Jaboatão

12/04


2021

Wilson fala em armação e diz que Magalhães o temia

Considerado pela aliança governista como o mais temido adversário, pelo fato de, dois anos antes, ter sido eleito senador na condição de candidato terceira via, Carlos Wilson foi nocauteado quando começou a crescer nas pesquisas. Acusado de dar um calote de R$ 120 mil numa produtora na campanha anterior, Cali, como era mais conhecido o candidato trabalhista, foi passado por João Paulo (PT), que acabou, no segundo turno, derrotando Roberto Magalhães.

Magalhães tinha, entretanto, calafrios quando alertavam que Cali poderia ser o seu adversário na disputa final, tudo porque a campanha dele foi embalada por um personagem, criado pelos marqueteiros Marcelo Teixeira e José Nivaldo Júnior, Mané da China, que infernizou a vida do prefeito debochando das suas obras e do seu programa de governo na propaganda eleitoral. O prefeito temia perder o humor diante de Cali e por isso não foi a nenhum debate nem no rádio nem na TV.

Nesta entrevista inédita para o livro A derrota não anunciada, lançado em 2004, que este blog vem reproduzindo capítulo por capítulo, o senador faz desabafos e diz que foi vítima de uma grande armação. Confira!

“Fui vítima de uma grande farsa”

Capitulo 16

Ninguém saiu mais magoado da campanha de 2000 do que o então senador Carlos Wilson, que disputou a Prefeitura do Recife pelo PPS, numa aliança com o PSB, de Miguel Arraes, tendo como vice o hoje presidente da Chesf, Dilton da Conti. Ele imaginava que tinha todas as condições de ser o adversário de Roberto Magalhães, num eventual segundo turno, porque achava que somava mais do que João Paulo pelo fato de ter sido governador e emplacado uma vitória para o Senado que muitos julgavam impossível.

Carlos Wilson era o adversário mais temido de Magalhães. Estava inserido na disputa do mesmo segmento eleitoral pefelista e sabia, mais do que ninguém, tirar o adversário do sério, como fez ao criar a figura do Mané da China, explorada no seu programa eleitoral. Magalhães, segundo o cientista Antônio Lavareda, deixou de comparecer aos debates para não ter que ficar diante de Wilson.

Ele temia, segundo confessou Lavareda, não resistir às provocações do candidato do PPS. Mas, de tanto provocar e debochar de Magalhães, Wilson acabou levando uma pauleira que o tirou, definitivamente, da corrida sucessória. No momento em que crescia nas pesquisas, ameaçando tirar de João Paulo o segundo lugar, foi nocauteado com a denúncia de um calote na campanha de governador que havia disputado, dois anos antes, no valor de R$ 120 mil.

Quatro anos depois, ele se diz vítima de uma grande armação, de uma grande farsa. Afirma que o débito não lhe pertencia, mas sim ao PSDB, partido pelo qual disputou o Governo do Estado, em 1998. O golpe transformou Carlos Wilson numa pessoa amargurada e revoltada, porque, segundo confessa neste depoimento, seu maior sonho é governar a Cidade do Recife. “As pesquisas mostravam que eu tinha condições de ganhar, mas acabei sendo alvo de uma grande baixaria. Com quase 30 anos de vida pública, nada me marcou mais do que a eleição de 2000”, desabafa.

No segundo turno, o eleitorado de Carlos Wilson votou maciçamente em João Paulo, conforme atestam as pesquisas. Ele teve um papel importante na campanha do petista, mas João Paulo não quis herdar o deboche do Mané da China. A herança se deu em outro campo, entre assessores de Wilson. João Braga, um dos coordenadores da campanha do PPS, foi convocado para se engajar na campanha e acabou sendo um dos orientadores do hoje prefeito nas discussões preparatórias para os debates na televisão.

O convite para assumir a Infraero, feito pelo presidente Lula, dois anos depois da derrota, serviu como marco divisório na trajetória de Carlos Wilson. Hoje, ele confessa que já conseguiu superar o trauma e foi contaminado pelo espírito Lulinha paz e amor, do então candidato Lula, na campanha presidencial.

Conversei com Carlos Wilson em Brasília, no restaurante do Blue Tree Park, hotel preferido dos figurões da República Petista. Havia chegado da sua caminhada matinal pelo Lago Paranoá. Colhi seu depoimento no dia em que a corte fervia com as notícias da primeira reforma do Ministério de Lula, com a confirmação, aliás, de mais um nordestino para a sua equipe – o pernambucano Eduardo Campos, neto de Arraes e no segundo mandato de deputado federal.

Como o senhor avalia a eleição de 200 na visão de hoje?

            Aquela eleição foi a que mais me machucou. Foi a eleição mais difícil que eu tive em toda a minha vida. Eu entrei convencido que poderia ganhar. As pesquisas mostravam que eu tinha condições de ganhar, mas acabei sendo o alvo do meu principal adversário, que era Roberto Magalhães, e a aliança que o apoiava. Foi uma eleição com um baixo nível nunca visto na história do Recife. Com quase 30 anos de vida pública, nada me marcou mais do que a eleição de 2000.

Para o senhor, quem era o cabeça dessa baixaria?

            O pessoal que organizava o marketing, a propaganda da campanha de Roberto Magalhães. Lavareda, o coordenador era Lavareda. Agora, com isso, não estou criticando, pessoalmente, ninguém, nem tampouco ele.

O senhor tem uma desavença histórica com ele e até processos na justiça. Não é isso?

            Eu procuro enterrar tudo que é desavença. Não sou uma pessoa de guardar mágoas, inclusive hoje já falo com Lavareda e ele comigo. Eu não sou amigo dele, nunca vou ser amigo dele. Nossa convivência é assim: ele fica na dele e eu na minha.

Chegaram a fazer as pazes e arquivaram também os processos que corriam na justiça de um contra o outro?

            Os processos, a Justiça arquivou ainda quando eu era senador.

Que acordo vocês fizeram?

            Não fiz acordo nenhum. Apenas um amigo marcou um jantar e nós conversamos aqui em Brasília, até tarde, há pouco mais de dois meses.

Posso saber quem fez essa intermediação?

            Foi um amigo comum, o jornalista Antônio Martins, pernambucano, que mora há muito tempo aqui em Brasília.

Foi um encontro tenso?

            No começo, sim. Ficamos um pouco sem jeito, parecia um ambiente carregado, mas depois relaxamos e tudo acabou muito bem.

Qual a razão de tanta baixaria? Eles achavam que o senhor era o adversário em potencial do doutor Roberto, no segundo turno?

            Eles tinham certeza que era o principal adversário, tanto que o governador Jarbas Vasconcelos, numa entrevista ao Diario de Pernambuco, dois meses após a campanha, afirma que quando sentiu, através de pesquisas, que quem poderia ir para o segundo turno com Roberto Magalhães seria eu, o guia de Magalhães forjou um programa eleitoral me atacando de caloteiro, onde diziam que eu tinha ficado devendo na campanha de 98, como se dívida de campanha fosse algum pecado.

