Congresso Nordestino de Educação Médica

16/06


2019

Conflito inglório

O QUE A FOLHA PENSA - Texto não assinado que expressa a opinião da Folha

A investida de Ricardo Salles contra Fundo Amazônia faz parecer que a motivação tem origem dogmática

Permanece difícil atinar com a razão para o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, investir contra o Fundo Amazônia. Esse mecanismo de financiamento para combater a devastação de florestas funcionava bem, sem contenciosos —até a estreia do novo governo.

Salles fez estardalhaço com uma suposta auditoria em que teriam sido detectadas irregularidades em um quarto dos projetos apoiados pelo fundo. Nunca apresentou detalhes ou provas, mas usou-a para justificar proposta de mudança na gestão do portfólio pelo BNDES, o banco federal de fomento.

O ministro pretendia reduzir o comitê orientador do fundo de 23 para 7 assentos, 5 dos quais ficariam com o governo federal. Foi rechaçado pelos governos da Noruega e da Alemanha, que descartam desvios e se dizem satisfeitos com a estrutura de governança, adequada a padrões internacionais. 

Salles afirma que continua a negociar com os doadores. Seu objetivo seria dar liberdade ao ministério para usar parte dos mais de R$ 3 bilhões já amealhados no pagamento de indenizações para desalojar ocupantes de unidades de conservação. Pelas regras do fundo, isso não seria possível.

O ministro faz vista grossa para o fato de que, na Amazônia, fazendeiros presentes em áreas de florestas e parques nacionais e de terras indígenas são, em geral, grileiros. Apossaram-se de terras públicas e, por isso, carecem de títulos autênticos de propriedade.

Além do mais, mesmo para as desapropriações justificáveis não faltariam verbas. Salles cria um latifúndio de contradição por encrencar com o Fundo Amazônia ao mesmo tempo em que mantém paralisado mais de R$ 1 bilhão de compensações para licenciamento de grandes obras, que poderia ser usado para tal fim.

O ministro dissolveu comitê para gerir o recurso ao assumir a pasta. Agora, diz que a câmara de compensação ambiental foi reativada e que os valores serão usados em parte para regularização fundiária das unidades de conservação.

A duplicidade faz parecer que a motivação de Salles tem origem dogmática. Predomina entre nacionalistas e militares, afinal, a doutrina de que países estrangeiros almejam internacionalizar a floresta, ameaçando nossa soberania.

Se fosse esse o propósito de Noruega e Alemanha, o Fundo Amazônia seria bem ineficaz. As doações se dão na proporção do recuo de taxas de desmatamento obtido por iniciativa do Estado brasileiro, que tem autonomia de aplicar os recursos nos projetos que seleciona —não outros governos.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Governo de PE

16/06


2019

O autoengano de Moro e Deltan

Ministro acredita (ou faz que acredita) que a forma apaga o conteúdo

Elio Gaspari – Folha de S.Paulo

Uma semana depois da divulgação das conversas do juiz Sergio Moro com o procurador Deltan Dallagnol pelo site The Intercept Brasil, consolidou-se a linha de defesa do governo segundo a qual o que houve ali foi um crime.

Trata-se de uma magnífico exercício de autoengano. Foi praticado um crime na forma, mas a essência do episódio está no seu conteúdo. A divulgação dos Pentagon Papers, em 1971, decorria de um indiscutível crime contra a segurança nacional dos Estados Unidos, pois os documentos que contavam a ação americana no Vietnã eram secretos e foram roubados. A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a tentativa do governo de proibir a sua divulgação.

Governantes inventam (e fingem que acreditam) coisas incríveis. O governo petista e seu comissariado desqualificavam o conteúdo das colaborações de alguns de seus companheiros e cúmplices com a Lava Jato de Sergio Moro denunciando a forma como os procuradores obtinham as confissões (encarcerando os suspeitos). Em junho de 2015 a presidente Dilma Rousseff disse: “Não respeito delator”.

