11/06


2021

“Essa mentira mata”, diz microbiologista sobre cloroquina

A microbiologista Natalia Pasternak afirmou, hoje, à CPI da Covid que o uso de cloroquina para combater a doença é uma mentira "orquestrada pelo governo federal" e é uma mentira que "mata".

“No caso triste do Brasil, é uma mentira orquestrada pelo governo federal e pelo Ministério da Saúde. E essa mentira mata, porque ela leva pessoas a comportamentos irracionais que não baseados em ciência”, disse Pasternak.


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Pousada da Paixão

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20/06


2021

Enquanto alguns viajam, outros trabalham

Enquanto alguns gestores viajam, outros se preocupam em acompanhar o processo de vacinação e garantir que a população seja imunizada contra a Covid-19. O prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), mostrou como um verdadeiro agente público deve se comportar ao mobilizar um mutirão de vacinação neste fim de semana para que a segunda dose da Coronavac fosse aplicada em quem ainda não recebeu a vacina complementar.

O saldo foi bastante positivo, com mais de 3,5 mil doses aplicadas ontem e hoje. A experiência política de Ferreira pesa, sobretudo quando comparado a neófitos.


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Petrolina abril 2021

20/06


2021

Jaboatão faz mutirão para aplicação de 2ª dose da CoronaVac

A Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes montou um mutirão neste fim de semana para aplicação de segundas doses da vacina da CoronaVac. Foram abertos novos pontos para atendimento ao público, a fim de acelerar o processo de vacinação e, de acordo com o prefeito Anderson Ferreira, que esteve acompanhando de perto a vacinação hoje (20) no município, 3.509 doses do imunizante foram aplicadas.

“Conseguimos, em apenas dois dias de mutirão, vacinar quase metade do público que aguardava pela segunda dose da CoronaVac no Jaboatão. Isso é resultado de estudos sérios, de planejamento, e, principalmente, desse sentimento por fazer mais e melhor que norteia toda nossa equipe. Jaboatão vai continuar fazendo o dever de casa, buscando meios e alternativas para virar a página dessa pandemia o quanto antes”, disse o prefeito Anderson Ferreira.

Ao longo da semana, a Prefeitura do Jaboatão irá disponibilizar dois pontos exclusivos para aplicação da segunda dose da CoronaVac, localizados na sede da Secretaria Municipal de Saúde, em Prazeres; e na quadra da Escola Municipal Benjamin Constant, no bairro do Socorro, que irão, funcionar de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h, com exceção desta quinta-feira (24), feriado de São João Batista, quando o atendimento ao público será feito das 8h às 13h. Abrirá as portas aos retardatários no feriado, ainda, a Policlínica Mariinha Melo, em Vila Rica.

Não é preciso reagendar a data de retorno caso o munícipe não tenha tido como comparecer ao mutirão do fim de semana, bastando apenas se dirigir ao ponto montado na sede da Secretaria Municipal de Saúde para receber a dose. Importante ressaltar a obrigatoriedade da apresentação de documento oficial com foto e da carteira de vacinação que comprova a aplicação da primeira dose com o imunobiológico da CoronaVac. As orientações estão disponíveis no site deolhonaconsulta.jaboatao.pe.gov.br.


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20/06


2021

Recife no caos e o prefeito paulistano

Enquanto Recife não consegue reduzir os casos de Covid, o comércio fecha e encara prejuízos, o prefeito João Campos (PSB) embala suas noitadas em São Paulo, terra do love, a deputada federal Tábata Amaral (sem partido). 

E com encontros em família, segundo suas redes sociais, mas sem máscara.

Péssimo exemplo!


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20/06


2021

MPE pede que Bolsonaro leve multa por campanha antecipada

Estadão

O Ministério Público Eleitoral (MPE) entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que pede aplicação de multa ao presidente Jair Bolsonaro e outras autoridades por propaganda eleitoral antecipada e conduta vedada a agente público, segundo comunicado publicado no site do Ministério Público Federal.

Em cerimônia de entrega de títulos de propriedade rural, em Marabá (PA), na sexta-feira, 18, o presidente mostrou uma camiseta entregue pelo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, com a mensagem "É melhor Jair se acostumando. Bolsonaro 2022". O ato foi transmitido ao vivo pela TV Brasil.