Por que forjado se havia uma denúncia?

            Digo forjado porque qual é o partido que não sai de uma campanha devendo? A dívida não era minha, era do partido. Então, foi tudo muito forjado. Foi um ataque muito baixo. Agora, eu tenho também a convicção de que cumpri um papel. Eu não ganhei a eleição, mas cumpri um papel, que foi decisivo para a vitória de João Paulo.

Como assim?

            Eu tive em torno de 12% dos votos no primeiro turno e quase 100% desse meu eleitorado votou em João Paulo, no segundo turno. Isso é uma transferência de voto bastante significativa, diante de uma vitória apertada. João Paulo venceu com uma frente de menos de 1%. Também tivemos uma postura muito dura em relação a administração de Roberto Magalhães, que contribuiu para desequilibrá-lo.

Isso também foi apontado por eles como baixaria?

            Nossas críticas não desceram ao campo pessoal, como eles fizeram comigo. O que exploramos foi a figura extremamente temperamental de Roberto Magalhães, que todo mundo conhece. Isso ficou comprovado com aquele gesto na praia de Boa Viagem, quando reagiu à nossa militância dando bananas.

Mas, o forte do guia do senhor foi o Mané da China…

            O Mané da China desestabilizava ele (Magalhães). Walmir Chagas e Aramis Trindade, atores brilhantes, inventaram um papel brilhante na campanha. Foi uma campanha diferente, onde a gente levava humor e fazia rir, porque Roberto Magalhães, que é uma pessoa multo mal-humorada, não aceitava esse tipo de campanha. E partiram para a reação. A reação foi uma baixaria. A reação foi me atacar, apontar coisas que eu nunca fiz.

O senhor pode dar um exemplo, fora a denúncia do calote?

            Montaram um programa de televisão onde aparecia uma senhora dizendo que estava quebrada, que havia perdido o emprego por minha causa. Quem me conhece sabe que não sou desse tipo, Na minha vida, só faço ajudar as pessoas. Jamais prejudicaria quem quer que seja, muito menos uma pessoa pobre como aquela que apareceu na televisão. Isso tudo foi dirigido para tentar reverter um quadro crescente, com a possibilidade de irmos para o segundo turno com Roberto Magalhães. Eu era um candidato que tiraria votos de Roberto Magalhães, porque atingia uma classe média, o eleitor que tinha medo de votar no PT, mas também não queria votar em Roberto Magalhães.

O próprio comando da campanha de Magalhães admite que ele temia enfrentar o senhor, principalmente nos debates de televisão, porque temia perder o controle. Não era isso?

            Nos debates que participei em televisão, eu sempre dizia assim, abrindo os debates: “Falta alguém aqui. Ele não veio, mas vou fazer tal pergunta para Roberto Magalhães”. E aquilo mexia muito com ele. Mas, quero deixar claro que não era nada contra Roberto Magalhães. Eu estava dentro de um projeto para 2002, que envolvia os partidos de oposição. Jarbas achava que tinha que me afastar da eleição. Minha vitória em 2000 poderia prejudicar o projeto dele de 2002. Diante disso, tive que enfrentar uma campanha muito, muito dura. Se, na minha vida, por algum momento fui marcado assim, de uma forma muito forte, de uma forma muito desagradável, foi na campanha de 2000.

Eu tenho informações de que o projeto da aliança oficial era reeleger Roberto Magalhães para, dois anos depois, ele sair candidato a governador e Jarbas a senador, abrindo para Sérgio Guerra a oportunidade de assumir a Prefeitura por dois anos…

            O projeto passava por aí. E Sérgio Guerra investiu muito nisso. Ele só foi  vice para assumir a Prefeitura no lugar de Roberto Magalhães. Como esse projeto foi frustrado pela vitória de João Paulo, Jarbas foi forçado a disputar a reeleição. Mas, todo mundo sabe, Jarbas não queria a reeleição.

Isso é um exemplo de que não se pode fazer projetos em política?

            Não, não. Tem gente que, agora, liga a eleição de prefeito de 2004 à eleição de 2006, para governador. Não tem nada a ver. João Paulo foi eleito o prefeito em 2002 e não conseguiu ajudar Humberto Costa a ser governador. Não conseguiu também transferir os votos que ele teve na Cidade do Recife para a chapa do PT. Cada eleição é uma eleição. Cada eleição tem a sua história.

Por que o “Mané Chinês”, que foi o principal personagem da campanha, caiu no gosto popular, mas não transferiu votos para o senhor?

            Não transferiu por isso, pelos ataques, pelas baixarias. Ele me ajudou muito, eu reconheço que ele me ajudou muito com esse novo estilo de fazer campanha. Agora, quando houve essa campanha muito dura em cima de mim, os votos migraram. A maioria dos meus votos migrou para João Paulo.

Foi graças ao sucesso do Man[e da China na TV que o senhor resolveu andar colado a ele na campanha?

            Ele me acompanhava para todos os eventos da campanha, praticamente todos. Era bastante solicitado. O sucesso do “Mané da China” foi tão grande que, na campanha mesmo, alguns candidatos a prefeito do interior me pediram para ele ser a atração dos comícios.

Tem gente que acha que o personagem foi tão forte que ficou maior que o candidato. Como o senhor avalia?

            Eu acho que não. Eu acho que não. Eu acho que ele teve esse papel importante, ele foi uma peça que criou um novo estilo de fazer campanha e eu acho que me ajudou muito. Me ajudou muito mesmo. Não tem esse negócio.

Lavareda, por exemplo, diz que o personagem ficou maior do que o candidato…

            Isso é disputa de marketing, de marqueteiro. “Mané Chinês” foi criação de José Nivaldo Júnior.

Como é que surgiu o personagem?

            Surgiu lá na Makplan.

Mas, partiu da sua cabeça também?

            Partiu da minha cabeça, juntamente com José Nivaldo. Foi numa conversa. Ele me mostrou uma campanha que tinha sido feita em Caruaru para João Lyra Neto, com muito sucesso. A gente procurou seguir este mesmo caminho, levando a campanha adiante. Foi uma campanha onde eu acho que o “Mané” teve uma grande importância.

O “Mané” custou caro?

            Não, não saiu caro não. Eles são muito corretos, são pessoas muito amigas. O “Mané” e o Aramis sempre militaram no campo da oposição. Eles trabalhavam lá, não foi caro não.

No depoimento de Roberto Magalhães, ele diz que ele se divertia com o “Mané Chinês”, que aquilo não mexia com ele. O senhor acredita nisso?

