Ipojuca 2021

17/04


2021

Delegado do Brejo é morto ao cumprir mandado

O delegado Anderson Liberato faleceu, hoje, após ser baleado enquanto cumpria um mandado de prisão em Jataúba, no Agreste de Pernambuco. Fontes próximas confirmaram ao Blog o falecimento há pouco.

Liberato tinha 32 anos e era titular da Delegacia de Polícia Civil do Brejo da Madre de Deus. O delegado chegou a levar quatro tiros, um deles atingiu o coração. Ele foi levado para o Hospital de Jataúba, mas não resistiu. Os suspeitos de atirar no delegado foram presos.

A Polícia Civil de Pernambuco emitiu uma nota de pesar:

"A Polícia Civil de Pernambuco comunica, com profundo pesar, a morte do Delegado de Polícia Flávio Anderson Liberato Alves do Nascimento, que ocorreu neste sábado (17), durante o exercício de sua função no município de Jataúba, no Agreste, onde foi atingido fatalmente por disparos de arma de fogo.

Nascido em 07 de novembro de 1988, o Delegado ingressou na Corporação em 29 de janeiro de 2018, e estava lotado na Delegacia de Polícia de 107a Circunscrição - Brejo da Madre de Deus.

O Delegado Flávio Anderson vinha traçando uma importante trajetória na PCPE, tendo sido titular da 19a Delegacia de Polícia de Homicídios - Caruaru, da Delegacia de Polícia da 111a Circunscrição - Jataúba, e integrado a equipe de plantão da Delegacia de Polícia da 128a Circunscrição - Santa Cruz do Capibaribe.

A sua morte representa uma grande perda para a Corporação.

A PCPE manifesta as mais sinceras condolências aos familiares, amigos e companheiros de trabalho nesse momento de profunda dor."


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Petrolina abril 2021

17/04


2021

Use pix e compre agora meu novo livro

Aos que esperaram e me cobraram: "A dor da pandemia", livro que reúne crônicas escritas neste intervalo de um ano da chamada era covid-19, será lançado na segunda-feira, às 19h30, por meio de uma live.

Esta primeira edição fica disponível aos leitores apenas no modelo digital. O livro impresso será lançado bem mais na frente, queira Deus, já com a população brasileira 100% imunizada deste mal do século, que nos roubou do convívio diário parentes, amigos, gente famosa, gente anônima, gente rica, gente pobre, enfim, homens, mulheres e crianças de forma indiscriminada.

Sugeri – e meus convidados aceitaram – uma live para haver interação com o público. Participarão os jornalistas José Nêumanne, do Estadão, em São Paulo, prefaciador da obra; e Paulo André Leitão, editor e responsável pela iniciativa.

Uma live bem ampla. Atendendo a pedidos, abri a pré-venda do livro por um preço simbólico, apenas R$ 10, para cobrir despesas de edição. Quem tiver interesse, pode fazer o pagamento pelo meu Pix: 187870704-30.

Os que se dispuserem a adquirir a obra e ajudar este escriba receberão a versão e-book. Na live, os que quiserem adquirir depois saberão como utilizar a ferramenta para a compra pela Internet.


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ALEPE

17/04


2021

Delegado do Brejo é baleado fica em estado grave

O delegado Anderson Liberato foi baleado, na manhã de hoje, no momento em que cumpria um mandado de prisão em Jataúba, no Agreste de Pernambuco. Ele é titular da Delegacia de Polícia Civil de Brejo da Madre de Deus. As informações são do G1 Caruaru.

Testemunhas informaram que o delegado foi atingido por três tiros. Por e-mail, o G1 solicitou uma nota sobre o caso à Polícia Civil, mas ainda não recebeu resposta.

O delegado foi levado para um hospital do Recife pelo Grupamento Tático Aéreo. Os suspeitos de atirar em Anderson Liberato foram presos.


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Bandeirantes 2021

17/04


2021

Juíza cassa vereador e chapa do PSD Goiana por fraude

Blog do Jorge Lemos

A juíza eleitoral de Goiana, Maria do Rosário Arruda de Oliveira, deu uma canetada e cassou o mandato do vereador Marcos Alexandre Soares de Almeida, o Xande da Praia, os suplentes diplomados e toda a chapa do PSD que disputou o pleito eleitoral de 2020. A juíza declarou a prática de abuso de poder consubstanciada na fraude à norma constante no artigo 10, § 3°, da Lei n.° 9.504/1997, com fundamento no artigo 22, inciso XIV, da Lei Complementar n.° 64/90.

O partido fraudou a cota de gênero, colocando candidaturas laranjas. A decisão da magistrada é a primeira do Estado de Pernambuco. Uma mesma ação tramita em Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Igarassu e São José da Coroa Grande, conforme antecipado pelo Blog do Jorge Lemos.

A juíza declarou a inelegibilidade por  anos de, subsequentes à eleição em que se verificou, eleições municipais de 2020, de Elaine Pessoa da Silva, Angélica Patrícia de Melo, Cassia Chris Xavier Perez, Elizama Maria da Silva, Laura Juracy Alves do Nacimento, Yasmim Leandra Barros de Lima e Rode Tomé da Silva Santos. Elas concorreram no pleito e foi comprovada a prática de fraude à cota de gênero.

O vereador Xande da Praia, além de perder o mandato, ficou inelegível por oito anos por ser diretamente beneficiado pela fraude. A magistrada Maria do Rosário Arruda de Oliveira também cassou o diploma dos suplentes Joseilton Costa dos Prazeres, Levy Gonçalves da Silva e Robson Rodrigues de Souza.