O autoengano petista custou o mandato a Dilma e a liberdade a Lula, bem como aos ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci.

Um ano depois da fala de Dilma, Sergio Moro lembrou a Deltan Dallagnol que a Lava Jato estava há “muito tempo sem operação”.

(Dias depois foi para a rua a Operação Arquivo X.) Na mesma conversa, o juiz ofereceu ao procurador o nome de uma “fonte séria” que “estaria disposta a prestar a informação”. (Não devia ser séria porque oferecia informações que não se materializaram sobre o filho de Lula. Além disso, não topou falar.) À época não se sabia que o juiz Moro e o procurador Dallagnol tinham tamanha fraternidade. Sabe-se agora, graças ao The Intercept Brasil.

Em 2015 autoenganavam-se empreiteiros e petistas. Hoje, quem acredita (ou faz que acredita) que a forma apaga o conteúdo é o ministro Moro.

Em novembro de 1971 a filósofa Hannah Arendt publicou um artigo intitulado “Mentindo na Política: Reflexões sobre os Papéis do Pentágono” e nele cuidou do mecanismo do autoengano. Ela disse o seguinte:

“O autoengano pressupõe que a distinção entre a verdade e a falsidade, entre o realidade e a fantasia, desaparece numa cabeça que se desligou dos fatos. No campo político, onde o segredo e a dissimulação sempre desempenharam um importante papel, o autoengano é o perigo por excelência: o enganador autoenganado perde todos os contatos, não só com seu público, mas com o mundo real”.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

Fernandes

Greenwald desafia Sérgio Moro e procuradores: mostrem os originais das conversas. Mostram?


Prefeitura de Caruaru

16/06


2019

Lá como cá?

A ministra Tereza Cristina (Agricultura)telefonou ao seu correspondente no governo chileno para avisar que, por ora, não restringirá as importações de vinhos que estão chegando ao Brasil com 7% de água. Por aqui, o percentual não pode passar de 2%. Os produtores domésticos se queixam de competição desleal.


TIROTEIO

De Ricardo Patah, presidente da UGT, sobre a campanha ‘Demita um grevista e contrate um desempregado’, projetada nas redes na sexta

“Há uma série de ataques ao movimento sindical. Um desrespeito a ato legítimo e constitucional que os trabalhadores fizeram”  (Daniela Lima – Painel  da Folha)


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Prefeitura de Gravatá

16/06


2019

Eleitor fiel de Bolsonaro e a reforma

Recorte de pesquisa feita pela XP Investimentos mostra  que os eleitores de Jair Bolsonaro apoiam  em peso a reforma

Entre os que disseram ter ajudado a eleger o presidente, 78% são totalmente ou parcialmente favoráveis ao projeto. Já entre os que votaram em Fernando Haddad (PT), o apoio é de 29%.

Jogou só - Parlamentares que acompanharam as negociações em torno do relatório da reforma da Previdência tiveram a mesma percepção: a equipe política do governo, liderada por Onyx Lorenzoni (Casa Civil), não deu as caras. O time de Guedes —Rogério Marinho à frente— jogou só.  (Daniela Lima – FSP)


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha


16/06


2019

Críticas de Guedes endossadas por Marco Lisboa

Ex-secretário de política econômica, o presidente do Insper, Marcos Lisboa,  endossa críticas feitas por Paulo Guedes (Economia) ao relatório da reforma da Previdência, apresentado na quinta (13) por Samuel Moreira (PSDB-SP).

Para ele, o texto peca ao aliviar a transição para servidores e ao excluir os estados. Teria havido ainda o que Lisboa chama de “oportunismo” no aumento do tributo cobrado dos bancos. Aos olhos de investidores, avalia, ficaria a impressão de que as regras mudam de acordo com a conveniência política.