            De jeito nenhum. Tanto mexia que deu bananas lá em Boa Viagem. Distribuiu bananas lá na Avenida Boa Viagem. Todo mundo viu a banana de Roberto Magalhães. O difícil foi divulgar aquela banana. Na véspera da eleição, nós reproduzimos uma foto que saiu na Folha de Pernambuco, na primeira página, onde ele aparece dando a banana, e mandamos pregar na cidade inteira, Mas a equipe dele era tão grande, que a gente pregava essas fotografias às quatro da manhã e às cinco já estavam arrancadas dentro da cidade. Porque eles não queriam que essa foto aparecesse. Ele não podia dizer isso, que não se irritava, tem gente que participou da campanha que dizia que ele subia nas cadeiras quando aparecia o “Mané Chinês”.

Como é que vocês organizaram o fechamento da avenida Boa Viagem naquele dia em que ocorreu o episódio da banana?

            O Tribunal concedeu a autorização para que os dois candidatos, no caso eu  e o Roberto Magalhães, fizéssemos uma carreata no mesmo roteiro, na Avenida Boa Viagem. Então, saí mais cedo, a nossa carreata saiu mais cedo, e nós fizemos a carreata lentamente. Isso levou a congestionar o trânsito, e praticamente as duas carretadas ficaram coladas, uma com a outra.

Mas, o seu irmão, André Campos, assume que fechou a avenida com um caminhão…

            Quando chegamos na padaria Boa Viagem, paramos o caminhão, e eu subi no trio elétrico juntamente com Roberto Freire, André, Dilton Da Cont. cada um deu uma palavra de dois, três minutos. E aquilo irritou muito mais Roberto Magalhães.

O senhor chegou a vê-lo dando banas?

            Não, não cheguei a ver não, porque eu estava na frente. Eu estava lá na frente da carreata. Mas aquilo foi um momento de muito desequilíbrio dele.

O senhor acha que a Justiça Eleitoral beneficiou Roberto Magalhães, porque vocês não conseguiram colocar a banana no programa eleitoral?

            É difícil essa questão de Justiça Eleitoral, tem que ser repensada. A composição do Tribunal Eleitoral não pode ser uma composição política, em que qualquer governador interfere. A interferência é muito grande do governo. A justiça eleitoral não nos prejudicou apenas no episódio de Boa Viagem, mas ao longo de toda a campanha nos tirando do ar. No segundo turno, isso aconteceu também com João Paulo, que comeu o pão que o diabo amassou.

A justiça permitiu que eles colocassem o calote contra o senhor, mas não permitiram outro fato real, a banana. Não é isso?

            E depois tem o seguinte: eles passaram mais de 10 dias para me dar o direito de defesa. Então, aquela mentira se tornou verdade, num programa importante, como um programa de rádio e televisão. Depois, o programa de rádio também jogou pesado. Edvaldo Moraes comandava um programa de rádio muito duro em cima de mim. Foi uma campanha que, realmente, me machucou muito. Teve gente que disse que, depois daquela campanha eu fiquei uma pessoa mais amarga. Hoje, passou, passou, eu perdi a eleição também em 2002, sei também como perdi. Eu sei o que é o uso da máquina, hoje eu sei como usaram a máquina. Esse processo de reeleição é uma coisa complicada. Roberto Magalhães foi quem perdeu a eleição. Porque, como prefeito do Recife, ele, na cadeira do prefeito, se tivesse equilíbrio, não teria perdido aquela eleição.

Ele perdeu pelos erros que cometeu?

            Perdeu pelos erros dele.

Então, não foi João Paulo que ganhou a eleição, foi Roberto Magalhães que perdeu pelos erros dele?

            Roberto perdeu pelos erros dele. Esse papel que nós desempenhamos, de radicalizar a campanha, de brigar com ele, foi fundamental para transformar a eleição, que seria morna, numa eleição muito quente, envolvendo a população na campanha. Roberto Magalhães perdeu por muito pouco. Perdeu muito mais pelos erros que cometeu.

Mas Jarbas, quando tirou a gravata, simbolizando sua entrada na campanha, também não acabou sendo outro grande derrotado?

            Esse tipo de bravata o eleitor não gosta. Na hora que ele tira a gravata, o que é que está simbolizando? O uso da máquina. Ele não deixou de ser o governador porque tirou a gravata em seu comitê, para instigar a militância.

Ali, ele simbolizou…

            Ele simbolizou: “Olha, estou tirando a gravata e a máquina vai ser usada. Nós estamos aí na campanha e o importante é a eleição de Roberto Magalhães. Eu vou me empenhar”.

Então, o governador é um grande derrotado também.

            O palanque dele foi derrotado - Roberto Magalhães, Marco Maciel, Sérgio Guerra e ele, porque todos se empenharam muito. Sérgio Guerra foi vice de Roberto Magalhães. Tem gente também… Eu não estou dizendo por maldade não, mas tem gente que diz que Sérgio Guerra, como candidato a vice, não acrescentou nada a Roberto Magalhães, muito pelo contrário, pode ter tirado. Tinha gente que tinha essa visão porque, Roberto Magalhães, eleito prefeito, seria candidato a governador e Sérgio Guerra assumiria a prefeitura. Então setores do PFL ficaram insatisfeitos, preocupados com o possível projeto.

O próprio Roberto Magalhães, no seu depoimento diz que, quando perdeu Raul na vice, o PMDB cruzou os braços na campanha. Como analisa?

            Não sei se o PMDB cruzou os braços. Pelo que eu ouço hoje, não acrescentou muito a Roberto Magalhães não. Raul era muito mais cara do Recife. Acrescentaria muito mais por ser uma pessoa amena, por ser uma pessoa que não tem arestas.

Mas, vice é uma peça tão figurativa numa campanha, não aparece em televisão, não aparece em nada, não?

            Vice não dá votos, mas tira votos. Sérgio tirou votos, mas ganhou um prêmio compensador dois anos depois, quando Jarbas lançou ele como candidato a senador.

Mas ele tirou votos também pelo fato de não ter identidade com a cidade?

            Ele não teve a simpatia do PFL nem do PMDB também. Achavam que, ele sendo vice-prefeito, seria alimentado como uma liderança que estava fora do bloco majoritário. Mas ele, hoje, recuperou isso, porque ele se elegeu senador com o apoio de Jarbas. A eleição para o Senado ele tem que agradecer, exclusivamente, a Jarbas Vasconcelos.

Como o senhor analisa o fato de, dois anos depois, Jarbas, Roberto e Guerrra, derrotados em 2000, serem vitoriosos nas urnas?

            Cada eleição é uma eleição, cada eleição tem sua história. Ninguém pense que a eleição de 2004 vai ser decisiva. Ela é importante, mas não será decisiva para 2006. Tem muita estrada pela frente ainda.

Pela importância que o senhor teve na campanha, principalmente na transferência de votos no segundo turno, acha que foi bem tratado pelo prefeito João Paulo quando ele chegou ao poder?

            Não. Eu não fui bem tratado e isso não é questão pessoal. Eu acho que João Paulo não compôs a sua equipe na Prefeitura reconhecendo aqueles que participam do palanque dele no segundo turno. E aí, quando eu falo, estou falando com relação a todos os partidos que a ele se juntaram no segundo turno, como o PPS, PSB e PDT. Vicente André Gomes, do PDT, também teve uma participação importante.