A Justiça Eleitoral de Goiana também determinou que proceda a retotalização dos votos, com novo cálculo do quociente eleitoral a fim de se reajustar a distribução das vagas na Câmara de Vereadores de Goaiana, considerando os votos válidos remanescentes, excluídos os que foram declarados nulos em razão da fraude à cota de gênero.


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17/04


2021

Leilão de bens apreendidos

Da coluna de João Alberto 

Terça-feira, a Superintendência da Receita Federal em Pernambuco realiza leilão eletrônico de bens apreendidos. Tem automóveis, celulares, perfumes, relógios, notebooks, videogames, roteadores entre outros itens valiosos. Tem muita gente de olho...


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Serra Talhada 2021

17/04


2021

O legado de um gênio

Por Taísa Szabatura, da IstoÉ

Quase cinco décadas se passaram desde que o artista plástico Francisco Brennand transformou a antiga fábrica do pai em ateliê de trabalho. Sua rotina no local, produzindo esculturas e caminhando entre suas criações, permaneceu a mesma até ele completar 92 anos. Brennand morreu em dezembro de 2019, mas deixou como legado eterno ao Brasil e à cidade de Recife, em Pernambuco, a Oficina Cerâmica Francisco Brennand. Desde então, Marianna Brennand, diretora-presidente da instituição, cineasta e sobrinha-neta do artista, desenvolve um projeto para transformar o local em uma referência artística internacional, nos moldes do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).

Lucas Pessôa, Diretor-Geral da Oficina Brennand e ex-diretor do MASP, afirma que as semelhanças entre os institutos são restritas ao conceito de museu a céu aberto. “A coleção de Inhotim tem trabalhos produzidos em diferentes contextos, produzidos em outros locais do mundo. Nosso desejo é convidar artistas e a comunidade para que produzam suas obras dentro do Instituto”, afirma. Entre as semelhanças, Pessôa aponta a vocação para expor obras nacionais e internacionais, como exemplo, a escultura “Spider” de Louise Bourgeois, do acervo do Itaú Cultural.

Além de celebrar a coleção permanente de cerca de três mil obras de Brennand como pintor e escultor, o espaço passa a ser multidisciplinar e inicia uma ampla programação de exposições e residências artísticas, formação de professores e iniciativas digitais, com workshops e podcasts. Para que toda essa reestruturação fosse possível, foram contratados diversos profissionais gabaritados do universo das artes. Além de Corrêa, que em sua passagem pelo Museu de Arte de São Paulo socorreu o local de uma possível falência, veio a curadora Júlia Rebouças, ex-diretora artística de Inhotim entre 2007 a 2015.

Com o calendário ainda indefinido por causa da pandemia, o próximo projeto a sair do forno será uma instalação de Ernesto Neto. Pelo caráter interativo do seu trabalho, no entanto, a exposição da obra deve ficar para o ano que vem. Há uma única certeza no cronograma: em dezembro, quando o Instituto completa 50 anos, haverá uma megaexposição inédita de Brennand. Além das três mil obras, está prevista uma mostra com o acervo de colecionadores particulares, material inédito e obras que hoje estão em museus. Haverá ainda cursos de formação para professores da rede pública e um programa de residência que abrirá a oficina para sete artistas trabalharem no local. Os projetos escolhidos não precisam estar relacionados à cerâmica: vale toda forma de expressão artística, como dança e literatura. A organização do Instituto Oficina Cerâmica Francisco Brennand mostra que a arte brasileira, quando bem pensada e estruturada, pode sobreviver muito bem — mesmo durante os tempos mais sombrios.


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Anuncie Aqui - Blog do Magno

17/04


2021

Paulo e Geraldo Covidão estão em guerra

Fontes internas do Palácio do Campo das Princesas revelam que as raízes do movimento em favor de Zé Neto, lançado ao Governo de Pernambuco pelo líder do Avante na Câmara, Sebastião Oliveira, estão fincadas no conflito entre o governador Paulo Câmara e o seu subalterno Geraldo Júlio, conhecido agora como Geraldo Covidão por ser hepta em operações da Polícia Federal.

Como Covidão ajudou muito e muitas vezes Paulo Câmara nas duas eleições, inclusive correndo riscos pessoais, então se acha no direito legítimo de mandar em partes do Governo. Quer, a todo custo, usar de forma abusada e acintosa os tentáculos da máquina para preparar sua campanha para governador. 

Tem manifestado a aliados que vem sendo impedido pelo governador, a quem só se refere agora como um ingrato. Assim, o nome de Zé Neto passou a surgir forte como fruto da guerra de intestinos pelo poder estadual. Não é a primeira vez que Geraldo Covidão e Paulo se confrontam. Mas quem decide no final é a “dona do pedaço”, a viúva Renata Campos, que defende, com unhas e dentes, o seu pupilo Covidão, a quem trata de Geraldinho na intimidade.


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Comentários

Marcelo Diniz

O protagonismo de Geraldo Júlio dentro das articulações da gestão de Paulo Câmara condiz com a alta capacidade do mesmo. Esse boato não faz nenhum sentido. Geraldo tem sido um recurso potente para o Governador e Luciana Santos desde que voltou à gestão estadual. Me parece apenas uma tentativa de desgastar publicamente aquele que é o candidato óbvio do PSB ao governo em 2022.


Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

17/04


2021

Querelas do Brasil

Por Marcelo Tognozzi*

Rule of the law, writ, agreement, common law, impeachment. dictartorship e outras expressões da língua inglesa se tornaram cotidianas no Poder Judiciário brasileiro. Moram nos bolsos dos ternos Armani, Hugo Boss, Zegna, Gucci ou Prada dos advogados e dos ministros das cortes superiores der Brasília.

Eles fazem parte de um Brazil que manda muito e presta muito pouca conta dos seus atos, gasta muito, fala sobre tudo a qualquer momento, quer legislar e ao mesmo tempo aplicar a lei. Juiz de tribunal superior não precisa de concurso público; precisa de networking e uma pitada de marketing pessoal.

Juízes sempre fizeram parte do grupo que Raimundo Faoro chamou de donos do poder. Até o início dos anos 2.000 eram uma ala de donos discretos. Os falastrões e os ostentadores pertenciam a outra classe de donos: os políticos e alguns endinheirados. Juízes não se misturavam com esse pessoal, pelo menos à luz do dia. De repente, com o escândalo do Mensalão no primeiro governo de Lula, os magistrados do Supremo começaram a ocupar um espaço maior do que aquele a eles reservado na Praça dos Três Poderes. Descobriram da noite para o dia que podiam mandar prender aqueles que os nomearam. E gostaram disso.

O Supremo tinha um juiz negro, o ministro Joaquim Barbosa, lembrado todo o tempo muito mais pela sua etnia do que pela indiscutível competência jurídica. Um século antes dele, Pedro Lessa, também afrodescendente, foi mandado ao Supremo pelo presidente Afonso Pena e, em seguida, veio outro também afro, Hermenegildo Barros. Mineiros. O 1º, do Serro. O 2º, de Januária. Nenhum deles era lembrado pela etnia –aliás, só deram importância a isso depois da nomeação de Barbosa.

Tanto Lessa como Barros foram referências no mundo jurídico do século 20. Lessa morreu jovem, em 1921, com 61 anos. Barros foi “aposentado” pelo Estado Novo em 1937 e morreu em 1955. Os dois ensinaram que juiz só fala nos autos, na sala de aula das universidades ou em conferências sobre temas jurídicos. Tinham noção do limite dos seus poderes e da importância do equilíbrio para aquela República em formação da qual faziam parte. O Judiciário deles falava latim e francês.

O de hoje faz parte do Brazil e não conhece o Brasil, como na música de Aldir Blanc e Maurício Tapajós, lançada em 1978 no álbum “Transversal do Tempo”, de Elis Regina. Esta música se chama “Querelas do Brasil”.

Querela no juridiquês, segundo Antonio Houaiss, é queixa-crime, confronto judicial. Quando o Brazil do STF se mete a governar o Brasil não corremos o menor risco de as coisas darem certo.

Recentemente, o ministro Nunes Marques decidiu que os templos do Brasil poderiam funcionar livremente. Depois, o tribunal se reuniu para decidir se o que o ministro decidira estava certo. Uma perda de tempo desnecessária. Nós vivemos um momento de pandemia, cada cidade do país tem uma realidade diferente. Quem sabe se igreja, templo, terreiro ou centro pode funcionar é o prefeito. Há muita gente sem poder enterrar seus mortos e o tribunal vai se meter no direito da pessoa rezar na igreja?

O STF tem abusado do seu poder. E o faz ostensivamente e sem o menor pudor. Dilma foi impedida pela corte de nomear Lula seu ministro. Temer foi perseguido pela Procuradoria-Geral da República e impedido de exercer sua prerrogativa constitucional de indultar. Bolsonaro também foi impedido de nomear um diretor da Polícia Federal e sofreu inúmeras interferências indevidas por parte de juízes do Supremo, numa clara extrapolação de limites.

São inúmeras as tentativas de mudar a Constituição passando por cima do Legislativo, como aconteceu com a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado. O tribunal mandou prender o senador Delcidio do Amaral em 2015 e o deputado Daniel Silveira este ano, passando solenemente por cima da Constituição, a qual diz que para prender parlamentar sem flagrante de crime inafiançável é preciso pedir permissão ao Congresso. Prenderam primeiro e pediram permissão depois. Mandam instalar CPI e querem obrigar o presidente da Câmara a despachar pedidos de impeachment contra o presidente da República, quando esta é uma decisão que cabe única e exclusivamente ao próprio presidente da Câmara e a mais ninguém. Está no Regimento Interno da Casa, o qual é uma lei. O Legislativo vem engolindo os sapos do STF faz tempo, mas essas coisas não duram para sempre.

A Corte não presta contas a ninguém. No sistema de freios e contrafreios do equilíbrio dos Três Poderes no Brasil, o Senado é o único com prerrogativa para processar e cassar um ministro do STF. O processo não difere muito do impeachment do presidente da República, previsto na Lei 1.079/50, porém é feito sem a participação da Câmara dos Deputados e o julgamento final comandado pelo presidente do Supremo num plenário do Senado transformado em tribunal. No Brasil nunca houve um ministro da Corte processado pelo Senado desde que Deodoro proclamou a República em 15 de novembro de 1889.

Nos Estados Unidos, o juiz Samuel Chase sofreu um processo de impeachment em 1805, numa época em que a Suprema Corte adotara postura excessivamente política e de confronto com o presidente Thomas Jefferson. Por 73 votos a 32, a Câmara decidiu autorizar o Senado a processar Chase. Quando o processo foi julgado no Senado, ele escapou por pouco, porque, mesmo perdendo por 18 votos a 16, foi absolvido por não terem sido atingidos os 2 terços de votos necessários para a condenação.