Tal como está no relatório, alerta Lisboa, a reforma atrasaria a entrada da agenda para retomar o crescimento econômico, pois a incerteza fiscal não sairia do horizonte de longo prazo. Mas dado o nível de hostilidade do governo com Congresso, ele pondera, o que saiu já é “um milagre”.  (Folha Painel – Daniela Lima)


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

ArcoVerde

16/06


2019

Joaquim Levy pede demissão da presidência do BNDES

Saída de Levy do banco de fomento é mais uma crise do governo Bolsonaro

Folha de S.Paulo - Alexa Salomão, William Castanho e Bernardo Caram

O economistaJoaquim Levy renunciou à presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) neste domingo (16).

“Solicitei ao ministro da Economia, Paulo Guedes, meu desligamento do BNDES. Minha expectativa é que ele aceda”, disse Levy, em mensagem enviada a Guedes.

O economista afirmou que agradece a lealdade, dedicação e determinação de sua diretoria. “Agradeço ao ministro o convite para servir ao País e desejo sucesso nas reformas.”

No sábado (15), o presidente disse estar “por aqui” com o economista. Ele afirmou que Levy estava “com a cabeça a prêmio” havia algum tempo.

O estopim, segundo Bolsonaro, foi a indicação de Marcos Barbosa Pintopara a diretoria de Mercado de Capitais do banco. Ele integrou o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Levy chegou ao comando do banco a convite de Guedes. Assim como o ministro, ele fez doutorado na Universidade de Chicago —reduto do pensamento econômico liberal.

Ele trabalhou em dois governos petistas. Primeiro foi secretário do Tesouro Nacional de Lula.Depois, como ministro da Fazenda de Dilma Rousseff (PT), no primeiro ano do segundo mandato, enfrentou obstáculos para ajustar as contas públicas e saiu do governo.

resistência de Bolsonaro a Levy vem desde o governo de transição. Presidente eleito, em novembro de 2018, ele disse que, ao aceitar a indicação, precisava “acreditar em Guedes”.

Na ocasião, Bolsonaro afirmou que “houve reação” ao nome de Levy por ele ter “servido à Dilma e ao [ex-governador do Rio do Janeiro Sérgio] Cabral”. Ele foi secretário de Finanças.

Antes de assumir o cargo de presidente do BNDES, Levy foi diretor financeiro do Banco Mundial, em Washington. Também trabalhou como técnico do FMI (Fundo Monetário Internacional).

No setor privado, o economista foi diretor do Bradesco.

Barbosa Pinto, neste sábado, enviou uma carta a Levy, à qual a Folha teve acesso, para renunciar ao cargo.

Bolsonaro havia dito pouco antes que o presidente do BNDES tinha de demitir o advogado ou seria demitido até esta segunda-feira (17).

O advogado, que foi assessor e chefe de gabinete da presidência do BNDES em 2005 e 2006, afirmou ter “muito orgulho” da própria carreira.

Ele, informalmente, ajudou o governo petista na elaboração de projetos de PPPs (parcerias público-privadas).

Em entrevista à revista Capital Aberto, Barbosa Pinto disse que colaborou na criação do Prouni, programa que concede bolsas a alunos carentes, com então ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), em 2008. Bolsonaro venceu Haddad no ano passado.

Barbosa Pinto atuou ainda na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

No setor privado, de 2011 a 2018, foi sócio de Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, na Gávea Investimentos. Integrou conselhos de administração de diversas empresas.

O advogado recebe elogios de economistas. A decisão de enviar a carta, mesmo sem ter conseguido conversar com Levy, foi para demonstrar que não tem engajamento partidário.

A intenção de não ser usado como pivô de disputa política na aérea econômica do governo pesou na decisão. Ele tomou posse na quarta-feira (12) e começaria a trabalhar na segunda.

Guedes indicou insatisfação com o trabalho de Levy à frente do BNDES em entrevista a Gerson Camarotti, do G1, neste sábado.

“O grande problema é que Levy não resolveu o passado nem encaminhou solução para o futuro”, afirmou o ministro.

Guedes referia-se a investigações de possíveis responsáveis por empréstimos concedidos pelo banco a empreiteiras, nos governos do PT, para obras no exterior. Em troca, elas pagariam propina.