No reduto de Casa Amarela, não é isso?

            Em Casa Amarela, sim. Para você ver, em Casa Amarela, no primeiro turno, João Paulo foi o quarto colocado, na sexta zona. O primeiro foi Roberto Magalhães, o segundo fui eu, o terceiro, Vicente e o quarto, João Paulo. No segundo turno, João Paulo foi o mais o votado na sexta zona. Então, veja que, aqueles eleitores que votaram em Carlos Wilson, que votaram em Vicente, foram todos para João Paulo. A composição que ele fez na Prefeitura, entretanto, não representou o esforço daqueles que se empenharam por ele.

O senhor atribui isso ao PT ou à visão de João Paulo, que seria estreita?

            Não, a culpa não é do PT. É a visão de João Paulo.

Que é estreita?

            Não digo que seja estreita. É o estilo dele. Ele gosta de armar uma equipe doméstica. Ele trouxe o pessoal do gabinete dele quando deputado para a Prefeitura. São pessoas a quem eu tenho o maior carinho, mas acho que ele deveria ter ampliado mais. Eu acho que ele vai ter algumas dificuldades. Terá que tentar compor com forças que são importantes para que ele possa disputar o mandato, que ele possa disputar a reeleição.

Eleito prefeito, o senhor faria o que ele está fazendo?

            Não. Eu vou dizer uma coisa a você: eu sou uma pessoa completamente feliz com minha carreira política, me orgulho muito dela. Mas, o grande sonho que eu tinha na minha vida não era mais voltar a ser governador – que eu já fui por 11 meses e 15 dias, quando deixei uma marca no Estado – mas ser prefeito do Recife. Eu acho que Recife merece um prefeito identificado com a cidade, um prefeito alegre, um prefeito que explore a cultura do Estado, um prefeito que possa fazer obras sociais da maior importância. É uma cidade bonita, mas é uma cidade muito degradada. Pelas favelas… Então, eu tenho ainda essa vontade de ser prefeito do Recife.

O senhor acha que ainda pode realizar esse sonho?

            Não, eu acho que o cavalo já passou. A carreira de Jarbas, ele agradeça a 1985, quando Miguel Arraes e Carlos Wilson, Fernando Lyra, Cristina, Oswaldo Lima, Egídio, todos do campo da esquerda, fizeram muita força para ele ganhar a eleição. A eleição de 1985 deu a cara política de Jarbas, um político identificado com o Recife. Tanto que o marketing dele, muito explorado, é: “Jarbas é a cara do Recife”. Porque ele é isso aí, competentemente eficiente. E levou o Recife a ser uma cidade divulgada, nacionalmente e internacionalmente, com eventos. Recife é uma cidade que se move com sua principal arrecadação. O Recife é uma cidade bonita. A praia de Boa Viagem tem que ser o cartão-postal, você tem que usar isso. Eu acho que Recife merecia ter um prefeito que tivesse a cara dela. Como Jarbas foi. Muito eficiente, o melhor prefeito.

O fato de Magalhães ter recebido uma votação estrondosa para deputado federal pode ser interpretado como uma espécie de remorso do eleitor pela sua derrota dois anos antes?

            Tinha muito isso, o eleitor hoje não vota, amanhã se arrepende porque não votou. Eu lembro que em 1986, quando fui vice-governador de Arraes, ninguém acreditava que Roberto Magalhães fosse perder a eleição para Antônio Farias e Mansueto, candidato da esquerda ao Senado. E perdeu. Aquela eleição mexeu muito com Roberto Magalhães, tornando ele pessoa nervosa e sem autocontrole.

Ele próprio é quem diz que a maior frustração foi a derrota para o Senado…

            Ele não contava com aquela derrota. Ele perdeu a eleição em 86, mas quatro anos depois foi candidato a deputado federal e teve uma votação estrondosa. E, agora, foi a mesma coisa. Ele perde a eleição de prefeito e tem, novamente, uma grande votação para deputado federal em Recife e área metropolitana. Você veja que a votação de Roberto Magalhães jamais se deu nos grandes centros eleitorais.

Quando o senhor diz que não faria o que João Paulo está fazendo, poderia enumerar quais são os principais erros dele?

            Não ter feito uma equipe ampla me parece o mais grave. Eu procurava não fechar domesticamente uma Prefeitura. Mas esse é o estilo dele. Ele acha que está dando certo, problema dele. Eu sou eleitor dele, vou votar nele, vou fazer a campanha dele, sou do PT hoje, e vou cumprir a orientação do partido de apoiar todos os candidatos do partido no Estado. Então é isso aí: no Recife ele é o meu candidato.

Aparentemente, Recife parece ser uma cidade fácil de administrar, porque não há antecedentes de prefeitos que se saíram tão mal...

            É uma cidade boa de administrar. Agamenon dizia que Recife era uma cidade cruel. Eu posso dizer que o Recife é uma cidade generosa. O recifense é assim: muito tolerante com seus governadores. Devia exigir mais. E ser prefeito do Recife, eu sei… É desejo de muitos, conquista de poucos. Recife é uma das cidades… Para mim, é uma das cidades mais bonitas – juntamente com o Rio de Janeiro – do Brasil. Então, o povo em que exigir mais. Você não pode ter uma cidade tão degradada na sua periferia como nós temos. Recife hoje tem mais de 500 favelas. Recife tem Brasília Teimosa, que é uma das áreas mais bonitas que nós temos, e só agora, depois que Lula se elegeu, é que nós vamos ter um projeto ali, um projeto para aquelas palafitas, que vai ser uma área bonita. Eu acho que essa obra, inclusive, é que pode ser decisiva para a reeleição de João Paulo. Porque ela vai ser uma obra que vai ter marca. Ela vai ser a marca de João Paulo. Ela vai ser importante.

O que o senhor mais gosta do Recife. Por esse amor que revela deve ser tudo, não?

            Eu gosto de curtir tudo no Recife. Eu gosto de ir para a rua, de andar no centro da cidade. Eu acho que aquele projeto de revitalização da Cidade, que foi iniciado com Gustavo Krause, Gilberto Marques Paulo, e que, competentemente, foi concluído por Jarbas, não poderia ter parado. Assim, a população reconhece em Jarbas como o arquiteto daquele projeto. Acho que ali é uma área para continuar a ser explorada. A orla de Boa Viagem, os morros de Recife, a cultura do morro, entende? O folclore, a tradição do Morro da Conceição. Tudo isso eu acho que a gente explora pouco. Veja Salvador. Tudo o que se faz ali, na Bahia, o País inteiro toma conhecimento. Que me perdoem os baianos, mas Recife tem muito mais o que mostrar do que Salvador.

Na Infraero é possível se fazer algo pelo Recife?