Pouco antes do impeachment de Chase tramitar, em 1803, a Suprema Corte julgara inconstitucional uma lei federal e isso somente se repetiu mais de meio século depois. Há quem entenda que Jefferson perdeu por não ter conseguido cassar Chase, mas o fato é que o embate acabou servindo para que se demarcasse claramente onde começava e onde terminava o poder de cada um dos Três Poderes. E isso tem valido até hoje, porque a Suprema Corte americana negou-se a entrar na briga de Trump com Biden depois da eleição do ano passado.

Não estou defendendo que o Senado emparede o Supremo, nem que se casse este ou aquele ministro da Corte. Mas não há como deixar de reconhecer que a intromissão indevida dos juízes do STF tem sido um fator gerador de crises políticas e institucionais, seja pela falta de bom senso ou excesso de vaidade –ou por ambos. A Corte de Moreira Alves, Paulo Brossard, Sidney Sanches, Néri da Silveira, Sepúlveda Pertence ou Octávio Gallotti era muito diferente desta atual. Judiciário não atropelava Executivo ou Legislativo e vice-versa. Cada macaco no seu galho, como diz o ditado.

Ministros de cortes supremas de países como Estados Unidos, Espanha, Alemanha ou qualquer país onde a Justiça e política não se misturam, não têm conta no Twitter nem dão entrevistas a torto e a direito. Eles falam nos autos, são ciosos dos seus limites e não abrem mão disso. Nesta época de pandemia, o Brasil vem sendo governado ao mesmo tempo pelo Executivo e o Judiciário. Assim, o Brazil que não conhece o Brasil ocupa cada vez mais espaço e vai exercendo seu governo por cima do governo, sem que tenha voto e prerrogativa para tal.

A democracia acaba sendo um detalhe ou um ingrediente da retórica daqueles que a violam disfarçados de seus defensores. Os sinais de incômodo são cada vez mais visíveis e a pressão por uma reação aumenta a cada dia. Mas a fome de poder é insaciável, especialmente quando este poder é exercido sem freios.

Pedro Lessa veio do Serro, no sertão de Minas, bem no meio do Brasil com S. Venceu em São Paulo e chegou ao topo da carreira de juiz. Pouco antes de assumir sua cadeira no Supremo, discursou para os formandos de 1906 da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, onde também estudara. Deixou duas lições importantes para os dias de hoje.

A 1ª: a independência de um juiz não pode ser vista como um escudo que o protege das censuras da opinião pública. Um juiz também deve levar em consideração as opiniões sensatas, porque se não for assim, corre o risco de se transformar “num tirano que ninguém sustenta e todos repelem”.

A 2ª: se você verificar com isenção e segurança que as decisões de um juiz foram inspiradas pela amizade, gratidão, vingança, ódio, interesse ou pela subserviência aos poderosos “zurzi-os (bata, açoite) desapiedadamente, sede implacáveis, cruéis, por amor à Justiça”.

O Brasil, como diz a letra de Aldir Blanc, nunca foi o Brazil. E, pelo visto, não pretende ir tão cedo.

*Jornalista. Texto publicado originalmente no Poder360.


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17/04


2021

Recife reprovou um modelo, atesta marqueteiro

No capítulo de hoje de "A derrota não anunciada", livro de minha autoria sobre a eleição de 2000 no Recife, na qual o PT arrebatou o poder das mãos de Roberto Magalhães (PFL), a visão do marqueteiro José Nivaldo Júnior, responsável, junto com Marcelo Teixeira, sócios na Makplan, da figura que infernizou o prefeito e candidato à reeleição: o Mané da China, interpretado pelo ator Walmir Chagas.

"Não foi uma derrota pessoal, individual, como muita gente interpreta. Foi a derrota de um modelo de gestão. Em 2000, o povo mandou um claro recado de renovação. Cada eleição tem a sua história, tem um tipo de político que se dá bem, independente das suas qualidades pessoais. Houve uma clara tendência para a renovação não só no Recife", diz ele nesta entrevista abaixo. Confira!

Capítulo 21

“Recife optou pela renovação”

Publicitário vitorioso e tarimbado, José Nivaldo Júnior trouxe animação e humor para a campanha de 2000, quando criou a figura do Mané da China, interpretado com brilho pelo ator Walmir Chagas que, na campanha anterior, havia feito um outro personagem divertido, o Véio Mangaba, inserido na propaganda eleitoral de Roberto Magalhães.

"Tomei um susto e não acreditei quando Carlos Wilson revelou que Walmir e Aramis Trindade iriam trabalhar conosco, porque eles tinham feito campanha para Magalhães, quatro anos antes”, lembra.

Estrategista de mão cheia, José Nivaldo, durante a campanha, dividia seu tempo entre Recife e São Paulo, onde também trabalhou pela eleição da prefeita Marta Suplicy. Com a derrota do seu candidato no Recife, Carlos Wilson, com quem tem uma velha relação profissional e de amizade, o marqueteiro foi convidado para reforçar o time de marketing político de João Paulo, no segundo turno.

Não ficou na linha de frente, mas deu opiniões importantes, colaborou na preparação do candidato antes dos debates na televisão e ajudou a definir a estratégia da reta final de campanha, além do dia da eleição. José Nivaldo tem uma opinião bem diferente da maioria dos políticos consultados para opinar sobre as razões que levaram Roberto Magalhães à derrota.