A ação é assinada pelo vice-procurador-geral Eleitoral, Renato Brill de Góes. Segundo ele, "ao fazer expressa menção ao pleito eleitoral de 2022 e à pretensa candidatura, além do contexto dos discursos proferidos no evento, houve claro ato consciente de antecipação de campanha, o que é vedado pela legislação eleitoral, pois causa desequilíbrio na disputa, além de ferir a igualdade de oportunidade dos candidatos". O vice-procurador observou também que, sabendo que o evento estava sendo transmitido ao vivo pela televisão pública federal, o presidente leu a mensagem estampada na parte na camiseta e os exibiu em direção à plateia e à transmissão.

"Restou insofismável não se tratar de um mero ato público oficial típico de governo, mas sim de um verdadeiro ato público de campanha eleitoral antecipada, com promoção pessoal do representado Jair Messias Bolsonaro na condição de candidato às eleições de 2022", disse Brill de Góes na representação. Na ação, ele destaca, ainda, que não é a primeira vez que o presidente utiliza eventos oficiais de governo para promover sua candidatura, contrariando a legislação eleitoral.

De acordo com Brill de Góes, a Lei das Eleições permite a realização de propaganda eleitoral somente a partir do dia 16 de agosto do próximo ano. "Embora a legislação possibilite o debate político antes dessa data, sem pedido explícito de voto, não autoriza a utilização indiscriminada de formas de propaganda a qualquer tempo e modo, principalmente aquelas que são proibidas durante o próprio período eleitoral."

O vice-procurador geral eleitoral também pediu a aplicação de multa por propaganda antecipada negativa e conduta vedada a outras autoridades que participaram do evento e manifestaram apoio ao presidente, citando pesquisas eleitorais ou criticando adversários políticos, em referência à eleição presidencial do ano que vem. Entre elas está o pastor Silas Malafaia, que atacou diretamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder das pesquisas de intenção de voto para a corrida de 2022.


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Ipojuca 2021

20/06


2021

Vítimas da Covid em Vitória são lembradas em memorial

Um perfil para lembrar as vítimas da Covid-19 em Vitória de Santo Antão, na Mata Sul de Pernambuco, foi criado no Instagram. A ideia é que a página possa ser um local para divulgação de notícias sobre o novo coronavírus, para desmentir as notícias falsas, mas para além disso, um espaço importante para que os vitorienses nunca esqueçam das pessoas da cidade que faleceram devido a essa doença e suas consequências.

De acordo com o jornalista Luís Boaventura, criador do Memorial, a iniciativa foi inspirada no projeto Inumeráveis. “Com a morte do meu pai, no dia 03 de janeiro, passei a receber diversas mensagens de mães de pacientes deles, com histórias lindas que não conhecíamos. Então pensei em uma forma das histórias de outras vítimas da covid também serem lembradas para sempre”, comentou Boaventura.

Trata-se do que hoje chama-se de jornalismo colaborativo. Um parente ou amigo de uma das 276 vítimas da cidade pode enviar um direct para o memorial no Instagram (https://www.instagram.com/memorialcovidvitoria/) com nome completo, foto, idade, data do óbito e uma mensagem que vai fazer todo mundo se lembrar ou que o ente querido que se foi gostaria de ser lembrado.

“Criamos uma arte e postamos. O mais bonito de tudo são os comentários que outras pessoas deixam. Cada uma com sua impressão e lembrança de quem se foi”, conclui Boaventura.

Até o fechamento desta reportagem, Vitória de Santo Antão registra 6.252 casos confirmados de Covid-19 e 276 pessoas já morreram por complicações da doença. Ainda de acordo com dados apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde, os bairros da Bela Vista, Matriz e Cajá, lideram o ranking de casos confirmados, enquanto os bairros da Matriz, Bela Vista e Loteamento Conceição lideram o ranking de residência de pessoas que morreram.