            Eu acho que, se eu não fui prefeito do Recife, pelo menos terei a consciência de que colaborei, agora no Governo do Lula, para concluir um projeto que é fundamental para Recife, para essa divulgação de Recife, que é o aeroporto. Tenho a certeza de que a eleição do presidente Lula foi muito, muito importante para que a gente concluísse esse projeto.

O aeroporto do Recife vai ficar assim, tão movimentado quanto o de Salvador? Com toda aquela integração?

            Vai ficar mais bonito e melhor. O aeroporto de Recife vai ser o mais bonito do Nordeste. O maior aeroshopping, maior do que o de Salvador, e nós vamos ter também… Antes de sair da Infraero, quero colocar em discussão um projeto para aproveitar a melhor área do antigo aeroporto. Na minha cabeça, penso que ali tem que se transformar em teatro, em cinema, numa área de lazer, porque Boa Viagem é o principal bairro da Cidade do Recife hoje, principalmente no aspecto populacional. E não tem o lazer como se faz necessário. O aeroporto fica situado numa área privilegiada. Essa área tem que ser mais bem explorada.

Na sua visão, João Braga, que foi vetado pelo PSDB, conseguiu transferir votos para o senhor?

            Braga trabalhou muito. Foi uma pessoa extremamente correta comigo. Fez campanha… Ajudou a Cidade do Recife. Mas essa questão de transferência de votos é muito difícil. Você recebe apoios, mas tem que conquistar o voto. Não é porque uma grande liderança lhe apoia que você vai se eleger. Os apoios são importantes, mas é você próprio que tem que ter a capacidade de conquistar os votos daquela liderança. Veja o sucesso que foi a administração de Jarbas. Braga foi um grande secretário, desde a primeira administração ele sempre esteve com Jarbas. Jarbas tem… Justiça de faça, ele se cerca bem, ele forma bem a equipe dele. E depois, Braga, por ter desempenhado esse papel importante na Prefeitura, se achou habilitado para disputar e foi triturado na sua pretensão. Como não conseguiu ser candidato, deu o seu apoio a mim, o que considero natural, já que havia apoiado ele em 96. Ele fez tudo para que eu pudesse me eleger prefeito em 2000.

Qual foi o papel que ele exerceu dentro do comitê?

            Não teve nenhum papel oficial assim. Ele andava, fazia as caminhadas comigo, discutia a estratégia, dava conselhos, enfim, participava de tudo um pouco.

Deu contribuições para o plano de governo também?

            Participou da elaboração do plano de governo. Se eu tivesse sido eleito, ele sabe que seria uma das forças mais importantes na minha administração. Fico feliz por vê-lo novamente voltando a colaborar agora por Pernambuco. Ocupando pastas relevantes no Governo de Jarbas Vasconcelos.

Das pessoas que conhecem bem o Recife, como o senhor, seria correto afirmar que acha que Braga é uma das pessoas que conhece bem o Recife?

            Braga, com absoluta certeza, conhece o Recife muito mais do que eu, muito mais do que a maioria daqueles que administraram a Cidade do Recife.

É verdade que, no segundo turno, ele foi um grande professor para orientar João Paulo nos debates?

            Ajudou também, inclusive acompanhou até nos estúdios de televisão. Por conta do primeiro turno ter sido tão radicalizado, tão duro entre eu e Roberto Magalhães, era ele quem acompanhava João Paulo. E quem acompanhava Roberto Magalhães era Gustavo Krause.

O senhor fez uma aliança com o PSB. O fato de Arraes na época está desgastado não acabou contribuindo para atrapalhar seus planos de chegar ao segundo turno?

            Isso foi muito usado na campanha, pelo pessoal de Jarbas, principalmente. Não quero falar do pessoal de Jarbas, para não ser injusto. Era, na verdade, o pessoal que trabalhava para Roberto Magalhães. Vincularam, novamente, Arraes e, consequentemente, meu palanque, ao escândalo dos precatórios. Mas, ficou muito claro que nunca tivemos nada, absolutamente nada em relação aos precatórios. Arraes era muito forte em algumas cidades do interior, os chamados grotões, mais  ele se desgastou muito no Governo, de 94 a 98. Agora, eu me orgulho muito de ter recebido o apoio dele, tenho um respeito muito grande pelo ex-governador Miguel Arraes, de quem eu me orgulho também de ter sido vice. O apoio dele, de Dilton, de Eduardo Campos, para mim não era apenas eleitoral. Aquilo que eu estava dizendo antes, você não recebe apenas o apoio eleitoral, você recebe também o apoio político e era muito Importante para mim receber e apoio de Arraes.

E de Roberto Freire?

            Roberto Freire também.

Mas, Freire tinha mais identificação com a cidade?

            Não, Roberto Freire não tem identificação com o Recife. Roberto Freire é um homem de esquerda, mas teve uma votação inexpressiva como candidato majoritário no Recife. Muito fraca, embora seja uma liderança nacional. A presença dele no palanque era muito importante. O apoio de Arraes e Freire eram até simbólicos, como referenciais de esquerda no Estado e no Brasil. Enquanto João Paulo tinha apenas o apoio do PT, com o PSB e o PPS me consolidei como um candidato que agregava mais o centro-esquerda.

No depoimento que deu a mim, o senador Sérgio Guerra disse que um dos erros da campanha foi fixar que o adversário do segundo turno era o senhor e esqueceram João Paulo.

            É, essa foi a tática deles. O governador Jarbas reconhece isso. Achava que eu seria um candidato muito mais perigoso, no segundo turno, do que João Paulo. Pensaram em mim, conseguiram me derrotar e perderam a eleição para João Paulo. Nesse ponto, ele tem razão.

Quando o senhor fala em fraude, quer sugerir que aquele produtor que acusou o calote foi comprado?

            Ah, não, aquilo foi uma grande farsa.

Mas, ele foi comprado?

            Não sei, porque não tenho provas, não posso dizer uma coisa que eu não provo. Agora foi uma grande farsa, inclusive teve a participação do PSDB, do deputado Luiz Piauhylino. Chegou a dizer que o partido não tinha nada a ver com aquilo. Como se eu tivesse sido candidato, em 98, pelo PSDB e não fosse do PSDB. A responsabilidade de uma campanha é do partido ao qual o candidato é filiado. Não é o candidato que é o coordenador financeiro de campanha. Então, foi tudo montado. Para mi, foi a grande farsa que se montou na campanha de 2000. E aquilo me machucou muito. Para falar a verdade, me machucou demais. Eu procuro esquecer, mas foi uma coisa que me marcou muito na minha carreira.


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PREF DE OLINDA DESAFIOS DA PANDEMIA 21

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10/05


2021

Ciro Gomes se compara a Joe Biden em vídeo

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) publicou vídeo nas redes sociais, hoje, no qual compara seu plano de governo ao do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, eleito após derrotar o republicano Donald Trump, em 2020. Nas últimas semanas, o político começou a publicar vídeos em tom de campanha eleitoral de olho nas eleições presidenciais de 2022.