Para ele, os erros cometidos pelo candidato pefelista contribuíram, de certa forma, claro, para João Paulo sair vitorioso, mas não foram decisivos, como avaliam alguns setores envolvidos na campanha de ambos os candidatos. “João Paulo representava a renovação. Foi nisso que o eleitor apostou”, enfatiza.

Quando está no Recife - o que é raro, devido aos inúmeros compromissos com clientes políticos fora do Estado - José Nivaldo dá expediente no escritório da Makplan, na Ilha do Leite, empresa de marketing político que toca em sociedade com Marcelo Teixeira, há 14 anos. Foi lá, depois de uma caminhada matinal, que deu o seu depoimento. Uma conversa de duas horas, interrompida apenas para atender um telefonema da sua mulher, Fátima, e outro de Danilo, seu filho caçula, de 19 anos.

Qual a avalição que o senhor faz da derrota de Magalhães?

Não foi uma derrota pessoal, individual, como muita gente interpreta. Foi a derrota de um modelo de gestão. Em 2000, o povo mandou um claro recado de renovação. Cada eleição tem a sua história, tem um tipo de político que se dá bem, independente das suas qualidades pessoais. Houve uma clara tendência para a renovação não só no Recife. Em São Paulo, por exemplo, ganhou Marta Suplicy. Não poderia haver uma renovação maior, uma sexóloga, defensora de casamento de gays, longe do perfil do político tradicional. Para entender o encaminhamento de uma eleição há de se combinar dois fatores: a tendência geral da eleição, que é nacional, e o quadro local, para saber se aquela tendência se verifica ou não em cada lugar. Em alguns lugares, a tendência não se verifica. No caso específico do Recife, configurou-se a tendência nacional para a renovação, para o inusitado.

Mas como uma onda de renovação se as pesquisas, majoritariamente, antes do episódio de Boa Viagem, davam uma vitória tranquila a Roberto Magalhães?

Como dizem os políticos, a única pesquisa que vale é a da urna. Pesquisa prévia revela a intenção de voto. A decisão do voto é outro momento, O episódio de Boa Viagem, como outros que ocorreram na campanha, ajudam a formatar o quadro. Eles são a explicitação do fenômeno. O fenômeno político acontece através de acontecimentos que só têm peso e repercussão por conta das características do momento. Aquilo tudo poderia ter acontecido e Roberto Magalhães ter ganho a eleição, se outro fosse o quadro. Tudo aquilo só fez efeito porque o quadro era favorável à renovação.

Ele próprio diz que perdeu por conta da greve da Polícia...

A greve da polícia foi outro fator, mas também não foi decisivo. A eleição sempre revela uma tendência. O eleitor manda um recado nas urnas e este recado, em cada lugar, vai tomando a forma local. Quando termina a eleição, se você só olha a eleição do Recife, fica procurando aqui as explicações para o resultado. Mas quando se abre o foco, verifica-se que ocorreu algum tipo de fenômeno que justifica o resultado ter se encaminhado naquela direção.

Os próprios aliados de Roberto Magalhães e do governador acham que não foi João Paulo quem ganhou a eleição. Acham que Magalhães entregou de bandeja. O que acha?

Olha, eleição é como um jogo de futebol. Nenhum time ganha o jogo se o outro não errar. Mas o fato de um time errar, não quer dizer que ele vai perder o jogo. Em campanha, o efeito do erro ou do acerto, depende do contexto. Acho uma injustiça dizer que foi Roberto Magalhães que entregou a eleição, como é uma injustiça dizer que não foi João Paulo quem ganhou a eleição. Foi João Paulo que ganhou a eleição. Ele pode até perder a próxima, cada jogo tem sua história, mas aquela ele ganhou. Por que ganhou? Porque tinha o perfil adequado para o moimento. E aí ele teve o mérito de saber explorar as circunstâncias favoráveis.

Dentre os episódios mais polêmicos da campanha, na sua interpretação qual o que pesou mais?

Olhe, um dos que mais influíram, puxando a brasa pra minha sardinha, foi o Mané da China, que durante meses foi minando a sensação de invencibilidade de Roberto Magalhães, O personagem fez o contraponto com o programa de Governo de Roberto Magalhães. Porque, na verdade, Roberto Magalhães governou quatro anos quase sem ter oposição.

Como assim?

A oposição era muito tímida. O Mané da China foi o primeiro furo na administração de Roberto Magalhães. Outra coisa muito importante, que não é muito citada, foram os debates. João Paulo ganhou todos os debates. É claro que Roberto Magalhães se saía tecnicamente muito melhor, demonstrava muito mais conhecimento da cidade, tinha obras para apresentar. Mas, quanto mais ele apresentava obras, mais ele se distanciava do perfil da novidade que seria vitorioso na eleição. A questão não foi ideológica, de direita e esquerda. O foco da eleição foi que o povo decidiu apostar no novo. De certo modo, até preparando o caminho para a vitória de Lula dois anos depois.

O novo seria em função do quadro nacional, que já vinha decepcionando, com Fernando Henrique ou em relação ao Estado?

O novo tem relação com tudo. Após oito anos de Fernando Henrique, o povo estava cansado do seu governo. Aí dentro, do mesmo esquema político, estavam Roberto Magalhães e o próprio governo de Jarbas. A gestão Roberto Magalhães era bem aprovada, mas ele acabou sendo derrotado, porque o povo queria mudar.

Mas Jarbas era um grande leitor no Recife?