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Caruaru Campanha São João

20/06


2021

Pedro Vilela garante recursos para wi-fi grátis no Sertão

Municípios sertanejos terão condições de colocar pontos de wi-fi grátis para a população, anunciou o deputado federal Pedro Vilela (PSDB-AL), que esteve na sexta (18) e no sábado (19) visitando Santana do Ipanema, Poço das Trincheiras, Monteirópolis, Jacaré dos Homens, Olho d’Água das Flores e Pão de Açúcar. “É apoio à educação, fomento à economia, cidadania e informação chegando gratuitamente a quem precisa, é o nosso Sertão conectado”, afirmou o parlamentar.

O deputado se reuniu com prefeitos e lideranças sertanejas e reforçou o apoio de seu mandato à agricultura familiar, saúde e infraestrutura desses municípios. “Estamos trabalhando para contribuir com uma Alagoas melhor para todos, onde no campo o homem tenha condições de tirar da terra o seu sustento e, na cidade, haja oportunidade de emprego e de uma vida digna”, destacou Pedro Vilela.

No Sertão, o deputado conversou sobre os efeitos da pandemia na economia da região e no luto que a covid tem provocado em muitas famílias. “Não está sendo fácil e o caminho é a vacinação, tenho estado permanentemente no Ministério da Saúde cobrando mais vacinas para Alagoas”, acrescentou. “Também estou buscando ajudar o país a conseguir mais vacinas, para que tenhamos em breve uma população imunizada acima dos 50%, com as duas doses”, enfatizou.

Os recursos para a implantação do sistema de wi-fi grátis serão de emendas do parlamentar. Na sexta passada, Pedro Vilela anunciou investimentos para o município de Palmeira dos Índios e para o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), totalizando cerca de R$ 2,5 milhões. 


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CABO

20/06


2021

Morre marqueteiro que ajudou Joaquim a derrotar Jarbas

Soube, há pouco, através do jornalista Hélio Doyle, com quem trabalhei no Jornal de Brasília, da morte do jornalista paulista Ricardo Carvalho, 72 anos, um baita marqueteiro. Já atuou por muito tempo em Pernambuco, importado pelo ex-governador Joaquim Francisco. Não foi Covid, ele já vinha doente há muito tempo.

Eu o conheci em Brasília quando Joaquim me convidou em 1990 para coordenar a área de Imprensa da sua campanha a governador. Alto, incisivo, brigão no bom sentido da guerra eleitoral, Ricardo construiu uma carreira bem sucedida em Pernambuco. Conduziu as campanhas de Joaquim para prefeito do Recife e governador, ambas vitoriosas. Fez uma dobradinha com Luiz Alberto Passos, mas nunca se entendeu com Roberto Viana, o então mais poderoso assessor de Joaquim.

Na campanha de 90, Ricardo foi protagonista de uma bela história. Sem ir a debates por estar bem folgado nas pesquisas, Joaquim começou a despencar na reta final com a exploração de Jarbas Vasconcelos, com quem polarizou, com a contrapropaganda na TV carimbado de fujão pelo adversário. Além de agressiva, a chamada era ilustrada por uma cadeira vazia. 

Vendia a ideia de que Joaquim temia enfrentar Jarbas num debate. Deu certo. Num sábado, lembro como hoje, estávamos com Joaquim pelas ruas de Garanhuns quando chegou a notícia de que havia caído nas pesquisas e Jarbas ameaçava assumir a liderança. Era resultado da cadeira vazia, do apelido fujão, que estava se cristalizando nele.

Por sugestão de Ricardo Carvalho, que estava enfurnado no estúdio da propaganda eleitoral de Joaquim no Recife, toda agenda em Garanhuns e região foi suspensa. Voltamos voando, literalmente, para Recife. Joaquim, eu e mais dois assessores que cuidavam da logística da campanha.

Joaquim não tinha a menor noção da estratégia que adotaria para frear a queda nas pesquisas. Encontramos Ricardo num hotel do Recife já com a cartada nas mãos: Joaquim desafiar Jarbas para um debate, cara a cara, olho no olho. Mas como fazer esse confronto se a legislação eleitoral não permitia exclusão dos outros candidatos em debates?