A peça indica que o plano de Biden e o plano de Ciro “têm muitas semelhanças” quando se trata de impostos: “cobrar mais dos muito ricos e menos dos mais pobres e da classe média”.

“Biden quer aumentar impostos sobre os lucros das grandes empresas, os ganhos de capital e os dividendos dos mais ricos”, diz sobre o plano Joe Biden.

Ao falar sobre o projeto nacional de Ciro, afirma: “Ciro quer diminuir a carga para os pobres e a classe média. Aumentar impostos sobre grandes heranças e grandes fortunas. E cobrar sobre lucros e dividendos”.

Joe Biden derrotou em 2020 o republicano Donald Trump, que tinha no Brasil o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que deve buscar a reeleição em 2022.


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Ipojuca 2021

10/05


2021

Entrega de vacinas pode atrasar por falta de insumos

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse, hoje, que o Brasil deverá sentir em junho os impactos do atraso na liberação do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) vindo da China. O insumo é ingrediente essencial para fabricação das vacinas contra a covid-19. A expectativa do instituto é que 4.000 litros do insumo sejam enviados até a quinta-feira e cheguem uma semana depois. As informações são do Portal Poder360.

De acordo com Dimas Covas, o Ministério da Saúde receberá 2,1 milhões de doses da CoronaVac divididas em duas entregas até a sexta-feira. No entanto, depois desses imunizantes, o Instituto Butantan ficará sem vacinas contra a covid-19 por causa da falta do IFA.

“Situação parecida com essa também é enfrentada pela Fiocruz. A informação que tenho é de que ela também não teve seu IFA liberado”, informou Covas durante a cerimônia de entrega de 2 milhões de doses da CoronaVac ao ministério.

O diretor do instituto e o governador João Doria (PSDB) atribuíram a dificuldade para o IFA ser liberado à postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de integrantes do governo federal, que fizeram declarações contra a China.

“Cada vez que manifestações são feitas aqui de forma desagradável em relação à China, isso cria dificuldades claramente à autorização do governo chinês para o embarque desses insumos para o Brasil”, afirmou Doria.

O país asiático é fornecedor de insumos para a produção da CoronaVac, do Instituto Butantan, e da vacina de Oxford, produzida pela Fiocruz.


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Petrolina abril 2021

10/05


2021

Fraude em exames da Covid-19

A edição do jornal digital O Poder Brasil de hoje, que já está circulando para os seus assinantes, traz uma denúncia bombástica: pessoas que estão com Covid-19 tentam subornar funcionários públicos ou de laboratórios privados para conseguir o nada consta. Com isso, pretendem frequentar, mesmo doentes, ambientes controlados ou até fazer viagens internacionais.

Além disso, como a criatividade para o mal não tem limites, já foi descoberta uma fórmula que, usando meios caseiros, os doentes conseguem mascarar a doença por algum tempo e enganam a coleta do material.

Trata-se de um assunto indignante e da maior gravidade. Mais informações no www.jornalopoder.com.br


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10/05


2021

Representações pedem para apurar orçamento secreto

Três representações protocoladas hoje pedem ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério Público Federal que investiguem se o governo criou um "orçamento secreto" em troca de apoio parlamentar, segundo apontou o jornal "O Estado de S. Paulo".

De acordo com reportagem do jornal publicada ontem, o governo federal teria montado um orçamento paralelo de R$ 3 bilhões por meio do qual deputados e senadores aliados indicavam obras públicas e compra de equipamentos em suas bases eleitorais. Parte dos recursos teria sido destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas com valores superfaturados, segundo o jornal.

O Ministério do Desenvolvimento Regional contesta a reportagem e afirma que não há irregularidades. Das três representações, duas são dirigidas ao TCU e uma ao Ministério Público Federal. Ao TCU, recorreram o subprocurador-geral da República Lucas Furtado e o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ). A bancada do PSOL na Câmara fez representação à Procuradoria-Geral da República.

Os deputados e senadores têm direito às chamadas emendas individuais, limitadas a R$ 16,3 milhões por parlamentar – metade vai obrigatoriamente para a saúde. O chamado "orçamento secreto" permitiria que indicassem obras em valores superiores, executadas pelo Ministério do Desenvolvimento Regional e pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal subordinada à pasta.

Na representação que protocolou no TCU, o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado pede a adoção "das medidas necessárias a apurar a notícia de que o Presidente Jair Bolsonaro criou orçamento secreto em troca de apoio parlamentar, promovendo a análise, de maneira urgente e aprofundada, do esquema denunciado pela reportagem do site Estadão, de modo a identificar as fragilidades da metodologia de distribuição de recursos a parlamentares e determinar as alterações necessárias ao procedimento denunciado”.

Segundo Furtado, a verba do orçamento paralelo seria aplicada "à margem de todo o regramento constitucional, legal e regulamentar, em ofensa ao princípio da isonomia que orienta a distribuição de recursos orçamentários entre os parlamentares no regime das emendas individuais e sem a transparência que requer o uso de recursos públicos".

Ele diz, ainda, que os fatos denotam, em tese, "inadequada execução orçamentária, motivada supostamente por interesses políticos", podendo "caracterizar eventual crime de responsabilidade, por atentar contra a lei orçamentária".

Líder da minoria na Câmara, o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) enviou uma representação à presidente do TCU, ministra Ana Arraes.

No texto, o deputado pede que a Corte instaure uma auditoria para apurar todas as circunstâncias denunciadas pela reportagem e eventuais responsabilidades.

Na representação, Freixo lembra que os 513 deputados e 81 senadores têm direito a indicar, no máximo, R$ 8 milhões em emendas por ano, além dos R$ 8 milhões que vão necessariamente para a saúde.

"No entanto, os parlamentares que apoiaram os candidatos do governo nas eleições para as presidências das casas do Congresso Nacional conseguiram expandir o poder de direcionar gastos do orçamento”, argumenta.

Ele afirma, ainda, que as possíveis ilegalidades apontadas pela reportagem de "O Estado de S. Paulo" não se deram "apenas no âmbito do desvio de finalidade na utilização de verbas públicas. Há também superfaturamento na compra de produtos agrícolas”.

A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados ingressou com representação no Ministério Público Federal (MPF) contra o presidente Jair Bolsonaro, o ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e o diretor-presidente da Codevasf, Marcelo Pinto.

Os deputados do PSOL argumentam que a reportagem revela um “esquema que atropela leis orçamentárias, regras legais e a Constituição Federal". "Para além disso, tem o objetivo de dificultar o controle do Tribunal de Contas da União (TCU) e da própria sociedade. Contrariando princípios administrativos consagrados, os acordos para direcionar o dinheiro não são públicos e não têm transparência”, diz a representação.


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ALEPE

10/05


2021

FBC: Bolsonaro vai lançar programa social robusto

Desgastado pelo mau desempenho do Brasil na pandemia e pelo início dos trabalhos da CPI da Covid, o presidente Jair Bolsonaro apostará em medidas na área social e na recuperação da economia para melhorar a imagem da sua gestão. As informações são do Blog do Valdo Cruz.