Jarbas, aparentemente, era um grande eleitor. Mas, na hora em que Jarbas mais se empenhava na eleição, tirava a gravata, mais criava situações para a vitória do adversário. Por que isso? Pelo perfil do candidato desejado pelo povo. Essa é a minha tese. Foi uma eleição apertada, diga-se de passagem. Matematicamente quem votou contra Roberto Magalhães no primeiro turno, votou no segundo. Roberto Magalhães não ganhou voto do primeiro para o segundo turno.

Foi a classe média que elegeu João Paulo?

Não. Foi o povo que elegeu João Paulo. A classe média não elege ninguém. A classe média confeita o bolo. Quem dá a massa e substância ao bolo é o povão.

Em relação ao personagem do Mané da China, na sua interpretação, por que Carlos Wilson não captou a sua popularidade e sim João Paulo?

Popularidade é uma coisa, voto é outra. O personagem tornou-se popular e deu popularidade a Carlos Wilson. Porém seu papel não era dar voto. O voto é conquistado por outras razões. O personagem cumpriu seu papel e João Paulo foi o maior beneficiário porque tinha o perfil desejado pelos eleitores.

Mas, se não fosse a denúncia do calote, Carlos Wilson não teria sido beneficiado pela onda de humor gerada com o Mané?

Essa questão de ataque é relativa. Os ataques que Carlos Wilson sofreu detiveram sua ascensão porque seu perfil não era o do novo, do inusitado. João Paulo também sofreu muitos ataques. No segundo turno, uma verdadeira campanha terrorista foi feita contra o PT. Se você quer saber, na minha opinião esta foi a principal causa específica da derrota do Dr. Roberto. Ao passar a imagem de baderna associada a João Paulo, a campanha do prefeito revoltou parte da população, que tinha consciência de que aquilo era uma farsa, uma mentira, que não ia ocorrer como não ocorreu após a vitória de João Paulo e Luciano Siqueira. Aquela campanha impediu que Roberto Magalhães conquistasse novos eleitores no 2° turno

No depoimento do senador Sérgio Guerra, ele confessa que um dos erros da campanha foi achar que Carlos Wilson seria o adversário de Magalhães no segundo turno e não João Paulo. Como analisa isso?

Olhe, eu não tenho condições de comentar o que eles achavam ou não achavam. Eu só sei que eles anunciaram no jornal que, se houvesse segundo turno, preferiam ir com João Paulo. Escolheram João Paulo. Se isso é verdade, se não foi uma declaração para despistar, se expressava uma opinião, aí era uma opinião muito equivocada.

Quem criou o personagem Mané da China?

A ideia inicial do personagem foi minha e a construção se deu com todo o conjunto da equipe da Makplan, além dos próprios artistas. João Henrique que é meu filho e dirige a criação da Makplan, desenvolveu os textos, o diretor Alexandre Alencar deu forma ao personagem, enfim, acabou sendo uma criação coletiva.

Vocês conseguiram o objetivo, que era tirar Roberto Magalhães do sério?

Não tenho condições de responder porque ele nunca se pronunciou publicamente sobre isso. Agora, que foi engraçado, foi,

Doutor Roberto diz que até se divertia...

Acredito. Olhe, eu já disse uma vez, que personagem humorístico em campanha é uma coisa cujo efeito positivo não é uma regra geral. Às vezes eu uso, às vezes não uso. No segundo turno, Mané saiu de cena, porque já tinha cumprido o seu papel.

Mas o eleitor gosta

Descontrai o discurso. É uma forma de se fazer um discurso crítico de forma que todo mundo preste atenção, porém precisa ter aderência e conteúdo. O Chinês não mentia. O Chinês exagerava na brincadeira. Ele não mentia ... Ele ia procurar a ponte e não encontrava, caía dentro d'água. Ia procurar a maternidade, não tinha maternidade. Elogiava o asfalto e caía no buraco. Eram situações hilariantes.

Que papel o senhor acha que um vice tem numa campanha? Acha que a mudança de Raul Henry por Sérgio Guerra alterou alguma coisa?

Com todo respeito pelos vices, eles exercem um papel simbólico. Vice não é votado. Vice não ganha eleição. O principal papel do vice é expressar o caráter da chapa, ampliar o candidato.

Magalhães diz que, no momento em que perdeu Raul Henry, perdeu a militância do PMDB. O que o senhor acha?

Pode ter sido. Eu não tenho condições de avaliar isso. Normalmente, em campanha não me interesso pelos problemas dos adversários. Enfrento a chapa deles com a intenção de ganhar, se possível no primeiro turno. Muita gente não acreditava que João Paulo pudesse ganhar de Roberto Magalhães. Entretanto, depois que a eleição passa e você vê o quadro, verifica que João Paulo era o adversário mais perigoso que Roberto Magalhães poderia enfrentar. Talvez o único capaz de derrotá-lo.

Na verdade, ninguém encarou João Paulo como um adversário em potencial, porque ele próprio nunca acreditou na eleição...

No início, pode até ter sido assim, não sei. Nosso contato mais direto com João Paulo acontecei no segundo turno. Ele se apresentava como um candidato otimista, entusiasmado, preparado para vencer. Ele já tinha sido candidato majoritário algumas vezes e acho que ele tinha a intuição de que seu momento tinha chegado. Aliás, essa era a opinião de Marcelo Teixeira, minha e da coordenação da campanha.

O povo não decide seu voto principalmente pela televisão?

