamento do Datafolha, divulgado no dia 29 de julho de 2013, mostrava a ascensão da insatisfação popular: a porcentagem dos brasileiros que avaliava o governo de Dilma como “bom ou ótimo” era de 30% naquele momento. Três semanas antes, o índice estava em 57%.

Em outra demonstração das mudanças de diretrizes acarretadas pelos atos, no dia 26 o Senado levou à frente projeto que endurecia punição para corrupção, enquanto a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou o fim do voto secreto para cassações de mandatos.

“Foi um movimento que certamente alterou a forma política brasileira e deu origem a novos líderes políticos”, analisa Deysi Cioccari. A especialista destaca, porém, que as pautas que ganharam espaço já habitavam no ideário de parte da população e somente passaram a ganhar eco em lugares como as redes sociais, por exemplo.

Sérgio Praça reitera o processo em que novas demandas surgidas naquela manifestação deu propulsão a grupos políticos de considerável relevância para os acontecimentos que viriam a seguir.

“Não sei se 2013 pode ser exatamente chamado “o ano em que nasceu o bolsonarismo”, mas certamente é o início do MBL — ou ao menos de sua ideia —, e do Vem Pra Rua. Como sabemos hoje, foram organizações importantes para o movimento conservador brasileiro – entre as quais podemos incluir o bolsonarismo”, conclui o pesquisador.

Disseminação nas redes

Segundo os especialistas consultados pela CNN, as características que envolvem os atos de dez anos atrás os colocam entre os mais marcantes da história do Brasil pós-redemocratização.

“Há algo que costura Diretas Já (1984), Caras Pintadas (1992) e os atos de 2013. Basicamente, eles têm em comum o volume, a diversidade e algum uso de uma ideia, ao menos nos desdobramentos, de nacionalidade”, analisa Ricardo Fabrino Mendonça.

Para Deysi Cioccari, há similaridades entre as manifestações de 1992, contra o então presidente Fernando Collor, e os atos de 2013, mas os protestos tiveram distinções importantes. Segundo a especialista, o advento das redes sociais é um dos fatores que permeiam essas diferenças.

“A principal diferença está entre os meios de comunicação que permitiram a cada uma reverberar. No caso de 1992, a manifestação ficou dependente da ótica dos meios de comunicação da época — o que não diminui sua credibilidade e importância. As jornadas de junho de 2013 tiveram uma possibilidade de amplificação das vozes”, explica, em referência às redes sociais.

Ricardo Fabrino Mendonça ainda destaca que, apesar do “volume e diversidade” que unem as manifestações de 1992 e 2013, é incorreto afirmar que não houve, nas ruas, atos de resistência popular relevantes durante este intervalo.

Vale ainda destacar que 2013 puxou uma série de atos volumosos que ocorreram nos anos 2010, como os protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, além de manifestações favoráveis e contrárias a Jair Bolsonaro (PL) durante o mandato do ex-presidente.

Apesar da semelhança, os especialistas apontam que os atos que vieram a seguir carregaram essências diferentes, por seus perfis menos diversos.

*Cientista político

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Cunhado na folha da Perpart

Em meio a uma vassourada na Perpart (antiga Emater e Cisagro, além de outros órgãos rurais), promovida pela governadora Raquel Lyra (PSDB), chegou a este blog, ontem, cópias do contracheque de Fábio Henrique, no valor de R$ 8.792,00, que, segundo consulta a vários servidores do órgão, nunca deu um só dia de trabalho na instituição.

O suposto “fantasma” não é uma pessoa qualquer. Trata-se do cunhado da governadora, irmão gêmeo de Fernando Lucena, ex-marido da tucana, vítima de um infarto fulminante no dia da eleição de primeiro turno para o Governo de Pernambuco, em outubro de 2022.

Numa simples consulta ao Portal da Transparência, é possível comprovar que Fábio passou a receber salário da Perpart, sem bater o ponto um único dia da semana, desde maio do ano passado. Se o cunhado da governadora estiver de fato na folha como fantasma, segundo todos os indícios, comprova, mais uma vez, que o discurso do “Estado de mudança”, da propaganda oficial, se revela numa tremenda farsa.

Em nota, o deputado Waldemar Borges (PSB) tomou as dores dos servidores demitidos. “Isso fragiliza tremendamente o apoio que precisa ser dado à agricultura familiar no Estado”, disse. Da tribuna, o parlamentar leu uma nota de repúdio contra as demissões, assinada pela Associação dos Empregados da Perpart, pelos Empregados do Instituto Agronômico de Pernambuco – IPA e pelos Ex-Servidores da Emater-PE – ASSER-PE, além do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Agricultura e Meio Ambiente do Estado de Pernambuco (Sintape).