Segundo o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), Bolsonaro vai lançar um "programa social muito robusto em julho, para começar a valer em agosto". A data coincide com o fim dos pagamentos do novo auxílio emergencial.

Bezerra disse que o programa será uma nova versão do Bolsa Família, com a inclusão de mais lares e um novo valor para o benefício. A proposta está sendo elaborada pelo ministro da Cidadania, João Roma, e vai contar com recursos do orçamento do Bolsa Família, mais de R$ 35 bilhões.

Atualmente, esse montante não está sendo usado, porque as famílias do programa estão recebendo o auxílio emergencial, bancado com recursos fora do teto de gastos.

"É natural que neste momento o presidente sofra um pouco de desgaste, mas mesmo assim ele mantém um apoio importante junto à população. E, depois desse início da CPI, o presidente vai se recuperar. Ele vai lançar um programa social robusto em julho, e a economia vai melhorar no segundo semestre, puxada num primeiro momento pelo aumento das nossas exportações e depois pelo avanço da vacinação", afirmou o senador.

Em relação à CPI da Covid, ele disse o governo cometeu alguns erros durante o combate à pandemia, mas afirma que os acertos foram maiores e, segundo o senador, isso "ficará claro com outros depoimentos na comissão, destacando as medidas adotadas para socorrer os vulneráveis, trabalhadores, empresas, estados e municípios".

Além disso, Bezerra diz que, na avaliação do governo, não há base jurídica para responsabilizar o presidente "por defender que as pessoas não fossem impedidas de trabalhar".

O líder do governo no Senado disse que o Brasil está sendo favorecido neste momento por um novo boom das commodities, o que está se refletindo nas exportações brasileiras.

"O saldo positivo da balança comercial, que era previsto em US$ 40 bilhões, pode fechar o ano em US$ 80 bilhões. O vento na economia começa a ficar a favor do país", afirmou Fernando Bezerra. Ele faz uma previsão otimista para o crescimento da economia neste ano, acima de 3%.


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Bandeirantes 2021

10/05


2021

Na CPI, Humberto pede nova convocação de ministro

Titular da CPI da Covid, o senador Humberto Costa (PT-PE) protocolou, na tarde de hoje, um novo pedido de convocação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Para o parlamentar, o ministro deixou muitas perguntas sem respostas e, mais do que isso, esquivou-se de prestar contas ao Senado sobre atos que estavam prontos e só foram divulgados após o fim do seu depoimento.

No documento entregue à comissão, Humberto diz que Queiroga "foi lacônico em muitos aspectos, inclusive e sobretudo porque alegou estar há poucos dias na condição de ministro da Saúde". "Isso, por si só, já foi um gesto desrespeitoso. Ele deveria ter estudado os temas para vir ao depoimento minimamente munido. Sua fala também foi contraditória em diversos aspectos. Mesmo médico e tendo presidido a Sociedade Brasileira de Cardiologia, que condenou o uso da cloroquina, da azitromicina, da ivermectina e da hidroxicloroquina contra a covid, ele fez de tudo para não confrontar Bolsonaro. E mais: até hoje, não revogou portaria do Ministério que prescreve o uso de medicação para esse fim", afirmou o senador, que é ex-ministro da Saúde.

Humberto criticou ainda Queiroga por não ter trazido ao conhecimento da CPI o fato de que sua pasta, dois dias antes, tinha editado uma portaria dispondo sobre procedimentos de cobrança administrativa e de instauração de tomada de contas especial em relação a recursos do Ministério da Saúde, aumentando a pressão sobre estados e municípios. A medida se insere no esforço do Planalto de mudar o foco das investigações da comissão para tirá-lo de Bolsonaro e jogá-lo sobre governadores e prefeitos. A decisão só foi conhecida por reportagem da imprensa.

"Essa portaria mostra que há uma ação coordenada no governo federal para minar nossos esforços e evitar a apuração das mais de 420 mil mortes a que chegamos até agora. Não vamos nos desviar. Não vamos perder a nossa rota. A cada dia, temos mais e mais elementos que confirmam a ação deliberada do governo em favor da expansão do vírus, enquanto empurrava remédios ineficazes na população. Isso está claro como causa direta desta que é a maior tragédia sanitária que vivemos na nossa história", disse Humberto.


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Serra Talhada 2021

10/05


2021

Raquel abre sinecura para filho de Roberto Freire

Leitores atentos ao Portal da Transparência da Prefeitura de Caruaru enviaram, hoje, ao blog, a informação de que João Baltar Freire, filho do presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, está lotado no gabinete da prefeita Raquel Lyra (PSDB) como consultor técnico. O cargo comissionado ocupado por ele tem um salário de R$ 9 mil por mês e carga horária de 8h semanais. Isso mesmo, uma verdadeira sinecura.

A admissão não é ilegal, mas está sendo considerada imoral pelo valor recebido e a carga horaria “trabalhada”, sobretudo pelo fato de Raquel se apresentar como vestal, discriminar políticos de sua terra e tratar vereadores da sua base a pão e água.


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Anuncie Aqui - Blog do Magno

10/05


2021

Deputado anuncia investimentos para Taquaritinga

No dia em que celebra aniversário, o município de Taquaritinga do Norte recebeu mais um presente. Ao lado do prefeito Ivanildo Mestre (Lero), do deputado estadual Diogo Moraes, do vice Gena, vereadores e secretários municipais, o deputado federal Ricardo Teobaldo anunciou recursos para o município na ordem de R$ 4 milhões de reais para as áreas de saúde e educação. A agenda de hoje também contemplou uma série de inaugurações, algumas delas com recursos provenientes de emendas parlamentares do deputado Ricardo Teobaldo.

Para ele, a chegada de novos recursos vai ajudar ainda mais a administração do prefeito Lero. "Fico muito contente de estar aqui em Taquaritinga para celebrar esse aniversário de emancipação e anunciar recursos. Estamos destinando cerca de R$ 4 milhões de reais para o município. Nosso gabinete está à disposição do povo de Taquaritinga", frisou Ricardo.

Foram destinados R$ 1.242.000,00 para aquisição de 5 ônibus escolares; cerca de R$ 1,8 milhão para construção de uma escola com seis salas e quadra no povoado de Vila do Socorro e mais R$ 700 mil para investimentos em saúde, sendo R$400 mil para alta e média complexidade e R$300 mil para atenção básica.


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10/05


2021

Vitória: Fiscalizações voltam a dispersar aglomerações

Mais uma ação da Vigilância Sanitária foi realizada, neste final de semana, em Vitória de Santo Antão, com o intuito de verificar o funcionamento dos estabelecimentos comerciais em relação às medidas sanitárias de distanciamento social e o atendimento destes locais em conformidade com as normas vigentes de combate à Covid-19.