Foi quando Ricardo matou a charada: o debate se daria durante o tempo do guia eleitoral na TV, resultado da soma do tempo de Joaquim com o de Jarbas, algo em torno de 50 minutos. A princípio, a Justiça Eleitoral não gostou da ideia, mas depois cedeu. O cara a cara foi realizado nos estúdios da TV Jornal e durou exatamente 50 minutos, mediado pelo jornalista José Mário Austregésilo, da TV Universitária.

Joaquim chegou com uma pasta amarela sem absolutamente nada dentro, vazia. Só para assustar Jarbas. Este, numa noite infeliz, gaguejou, mostrou enormes fragilidades diante de um Joaquim que rugia feito um leão.

Joaquim saiu da TV Jornal como vencedor do debate, houve Carnaval fora dos estúdios na rua, onde as militâncias acompanhavam o confronto num telão.

Joaquim reagiu nas pesquisas, ganhou de Jarbas no primeiro turno e ainda puxou o senador Marco Maciel.


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Bandeirantes Junho 2021

20/06


2021

Marco Maciel, um estadista da República

Por Carlos Henrique Cardim*

"Só três divindades sei que pintaram os antigos com os olhos vendados, sinal que não eram cegas; mas que eles a faziam e adoravam: há um Pluto, Deus da riqueza; um Cupido, Deus do amor; e uma Astréia, Deusa da justiça. Negue Vossa Excelência culto a semelhantes divindades, e nunca consinta que se lhe erijam templos, e se consagrem votos por oficiais de El-Rei, porque é prejudicial em quem governa, riqueza cega, amor cego e justiça cega". Marquês de Pombal. Carta ao sobrinho, Governador do Maranhão.

O Marquês de Pombal (1699-1782), Sebastião José de Carvalho e Melo, infelizmente esquecido, inspira a mentalidade e o comportamento políticos brasileiro no século XIX. Como sublinhou Álvaro Lins, "o nosso Império - em Constituição, leis e costumes - é todo ele galicano e pombalista". A sua principal nota é a moderação, a conciliação.

Nas palavras do Visconde do Rio Branco, considerado por Joaquim Nabuco o mais completo homem público do Império, a chave da política nacional está no bálsamo da conciliação: "Quereis a prosperidade da nação?... derramai o bálsamo: por vossos atos inspirai ao país a maior confiança possível no seu futuro; franqueza e justiça para todas as opiniões, a par de fortaleza para com o delírio das facções; alargai a esfera dos cidadãos, que podem tomar parte nos negócios do Estado; proscrevei o exclusivismo, que manda dar somente importância a um limitado número de pessoas. (...) Quereis a desgraça do país? Pois bem: exercei a parcialidade e a injustiça com aquele cujas opiniões forem diversas, concentrai todo o vosso poder nesses amigos que vos acompanharão nos dias de felicidade, que vos darão o último empurrão para o abismo no dia da desgraça; sede desapiedados com os vencidos, condenai à fome, à miséria e à morte os que não jungirem ao vosso carro; e a vossa obra estará completa com o desmantelamento do Império, e o aniquilamento de tudo quanto tem de mais caro a nação".

Sérgio Buarque de Holanda, ao analisar o famoso panfleto de Justiniano José da Rocha "Ação Reação Transação", mostra os perigos dessa orientação no mais da vezes, em sua opinião, mais um anestésico do que um bálsamo. José Honório Rodrigues sublinha fala do Barão de São Lourenço no Senado, em junho de 1864 : "Opus-me à conciliação como bandeira, porque logo receei alguma mistificação; a nação, porém, tomou-a a sério, porque de fato havia cansaço e o caráter brasileiro tende sempre para fraternizar".

Na República, Marco Maciel figura como um dos seus principais estadistas. Como assinalou Fernando Henrique Cardoso: "Sempre foi um construtor de pontes. Homem educado e nunca arrogante, não deixou de ser um homem de princípios e de fé. Como Pascal, que acreditava em Deus e na razão, Marco foi ao meso tempo, católico convicto e sabedor que só a paciência da razão permite construir instituições e convívios sólidos".