Não pega bem para uma chefe de Estado, embora eleita pelo clamor da comoção da morte do marido, tirar com uma canetada o pão da mesa de centena de servidores da Perpart, enquanto o portal da Transparência confirma um parente bem próximo dela, que nenhum servidor de carreira da instituição conhece, sugando dos cofres públicos mais de R$ 8 mil por mês.

“Os povos têm os governantes que merecem”, reza, apropriadamente, um velho adágio judaico.

Cadê os técnicos, Raquel? – Chamou atenção, ontem, uma postagem neste blog apontando que relatórios técnicos da gestão Raquel estão sendo produzidos com recursos da Inteligência Artificial (IA). Estuário dos que não concordam com as trapalhadas do governo, este blog recebeu, ontem, diversos recortes de um relatório testado em plataformas que verificam a probabilidade para sua elaboração e observou que precisou ser utilizado inúmeras vezes. Muitos dos trechos com probabilidade de 100% de chances de socorro ao recurso da IA.

Turismo para o PP – Sem sequer um taco de espaço no latifúndio do primeiro escalão de Raquel, o PP, que tem oito deputados na Assembleia Legislativa, pode emplacar a Secretaria de Turismo em abril, com o afastamento de Daniel Coelho, atual titular, para disputar a Prefeitura do Recife. Pelos menos é a versão que corre solta na bancada federal. Só que diferente do modelo atual, o PP quer o Turismo com a Empetur, seu principal braço de gestão.

O outro lado – Outra notícia do rádio corredor da Assembleia Legislativa, entretanto, sopra o vento numa direção contrária: a pasta de Turismo já teria sido prometida pela governadora ao atual presidente da Empetur, Eduardo Loyo, filho do presidente estadual do PSDB, Fred Loyo. Quem vai ganhar essa queda de braço, só o tempo dirá, mas o fato é que o PP há muito já deveria estar representado no secretariado de Raquel, devido ao tamanho da sua bancada.

Cuspida nos judeus – O ministro de Relações Exteriores israelense, Israel Katz, voltou a exigir, ontem, um pedido de desculpas do presidente Lula pela fala em que compara os ataques de Israel na Faixa de Gaza ao extermínio de judeus promovido por Adolf Hitler durante a 2ª Guerra Mundial. No X (ex-Twitter), o chanceler subiu o tom e disse que a declaração de Lula é “um cuspe no rosto dos judeus brasileiros”. Declarou que não é tarde para que o presidente “aprenda História” e “peça desculpas”.

Quem cala… – Por falar em judeus, estranhamente a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause (Cidadania), que é judia, não fez nenhuma manifestação, pelo menos até ontem, nas suas redes sociais, sobre as declarações agressivas do presidente Lula à comunidade judaica, que é bem expressiva também no Estado, especialmente no Recife. Quem cala, consente, ouvi muito minha mãe Dó me dizer, por várias vezes, em Afogados da Ingazeira.

CURTAS

INVASÃO – Não é semana de marcha, mas Brasília está invadida, literalmente, por prefeitos esta semana. Tudo porque vence no próximo domingo o prazo para realocar emendas parlamentares dentro do orçamento da União para 2024.

ITAPETIM – O prefeito de Itapetim, Adelmo Moura (PSB), foi um dos que foram vistos, ontem, em Brasília em visita aos deputados da bancada federal. Ele quer garantir pelo menos R$ 6 milhões para obras em seu município. Seu federal é o deputado Felipe Carreras (PSB).

TEM PEDIGREE – Em Tabira, as oposições podem se unir em torno de um nome fortíssimo: o advogado Flávio Marques (PT), herdeiro político do ex-prefeito e poeta Sebastião Dias, que morreu no início de dezembro do ano passado em consequência de complicações pós-infarto.

Perguntar não ofende: Tende a crescer o número de deputados que vão assinar o pedido de abertura do impeachment de Lula?

Jaboatão dos Guararapes - Carvanval 2024

O Senado aprovou, há pouco, o texto principal do projeto que acaba com a saída temporária dos presos, conhecida como “saidinha”, em feriados e datas comemorativas, como Dia das Mães e Natal. Senadores ainda precisam concluir a análise da matéria votando os destaques – sugestões de mudança que são votadas separadamente.