As fiscalizações em caráter educativo vêm ocorrendo todos os finais de semana e devem perdurar por todo o período pandêmico. Mais uma vez, proprietários dos pontos comerciais foram orientados e reeducados sobre o uso de máscaras, utilização de álcool a 70% e o distanciamento entre os clientes.

Apesar das ações terem sido intensificadas, algumas pessoas ainda seguem contrariando a gravidade da doença, não utilizando máscaras e promovendo aglomerações, principalmente em bares e praças. “A Vigilância segue fazendo o seu papel, orientando as pessoas, visitando os estabelecimentos, conversando com os proprietários e solicitando o uso da máscara. Mesmo assim, infelizmente, muita gente não acredita no perigo trazido pela Covid-19 e saem para aglomerar, colocando a própria vida em risco”, pontuou Nathália Álvares, coordenadora da Vigilância Sanitária.

Segundo o boletim epidemiológico divulgado ontem, Vitória de Santo Antão registrou 4.206 casos confirmados da doença, com 231 casos que evoluíram para óbito. Alheios a esses dados e mesmo com todas as ações educativas que vem sendo desenvolvidas desde o final de janeiro, jovens voltaram a se concentrar na praça da Matriz.

Após vídeos circularem pelas redes sociais mostrando essas novas aglomerações no final de semana passado, as incursões voltaram a contar com a presença da Polícia Militar, que acompanhou a ação junto com a Guarda Municipal e Corpo de Bombeiros. A força de segurança precisou promover, pacificamente, a dispersão dessas pessoas que formavam os pontos de aglomerações.

O telefone 190 da Polícia Militar e o número (81) 3526-8900, do 21º Batalhão, podem ser utilizados pelos vitorienses para denunciar aglomerações e qualquer tipo de evento ou festas que estão proibidos até 24 de maio com a prorrogação do decreto do Governo do Estado com medidas restritivas de circulação.


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10/05


2021

Caos em Camaragibe

Reeleita com a promessa de organizar e melhorar a saúde de Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife, a prefeita Doutora Nadegi (Republicanos), que por ironia do destino é médica, virou uma unanimidade, a de responsável por jogar a saúde, literalmente, na UTI. Pelas redes sociais, com mensagens que respingam também neste blog, o bombardeio em cima do seu desgoverno virou uma rotina, algo que vem corroendo sua imagem.

Além da pandemia da Covid-19, presente naturalmente em todos os municípios, Camaragibe não consegue, por incompetência dela e descaso da sua equipe, mudar a curva em ascensão de casos e mortes provocados pela doença. Há superlotação de hospitais, e, para complicar, surto de dengue e chikungunya, doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti. A situação é dramática, não há atendimento médico sequer para os casos mais graves da enfermidade.

Moradora do bairro Céu Azul, a técnica de enfermagem Cláudia Correia enviou uma mensagem à redação do blog relatando o sofrimento que passou para ser atendida nas unidades de saúde da cidade, sem sucesso.

Acometida pela chikungunya desde o último sábado, com febre alta e muitas dores pelo corpo, ela procurou atendimento na Unidade Básica de Saúde Expansão Timbi, hoje, próximo à sua casa, mas foi informada que não havia médico disponível para atendê-la. Mesmo com muitas dores, sem conseguir se locomover e sem atendimento do Samu para esses casos no município, Cláudia se dirigiu ao Hospital Municipal Dr. Aristeu Chaves, no centro da cidade, onde disseram que “se o caso não for acidente, tiro, ou Covid-19, o hospital não aceitaria o paciente”.

“Preciso ser atendida por um médico e não posso contar com isso na minha cidade, preciso de um atestado, pois não estou em condições de trabalhar, mas não encontro atendimento em Camaragibe. No ano passado, eu tive a Covid-19 e procurei atendimento no Cemec ouvi de uma médica que “se eu não estivesse morrendo, ela não poderia me atender”, eu estava morrendo. Eu posso estar morrendo agora, mas vou morrer em cima da minha cama porque não tem médico que me atenda em Camaragibe, desabafou Cláudia.

Nas redes sociais, as denúncias são insistentes e preocupantes. Na página do Instagram do Camaragibe Agora, um perfil com notícias sobre a cidade, moradores se queixam da falta de atendimento em outros postos no município. Em uma postagem sobre o atendimento restrito nas UPAS da Caxangá, Torrões e São Lourenço, os internautas reclamam que as unidades de saúde de Camaragibe só aceitam pacientes com Covid-19.

Além dos problemas na Saúde, a Prefeitura também está sendo acusada de não combater as endemias, segundo outros comentários na postagem do Camaragibe Agora. Os agentes que visitam as casas distribuindo veneno que mata a larva do Aedes aegypti não estão circulando pela cidade, o que fez aumentar os casos das doenças no município. Com a palavra, a desastrosa prefeita de Camaragibe.


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10/05


2021

João anuncia vacinação para novo grupo no Recife

A partir das 18h de hoje, as pessoas com deficiência, com mais de 18 anos, beneficiárias do Benefício de Prestação Continuada (BPC) já poderão agendar a vacina contra a covid-19 por meio do aplicativo ou site do Conecta Recife. A imunização desse público começará amanhã. O prefeito João Campos (PSB) fez o anúncio na manhã desta segunda na Prefeitura da Cidade do Recife.

“A gente começa a semana com um novo anúncio de vacinação. A partir de hoje, às 18h, estará disponível no Conecta Recife, o agendamento para as pessoas com deficiência que são beneficiárias do BPC - Benefício de Prestação Continuada.  Então você que conhece alguém que faz parte desse grupo, ajuda a essa pessoa a fazer o agendamento, que ela já pode se vacinar a partir de amanhã. Lembrando que qualquer unidade de saúde da nossa cidade tem pessoas que podem ajudar a fazer a inscrição no Conecta Recife e o agendamento. Contamos com a solidariedade de todos e todas para poder ver as pessoas com deficiência sendo vacinadas na nossa cidade”, declarou João.

Esse novo público deve anexar uma cópia do cartão do benefício, ou documento que comprove a curatela, e comprovante de residência no momento do agendamento no Conecta Recife. É importante também levar todos os documentos ao local onde será imunizado, no dia e hora agendados previamente para a vacinação.

O app Conecta Recife está disponível gratuitamente na PlayStore, para Android, e AppStore, para quem utiliza o sistema iOS. O endereço do site é www.conectarecife.recife.pe.gov.br. No Recife, 348.300 pessoas já foram vacinadas. Dessas, 183.349 já receberam inclusive a segunda dose. O total de doses aplicadas é 531.649.


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Comentários

Fernandes

Bozoloide, tem calma quem brinca com a vida dos outros é teu mito Bolzonaro, ele recusou a compra da vacina Pfizer. Vamos ser coerentes.

joao carlos da silva

Esse idiota fica toda semana fazendo politicagem criando grupos de vacinações, enquanto muitos como eu, passamos do prazo para tomar a segunda doze da coronavac e não tem a vacina, simplesmente, porque ele não guardou a segunda dose. Fica brincando com a vida dos outros.