Pascal que fez uma das melhores defesas da conciliação, além de escritor e filósofo de gênio, foi um excepcional pensador político. Michel Le Guern, assim mostra a visão pascaliana da política: "A conciliação dos contrários é, ao mesmo tempo que um método de pesquisa da verdade, um método de diálogo e de persuasão. (...) Esta atitude está nas antípodas da intolerância, e é a única que se conforma com a caridade, exigida pelo cristianismo".

Marco Maciel tinha presente, em seu pensamento e ação, Maquiavel que nos Comentários sobre a Primeira Década de Tito Lívio, sua mais importante obra, define a República de Roma com a melhor forma de governo, pois lograda uma base de consenso, permitia o dissenso, e se utilizava do conflito criador da desunião ente a plebe e o senado para alcançar a lei mais justa e equilibrada, como conclusão do debate entre as duas partes.

Traço definidor da personalidade de Marco Maciel foi a procura de pontos comuns na política: agregar, invés de desagregar. Lembra aqui, Píndaro: "Oh minh´alma, não aspira à vida imortal, mas esgotar o campo do possível". Recordo, a propósito, a elegia de Roberto Campos a San Tiago Dantas - que tiveram sérias divergências políticas, mas que conviviam e se estimavam - "Em que partido deveria (entrar) perguntei? Entre irônico e triste, tu me respondeste: ´Escolhe o partido segundo seu perfil. Mas o necessário mesmo é criarmos um novo partido. O partido de Abel, dos que habitam o tema da salvação´.

Repousa Marco Maciel, amigo certo das horas incertas. Foste aceito no Partido de Abel.

Marco Maciel foi a segunda pessoa que conheci, quando cheguei a Brasília, em 1976. Unidos por Waldemar Lopes, junto com Walter Costa Porto, construímos uma amizade nutrida de ideais e convivência, que gerou importantes realizações no campo político e editorial - revistas e coleções de livros.

*Sociólogo. Embaixador. Professor da Universidade de Brasília UnB, Ex-Decano de Extensão. Foi Presidente da Editora UnB. [email protected]


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Serra Talhada 2021

20/06


2021

A Rose de Renan e a Mônica de Lula

Por Augusto Nunes, do R7

Mônica Veloso virou celebridade nacional em 2007, quando o Brasil ficou sabendo que as contas da jornalista que tivera uma filha com Renan Calheiros eram bancadas por uma empreiteira. Reeleito presidente do Senado no início daquele ano, o parlamentar alagoano acabou renunciando ao cargo para escapar da cassação. Mônica virou capa da revista Playboy, escreveu um livro sobre a história, apresentou um programa de TV, casou-se de novo e submergiu no semianonimato. Melhor: tenta submergir. Sempre que o líder da bancada do cangaço ganha espaço no noticiário, a caso é ressuscitado e reapresenta às novas gerações a protagonista do romance com final infeliz.

Em dezembro de 2013, Rosemary Noronha virou celebridade nacional, quando o Brasil ficou sabendo das bandalheiras cometidas pela chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo que se referia a Lula como “meu namorado”. Denunciada pelo Ministério Público e demitida por Dilma  Rousseff, Rose saiu de cena e continua na semiclandestinidade. Cuidam de mantê-la em liberdade advogados contratados pelo Instituto Lula. O ex-presidente não deu um pio sobre a história. Nem é cobrado por repórteres aos quais dita insultos a gente honesta.

Em 2007, Mônica Veloso não foi qualificada pela imprensa de “amiga” do presidente do Senado. A palavra era a certa: amante. “Renan Calheiros foi uma vítima do falso moralismo da mídia”, viajou José Dirceu num artigo publicado em seu blog. O senador foi vítima da verdade. Falso moralismo é a expressão que se aplica ao tratamento dispensado há mais de 7 anos à dupla formada por Lula e Rosemary Noronha.

Meio mundo sabe que Mônica esteve para Renan como Rose para o ex-presidente. Mas a amante de Lula é identificada como “amiga” do amante.