O texto ainda precisará passar por uma nova votação na Câmara. Só depois de aprovado pelos deputados é que o projeto poderia virar lei. O projeto é resultado de uma pressão dos parlamentares de oposição, que argumentam que detentos aproveitam a saidinha para fugir da cadeia e praticar outros crimes. As informações são do portal G1.

A discussão no Congresso para restringir as saídas temporárias vem desde 2013. A proposta ganhou força depois de o policial militar Roger Dias ser morto por um preso beneficiado pela saidinha em Belo Horizonte, em janeiro. O relator do projeto, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), inclusive sugeriu que, se o texto virar lei, deve levar o nome “Sargento PM Dias”. Welbert Fagundes, acusado de matar o PM, foi preso novamente e cumpre agora a pena em regime fechado.

Segundo levantamento, a saída temporária de Natal de 2023 – a mais recente concedida – beneficiou pouco mais de 52 mil presos. Desses, 95% (49 mil) voltaram às cadeias dentro período estipulado. Os outros 5% (pouco mais de 2,6 mil), não.

Em entrevista, o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) defendeu o projeto. “Hoje está muito liberal. As pessoas estão saindo… grande parte volta, mas tem um percentual razoável que continua não voltando, praticando crime, praticando assassinato, e a gente precisa proibir isso definitivamente”, disse.

Jaboatão dos Guararapes - Dengue 2024

Catorze secretários municipais de Segurança Pública participaram, hoje, da reunião comandada pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. O encontro faz parte das ações do ‘Juntos pela Segurança’ e tem como objetivo traçar estratégias para diminuir a criminalidade, sobretudo os índices de Mortes Violentas Intencionais (MVIs) nestes municípios.

Além de secretários de Segurança municipais, participaram também os comandantes das Guardas de cada município, estabelecendo não só o diálogo como também o entendimento de que Segurança Pública não se faz sozinha.

“Hoje tivemos a oportunidade de falar sobre Segurança com os comandantes das guardas municipais e secretários de Segurança de 14 municípios na presença do subcomandante da Polícia Militar, Coronel Lopes, do chefe da Polícia Civil, Renato Rocha, e integrantes da SDS. Como foi pedido pela governadora Raquel Lyra, discutimos atuação conjunta e o Sistema Único Integrado entre prefeituras e o Estado. Não tenho dúvida que iremos avançar muito”, comentou a secretária executiva da SDS, Dominique de Castro Oliveira.

Para o secretário de Segurança Cidadã de Olinda, Coronel Pereira Neto, a reunião era uma demanda solicitada há muitos anos e que a viabilização dela traz muita esperança. “Precisamos atuar de forma integrada trocando expertises e estabelecendo estratégias que vão beneficiar toda a população”, comentou.

Participaram da reunião representantes de Olinda, Camaragibe, Jaboatão, Paulista, Igarassu, São Lourenço da Mata, Cabo de Santo Agostinho, Caruaru, Ipojuca, Petrolina, Vitória de Santo Antão, Serra Talhada, Santa Cruz e Toritama. A próxima reunião será em março.

Petrolina - Bora cuidar mais

Motoristas que trafegam pela PE-085, no trecho entre os municípios de Cortês e Barra de Guabiraba, realizarão, amanhã, um protesto que irá bloquear a rodovia, impedindo o tráfego de veículos, exceto ambulâncias. O protesto se dá em razão das péssimas condições de trafegabilidade da rodovia, devido aos buracos no asfalto.

Ipojuca - App 153

A ministra do Meio Ambiente e presidente nacional do partido Rede Sustentabilidade, Marina Silva, vem ao Recife, no próximo dia 2 de março, para anunciar a pré-candidatura do deputado federal Túlio Gadelha (Rede) a prefeito da capital.

Até lá, entretanto, ela terá que convencer a deputada estadual Dani Portela (PSol) a retirar sua pré-candidatura. Os partidos dos dois pré-candidatos fazem parte de uma federação partidária (PSOL-REDE) e, portanto, só podem apresentar um pré-candidato.

Citi Hoteis

Deputados federais da oposição e alguns da base governista se uniram para apresentar o pedido de impeachment com o maior número de assinaturas da história contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a fala comparando os ataques de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto. As informações são do portal Gazeta do Povo.

O pedido seria protocolado hoje, mas conforme anúncio feito pelos deputados na Câmara dos Deputados, a entrega foi adiada para amanhã com o intuito de alcançar mais deputados interessados em apoiar o impeachment. Até o momento, já foram contabilizadas 122 assinaturas. O pedido contra Dilma Rousseff foi apresentado com 124 assinaturas.