Isso também é relativo. No primeiro turno Roberto Magalhães tinha quinze minutos de propaganda eleitoral. João Paulo tinha dois minutos e pouco. Nos últimos dias, a coligação do prefeito conseguiu tirar os programas de João Paulo do ar. Ele nem teve o direito de se despedir do eleitor. Adiantou? Não. João Paulo subiu pelo menos 15 pontos nos últimos dias. O palanque eletrônico é fundamental. Porém, ele dá mensagens que vão além dos clipes e das falas dos candidatos. O próprio fato de tirar o programa de João Paulo do ar não beneficiou Roberto Magalhães.

O senhor acredita nisso?

Claro. A demonstração de força fez, naquele contexto, o povo ficar do lado mais fraco. Esse equívoco, a meu ver, se repetiu no segundo turno. Os direitos de respostas que o prefeito ganhou depois de encerrada a propaganda eleitoral só reforçaram essa tendência. Na véspera da eleição, as pesquisas apontavam uma vitória folgada do prefeito. Vieram os direitos de resposta e João Paulo virou o jogo em 24 horas.

Vocês trabalhavam com a hipótese de que o projeto da aliança jarbista era de 20 anos de poder?

Não. Ouvia falar que a aliança oficial tinha um projeto de poder duradouro, mas isso não circulava com muitos detalhes entre nós, da oposição. Talvez Lavareda possa lhe responder. Eu não tenho condições de dizer. Seria especulação da minha parte.

Em política, projetos a longo prazo costumam vingar ou dão certo?

Não quero dizer que as pessoas não façam projetos, mas a história costuma ser muito irônica com esses projetos. Desde o Reich, dos mil anos de Hitler, que só durou cerca de 15 anos, até o projeto de 20 anos de FHC. Os políticos fazem seus projetos, mas esquecem de perguntar se a história concorda. Perguntaram se o povo concorda? Até ditadores que fazem um projeto de longo prazo acabam sendo surpreendidos pela dinâmica do processo social.

Por que Agamenon disse que Recife é uma cidade cruel?

Porque o Recife, como toda a cidade metropolitana, já naquela época, não se submetia aos parâmetros de controle de voto que prevaleciam e que ainda hoje existem no interior. O Recife não é mais ou menos cruel do que qualquer outra grande cidade. Sequer o Recife é uma cidade de oposição, ou de esquerda. Na ditadura, as pessoas votavam contra a ditadura. Não porque eram de esquerda. Então, o voto metropolitano é um voto livre, que se pauta mais pela política do que pela administração. Por isso, certamente, Agamenon disse essa frase.

Mas o Recife tem uma tradição de os governadores não elegerem os prefeitos

Não é só o Recife. Veja São Paulo em 2000. Mário Covas era o governador. Seu candidato a prefeito era Alckmin, que não foi nem para o segundo turno. Dois anos depois, Alckmin se elege governador. No Rio, Garotinho também não elegeu o prefeito, apesar de estar muito aprovado. O prefeito foi César Maia. Na eleição seguinte, Rosinha Garotinho ganhou no 1° turno. E saí por aí afora. Às vezes, as pessoas usam chavões, que não são verdadeiros.

Que participação o senhor teve no fechamento da avenida Boa Viagem, para impedir a carreata de Magalhães?

Tudo começou no domingo anterior, quando a chuva impediu a carreata do prefeito. Ora, para o domingo seguinte, a avenida já estava reservada para o evento de Carlos Wilson. Durante a semana, foram preparados e distribuídos milhares de chapéus do Mané e revistas em quadrinhos com suas peripécias, para a carreata de Carlos Wilson.

Acontece que assessoria de Roberto Magalhães insistiu em realizar sua carreata no mesmo percurso e ocorreu o encontro dos eventos.

Havia todo um clima de brincadeira com o Mané, as pessoas faziam o gesto dos olhos, que era uma marca do personagem, usavam os chapéus. Ora, as duas campanhas já estavam bastante acirradas, principalmente pelos ataques sofridos por Carlos Wilson. O resto foi decorrência natural desse clima.

Se a assessoria dele tivesse sido mais esperta, nada teria acontecido?

É difícil dizer. Porém, se a assessoria do prefeito tivesse optado por outro evento, se tivesse evitado o contato, o acirramento dos ânimos não teria acontecido daquela forma.

Mas, eles não sabiam que Carlos Wilson estava na avenida...

Deveriam saber. A avenida estava reservada no TRE há bastante tempo. Além disso, a notícia estava nos jornais. Não era segredo para ninguém.

Foi o senhor que armou e montou a estrutura?

Em absoluto. Eu não tinha qualquer participação na montagem dos eventos. E, além disso, tudo já estava programado, antes mesmo da carreata do domingo anterior ter sido cancelada. O que aconteceu foi produto das circunstâncias. Aliás, tudo decorre das circunstâncias. Collor, em 89, deu banana para o povo do Rio e ganhou votos com isso. Foi tido como corajoso, e coisa e tal.

Como foi a escolha de Walmir Chagas, que fez o papel do Mané da China?

Essa história é interessante porque Walmir não foi escolhido, o personagem é que foi criado para ele. Walmir e Aramis Trindade, outro ator extraordinário, tinham trabalhado na campanha anterior de Roberto Magalhães. Na verdade, a ideia de contratá-los foi de Carlos Wilson, só depois foi que ele me disse. Aí eu fiquei com um problema: como colocá-los pedindo votos para Carlos Wilson? A equipe do adversário tinha inúmeras gravações da dupla pedindo votos para Dr. Roberto. Aí do limão saiu a limonada. O Mané era eleitor de Roberto, entusiasmado. Passou 4 anos na China e voltou para ver “as maravilhas do Recife 2000 que Roberto Magalhães prometeu”. O Chinês era Robertista, defendia o prefeito, só que tudo o que ele esperava que tivesse sido feito se transformava em frustração. Foi o pulo do gato.