Abstraídas as formidáveis diferenças de ordem estética, o que distingue uma da outra é a origem do patrocínio. Mônica foi financiada por uma empreiteira. Rose ganhou um empregão federal e dele se valeu para prosperar como traficante de influência e quadrilheira. Como tem feito Lula desde 2013, Renan fez o possível para não comentar a história. Acabou falando e não convenceu ninguém. O ex-presidente ainda crê que uma patifaria deixa de existir se o seu arquiteto finge ignorar os fatos. Um dia terá de falar. É bom que encontre álibis menos toscos que os apresentados pelo senador.

Renan acha que Lula foi preso político. Lula diz que Renan “tem credencial” para o papel de relator da CPI da Pandemia — e de picadeiro. Se as ex-amantes contassem tudo o que sabe, os dois estariam flertando na cadeia.


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20/06


2021

A enchente do Capibaribe e a fake news de Tapacurá

Da coluna de João Alberto

Duas grandes enchentes atingiram o Recife. A primeira, em 1966. A segunda, ainda maior, em 1975. Começou na tarde do dia 17 de julho, uma quinta-feira, num dia de sol. O Rio Capibaribe e os muitos canais da cidade foram subindo e transbordaram, alagando bairros inteiros, 80% da cidade. As ruas ficaram intransitáveis, dezenas de árvores caíram, muitos carros viraram, todos os serviços literalmente pararam, as lojas, muitas inundadas, fecharam.

Mais da metade da cidade ficou sem energia elétrica, os hospitais funcionavam à luz de velas. O transporte nos bairros era improvisado em botes e barcos, um verdadeiro terror. Quando começou a enchente, o governador José Francisco Moura Cavalcanti deu entrevista no Palácio do Campo das Princesas, alertando para a enchente e pedindo para as pessoas voltassem para suas casas. A água ficou a noite inteira e só começou a baixar no final da tarde do dia seguinte. Outras 25 cidades banhadas pelo Rio Capibaribe foram atingidas, algumas duramente como Camaragibe e São Lourenço da Mata.

Morreram 107 pessoas e 350 mil ficaram desabrigados, muitos perdendo tudo nas suas casas destruídas. Eu morava na Boa Vista, uma das poucas regiões da cidade que não foi atingida e pude ir trabalhar na reportagem do Diario de Pernambuco. Recordo de ter feito a cobertura, usando um caminhão do Exército cedido aos jornalistas. Entre as imagens que me marcaram foi o estádio da Ilha do Retiro, transformado numa enorme piscina.

Outro episódio da cheia de 1975 foi o boato (hoje seria uma fake news) de que a barragem de Tapacurá teria estourado. O pânico generalizado aconteceu no dia 21 de julho, quatro dias após o início da enchente, quando os recifenses tentavam voltar à rotina e contabilizavam prejuízos. Eu testemunhei o drama, em torno das 10h, de um dia de sol. Lembro o cenário: pessoas abandonaram seus carros nas ruas, deixaram seus comércios abertos e corriam sem rumo, alguns tentaram subir nos prédios.

Em geral, a crença é de que uma grande onda viria acabar com a cidade, como um tsunami. Eu tinha saído do Banco do Brasil, no Recife Antigo, onde trabalhava, para ir para a redação do Diario de Pernambuco, na Praça da Independência. O governador Moura Cavalcanti comunicou-se com a administração da barragem de Tapacurá e constatou que a situação era normal. Ele, então, dirigiu-se para o meio da confusão, em frente ao Diretório Central dos Estudantes, na Rua do Hospício. Os estudantes choravam, agitados.

O governador disse que a notícia não era verdadeira, que se Tapacurá houvesse estourado ele não estaria ali naquele momento. Os estudantes se acalmaram e tomaram as ruas gritando para o povo que a notícia sobre o estouro de Tapacurá era falsa, que era boato, que estava tudo bem. O jornalista Homero Fonseca fez uma investigação acerca da origem do boato. A conclusão é teria surgido na Avenida Caxangá, uma das mais atingidas pela cheia.

Alguém soltou o comentário, que foi se espalhando no boca a boca e através das rádios, causando pânico na cidade. Ninguém pensou em conferir se era verdade porque havia um sentimento coletivo de desespero. Hoje, a história parece coisa de folclore. As pessoas que viveram aquele acontecimento, no entanto, quase sempre têm uma história tragicômica para contar.


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