O pedido conta com apoio de deputados do Progressistas, União Brasil e Republicanos, partidos que integram ministérios no governo Lula.

Segundo a deputada Carla Zambelli (PL-SP), as declarações de Lula configuram um crime de responsabilidade de acordo com o Artigo 5º da Constituição Federal. Ela acusa o presidente de “cometer ato de hostilidade contra nação estrangeira, expondo a República ao perigo da guerra, ou comprometendo-lhe a neutralidade”.

Para o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), Lula “desonrou a memória do povo judeu”, além de criar uma “crise diplomática sem precedentes”.

Na coletiva, os deputados ressaltaram que as declarações de Lula são “muito graves” e “impactam nas relações comerciais com Israel e coloca o Brasil no estado de guerra, uma vez que toma posição ideológica”.

“A postura do Lula envergonha até aqueles que estiveram ao lado dele e coloca em cheque os nossos acordos comerciais”, disse um dos signatários do pedido.

O líder do PL na Câmara, Carlos Jordy (RJ), manifestou o seu repúdio a declaração do petista. “Lula não cometeu só um crime de responsabilidade, cometeu um crime contra a humanidade. No dia 7 de outubro, assistimos enojados o que Hamas fez contra o povo de Israel. Muitos foram os relatos de violência bárbaras”, disse Jordy.

Deputados católicos e evangélicos também se uniram para apoiar o pedido de impeachment contra Lula. “O Brasil é o país que mais leva peregrinos para Israel anualmente, por isso manifestamos nossa indignação e consignamos nossa assinatura”, disse Eros Biondini, líder da Frente Católica na Câmara.

Cabo de Santo Agostinho - Refis 2023

Do G1/PE

Um grupo de moradores organizou um protesto, hoje, interditando o trânsito no acesso ao Viaduto Capitão Temudo, na Ilha Joana Bezerra, no Centro do Recife. Testemunhas disseram que o ato é realizado por causa da falta de energia no local, que já dura cinco dias. Segundo o Corpo de Bombeiros, o protesto acabou no fim da tarde e a via foi liberada por volta das 17h10.

Manifestantes atearam fogo a pneus e ocuparam toda a pista do sentido em direção a Boa Viagem, na Zona Sul da cidade. O engarrafamento chegava perto do viaduto da Avenida Norte. O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado por volta das 15h40. Além dos bombeiros, uma equipe da Polícia Militar foi enviada ao local.

Caruaru - Pré Carnaval

Em discurso de despedida no Senado, hoje, Flávio Dino (PSB-MA) afirmou que atuará com “coerência”, “imparcialidade” e “isenção” no Supremo Tribunal Federal (STF). Indicado por Lula, ele assumirá uma cadeira na Corte na próxima quinta-feira (22). As informações são do portal G1.

“No Supremo Tribunal Federal, onde estarei nas próximas 48 horas, terei coerência, coerência com essa visão que aqui manifesta”, afirmou Dino. “Esperem de mim imparcialidade e isenção. Esperem de mim fiel cumprimento à Constituição e à lei. Nunca esperem de mim prevaricação. Nunca esperem de mim não cumprir meus deveres legais”, completou.

No discurso, Flávio Dino – que já foi deputado, ministro da Justiça e governador do Maranhão – deixou em aberto a possibilidade de voltar à carreira política depois que se aposentar do STF.

Por lei, ministros do Supremo precisam se aposentar quando atingem 75 anos de idade. Dino está com 55 anos. “Não sei se Deus me dará a oportunidade de estar novamente na tribuna do Parlamento, no Senado ou na Câmara […] então, quem sabe, após a aposentadoria, em algum momento, se Deus me der vida e saúde eu possa aqui estar”, declarou.

Belo Jardim - Novo Centro

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse, hoje, que a fala do presidente Lula ao comparar a guerra entre Israel e Hamas com o Holocausto foi “equivocada”, “inapropriada” e “precisa de retratação”.

“Estamos certos de que uma fala inapropriada e equivocada não representa o verdadeiro propósito do presidente da República, que é um líder global conhecido por estabelecer pontes entre as nações”, afirmou Pacheco, que, em seguida, defendeu um pedido de desculpas.