Ele fez a festa da criançada, não foi?

Da criançada e dos adultos. O Chinês caiu no gosto do povo. O humor é universal, mas Pernambuco tem sua própria versão, que é a gréia. O Mané representou o espírito da gréia, o humor sutil, sem agressão e sem baixaria. Foi um momento mágico do marketing político.


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17/04


2021

Bolsonaro pavimenta reajuste para servidor em 2022

Folha de São Paulo

Pela primeira vez no mandato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governo incluiu na estrutura do Orçamento uma autorização de reajuste salarial aos servidores públicos federais. A liberação foi inserida nas diretrizes orçamentárias para 2022, ano de eleições presidenciais.

Desde o início do mandato de Bolsonaro, sob orientação do ministro Paulo Guedes (Economia), os aumentos para servidores foram travados. A única exceção aberta pelo governo foi o aumento concedido a militares, que seguiram com o direito ao benefício.

No entanto, ao formular o projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2022, enviado ao Congresso nesta quinta-feira (15), o governo mudou a direção e incluiu um dispositivo que autoriza a revisão geral das remunerações dos servidores. Na prática, a medida abre caminho para a gestão Bolsonaro negociar e propor um aumento amplo para o funcionalismo.

O mecanismo está previsto na Constituição, que afirma que a remuneração dos servidores públicos somente poderá ser fixada ou alterada por lei específica, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices. No entanto, o STF (Supremo Tribunal Federal) já decidiu que essa medida não é obrigatória, sob o argumento de que é necessário compatibilizar a revisão das remunerações com as restrições orçamentárias do governo.

A decisão da Corte ainda concluiu que o termo “revisão” não tem significado claro e, portanto, não pode impor ao governante que os reajustes sejam concedidos. Na justificativa da proposta orçamentária de 2022, o Ministério da Economia afirma que a previsão incluída na lei, por si só, não garante que aumentos serão concedidos.

Ressalta ainda que a decisão dependerá de previsão orçamentária e respeito ao teto de gastos, regra que limita o crescimento das despesas do governo à variação da inflação. “Em que pese o citado dispositivo autorizativo no PLDO, apenas quando da elaboração do PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2022 ter-se-á a avaliação adequada do cenário fiscal para a definição quanto à concessão ou não da revisão geral anual naquele exercício financeiro”, disse a pasta no documento.

O projeto, embora assinado por Guedes, contraria o discurso do ministro da Economia. Para ele, depois de cortar gastos com Previdência e juros da dívida pública, o principal alvo do governo deveria ser uma redução das despesas com a folha salarial. Desde 2019, o governo vinha fazendo, sob comando de Guedes, uma espécie de reforma administrativa silenciosa, enxugando a estrutura do funcionalismo.

Com exceção dos militares, que tiveram aumento autorizado no primeiro ano do governo Bolsonaro, não houve nenhuma liberação de reajuste nos três anos. Primeiro, o congelamento foi informal, por decisão do governo. Depois, em 2020, ao negociar um pacote de socorro a estados e municípios na pandemia, Guedes conseguiu incluir na lei um dispositivo que congelou oficialmente as remunerações de servidores até 31 de dezembro deste ano. Não há trava formal para 2022.

Além de segurar salários, o enxugamento da máquina pública foi impulsionado por meio da não reposição de vagas. O último dado disponibilizado pelo governo, do ano passado, mostra que para cada 100 servidores que se aposentam ou deixam o posto, o governo vinha recolocando apenas 26 vagas. Esse é o menor índice dos últimos anos.

Em 2020, o governo federal destinou R$ 321 bilhões para bancar a folha de pessoal e encargos sociais. O valor nominal ficou R$ 8 bilhões acima do ano anterior, mas, quando se observa a variação descontada a inflação, houve uma queda real de 0,6%.

No ano passado, Guedes ainda apresentou ao Congresso uma proposta de reforma administrativa, que é tratada como prioritária pelo governo. A medida tem o objetivo de reestruturar carreiras, limitar a estabilidade, aprimorar progressões e reduzir os salários de entrada dos servidores.

Para o ano de eleição, para a qual Bolsonaro pretende se candidatar à reeleição, a LDO de seu governo trouxe medidas que abrem margem para a execução de ações que geram apelo político. Além da permissão de reajuste que poderá alcançar os quase 600 mil servidores federais, o governo incluiu na lei orçamentária uma autorização para que obras públicas sejam executadas no ano que vem mesmo em caso de atraso na aprovação do Orçamento.

O texto da LDO prevê novas autorizações de despesas durante esse período em que o Orçamento não estiver aprovado. Ficam liberados os gastos integrais de investimentos de estatais e de recuperação de rodovias. É autorizada ainda a execução de 1/24 do valor das despesas de capital, como compra de máquinas, realização de obras e aquisição de imóveis.

Os gastos com obras públicas são uma demanda de parlamentares e de membros da ala política do governo. Além da defesa de que a recuperação econômica após pandemia precisa ser impulsionada por esses investimentos, políticos também buscam recursos para projetos que serão usados como vitrine eleitoral no ano que vem.

?Além disso, por conta de um impulso na inflação deste ano, o governo ganhará R$ 106 bilhões de espaço no teto de gastos em 2022. Isso dará uma folga para que despesas públicas sejam ampliadas.


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