Até o momento, nenhum funcionário do banco foi apontado como participante do esquema, mas Bolsonaro e Guedes insistem no discurso de abrir a caixa-preta do BNDES.

Outro motivo de descontentamento do ministro com Levy é a resistência do economista em devolver o dinheiro injetado no BNDES no passado.

Guedes já disse que espera receber R$ 126 bilhões neste ano, mas Levy não se comprometeu com a cifra. Os recursos são tratados como necessários para ajudar no ajuste fiscal do governo.

Na quinta-feira (13), o governo anunciou a saída do general Carlos Alberto dos Santos Cruz, após seguidas crises com os filhos do presidente.

Em encontro com jornalistas, Bolsonaro disse na sexta (14) que demitiria também o general Juarez Aparecido de Paulo Cunha da presidência dos Correios por ter comportamento sindicalista.

Nesse mesmo dia, após críticas de Guedes ao relatório apresentado pelo deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o governo é uma “usina de crise”.

No sábado, foi a vez de Bolsonaro ameaçar Levy.

O general do Exército da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas deixou a Funai (Fundação Nacional do Índio) na terça (11).

Desde o começo do ano, o governo registra quedas de nomes ligados à ala ideológica e militar.

Já deixaram o governo, além de Santos Cruz, Ricardo Vélez Rodríguez (ex-ministro da Educação) e Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral).

A Apex (Agência de Promoção de Exportações do Brasil) já foi comandada por Alecxandro Carreiro e Mario Vilalva.

Três já foram demitidos da presidência do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas), do MEC.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Asfaltos

16/06


2019

Com Moro era oi e Tchau

Negócios à parte -  Crítico de aspectos da Lava Jato há tempos, o criminalista Alberto Zacharias Toron abriu mão do anonimato e falou abertamente sobre o assunto. Ele diz que as audiências com Moro ocorriam no ambiente “mais formal possível”.

Ele nunca se mostrou acessível. Não era sujeito de sorrisos. As respostas eram secas e evasivas.” Toron despachou uma vez como Moro, “por insistência do cliente, já que eu achava que seria inútil”.

Moro disse em recente entrevista ao Estado de S. Paulo que “esses aplicativos de mensagens, eles apenas aceleram a comunicação”. “Isso de o juiz receber procuradores, delegados (…), de juiz receber advogados, acontece o tempo todo”.

Os relatos de quem defendeu réus ou negociou delações com o MPF é diferente. Para um dos ouvidos, pela métrica imposta pelo ex-juiz na condução de seus processos, se um advogado fosse flagrado conversando com magistrado por mensagem “os dois seriam presos por obstrução de Justiça”.  (Painel – FSP)


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha


16/06


2019

Acesso a Moro em Curitiba era para poucos

Advogados dizem que nunca tiveram telefone ou abertura para pedir audiências a Moro

Daniela Lima – Painel – Folha de S.Paulo

Aos inimigos, a lei -  Oito advogados que atuaram em dezenas de casos relevantes para a força-tarefa da Lava Jato de Curitiba relatam um modelo de relação com o ex-juiz Sergio Moro muito diferente do que aparece nas mensagens entre ele e o procurador Deltan Dallagnol, segundo o The Intercept. Nenhum desses defensores jamais teve o telefone do então magistrado —por óbvio, tampouco trocou mensagens com ele. Despachos só previamente agendados por escrito com a Secretaria da 13ª Vara

O Painel consultou advogados de renome, ligados a réus ou delatores, com significativa atuação na 13ª Vara. A coluna fez a eles as mesmas perguntas, sob garantia de anonimato —há casos ainda pendentes.

Um dos ouvidos fez defesa da atuação de Moro. Disse que manteve por anos relação impessoal com o ex-juiz e que considerava o trabalho dele sério. No fim, emendou: “Agora, que houve erro na condução da Lava Jato, houve”.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Bm4 Marketing 7