“Uma fala dessa natureza deve render uma retratação, é fundamental que haja uma retratação”, completou. Segundo Pacheco, mesmo que a reação de Israel seja considerada desproporcional em meio à guerra, o paralelo feito pelo presidente não se justifica.

“Ainda que a reação feita pelo governo de Israel venha a ser considerada desproporcional, excessiva, violenta, indiscriminada, não há como estabelecer um comparativo com a perseguição do povo judeu no nazismo”, afirmou.

Vitória Reconstrução da Praça

O Republicanos em Pernambuco definiu mais uma chapa majoritária importante para se fortalecer nas eleições de outubro. Em Venturosa, o partido lançou o empresário Adriano do Posto para concorrer à Prefeitura do município. Adriano disputará o comando da cidade com o apoio de Tarcísio Victor, que será o candidato a vice-prefeito. “A candidatura de Adriano para disputar a prefeitura de Venturosa é fruto de um amplo diálogo envolvendo o povo de Venturosa, que quer a mudança. Adriano é um quadro extremamente qualificado com larga experiência no mundo empresarial que ajudará muito no desenvolvimento do município”, ressaltou o ministro Silvio Costa Filho, presidente licenciado do partido.

Não bastasse a falta de habilidade em lidar com os problemas de Pernambuco, a gestão da governadora Raquel Lyra (PSDB), que por muitas vezes se gaba por ter procurado nomes técnicos para áreas consideradas primordiais, parece não ter pessoas capacitadas para elaboração de relatórios de gestão, importantes para nortear os problemas e soluções para as políticas públicas do Estado.

Em seu primeiro relatório de ação de governo, a gestão de Raquel precisou recorrer ao uso de Inteligência Artificial (IA) para elaborar os textos referentes aos dados de Pernambuco. Isso é o que indica as plataformas de análise de uso de IA. Nossa equipe recebeu diversos recortes do relatório que foram testados em plataformas que verificam a probabilidade para sua elaboração e observou que o recurso precisou ser utilizado inúmeras vezes. Muitos dos trechos com probabilidade de 100% de chances.

É possível constatar a presença do uso de Inteligência Artificial nos capítulos sobre Educação, Desenvolvimento Agrário, Cidadania e Cultura, Mobilidade e Urbanismo, e Água e Infraestrutura.

A ferramenta foi utilizada, por exemplo, para situar a quantidade de unidades agropecuárias no Estado, que segundo o relatório, são 280 mil.

Até os dados sobre pobreza e desemprego foram baseados com resposta dada por Inteligência Artificial, que servem como base para criação de políticas públicas na área social. Essa área, inclusive, já passou por mudança de secretários.

Vale lembrar que durante pouco mais de um ano de mandato, a gestora já trocou gestores das pastas, mostrando a falta de preparo da gestão em lidar com as problemáticas, como Defesa Social, Infraestrutura, Mulher, Cultura, Justiça e Direitos Humanos, Desenvolvimento Agrário, Desenvolvimento Social, Criança e Juventude.

Veja outros recortes do relatório que, possivelmente, fizeram uso de IA:

O prefeito de Itapetim, Adelmo Moura (PSB), está em Brasília para destravar as emendas que viabilizem obras nas áreas de saúde e infraestrutura. “No ano passado, os recursos das emendas nos ajudaram fechar o ano com chave de ouro e, desta forma, entregar o mandato todo organizado com as contas em dia para que o próximo gestor possa pegar o município organizado e tocar para frente”, disse.

No ano passado, só o deputado Filipe Carreras (PSB) empenhou para Itapetim mais de R$ 6 milhões em emendas. Este ano, ele já colocou R$ 2 milhões, que já está em conta. A previsão, segundo o prefeito, é que o parlamentar consiga um total que pode variar entre R$8 milhões e R$ 10 milhões. “Mas espero que os deputados Pedro Campos (PSB) e Carlos Veras (PT), além do senador Humberto Costa (PT) e da senadora Teresa Leitão (PT), possam destravar recursos e começar as obras em Itapetim”, disse.

Segundo Adelmo, as emendas empenhadas o ano passado foram essenciais para a manutenção dos serviços prestados na área de saúde em Itapetim. “No ano passado, tivemos uma crise grande na área da saúde. Na área dos recursos que dependiam do FPM e a gente cortou em tudo, mas menos na saúde, porque o dinheiro da saúde a gente garantiu e conseguiu tocar a atenção básica e a média complexidade do nosso município com as emendas. Por conta delas, a gente conseguiu se salvar e não deixar a saúde entrar em colapso no nosso município”, disse o gestor.